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domingo, 13 de julho de 2014

A Despedida

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Em breve, a única coisa que eles iriam compartilhar seria a dor da separação! 

"Não posso lhe revelar minha verdadeira identidade agora, Katia. 

Nem aquilo que faço para sobreviver. Mas, acredite-me, querida... eu te amo e só quero protegê-la!"
Katia olhou perplexa para o homem alto e forte à sua frente.
Como podia amar uma pessoa que insistia em manter-se no anonimato? 

Como acreditar em alguém que poderia ser um bandido, um louco talvez? De repente, Katia empalideceu. 
Ela o conhecera na Irlanda, mais precisamente em Belfast... Será que se apaixonara por um guerrilheiro do IRA, um Assassino?!

Capítulo Um

Katia MacRaith estava sonhando com incríveis ondas azuis, enormes, gigantescas, as cristas brancas brilhantes e rendadas rebentando à volta de sua cama, ao som de uma sinfonia de Beethoven. Iria pintá-las, antes que desaparecessem. . . 
De repente, porém, um ruído de água batendo nas pedras. . . Um som, que parecia nascer nas profundezas do oceano, chegou até os seus ouvidos. Que estranho! Nunca imaginara que pudesse existir uma porta no fundo do mar. . . onde alguém batesse tanto, com tanta força, parecendo aflito! Enfiou a cabeça por baixo do travesseiro. 
Um primeiro pensamento começou então a ganhar forma: será que alguém estava tentando arrombar a porta de seu apartamento? No meio da noite?! 
— Vá embora. . . seja lá quem for! Estou morta de sono — gemeu, tentando fazer com que o sonho recomeçasse. 
— Onde andarão minhas lindas ondas... e Beethoven? 
— Katia! Katia! Acorde!
As últimas ondas ainda lindas, embora pequeninas e transparentes, desapareceram na escuridão. 
Era uma voz de homem . . . uma voz muito familiar. Katia abriu os olhos e se encostou nos travesseiros. Seria Laurence? O relógio de cabeceira brilhava sobre a mesa: três horas e dois minutos. . .da madrugada?! — não podia acreditar que Laurence estivesse acordando-a no meio da noite. 
— Katia, abra essa porta! Sou eu.., 
Em um dia normal, Katia precisava de uma hora e meia, no mínimo, para despertar completamente e voltar a ser uma pessoa como outra qualquer. Costumava pensar que era um problema fisiológico: simplesmente, seu tempo interior não era sincronizado com o mundo real. 
Naquele momento, Laurence parecia estar em alguma grande dificuldade. Semiacordada, Katia saiu da cama, tateando na escuridão em busca dos chinelos. Outra ideia, porém, desta vez bastante aproveitável, conseguiu emergir de sua consciência: não podia abrir a porta completamente nua, mesmo considerando que o calor era terrível. 
Uma das mãos, talvez já mais desperta que o resto do corpo, encontrou um robe de veludo. Wilbur, que dormia enroscado sobre uma almofada, a cabeça meio escondida em uma das mangas do seu robe, miou todo o seu descontentamento ao ser violentamente atirado ao chão.
 — Já vou indo... um momento! — ela gritou, tentando fazer com que as pancadas na porta cessassem. 
Mas quem quer que estivesse batendo não parecia disposto a parar. Se fosse mesmo Laurence, devia estar planejando um arrombamento. 
— Droga! Arrombe a porta se quiser, mas pelo amor de Deus não acorde a sra. Webster! — Katia gritou.