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domingo, 1 de junho de 2014

A Dama do Natal

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Um homem difícil de ser ignorado ! 

Quando Hawk Mallen tomou conta da empresa em que Joanne trabalhava, convenceu-se de que tomara conta da vida dela também.

Esperava então que os deveres de sua nova assistente se estendessem além das horas de trabalho!




Capítulo Um

— Ei, por que essas caras, vocês aí? O que houve? Algum desastre enquanto estive fora? — O sorriso aberto de Joanne foi se apagando e sumiu de todo ao notar as fisionomias dos funcionários do escritório. 
 Você... Não ouviu dizer nada? 
— Ouvir o quê? — Joanne apertou as pálpebras ao repetir: 
— Ouvir o quê, Maggie? 
— O que aconteceu. 
— Maggie? 
— Sobre a mudança da diretoria, sobre o Sr. Brigmore e... Sobre tudo. 
— A mudança da diretoria, Maggie? Não tenho a mínima idéia do que você está falando — Joanne disse pacientemente. 
— E onde entra o Sr. Brigmore em tudo isso? 
— Ele não entra, não mais. Ele sai. O Sr. Brigmore deixou a firma. Aposentadoria antecipada, ou algo semelhante. 
Tudo aconteceu na última quinta-feira, quando a mudança da diretoria foi anunciada. O Sr. Brigmore foi embora no mesmo dia. Deixei recado em sua secretária eletrônica, Joanne... 
— Não voltei para meu apartamento ainda, passei a noite com uma amiga... Está me dizendo, Maggie, que o Sr. Brigmore foi demitido? Não posso acreditar. Quem lhe tomou o lugar? 
— Um parente do magnata, o dono da firma. 
Então, queria aquilo significar que o nepotismo estava vivo na Concise Publications? E tudo acontecera durante o mês em que ela se divertia em sua viagem à Europa, na companhia das antigas colegas de universidade? Joanne ouvira falar muito sobre a tendência moderna de despedir os antigos funcionários, substituindo-os por pessoal jovem. 
Mas, Charles? Subitamente ela sentiu um ódio profundo dos novos donos. Charles era como se fosse um pai para ela, o homem que lhe dera o emprego havia cinco anos. Ele havia sido seu mentor, porém, mais que tudo, um amigo. 
Ele e a mulher, Clare, lhe proporcionaram a primeira sensação do que era uma verdadeira vida de família. E agora Charles fora mandado embora? Substituído por outro mais jovem, com certeza, que não entendia nada do assunto. 
— Homem ou mulher? — Joanne perguntou, com voz firme. 
— Homem. O nome dele é Mallen. Hawk Mallen. 
— Hawk Mallen? — Joanne repetiu, em tom de caçoada. 
— Que tipo de nome é esse? 
— É meu nome, senhora... A voz masculina não foi alta, mas tinha um timbre que fez um líquido gelado correr sobre seus nervos. 
Joanne não se apavorou por medo de perder o emprego. De forma alguma. Na verdade queria mesmo era pôr seu pedido de demissão no colo daquele burocrata antipático e ir embora de cabeça erguida. 
— Crawford. E sou senhorita, não senhora. 
— Ah... Sim. A ardilosa assistente de Charles. Prazer em conhecê-la, Srta. Crawford. — As palavras eram de cortesia, mas pronunciadas daquele modo tiveram um tom de ameaça. 
— Que tal irmos ao seu escritório para podermos conversar com mais conforto sobre os recentes acontecimentos. 
— Há razão séria para isso? 
O terno que o homem usava devia ter custado várias vezes seu salário, Joanne pensou com revolta, e indicava soberania, riqueza e poder. Tratava-se de homem acostumado a ser obedecido sem contestação. Porém ela não se amedrontaria ante o homem responsável pela usurpação do emprego da única pessoa por quem ela realmente tinha afeição, em todo o mundo. Bem, havia Clare, Joanne recordou-se logo, sentindo-se desleal para com a esposa de Charles. Amava-a também, mas Charles era Charles... 
— Há razão bastante séria, Srta. Crawford. 
Quando, no instante seguinte, seu cotovelo foi agarrado por mão firme, e conduzida á seu pequeno, mas confortável oásis, ela estava tão surpreendida, que não deu uma palavra. Até que a porta fosse fechada, claro. 
— O que pensa que está fazendo? Como me ousa... — Joanne explodiu. 
— Estou tentando evitar que se porte tal qual uma tola, como vem se conduzindo até agora — ele respondeu, com uma severidade insultuosa. 
— Agora olhe... 
— Não, olhe você! Estou procurando fazer as coisas da melhor maneira possível — disse ele. 
— Como fez com o pobre Charles? 
— Deus dê-me forças... — Hawk sussurrou. 
— Quer que eu a amordace? Assim parará de falar bobagens. 
— Não ousaria. — Mas o homem ousaria, sim, disso Joanne tinha absoluta certeza.