Laurel foi para a ilha Destino, no arquipélago das Canárias,
com uma dupla missão: pesquisar as possibilidades turísticas da ilha e tomar conta da rebelde adolescente, filha do seu chefe, para que não se envolvesse outra vez em encrencas.
Logo de início, teve dois encontros desastrosos com o senhor da ilha, o Conde Rodrigo de Renzi, cujo magnetismo envolvente fez com que ela se apaixonasse.
Mas o êxito do seu projeto, que era secreto, dependia exclusivamente da boa vontade de Rodrigo. Deveria contar-lhe toda a verdade e renunciar a seu amor, ou manter seu segredo, para que ele não se afastasse dela?
Capítulo Um
Graças a Deus, logo seria sábado!
Laurel Daneway colocou o bloco de anotações sobre a mesa do chefe, cobriu a máquina de escrever e trancou a gaveta. Depois fez uma figa.
Não que fosse uma garota muito supersticiosa, mas ainda faltava muito para o dia acabar, apesar de já ser quase sete horas, uma hora além do seu horário de saída normal.
Estava mesmo começando a imaginar que devia existir um gênio maligno, cujo dia de alegria era sexta-feira, treze. Se houvesse, hoje tinha tido um grande dia, pelo menos em relação à Empresa de Férias Panorama!
O chefe tinha saído mais cedo por problemas de família, o guia de Roma tinha ficado doente, a inauguração do novo Hotel La Reina fora novamente adiada — e para onde se poderia transferir trezentas pessoas que esperavam aproveitar a primeira semana de gala?
E as notícias da hora do almoço para culminar! Uma pequena revolução em Saringo, o último lugar pacífico no mundo, pelo menos no que se relacionava a férias planejadas. Não tinham tido problemas com revoluções há pelo menos dois mil anos! E agora, bem no meio de tudo, encontravam-se ali quarenta e cinco nervosos e apreensivos hóspedes de meia-idade.
Tudo isso fazia com que Laurel achasse que suas próprias atribulações — como a meia desfiada, perder o ônibus naquela manhã e seu programa de fim de semana não ter dado certo — parecessem completamente sem importância.
Tinha até murmurado imprecações contra o patrão ausente e depois se arrependido, pois, afinal, ele era uma ótima pessoa para se ter como chefe, e todas aquelas más notícias estariam aguardando por ele na manhã seguinte...
Laurel franziu a testa ao dar uma olhada à sua volta antes de sair do escritório. Será que tinha agido certo ao mandar Jeanne no voo noturno para Roma e ter telefonado para Ray, em Tânger, para que deixasse tudo com seu assistente e fosse de qualquer jeito para Saringo cuidar daqueles quarenta e cinco preciosos hóspedes...?
Normalmente ela não precisava tomar decisões tão vitais, mas não havia mais ninguém.
O telefone começou a tocar assim que fechou a porta. Suspirou baixinho, parada, indecisa no corredor, depois, rapidamente, abriu a porta, desejando que o telefone parasse de tocar antes que ela pudesse atender, a não ser que fosse Phii para dizer-lhe que tinha conseguido se livrar dos compromissos para a noite.
Mas não era Phil, era o chefe.
Ele falou rápido, parecendo não perceber o tom de desapontamento que Laurel não conseguia esconder e, sem deixar que ela começasse a contar os desastres do dia, disse:
— Você está livre? Poderia estar aqui às oito?
— Acho que sim. — O que seria de tão importante que o sr. Searle tinha para discutir com ela?
— Não se preocupe em ir para casa trocar de roupa. Você sempre consegue estar tão atraente quando sai do escritório como quando chega de manhã.
— Muito obrigada — disse ela, sabendo que Gordon Searle não costumava dispensar elogios à toa.
— Mas?...
— Desculpe-me por estar fazendo isso — disse ele -, mas eu preciso da sua ajuda, Laurel. Preciso mesmo. Será que podia vir o mais rápido possível? Pegue um táxi, está bem?

