No orfanato, todos diziam que Liane era uma garota de sorte
por ter um rico protetor que queria levá-la para sua casa na Sardenha. Mas ela estava amedrontada: quem seria esse sr. Malaspina de quem nunca tinha ouvido falar? O que esperava em troca da vida de luxo que lhe oferecia?
Viajou com o coração pesado de desconfiança, sabendo que ia se sentir um patinho feio naquele ambiente de milionários.
A realidade, porém, era ainda mais cruel do que imaginava. O rico italiano tinha mesmo um motivo secreto para mandar buscá-la. E seu filho Marcello humilhou Liane desde o primeiro dia. Para ele, ela não passava de uma aproveitadora, e o lindo tom dourado de seus olhos era o brilho da cobiça!
Capítulo Um
Liane não estava ansiosa para sair do Orfanato St Morrow. Sabia muito bem o que significava aquele chamado à sala da sra. Morton: o aviso de que o orfanato, sua casa durante tantos anos, ia se transformar numa recordação.
Hesitante, bateu à sólida porta de carvalho, depois abriu-a e entrou.
Liane era uma garota magra, de expressão amedrontada, grandes olhos de um castanho-dourado, cabelos levemente ondulados.
Parou diante da enorme mesa e cruzou as mãos, nervosa.
— Não fique com tanto medo. — Lucy Morton disse suavemente. — Tenho boas notícias para você.
— Encontrou algum lugar para onde eu possa ir?
A mulher sorriu e pegou uma carta.
— Você é uma jovem de muita sorte. Não é sempre que alguém aqui consegue essa chance. Na verdade, durante os trinta anos que passei dirigindo este lugar, acho que nunca vi nada parecido.
Liane gostaria que a sra. Morton fosse diretamente ao assunto. Não conseguia imaginar por que estava tão animada.
— Sente-se. Acho que vai levar um susto.
— O que é, afinal, tia Lucy?
— Você vai para a Sardenha!
— Sardenha! — Liane repetiu, depois de um longo silêncio.
— Mas... por quê? Quem... ? — Não estava entendendo.
Não gostaria de ir para o exterior. Não queria sair do orfanato e, muito menos, ir embora da Inglaterra. Era um pensamento que a amedrontava. Arregalou os olhos, sem acreditar no que tinha ouvido.
— Do que está falando?
— Disto. — A diretora sorriu. — Chegou uma carta do sr. Malaspina. Ele convida você para se hospedar em sua casa pelo tempo que quiser. É uma ótima chance, Liane, e estou muito satisfeita.
A garota empalideceu.
— Sr. Malaspina? Quem é e!e? Por que me escolheu?
— É o seu benfeitor, garota. É quem manda aqueles lindos presentes.
Durante toda a vida, no dia do aniversário e no Natal, sempre recebia presentes caros e misteriosos. Isso acabara causando inveja às outras crianças e uma situação delicada para Liane, que fora se tornando cada vez mais tímida.
— Foi uma surpresa também para mim, mas tinha algumas esperanças. Investiguei um pouco a vida do sr. Malaspina. Ele é um homem muito rico, Liane, com negócios no mundo inteiro. Tem muita sorte que ele a aceite em casa. Nenhuma das outras crianças teve essa oportunidade.
— Mas se ele me conhecia, por que esperou até agora para me convidar?
A sra. Morton deu de ombros.
— Não sei. Não está contente? Percebe que é a grande chance de sua vida?
— Sim. tia Lucy. — Liane respondeu, um pouco em dúvida, tentando sorrir. Sentia-se aterrorizada, mas era do tipo que se controla em situações difíceis. Além do mais, não podia dizer à sra. Morton que não queria aceitar o convite.
