Série Os Herdeiros de Black Castle
Eliana Ferreira jamais conhecera um homem como Rafael.
Poderoso, irresistível, implacável. Embora sua intuição a alertasse de que ele era levado por um desejo obscuro, não se sentia capaz de negar seu amor. Até conhecer as razões ocultas de Rafael.
Capítulo Um
Acordou mais uma vez na escuridão.
As bochechas estavam úmidas, o coração acelerado e o grito pelos pais entalado na garganta.
— Levante-se, Calculadora.
A voz cruel tomava conta de seu peito. Ficou apavorado quando a ouviu pela primeira vez. Pensou que houvesse algum estranho no quarto. Mas logo percebeu que era ainda pior. Não estava mais em casa, mas num lugar estreito, longo e sem janelas e nem mobília. Estava num chão gelado, as mãos atadas às costas. Aquela voz com sotaque carregado dissera o mesmo então.
Foi assim que o pesadelo começou.
— Então o Calculadora quer apanhar de novo.
Esse era o outro homem. Pensava que nunca mais veria outras pessoas na vida. Chamavam-no de Calculadora. Foi por isso que o levaram, por ser bom em matemática.
Sentiu-se ofendido quando disseram isso da primeira vez. Não era “bom em matemática”. Era um prodígio. Era o que diziam seus pais, professores e os especialistas que o procuravam.
Ele os corrigira, e tomou o primeiro tapa por isso. Quase quebraram seu pescoço, lançando-o contra a parede. Ao assimilar o choque e a dor, percebeu que era sério. Não estava mais protegido. Fariam de tudo contra ele.
Inicialmente, ficou furioso. Falou que se o devolvessem aos pais, não contaria sobre o que sofreria. Os dois gargalharam de maneira diabólica. Um deles comentou que o Calculadora levaria mais tempo para ceder que imaginaram.
Insistiu que não se chamava Calculadora. Levou outro tapa, ainda mais forte.
Quando estava estendido no chão, tremendo de medo, os homens contaram o que queriam dele.
— Você nunca mais verá seus pais. Nunca mais sairá daqui. Você é nosso. Se fizer tudo que mandarmos, você não será castigado. Não muito.
Mas ele sempre os desobedecia, independentemente das punições. Esperava que desistissem dele, que o deixassem ir. Mas eles só ficavam mais cruéis, pareciam gostar de machucá-lo e humilhá-lo, mais e mais, e a esperança de escapar daquele pesadelo só diminuía.
— Hoje vamos deixar o Calculadora escolher os castigos?
Ouviu seus torturadores cochichando. Mal conseguia enxergar a silhueta deles com o olho menos inchado. Nesse instante, desistiu.
Enfim percebeu que aquilo que o fizera resistir até então não aconteceria.
O pesadelo nunca acabaria.
Os seqüestradores jamais parariam, seus pais não o resgatariam e ninguém mais o ajudaria. Só pioraria.
E se sua vida seria assim dali para frente, preferia morrer.
Mas não podia se suicidar. Na cela, só havia vasilhas com água suja e um balde para fazer as necessidades. Não tinha como fugir. Nem se matando. Só se...
Refletiu por alguns segundos. Tentara de tudo, menos fazê-los pensar que havia cedido. Talvez o deixassem sair da cela. Conseguiria escapar.
Ou morreria.
Um dos brutamontes chutou-lhe as costelas.
— Levante-se, Calculadora.
Rangendo os dentes de dor, levantou-se.
Uma gargalhada maléfica:
— Finalmente obedeceu, Calculadora.
— Vamos ver se obedece mesmo. — O outro selvagem aproximou a cara fedorenta. — Qual o seu nome, garoto?
O líquido ardente em seu estômago subiu para a boca. Engoliu-o, junto com todo vestígio de resistência.
— Calculadora.
Um novo golpe em seu rosto machucado, menos forte que de costume. Era castigado de qualquer jeito, um pouco menos quando obedecia.
— E por que está aqui?
— Porque sou bom em matemática.
— E o que vai fazer?
— O que mandarem. — Um novo tapa deixou-o zonzo, mas prosseguiu: — Assim que mandarem.
À luz fraca, identificou uma troca de sorrisinhos de satisfação maliciosa.
