domingo, 24 de abril de 2016

Dilema de Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Um problema... uma solução!

Para Dario Olivero, Alyse Gregory era apenas uma peça em seu plano de vingança contra o meio-irmão. Ela é a chave para Dario conseguir a aceitação da família com a qual sempre sonhou. Alyse não esperava ser pedida em casamento, porém, o sensual italiano prometera liquidar suas dívidas se ela for sua esposa. 

A razão diz para Alyse se afastar, mas seu corpo clama pelo toque de Dario. E sob o sol da Toscana, o desejo incontrolável que sentem logo se transforma em uma paixão não planejada, deixando ambos com um grande dilema.

Capítulo Um

Alyse quase havia desistido do plano e já estava quase chegando à conclusão de que tudo não passava de uma ideia maluca, perigosa, quando o viu. Chegou a pensar em sair antes que aquele baile beneficente deslumbrante começasse, refletindo duas e até três vezes sobre o plano mirabolante que elaborara, quando a multidão à frente se abriu ligeiramente, formando um caminho que ia dar bem no moreno alto do lado oposto do salão.
Ela conteve a respiração e soube que seus olhos se arregalaram mesmo ao tentar disfarçar, afastando uma mecha de cabelo loiro para trás, a fim de vê-lo melhor. Ele era...
— Perfeito...
A palavra escapuliu dos lábios, fugindo ao controle na forma de um sussurro que pairou no ar quente ali dentro.
O homem do outro lado do salão parecia tão diferente, extraordinário. Destacava-se como se fosse uma majestosa águia no meio de um bando de pavões. Da mesma espécie, mas, ainda assim, diferente de qualquer pessoa ali.
E essa diferença foi o que chamou a atenção dela e lhe tornou impossível desviar o olhar. Parou, inclusive, com a taça de champanhe a meio caminho dos lábios, incapaz de concluir o gesto.
Ele era estonteante. Não havia outra palavra. Alto e forte, tinha um corpo atlético moldado por roupas formais e sofisticadas. Possuía algo que o fazia parecer perigosamente indomável em contraste com o terno elegante de seda, com a impecável camisa branca. A gravata fora afrouxada em algum momento por mãos impacientes e pendia solta junto ao pescoço, onde também se via o primeiro botão da camisa aberto. O cabelo preto era de comprimento maior do que o de qualquer homem ali presente, como a juba de um poderoso leão. Maçãs do rosto salientes, cílios espessos e longos encobrindo olhos intensos eram características que se somavam aos traços marcantes. Ao passar os olhos pelo salão, o ligeiro sorriso em seus lábios sensuais foi mais de desdém do que caloroso.
E foi o que o tornou perfeito. Foi o leve mas óbvio sinal de que, como ela, não pertencia àquele lugar. Evidentemente, duvidava de que ele tivesse sido obrigado a estar ali, como no caso de Alyse. Seu pai insistira para que ela fosse até ali naquela noite, embora preferisse ter ficado em casa.
— Você precisa sair depois de passar dias enfiada naquela galeria de arte apertada — argumentara.
— Gosto ficar na galeria! — protestara Alyse. Podia não ser o emprego em belas-artes que esperara, mas ganhava seu próprio dinheiro e, além do mais, era uma válvula de escape para o estresse em casa, onde os cuidados exigidos pela doença da mãe pareciam anuviar tudo.
— Mas você nunca vai conhecer ninguém se não sociabilizar mais. Nem rever ninguém.
Certamente não queria rever ninguém como Marcus Kavanaugh, pensou Alyse, irônica, como seu pai gostaria. O homem que tornara sua vida um inferno com suas atenções indesejadas, visitas persistentes e determinação a persuadi-la a se casar com ele. Marcus até começara a aparecer na galeria “apertada” para lhe tirar a paz. Então, recentemente, por alguma razão, o pai dela parecia ter concluído que o casamento de ambos seria perfeito.
— Ele pode ser o filho e herdeiro de seu chefe, mas não faz meu tipo! — protestara ela, mas obviamente o pai não dera ouvidos. Não era que a estivesse pressionando a aceitar a proposta de Marcus, mas, ao mesmo tempo, ficava claro que achava improvável que ela se saísse melhor com qualquer outro homem.
Por fim, cansada de se sentir assediada e oprimida, ela resolvera ir ao baile naquela noite e espairecer um pouco. Foi quando pousou os olhos no estranho do outro lado do salão.
Levando em conta sua estatura e as roupas elegantes que usava, ele poderia ficar com a mulher que quisesse ali, mas sua expressão indicava que não se importava nem um pouco com o que pensassem a seu respeito. O que o tornava mais ainda o parceiro que ela desejava.
De repente, foi como se o pensamento de Alyse o tivesse alcançado ali adiante. Ele se virou como se algo o tivesse alertado. Virou a cabeça com sua cabeleira negra e os olhos encontraram os dela em cheio.
Foi como se naquele momento em que se entreolharam o mundo tivesse rodopiado de repente.
Perigo.









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