
Clint McCreary viajou de Nova York a Los Angeles com um único objetivo:
Encontrar a irmã adolescente que fugira de casa.
Não fora até a Califórnia para se apaixonar por Jessie Gale — loira adorável e atraente que dirigia um abrigo para fugitivos.
Clint não acreditava em amor à primeira vista e não queria admitir que ficara imediatamente fascinado por Jessie.
Ela era uma mulher igual às outras, com nada de especial, ele pensou.
Mas Clint sabia que estava mentindo para si mesmo...
Capítulo Um
Ela não parecia uma prostituta.
Clint examinou as três outras garotas na esquina. Não passavam de adolescentes: pernas magricelas, quase sem traseiros. Com shorts curtos, tops frente única e sandálias de salto alto, mais pareciam crianças fantasiadas de adulto.
Por baixo da maquiagem, pareciam famintas e assustadas.
Los Angeles não era muito diferente de Nova York, pensou.
Menos arranha-céus, palmeiras e laranjeiras em vez de azevinhos e pinheiros, mas, como toda cidade, cheia de prostitutas e mendigos tentando sobreviver nas ruas.
Só que Los Angeles era uns 5 graus mais quente, o que permitia que as garotas andassem com menos roupa.
Quando Clint embarcara no aeroporto La Guardia na manhã do dia anterior, o frio de novembro gelara-lhe até os ossos. Agora o calor seco da Califórnia o fazia suar.
Como as garotas que perambulavam no cruzamento das ruas Sunset e Hill, a mulher que as acompanhava usava trajes de verão, um pouco menos ousados.
A saia de estampado florido dava-lhe pelos joelhos, mas, quando o sol incidiu no tecido transparente, Clint pode ver a silhueta de suas pernas esbeltas e longas.
Embora decotada, blusa sem mangas cobria tudo o que precisava cobrir, deixando a Clint a tarefa de imaginar as curvas ocultas.
Forte e robusta, possuía braços graciosos e bronzeados, cabelos loiros presos numa longa trança, traseiros bem redondos e olhos de um azul tão intenso que iluminavam a alma de Clint.
Que fosse para o inferno. Ela estava com as outras, no mercado, pronta para o que desse e viesse Se parecia mais velha e menos desesperada, isso só significava que era mais bem sucedida do que as mais jovens.
Talvez fosse a líder. A cafetina.
Talvez Clint devesse pensar o pior dela.
Examinou as garotas uma vez mais.
Eram mais jovens do que a irmã dele, mas não muito.
Se ela estava encostada numa esquina como aquele trio, com trajes mínimos...
Que Deus o ajudasse: iria estrangular o patife com quem ela fugira e arrastá-la para casa e trancá-la em algum lugar seguro.
Se não fosse tarde demais.
Amaldiçoou a raiva e o medo que faziam seu estômago se contrair.
Não queria nem imaginar o que acontecera com Diana desde que abandonara a escola, subira na garupa da Harley-Davidson do namorado e seguira para Los Angeles.
A mulher alta e loira conversava com as jovens na esquina. Uma delas apontou para Clint, sentado ao volante de seu carro alugado, estacionado na frente de uma parada de ônibus.
A loira se virou e franziu-lhe o cenho.
Se estivesse procurando trabalho, para ela própria ou para suas coleguinhas, teria lhe lançado um sorriso convidativo.
Lançou-se na direção do carro dele e, com as mãos na cintura, inclinou-se à janela do lado do passageiro para gritar:
— Está olhando o quê?
O carro foi invadido pelo cheiro de talco infantil. O sol do meio-dia iluminou a metade esquerda do rosto da mulher, enfatizando-lhe, as faces, o nariz afilado e o queixo saliente, depois a linha da clavícula e, enfim, uma leve sombra entre os seios, apenas delineados junto à gola da blusa.
Ele a imaginou colocando talco infantil naquele local tão macio e feminino. Imaginou que preferisse talco em vez de algum perfume à base de almíscar, porque a fragrância doce e refrescante mexia com estranhas fantasias masculinas, de inocência combinada à lascívia.
Apagou rapidamente esta idéia da mente.
— Estou olhando para suas amigas — respondeu, impassível.
— Então pare. Elas não estão disponíveis.
— Não estou...
— Meu conselho é que vá embora. Esse bairro ficaria muito melhor se houvesse menos tarados andando por aí. E essas garotas...
— Só quero conversar com elas — disse ele, não querendo ceder diante da hostilidade dela.
Ela o interpretara mal, muito mais do que poderia imaginar, mas ele não iria cair na defensiva.
— Estou procurando alguém.
— Aposto que está mesmo. Vá procurar em outro lugar! E, a propósito, procure alguém da sua idade. E não vá infringir as leis, hein?
Ele quase replicou que ele era "a lei".
Só que lhe ocorreu que talvez ela também fosse.
— Você é policial? — perguntou.