Você acredita em vampiros?
Eu, com certeza, não acreditava. Pelo menos até descobrir, no dia do meu aniversário de dezesseis anos, que eu era tudo menos humana. E a cereja do bolo – se é que se pode considerar assim – é que eu sou a primeira Vânător a existir depois de mais de quinhentos anos!
Isso significa que minha missão é ser caçadora do mal. Isso mesmo, eu sou uma Buffy da vida real...
Para piorar as coisas, estou me apaixonando por Ryan, o novo garoto da classe.
Nunca imaginei que fosse cair de amores desse jeito por alguém, que fosse ser uma adolescente boboca que fica aparvalhada, na frente de um rapaz. Que raiva... E para completar,ainda tem uma entidade que fica me perseguindo, querendo usar meu sangue raro para realizar seus feitos malignos, uma colega de classe insuportável que inferniza a minha vida, e um treinador de ginástica que quer porque quer que eu chegue às Olimpíadas...
Pois é, e tudo começou com uma excursão da classe a uma caverna, nesta história que é tudo menos monótona, tudo menos normal, tudo menos previsível, da vida de minha pessoa, Cheyenne Wilde...
O Início
Uma descoberta desagradável.
Meu aniversário de dezesseis anos foi horrível. Em vez de uma festa de arromba, eu fui iniciada em um clică de vampiros. Nada como descobrir que seus pais são sanguessugas no dia mais importante da sua vida. Quero dizer, como eles esconderam isso por todos esses anos? E por que raios só foram me contar agora?
Eu sempre me considerei uma pessoa lógica, vivendo no mundo real, onde o Drácula existe apenas na cabeça de escritores esquisitões. Claro, os filmes a respeito são bons para dar risada ou, de vez em quando, para se tomar alguns sustos, mas eles não são verdadeiros.
Vampiros não existem de fato.
Bem, parece que existem, sim, e eu sou uma. Legal. De algum modo, essa descoberta encobriu a alegria de conseguir tirar minha carteira de habilitação.
Em vez disso, eu estava cada vez mais obcecada com pensamentos sobre as mudanças na minha vida, como por exemplo: eu ainda poderia andar sob o sol? Seria realmente obrigada beber sangue? Será que teria de dormir em um caixão? Eu sou claustrofóbica, então isso realmente não seria muito bom para mim.
Depois de pensar a respeito, percebi que mamãe e papai saem durante o dia. Afinal de contas, eles têm empregos normais. Meu pai é dono de uma empresa de softwares, e minha mãe é psicóloga. Contudo, nunca passamos muitas horas sob o sol e nunca fomos passar férias na praia.
Acho que eu teria notado se eles dormissem em um caixão ou bebessem sangue, não é? Todas as noites eles tomavam vinho, ou um líquido que parecia ser vinho. Eu mesma nunca tinha provado da bebida. Creio que eles não estariam tomando o DNA de outro ser humano bem na minha frente. Isso seria simplesmente repulsivo.
Deu para imaginar todos os pensamentos voando enlouquecidos pela minha mente? Em um instante, eu sou uma adolescente normal, completando dezesseis anos. No momento seguinte, estou sendo guiada por um tipo de ritual de iniciação em um encontro cheio de vampiros, todos me congratulando por chegar à maturação. Esse é o tipo de festa de debutante inesquecível, que vai ser a inveja de todas as minhas amigas... Não mesmo! Aqui morre a minha chance de estrelar um episódio do My Super Sweet Sixteen na MTV.
Mamãe e papai prometeram responder a todas as minhas perguntas depois da indução. E foi o que eles fizeram... Acho que estão se perguntando até agora qual era a placa do caminhão que os atingiu.
Uma coisa é certa: tudo o que eu pensei saber a respeito de vampiros foi pelo ralo abaixo. Bem, quase tudo.
A luz do sol não faz com que eles explodam em chamas, reduzindo-os a uma pilha de cinzas. Ainda bem. Mortos-vivos não existem. Vampiros são criaturas vivas, com um coração pulsante e tudo mais.
As missas no domingo de manhã estão cheias deles. Água benta é só isso mesmo, água abençoada. Vampiras passam maquiagem na frente do espelho como todo mundo. Alho é um tempero muito bom para vários pratos. Cruzes ficam bem como acessórios fashion.
Caixões não são parte obrigatória nos quartos de vampiros. E estacas de madeira não são mais mortais do que quaisquer outras armas, o que me leva a outro fato, tão perturbador quanto desapontador: vampiros não são imortais.
Eles vivem mais do que os humanos normais, claro... muito mais. Também se curam com uma rapidez extraordinária e não são atingidos pela maioria das doenças e sofrimentos humanos, mas não vivem para sempre. Que pena! A imortalidade era o único ponto positivo em toda aquela situação...

