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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A Ilha do Farol

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

De repente, o misterioso magnata cuja história Angie Stuart escreveu irrompe na livraria e a insulta na frente de todos.

Furioso, Flint Masters a desafia a visitá-lo em sua ilha particular, onde revelará seu lado mais íntimo, para outra biografia, agora exclusiva.
Assustada, Angie não sabe se aceita a proposta tentadora. Apesar de ser a maior chance de sua vida, teme pelo risco de ficar a sós com o irresistível anfitrião.


Capítulo Um

Sentada diante da antiga escrivaninha entalhada, Angie Stuart observava a longa fila que saía pela porta da livraria abafada e já chegava à calçada. O espaço restrito do pequeno estabelecimento nunca fora tão disputado como naquela tarde de autógrafos. O calor tropical e a claridade do sol de Miami tornavam o ambiente sufocante.
Ela desejava ter prendido num coque os cabelos fartos e longos que lhe caíam pelos ombros numa cascata dourada. Sentia-se pouco à vontade no vestido de seda azul-violeta, que lhe grudava teimosamente ao corpo e realçava suas curvas generosas e bem-feitas.
Entretanto, apesar do desconforto, não cabia em si de felicidade por perceber que seu livro estava no caminho do sucesso. Sim, embora ninguém o soubesse, era ela a autora, e orgulhava-se de sua obra.
Com os dedos longos e finos alisou um dos exemplares, como se ainda precisasse tocá-lo para acreditar que existia. Memórias íntimas de Flint Masters, de Felícia Marlowe. 
Involuntariamente, fez uma careta ao olhar para a capa. O título era um rabisco de batom vermelho-escuro sobre uma foto de lençóis de cetim branco sugestivamente amassados.
Ela continuava achando que o diretor de arte exagerara. Obviamente, a ilustração de capa era um elemento indispensável para qualquer livro, ainda mais para um que pretendesse explorar a biografia do misterioso Flint Masters. Mas ela tentara dar uma conotação séria à obra e aquela capa colocava em evidência a futilidade do estilo de vida de Flint Masters e seu breve relacionamento com Felícia Marlowe. 
Enfim, não podia fazer nada, pois não passava da “escritora-fantasma”, cujo nome nem sequer aparecia na capa.
Com um suspiro de resignação, pegou uma pilha de livros e, abrindo espaço entre a multidão, constituída de mulheres na sua maioria, depositou-os do outro lado da longa mesa retangular, onde a “autora” autografava sem parar com toda a pompa.
Felícia estava mais adorável e excitante do que nunca. Seus olhos verdes faiscavam como esmeraldas no rosto, muito claro e levemente ruborizado, que combinava com o vermelho-vivo dos cabelos. Sorria exageradamente, tagarelando com animação, tendo relaxado a postura habitualmente distante diante dos admiradores que a cercavam de gentilezas.
Angie acabara de se debruçar sobre a mesa, para calcular o número de exemplares já vendidos, quando uma forte e poderosa mão surgiu bem na direção dos seus olhos, segurando um exemplar do livro. Com uma voz particularmente grave, o dono daquela mão pediu:
— Poderia me conceder seu autógrafo?
Sem palavras, Angie fez um gesto com a caneta na direção de Felícia.
— Você é Angie Stuart, não é?