domingo, 18 de abril de 2010

Romance Grego

ROMANCE CONTEMPORÂNEO















Capítulo Um

Como tudo pode ter dado tão errado?

Rebecca Grainger envolveu o estômago com os braços,
sentindo a náusea tomar seu corpo.
Se pudesse ao menos parar de pensar no assunto, talvez a sensação de enjôo na boca do estômago diminuísse. O casamento era prioridade dela, disse Rebecca a si mesma. Concentre-se nele. Já haviam lhe pagado para organizá-lo inteiramente, recebera o cheque na noite anterior.
Noite passada. Aquele beijo.
Não, não pense sobre a noite passada. Concentre-se no casamento.
Uma festa dos Asteriades.
Um olhar desesperado recaiu sobre as mesas carregadas de talheres de prata e copos franceses do século XIX, finos vasos de cristal, cada um dos quais dispondo de seis maravilhosas rosas brancas de caule longo, postos sobre a mesa.
Claro, tinha recursos inumeráveis a seu dispor, nenhuma despesa fora poupada para o casamento de Damon Asteriades.
O teto abobadado do salão de festas do San Lorenzo Hotel de Auckland fora envolvido por tecidos drapeados para criar uma atmosfera lúdica e romântica, de conforto. Grinaldas de hera e rosas brancas de estufa cobriam as paredes, preenchendo o salão com um cheiro embriagante.
Castiçais de latão pregados às paredes acrescentavam brilho íntimo, e o amplo cômodo fora aquecido para que as mulheres pudessem mostrar uma quantidade impressionante de vestidos sofisticados, feitos a mão, ainda que um gelado vento de inverno soprasse lá fora.
No centro da pista de dança vazia, Damon Asteriades fazia uma manobra graciosa, girando a noiva aos acordes melodiosos da valsa Danúbio azul, seus cabelos negros próximos ao louro claro dela.
Era um homem cem por cento lindo e grego, do topo da cabeça de cabelos escuros à ponta dos dedos bronzeados, com uma cabeça esquentada de homem grego, seguro de que estava sempre certo.
E naquele exato momento Rebecca desejou que ele estivesse a um milhão de anos-luz de distância.
— Meu filho é um tolo.
Ao ouvir a voz de Soula Asteriades — mãe de Damon e viúva do poderoso Ari Asteriades — , Rebecca sorriu e disse:
— Damon não gostaria dessa descrição.
— E olhe para você, Rebecca! Minha querida, você tinha que usar escarlate? Como se fosse uma bandeira vermelha agitada para um touro? — Soula suspirou. — Esse maldito vestido só vai alimentar as histórias que as pessoas contam e aumentam a cada vez que recontam.
Rebecca riu e fitou o extravagante vestido Vera Wang que ela vestia.
— Deixe que falem. Não me importo. Ao menos não estou roubando o brilho da noiva me vestindo de branco.
— Mas deveria. Você ficaria linda de noiva.
Se Ari estivesse aqui, teria enfiado algum juízo na cabeça daquele garoto.
Em choque, Rebecca olhou para a mulher mais velha.
— Soula?
— Esse casamento é um engano, mas agora é tarde demais.

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