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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Garota dos Olhos de Ouro

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
No orfanato, todos diziam que Liane era uma garota de sorte 

por ter um rico protetor que queria levá-la para sua casa na Sardenha. Mas ela estava amedrontada: quem seria esse sr. Malaspina de quem nunca tinha ouvido falar? O que esperava em troca da vida de luxo que lhe oferecia? 
Viajou com o coração pesado de desconfiança, sabendo que ia se sentir um patinho feio naquele ambiente de milionários. 
A realidade, porém, era ainda mais cruel do que imaginava. O rico italiano tinha mesmo um motivo secreto para mandar buscá-la. E seu filho Marcello humilhou Liane desde o primeiro dia. Para ele, ela não passava de uma aproveitadora, e o lindo tom dourado de seus olhos era o brilho da cobiça!


Capítulo Um

Liane não estava ansiosa para sair do Orfanato St Morrow. Sabia muito bem o que significava aquele chamado à sala da sra. Morton: o aviso de que o orfanato, sua casa durante tantos anos, ia se transformar numa recordação. Hesitante, bateu à sólida porta de carvalho, depois abriu-a e entrou. Liane era uma garota magra, de expressão amedrontada, grandes olhos de um castanho-dourado, cabelos levemente ondulados. Parou diante da enorme mesa e cruzou as mãos, nervosa. 
— Não fique com tanto medo. — Lucy Morton disse suavemente. — Tenho boas notícias para você. 
— Encontrou algum lugar para onde eu possa ir? A mulher sorriu e pegou uma carta. 
— Você é uma jovem de muita sorte. Não é sempre que alguém aqui consegue essa chance. Na verdade, durante os trinta anos que passei dirigindo este lugar, acho que nunca vi nada parecido. Liane gostaria que a sra. Morton fosse diretamente ao assunto. Não conseguia imaginar por que estava tão animada. 
— Sente-se. Acho que vai levar um susto. 
— O que é, afinal, tia Lucy? 
— Você vai para a Sardenha! 
— Sardenha! — Liane repetiu, depois de um longo silêncio. — Mas... por quê? Quem... ? — Não estava entendendo.
Não gostaria de ir para o exterior. Não queria sair do orfanato e, muito menos, ir embora da Inglaterra. Era um pensamento que a amedrontava. Arregalou os olhos, sem acreditar no que tinha ouvido. 
— Do que está falando? 
— Disto. — A diretora sorriu. — Chegou uma carta do sr. Malaspina. Ele convida você para se hospedar em sua casa pelo tempo que quiser. É uma ótima chance, Liane, e estou muito satisfeita. A garota empalideceu. 
— Sr. Malaspina? Quem é e!e? Por que me escolheu? 
— É o seu benfeitor, garota. É quem manda aqueles lindos presentes. Durante toda a vida, no dia do aniversário e no Natal, sempre recebia presentes caros e misteriosos. Isso acabara causando inveja às outras crianças e uma situação delicada para Liane, que fora se tornando cada vez mais tímida. 
— Foi uma surpresa também para mim, mas tinha algumas esperanças. Investiguei um pouco a vida do sr. Malaspina. Ele é um homem muito rico, Liane, com negócios no mundo inteiro. Tem muita sorte que ele a aceite em casa. Nenhuma das outras crianças teve essa oportunidade. 
— Mas se ele me conhecia, por que esperou até agora para me convidar? A sra. Morton deu de ombros. 
— Não sei. Não está contente? Percebe que é a grande chance de sua vida? 
— Sim. tia Lucy. — Liane respondeu, um pouco em dúvida, tentando sorrir. Sentia-se aterrorizada, mas era do tipo que se controla em situações difíceis. Além do mais, não podia dizer à sra. Morton que não queria aceitar o convite.