terça-feira, 13 de outubro de 2015

Adorável Texano

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





"A vida não dá nada, somente toma. Vale a pena lutar pelas coisas que mais desejamos."

Assim que a elegante socialite Fay York entrou no bar do lado errado da cidade, Donavan Langley sabia não só que ela era problema, como também o tipo de mulher que jurara evitar. 
Mas a adorável Fay despertou naquele homem do Texas uma ternura jamais experimentada... e um desejo impossível de ignorar. Aqueles intensos olhos prateados fizeram com que Fay perdesse seu coração para sempre. E ainda que Donavan tivesse se esforçado ao máximo para se manter afastado, agora tinha uma proposta que Fay não teria como recusar.

Capítulo Um

Fay sentiu como se todos os olhos naquele bar estivessem focados nela, quando entrou. Uma atitude impulsiva da qual já estava se arrependendo. Uma mulher desacompanhada, entrando em um bar naquela parte mal-afamada da cidade no sul do Texas, tarde da noite, estava procurando problemas. O conceito de emancipação feminina não havia chegado tão longe, o que vários pares de olhos masculinos deixavam claro naquele momento.
Podia imaginar a figura que fazia, trajada com seu jeans justo de grife famosa, um suéter de tricô amarelo-bebê que marcava as curvas suaves dos seios empinados e com os pés protegidos por meias finas e sapatos de salto alto. O cabelo longo lhe escorria pelos ombros em uma cascata de cachos macios. Os olhos verdes esquadrinhando, nervosos, o pequeno salão enfumaçado, de um canto ao outro. Uma jukebox tocava música alta, o que a obrigou a gritar para que o balconista escutasse que ela queria uma cerveja. O que era uma piada, também, porque durante todos os seus 20 anos, Fay nunca tomara uma cerveja. Vinho, sim. Até mesmo pina colada na Jamaica, mas cerveja, jamais.
A rebeldia estava se tornando cara, pensou ela, enquanto observava um homem corpulento se afastar dos companheiros, resmungando algo que os fez gargalhar.
No momento seguinte, se encontrava empoleirado em um banco ao lado dela. Os olhos semicerrados a avaliando com uma intenção que a fez ansiar por sair correndo dali.
— Olá, belezura — disse ele, sorrindo através da barba. — Quer dançar?
Fay envolveu a caneca de cerveja com as duas mãos para disfarçar o tremor.
— Não, obrigada — respondeu com sua voz suave e refinada, mantendo o olhar baixo. — Estou... esperando alguém.
O que era quase verdade. Estivera esperando por alguém durante quase toda sua vida, mas seu príncipe encantado ainda não aparecera. Precisava dele naquele momento. Morava com um parente mercenário e alpinista social, que estava fazendo de tudo para vendê-la a um amigo rico, cujo olhar fazia a pele de Fay arrepiar de pavor. Toda a sua herança se encontrava em custódia, o que a forçava a conviver com a crueldade do tio. Tudo que desejava era alguém que a salvasse, mas aquele cowboy truculento estava bem distante de um príncipe encantado.
— Poderíamos nos divertir, coisinha linda — o admirador continuou, insistente, antes de lhe acariciar o braço coberto pela manga do suéter. Fay se retraiu como se aqueles dedos fossem cobras. — Ora, não precisa ter medo. Sei como tratar uma dama.
Ninguém notou que, em um dos cantos, um rosto moreno se ergueu de repente, tampouco percebeu o brilho perigoso que faiscava naqueles olhos prateados. Ninguém se deu conta do olhar que ele dirigiu à moça e da frieza com que encarou o homem que a incomodava, antes de ele se erguer com um movimento elegante e cruzar o bar.
O homem também usava jeans. Não como os de Fay, porque os dele eram trajes de trabalho, desbotados e manchados. As botas desgastadas seriam uma ofensa se comparadas aos calçados elegantes dos homens da cidade. O chapéu que ele usava era mais escuro do que o cabelo espesso, rebelde e levemente desgrenhado. E era alto. Muito alto. Esbelto, musculoso e muito conhecido naquele local. Na verdade, era seu temperamento que se tornara tão lendário quanto os grandes punhos pretensamente relaxados nas laterais do corpo, enquanto caminhava.
— Iria gostar de mim se me conhecesse melhor. — O cowboy atarracado se calou quando o outro entrou em sua linha de visão, paralisando-se de maneira quase cômica. A cabeça levemente pendida para o lado. — Ora, olá, Donavan — começou o sujeito bronco, amedrontado. — Não sabia que ela estava com você.
— Agora sabe — retrucou ele com uma voz grave e encorpada que fez calafrios nada desagradáveis percorrerem a espinha de Fay.
Quando ergueu a cabeça e se deparou com aquele par de olhos que refletiam o mesmo brilho dos diamantes, o coração de Fay se viu perdido para sempre, deixando-a sem fôlego.
— Demorou a chegar — disse ele a Fay, antes de lhe segurar o braço com uma pressão ao mesmo tempo firme e excitante para ajudá-la a descer do banco. Em seguida, entregou-lhe a caneca de cerveja que ela pedira e, com um último e fulminante olhar ao outro homem, a guiou à mesa que havia deixado vaga.
— Obrigada. — Fay agradeceu. Ele havia deixado um cigarro aceso no cinzeiro e meio copo de uísque intocado. Seu salvador não tirou o chapéu quando se sentou. Ela já havia percebido que os homens do Oeste não se importavam com as cortesias tão comuns na alta sociedade, onde fora criada.
O desconhecido pegou o cigarro e deu uma longa tragada. As unhas eram curtas e limpas, apesar dos traços de graxa grudados na pele morena das mãos e dos dedos longos. Belas mãos masculinas, de trabalhador, sem nenhuma joia a adorná-las, pensou ela, distraída.
— Quem é você? — perguntou ele, de repente.
— Sou Fay. — Ela forçou um sorriso. — E você...?
— A maioria das pessoas me chama simplesmente de Donavan.


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