Ao conhecer o italiano Stefano Corelli, Laura sabia que estava se metendo em uma grande encrenca. Afinal de contas, ele estava prestes a ser deportado dos Estados Unidos por ser um imigrante ilegal.
Tudo de que ele precisava era de um visto permanente no passaporte... ou seja, de uma esposa americana! Quando Laura decidiu ajudá-lo, nem sequer imaginou que poderia se envolver em uma trama de perigos e perseguições... e que encontraria o amor!
Capítulo Um
Outras pessoas tinham tias excêntricas que cuidavam de centenas de gatos, usavam chapéus engraçados ou compravam tudo o que viam nos anúncios da televisão. Tia Bette explodia garagens.
É claro que não o fazia de propósito, mas suas experiências químicas tinham a desastrosa tendência de acabar sempre em fracassos estrondosos.
Conseqüentemente, quando ligou a secretária eletrônica e ouviu o recado da tia proclamando uma emergência e implorando que fosse imediatamente para Columbus.
Laura telefonou para a companhia aérea e reservou um lugar no primeiro vôo disponível, considerando que as chances de chegar em Ohio e encontrar a garagem de tia Bette intacta eram de cinqüenta por cento.
Mas, ao descer do táxi que a levou do aeroporto Columbus ao subúrbio tranqüilo de Arlington, em Ohio, Laura pensou que, pela primeira vez, havia sido pessimista em excesso.
A casa e a garagem de tia Bette ainda estavam inteiras, e o último telhado parecia intacto.
Não havia fumaça química saindo das janelas e, o mais surpreendente, o gramado estava bem cuidado, uma concessão à ordem suburbana que ela normalmente desprezava como indigna de um gênio científico como ela.
Uma voz feminina chamando seu nome a assustou e, virando-se, Laura acenou para a vizinha mais próxima.
— Olá, Renée — cumprimentou, preparando-se para o pior.
— Laura, que bom vê-la tão calma!
— Eu... devia estar nervosa?
— Oh, acho que não — Renée riu. — Com Stefano à sua espera... Bette não tinha certeza de quando viria. Tudo pronto para o grande dia?
Que grande dia? E quem era Stefano? Laura começou a suar, mas a experiência havia lhe ensinado que era muito melhor enfrentar tia Bette diretamente, em vez de deixar-se envolver por versões distorcidas de amigos e vizinhos sobre a última calamidade.
— Está tudo pronto — respondeu com um sorriso forçado, sem saber sobre o que estava falando.
— Ótimo! Espero que... Oh, não! O telefone está tocando. Até mais tarde, querida.
Aliviada com a possibilidade de escapar, Laura despediu-se com um aceno e aproximou-se da porta.
Renée e tia Bette sempre foram boas amigas, e se a vizinha estava calma e sorridente, talvez o problema não fosse tão grave.
Enquanto esperava que ela respondesse ao toque da campainha, deixou-se invadir por uma esperança tênue.
Talvez tia Bette só quisesse que escrevesse mais uma carta ao governo dos Estados Unidos, mais uma etapa de suas intermináveis batalhas contra os inúmeros departamentos oficiais do país, incluindo o Imposto de Renda e o FBI.
A animosidade contra o primeiro oscilava de acordo com os números de sua última declaração, mas a antipatia pelo segundo era estável desde que, vinte anos atrás, o departamento decidira investigar uma de suas garagens explosivas.
— São ainda mais idiotas e aborrecidos que Walter Willis — costumava dizer sempre que contava o episódio.
Walter Willis era o ex-marido de tia Bette, o homem que a convencera a abandonar a faculdade para se casar.
Acusar alguém de ser mais aborrecido que Walter era o maior insulto em que ela conseguia pensar.
Laura sempre escrevia as tais cartas, e fazia o possível para manter a tia fora da cadeia. Afinal, onde estava ela? Por que demorava tanto a abrir a porta? Ansiosa, tocou a campainha novamente, desta vez com mais insistência, e respirou aliviada ao ouvir os passos aproximando-se do outro lado.
Sorrindo, esperou que a porta fosse aberta... e viu-se diante de um homem alto, moreno e muito bonito, dono de espetaculares olhos castanhos e um sorriso devastador que mostrava dentes perfeitos e provocava uma covinha no lado direito do rosto.
Laura examinou-o dos pés à cabeça e sentiu o coração disparar.
Desta vez tia Bette metera-se em confusões piores do que as que imaginara!