segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Com Açúcar, Com Afeto

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





O tempero do amor… 
Era isso que faltava na vida de Gina!

“Você é uma princesa encantada dos contos de fada.”
Era assim que Connor Munroe descrevia Gina Calvino, uma mulher forte, decidida, que se recusava a vender a receita especialíssima do molho de tomate que sua empresa, agora falida, fabricava, não importando o quanto pudesse lucrar.
Connor sabia que beijos somente não derrubariam a obstinação de Gina, mas com certeza faria com que ela descobrisse as delícias de amar!

Capítulo Um

Era a época do festival na pequena cidade de Allegro, Arkansas. Por todo lado que se olhava viam-se miniaturas de elefantes, cada um deles com uma vesti­menta diferente.
Gina Calvino e sua tia-avó Earline embrulhavam os pequenos animais em papel celofane antes de levá-los à feira. Durante todo o correr do ano, Earline cortava e costurava roupas para miniaturas de bonecas. Sua especialidade porém eram os elefantes, uma ver­dadeira artista. E, como todo e bom artista, Earline era tempera­mental. Quando ia se aproximando a época da festa e da feira, mais temperamental ela se tornava.
— Eu detesto isso — Earline resmungou.
Sessenta anos, pequena, redonda e agitada com vivos olhos pretos e cabelos cacheados brancos.
— Piora a cada ano… parece um circo. O festival mudou muito. E a cidade está morrendo aos poucos. Tudo o que é bom tem seu final. Sou realista.
Gina balançava a cabeça discordando, ciente de que ela não acreditava no que dizia.
— O festival vai existir sempre, nunca acabará. E a cidade também.
— Nada dura para sempre — Earline protestou. — O que dizer de um festival do tomate? Quase ninguém mais cultiva tomates. Todos os jovens deixam Allegro à procura de outras oportunidades e trabalhos. Algum dia essa cidade vai simples­mente evaporar da face da terra.
— E exatamente por essa razão que temos o festival. Ele nos mantém em contato e preserva nossa comunidade.
— Há uma época certa para cada coisa. O festival já não é mais o mesmo, cresceu muito e quase perdeu sua característica. Finita la comedia.
— O festival é um sucesso — Gina contradisse.
— Sim, um sucesso. O trabalho, a multidão, a bagunça, o tráfego e a poeira. Argh! Sem falar na invasão de estranhos por toda a cidade.
— Mas estamos na época de visitas. É quando as pessoas voltam para rever umas às outras.
Uma sombra cobriu os olhos de Earline.
— Certo. Mas ninguém vem nos ver.
Gina abaixou a cabeça, evitando o olhar da tia. O que restara de sua família estava tão distante e dividido que com certeza nem mais se lembravam de Allegro. Somente Earline e Gina haviam permanecido.
— Você deveria se casar, constituir uma família — disse de repente. — Nossa linhagem está se acabando assim como a cidade.
Gina nada retrucou.
— Você já chorou e se lamentou o bastante. E mais que tempo de retomar a vida normalmente.
— Estou levando minha vida num ritmo normal. E época do festival e tenho mil coisas para fazer.
— Bah! — Earline olhava a sobrinha-neta dos pés à cabeça com olhos críticos. — Vai passar o dia todo com essas roupas?
Gina usava jeans velhos e desbotados e uma enorme camiseta vermelha com os dizeres: “Festival do Tomate de Allegro-99 Gloriosos Anos!” Calçava um par de tênis, sem meias.
Seu único enfeite era o antigo relógio com a cara do Mickey Mouse que sempre usava, e claro, o anel de noivado com um brilhante minúsculo. Nunca tirava o anel.
— Talvez tenha de salvar algum gato do meio do gira-gira, ou mexer na cozinha. Por que me arrumar?
— Para dar a alguém a chance de ver que moça bonita você é.
— Não estou participando de nenhum concurso de beleza. Tenho trabalho me esperando.
— E um pecado alguém viver no passado como você faz. Já se passou muito tempo. Não está certo.
Gina mordeu o lábio, pensativa. Lembranças lhe tomaram a mente.
Loren, seu noivo, morrera há cinco anos. Amara-o com todas as forças, e também fora muito amada. Iriam se casar no mês de setembro, e continuariam a morar em Allegro. Loren seria o técnico do time de futebol do colégio em Milledgeville, e Gina abriria uma pequena loja de antiguidades com a qual sonhava há tempos. Também gerenciaria um negócio simples de especiarias que herdara do pai, nas horas vagas.
No verão anterior ao casamento, Loren estava trabalhando para a companhia elétrica, na área de manutenção do equipamento. Em uma noite de tempestade, em agosto, fora designado para reparar um cabo entre Allegro e Milledgeville.
Vieram lhe trazer a notícia em meio à escuridão e à chuva. Loren estava morto. Loren, aquele que seria seu marido em três semanas.
Durante três semanas ela o chorou. Na manhã do dia que de­veria ser o casamento de ambos, saiu do quarto, pálida, mas sor­ridente, quase parecida consigo mesma. A cidade se admirou com sua fortaleza.
O sorriso de Gina fora para Loren. Ao sair do quarto naquele dia, caminhara sob o som de uma marcha nupcial. Sentia-se como se estivesse fazendo as promessas matrimoniais para sempre. Seria fiel à memória daquele homem único.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oiiiiii...Não vai sair sem deixar um comentário vai?
Aqui é seu canal compartilhando a leitura...Conte para nós o que achou do último livro que leu ou lendo, livros que está afins de ler, comente o que desejar sobre o blog, os livros, só não vale detonar revisões e sim agradeçam as revisoras que fazem com carinho a leitura chegar à vocês!
bjs,
Jenna