domingo, 28 de fevereiro de 2016

Perdoe -me Cowboy

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






UM COWBOY COM UM BEBE

T.J. Tyler não acreditava no que via. Sentado no Sea Grape Café, com o filho no colo, deparou-se com Callie Jo Murphy usando um vestido de noiva. Anos antes, Callie deixara-o esperando no altar... e tudo indicava que cometera a mesma proeza novamente.
UMA NOIVA REBELDE
Quando T.J. ofereceu a Callie o emprego temporário como governanta, ela aceitou. Porém, sabia que não poderia ficar por muito tempo. Afinal, ela o ferira demais, e T.J. nunca a perdoara. Mas todas as vezes em que o fitava conscientizava-se de que feriria o próprio coração se não fugisse novamente.

Capítulo Um

Callie Jo Murphy não saberia explicar por que ergueu os olhos. Talvez levada pelo repentino vento úmido que invadiu o salão quando a porta foi aberta. Ou o ronco dos motores de um avião que sobrevoava o Golfo do México. Talvez, simplesmente estivesse cansada de observar a praia deserta, reflexo de sua própria solidão. Depois de um sem-número de círculos imaginários desenhados com a ponta do dedo sobre o tampo de fórmica da mesa e de assistir ao crepúsculo no céu brilhante de outubro, não conseguia entender o motivo de tanta melancolia. Inexplicavelmente, porém, algo a fez olhar.
O dedo interrompeu o círculo que traçava. Com a outra mão, apertou o copo de refresco. As lembranças afloraram em sua mente e, com elas, o imaginário aroma de golfo e pinho. Como que hipnotizada, não conseguiu desviar os olhos da pre­sença marcante que preenchia o hall de entrada.
A porta bateu às costas do cowboy que caminhava em direção ao café iluminado, barulhento, repleto de pessoas que conver­savam e riam despreocupadamente. Usava jeans desbotado e o chapéu encobria seus olhos. Magro, ombros caídos, cabeça baixa, perdido em seus pensamentos, parecia não enxergar ninguém. Apesar da aparência fatigada, exalava toda a essência do poder masculino, pelos ombros largos, as mãos bronzeadas, numa das quais carregava um cesto de plástico azul de bebê. Num movimento rápido, com a ponta do dedo empurrou a aba do chapéu, deixando à mostra os cabelos castanho-escuros. Assim que o avistou, a jovem e alegre funcionária do caixa, cumprimentou-o:
— Olá!
— Olá! — respondeu com um sorriso envolvente que quase desarmou a garota. Sentou-se num banco giratório do bar, com o cesto no colo.
De repente, Callie teve a impressão de que quatorze anos de sua vida, desapareciam levados pela brisa do entardecer. Com um arrepio na espinha e as pulsações aceleradas, viu-se novamente como uma adolescente de dezessete anos ansiosa, assustada, à mercê daquele sorriso demoníaco, um sorriso ca­paz de convencê-la de que sua vida era monótona depois que soubesse o quanto era alegre e divertido o mundo ao seu redor.
T.J. Tyler.
Sea Grape pareceu encolher, escurecer, tornar-se irrespirá­vel. Arrastada no túnel das recordações, Callie tinha a impres­são de que a gola da blusa começava a estrangulá-la.
O rosto de feições bem delineadas parecia mudar como as luzes do céu ao entardecer, ressaltando o brilho dos olhos. Não era bonito. Não T.J. Tyler. O nariz aquilino estava longe da perfeição. O modo de sorrir, inclinando os lábios, não era nada clássico. Mesmo com grande esforço de imaginação, não poderia ser considerado bonito. Alguém acendeu as luzes, iluminando o rosto do cowboy. Bonito era uma palavra comum para des­crever aquele rosto. Sempre houvera muito mais do que isso.
Na verdade nunca alguém o descrevera como bonito. Seria fácil demais.
E T.J. Tyler jamais fora fácil.
Do alto da copa do chapéu inclinado até às botas empoeiradas firmemente plantadas no piso de concreto, era um homem que sempre fora mais. Mais poderoso, mais autoconfiante, mais tudo... enquanto ela... bem, ela sempre fora totalmente menos.

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