Connor e Lynn. Dois amantes que se entendem na linguagem natural do amor.
De repente, sob a luz prateada do luar, uma bela mulher surge ofegante na clareira, os pés descalços, uma longa camisola transparente revelando o corpo sedutor.
Enfeitiçado, Connor Clay aproxima-se lentamente da linda desconhecida, disposto a apagar com beijos seu olhar assustado, tentando atirá-la no chão e possuí-la no mesmo instante.
Para sua surpresa, a mulher também parece fascinada, completamente esquecida do motivo que a levara até ali àquela hora, tentada a viver com ele uma louca, breve e perigosa aventura na madrugada.
Capítulo Um
Lynn Pierce ergueu-se da cama de um salto, tremendo dos pés à cabeça, o coração batendo-lhe com violência no peito. Havia tido o mesmo sonho que a perseguia há algum tempo: o pai, cercado pelas chamas, gritava por um socorro que nunca viria.
Olhando ao redor, ela tentava enxergar alguma coisa na escuridão do quarto. Que lugar era aquele? De quem era aquela cama? Desvencilhou-se dos lençóis e levantou-se. O toque frio do chão de pedra contra os pés descalços foi um choque inesperado. Ainda trêmula, apoiou-se contra a armação de bronze da cabeceira, tentando se equilibrar.
Segundos depois, passou a mão pela testa coberta de suor. Lembrava-se afinal de onde estava. Aquela era a casa de seu avô, em Ballykinnon, Irlanda. Ele estava morto, assim como seu pai. E a ela só restava a dor de estar só.
Seu pai fora para Dublin resolver os negócios do falecido Dermot Pierce. Os dois não se davam bem, e, pelo que ela sabia, não se haviam comunicado por trinta anos. Ainda assim, seu pai era o único herdeiro. E, logo após tomar conhecimento da triste notícia da morte do velho, ele havia querido tomar posse de Ildathach, ou Terra Colorida, o lar ancestral da família.
Mas o pai de Lynn nunca chegaria até lá. O avião que fretara no aeroporto de Shannon para a pequena viagem até Ballykinnon sofrera um acidente, e ele e o piloto não sobreviveram.
Desde esse dia, Lynn não conseguira ter uma noite de sono ininterrupta e um só dia de paz.
Respirando fundo para recuperar a calma, Lynn caminhou até a janela que dava para o pátio. Era a proprietária de tudo aquilo agora: os canteiros de flores, os gramados verdes, os acres de terra fértil que se estendiam até onde a vista podia alcançar. Mal se dera conta da existência daquele lugar até a morte de Dermot Pierce e a sucessão de eventos que conduziriam à perda também de seu pai. Agora, ali estava ela, única dona de uma propriedade da qual mal conseguia pronunciar o nome: lldathach.
Nesse momento ela ouviu um ruído dentro da casa e se arrepiou de medo. Prestou atenção. O barulho se fez ouvir novamente, seguido pelo som de algo que se quebrava. Traumatizada pelo pesadelo, temeu não estar sozinha naquela casa como pensava.
Apavorada, Lynn saiu do quarto, desceu correndo as escadas, atravessou o hall e alcançou o pátio.
O cascalho machucou-lhe os pés descalços, mas ainda assim continuou a correr, alcançando o gramado molhado de orvalho. A brisa fria agitava-lhe os cabelos e fazia ondular a camisola fina. Ela se embrenhou por entre as árvores ao lado do caminho, como se acreditasse que, fugindo da casa, pudesse livrar-se do terror.
A lua cheia iluminava a trilha do bosque, e uma névoa fina envolvia as árvores como uma cortina de gaze. Alheia à atmosfera sobrenatural, Lynn continuava a correr. Estacou finalmente numa clareira. Surpresa, viu um homem sem camisa, no campo, à sua frente, empilhando lenha contra a parede de um pequeno chalé.
E que homem! À luz do luar viu-lhe o corpo bonito, modelado com perfeição, como uma estátua grega. Tinha ombros largos e braços musculosos. Seus traços eram duros, e os cabelos castanhos caíam-lhe em desalinho por sobre a testa. Uma barba escura sombreava-lhe o rosto.
De repente, ele se virou e percebeu a presença dela.
Surpreso, deixou cair ao chão a tora que segurava e deu um passo à frente. Lynn retrocedeu.
— Não tenha medo — pediu ele, erguendo a mão.
Lynn ficou imóvel, como que hipnotizada.
O estranho estava intrigado: Quem poderia ser aquela mulher? Certamente não uma das moradoras da vizinhança, pois uma beleza daquelas nunca lhe passaria despercebida. Os cabelos negros caíam-lhe sobre os ombros, as curvas do corpo esguio se destacavam sob o tecido fino da camisola. Não sabia quem era ela, mas tinha certeza de uma coisa: ele a desejava.
Quando ele se aproximou, Lynn percebeu leves toques grisalhos nas suas têmporas. Prematuros, sem dúvida. Ele ainda era jovem, provavelmente não tinha mais de trinta e cinco anos.
O desconhecido estendeu a mão e tocou-lhe o rosto.
— Está chorando? O que aconteceu?