Pensaram que haviam conseguido dobrá-lo. E conseguiram, mas não pretendia viver o bastante para que aproveitassem o triunfo.
Acordou mais uma vez na escuridão.
As bochechas estavam úmidas, o coração acelerado e o grito pelos pais entalado na garganta.
— Levante-se, Calculadora.
A voz cruel tomava conta de seu peito. Ficou apavorado quando a ouviu pela primeira vez. Pensou que houvesse algum estranho no quarto. Mas logo percebeu que era ainda pior. Não estava mais em casa, mas num lugar estreito, longo e sem janelas e nem mobília. Estava num chão gelado, as mãos atadas às costas. Aquela voz com sotaque carregado dissera o mesmo então.
Foi assim que o pesadelo começou.
— Então o Calculadora quer apanhar de novo.
Esse era o outro homem. Pensava que nunca mais veria outras pessoas na vida. Chamavam-no de Calculadora. Foi por isso que o levaram, por ser bom em matemática.
Sentiu-se ofendido quando disseram isso da primeira vez. Não era “bom em matemática”. Era um prodígio. Era o que diziam seus pais, professores e os especialistas que o procuravam.
Ele os corrigira, e tomou o primeiro tapa por isso. Quase quebraram seu pescoço, lançando-o contra a parede. Ao assimilar o choque e a dor, percebeu que era sério. Não estava mais protegido. Fariam de tudo contra ele.
Inicialmente, ficou furioso. Falou que se o devolvessem aos pais, não contaria sobre o que sofreria. Os dois gargalharam de maneira diabólica. Um deles comentou que o Calculadora levaria mais tempo para ceder que imaginaram.
Insistiu que não se chamava Calculadora. Levou outro tapa, ainda mais forte.
Quando estava estendido no chão, tremendo de medo, os homens contaram o que queriam dele.
— Você nunca mais verá seus pais. Nunca mais sairá daqui. Você é nosso. Se fizer tudo que mandarmos, você não será castigado. Não muito.
Mas ele sempre os desobedecia, independentemente das punições. Esperava que desistissem dele, que o deixassem ir. Mas eles só ficavam mais cruéis, pareciam gostar de machucá-lo e humilhá-lo, mais e mais, e a esperança de escapar daquele pesadelo só diminuía.
— Hoje vamos deixar o Calculadora escolher os castigos?
Ouviu seus torturadores cochichando. Mal conseguia enxergar a silhueta deles com o olho menos inchado. Nesse instante, desistiu.
Enfim percebeu que aquilo que o fizera resistir até então não aconteceria.
O pesadelo nunca acabaria.
Os seqüestradores jamais parariam, seus pais não o resgatariam e ninguém mais o ajudaria. Só pioraria.
E se sua vida seria assim dali para frente, preferia morrer.
Mas não podia se suicidar. Na cela, só havia vasilhas com água suja e um balde para fazer as necessidades. Não tinha como fugir. Nem se matando. Só se...
Refletiu por alguns segundos. Tentara de tudo, menos fazê-los pensar que havia cedido. Talvez o deixassem sair da cela. Conseguiria escapar.
Ou morreria.
Um dos brutamontes chutou-lhe as costelas.
— Levante-se, Calculadora.
Rangendo os dentes de dor, levantou-se.
Uma gargalhada maléfica:
— Finalmente obedeceu, Calculadora.
— Vamos ver se obedece mesmo. — O outro selvagem aproximou a cara fedorenta. — Qual o seu nome, garoto?
O líquido ardente em seu estômago subiu para a boca. Engoliu-o, junto com todo vestígio de resistência.
— Calculadora.
Um novo golpe em seu rosto machucado, menos forte que de costume. Era castigado de qualquer jeito, um pouco menos quando obedecia.
— E por que está aqui?
— Porque sou bom em matemática.
— E o que vai fazer?
— O que mandarem. — Um novo tapa deixou-o zonzo, mas prosseguiu: — Assim que mandarem.
À luz fraca, identificou uma troca de sorrisinhos de satisfação maliciosa.
Pensaram que haviam conseguido dobrá-lo. E conseguiram, mas não pretendia viver o bastante para que aproveitassem o triunfo.

1- A Filha do Inimigo
2- Sombras do Passado
3- O Preço da Vingança
