
Tess estava realizando os seus desejos.
Estava se estabelecendo por conta própria, desenvolvendo o seu trabalho de desenhista gráfica, quando o seu principal cliente desapareceu.
Ike Grantham sumiu e ninguém achou estranho.
Ele já tinha feito isto antes, fazia parte de seu temperamento estes desaparecimentos.
Porém, quando chegou o documento para o pagamento dos impostos sobre um imóvel que Ike lhe havia dado em pagamento pelo seu trabalho, ela não pode mais ignorar que era a proprietária de uma casa em frente ao mar.
Tinha que tomar uma atitude e envolver-se. Decidir se ficava com a casa ou se a venderia.
Mas, havia um porém, a casa era assombrada. Fora palco de um duelo histórico, ocorrido no século XIX.
Então, as atribulações de Tess começaram.
Ela foi visitar a casa e conheceu a familia que morava na casa ao lado.
Procurando pela gata da pequena Dolly, sua vizinha, ela encontrou um esqueleto no porão de sua casa.
Quando, finalmente, decidiu chamar a polícia, o esqueleto havia desaparecido.
De quem era o esqueleto?
Como foi parar em seu porão? Quem levou os ossos? Tinha visto mesmo um esqueleto? Ela estaria saudável ou alucinando?
São muitas perguntas e Tess precisa de respostas...
Capítulo Um
No dia de seu desaparecimento, Ike Grantham faltou a sua entrevista com Tess Haviland, desenhista gráfica de Boston e uma das poucas mulheres que não o achava irresistível.
Tess lhe caía bem, mas, depois de mais de um ano, ainda não sabia explicar por que. Loiro, bonito, enérgico, afável e simpático até a indigestão, Ike parecia empenhado em desmentir o estereótipo do herdeiro filantropo e formal de uma rica família de empresários da Nova Inglaterra.
Não tinha má consciência e ambição, e havia dias em que Tess precisava também de convicções morais. Sobretudo, no que diz a respeito às mulheres, com na condição da própria Tess.
-Tess - Ike estava acostumado a lhe dizer - em sua vida há muitos pistoleiros. Eu sou inofensivo.
Na vida de Tess não havia, na realidade, nenhum pistoleiro. Só parecia, porque se criou em um bairro de classe operária e seu pai era proprietário de um bar.
O próprio Ike não tinha preconceitos.
Tess estava pensando nele, não somente porque fazia mais de um ano que Ike tinha desaparecido sem dizer uma palavra, mas também porque acabava de receber o imposto de bens imóveis sobre a antiga garagem que ele lhe tinha dado em lugar de um cheque. A casa foi construída em 1868 perto do mar, achava-se em um local de passeio, em um dos lugares mais bonitos da Costa Norte.
O imóvel não valia grande coisa por si mesmo. Mas seu terreno sim, o que se refletia no preço da propriedade... E nos impostos.
Tess ficou olhando o cemitério de Old Granary, que ficava a quatro quadras abaixo de seu escritório na Rua Beacon.
As lápides, antigas e finas, inclinavam-se em todas as direções, e os turistas passeavam pelas veredas, à sombra das espessas e altas árvores que, acabado o inverno de Boston, se achavam repletas de folhas.
Aquele tinha sido um inverno exaustivo, comparado ao do ano anterior.
Tess tinha abandonado um emprego estável em uma empresa para montar seu próprio negócio, pouco antes que Ike Grantham saísse de sua vida, tão bruscamente como tinha entrado nela.
Às vezes se perguntava se Ike não a teria inspirado, não em um sentido romântico, mas ao imbuir nela uma sensação de urgência, que a tinha impulsionado a
estabelecer-se por sua conta sem mais demora, cumprindo assim uma necessidade que até então só tinha sido uma possibilidade longínqua.
DOWNLOAD