terça-feira, 17 de novembro de 2015

Teste de Paternidade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Especial Coração de Mãe








O sinal de positivo apareceu no teste de gravidez de Jane Dawson a tempo de impedir que seu relógio biológico avançasse ainda mais. 


Só havia um probleminha: seu ex-namorado estava prestes a se tornar papai!

Capítulo Um

No próximo sábado, Jane Dawson iria ao quinto chá de bebê para o qual fora convidada nos últimos três meses. Parecia que toda vez que ela se virava, mais uma amiga ou colega de trabalho estava grávida. Ela se sentia sitiada por barrigas arredondadas, expressões radiantes e chocalhos de prata.
Jane se tornara uma freguesa constante da Annie’s Baby Boutique.
Annie passara a avisá-la, toda vez que a loja recebia algum artigo especial. As duas rapidamente tinham se tornado amigas, e a butique se tornara o seu lugar favorito, o lugar para onde ela ia depois das aulas, para conversar e tomar um chá.
Como resultado, o tique-taque do relógio biológico de Jane soava tão alto, que tinha certeza de que poderia ser ouvido pela cidade inteira. Em julho, ela faria 30 anos, o que atualmente não era muito tarde para se ter um filho, mas, definitivamente, era quase muito tarde, principalmente porque ela não tinha um pai em perspectiva.
De volta à butique de Annie, desta vez para comprar um presente para o chá de bebê de Daisy Markham, no sábado, Jane passou os dedos sobre o alegre protetor de xadrez amarelo de um antigo berço de carvalho, o último tesouro de Annie, e suspirou profundamente. Ultimamente ela suspirava demais. Também sonhava muito e divagava.
Estava ficando cada vez mais difícil esconder a sua inveja. Exclamar “Ahs” e “Ohs” embasbacados ao ver um par de sapatinhos de tricô ou mais uma roupinha ameaçava lhe causar uma crise de nervos. E poderia tê-la naquele dia, pensou ela, olhando o berço.
— O que você acha? — perguntou Annie, radiante de orgulho pelo berço encerado. Ainda tinha traços de pó de madeira e de cera sob as unhas. Seu cabelo muito curto estava arrepiado, e ela não passara sequer uma camada de pó no rosto e, muito menos, batom. — Não é o berço mais lindo que você já viu? — perguntou ela.
Jane tentou disfarçar o desejo de possuir aquele berço, de ter um motivo para possuí-lo, e concordou.
— É adorável.
— Dá para imaginar? — perguntou Annie indignada, esfregando a madeira já brilhante. — Eu o encontrei enfiado em um canto de um antiquário, na Route 3. Você deveria tê-lo visto. Ele foi pintado várias vezes. Quando comecei a raspá-lo, encontrei camadas de tinta branca, azul, rosa e mais outras tantas de branco. Estava tão coberto de tinta que, só quando cheguei à madeira, percebi os detalhes em relevo.
Annie passou carinhosamente a mão sobre o desenho entalhado.
— Uma preciosidade. Você já viu algo tão delicado?
— Nunca — disse Jane, sentindo o desejo de possuí-lo aumentar.
Annie sorriu.
— Eu sei que é muito extravagante para ser dado de presente em um chá de bebê, mas sei que todos que o vissem iriam adorá-lo. Assim que eu o coloquei na loja, senti que precisava avisá-la. Às vezes, eu me deixo dominar pela vontade de compartilhar as minhas descobertas. Espero que você não se incomode por eu ter deixado um recado na escola. Não é que eu estivesse querendo fazer uma venda. Eu sei perfeitamente que você não precisa deste berço.
O comentário casual de Annie fez com que algo se partisse dentro de Jane.
— Eu vou levá-lo — disse Jane, como se quisesse provar que Annie estava enganada. — Assim como está, com o protetor de berço amarelo e tudo. Ponha na minha conta e me mande a fatura.
Ao ver que Annie ficara boquiaberta, Jane imediatamente se arrependeu do que havia dito.
— Mas... — balbuciou Annie.
Jane interrompeu o protesto chocado.
— Você pode mandar entregá-lo na minha casa. Certo? John pode levá-lo no sábado de manhã, não pode? — disse ela, referindo-se ao marido de Annie, que ajudava nas entregas durante os fins de semana.
— Ah, claro, mas...
— Obrigada — disse Jane, cortando as perguntas que a amiga poderia fazer. Perguntas perfeitamente lógicas, mas para as quais ela evidentemente não tinha respostas racionais. — Eu preciso correr. Esta noite, tenho uma reunião de pais e mestres. Todos os professores têm que chegar cedo para receber os pais. Estamos tentando agradá-los, para que ajudem a arrecadar dinheiro para reformar a cafeteria. Não esqueça de embrulhar aquele lindo casaquinho rosa e a touca, para o chá de bebê de Daisy. Pode mandar o pacote junto com o berço.
— Claro.
Jane percebeu que o olhar confuso e preocupado de Annie a seguia, enquanto ela saía da loja e subia a ladeira, na direção da antiga escola de primeiro grau.
Só muito mais tarde, depois da reunião da APM e de ter voltado para casa e bebido um gole de chá, ela reconheceu que Annie tivera motivos para imaginar o que uma mulher solteira e sem namorado iria fazer com um berço. Jane esperava encontrar uma desculpa plausível, antes que a cidade inteira concluísse que ela se tornara uma solteirona excêntrica, cujos hormônios estavam seriamente descontrolados.
Série Especial Coração de Mãe
2- Teste de Paternidade

2 comentários:

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