quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A Maldição Scarletti

ROMANCE SOBRENATURAL



Nicoletta foi toda sua vida “diferente”.

Em seus escassos 17 anos é a curandeira do vilarejo no qual vive e a alegria de seus vizinhos, que a protegem, ela e seu segredo.
Por isso, quando é convocada ao Palácio da Morte, onde vive o poderoso Dom Scarletti, sobre cuja família pesa uma terrível maldição que acaba com as mulheres que pisam no palácio, todos temem por ela.
Uma vez no palácio, a jovem atrai a atenção do senhor, sobre o qual correm estranhos rumores e que decide fazê-la sua.
Nicoletta enfrenta a morte no palácio, mas vem determinada a descobrir quem esteve matando durante as gerações as esposas dos Scarletti e a tantas outras mulheres que trabalharam no palácio, incluindo a sua própria mãe.

Capítulo Um

O corvo voava ao longo da borda dos escarpados.
Abaixo, as ondas se despenhavam e formava espuma contra as rochas, cada uma ascendendo mais e mais alto, estendendo-se quase airadamente para o pássaro negro.
O corvo trocou de curso, girando terra adentro através de campos de flores silvestres, sobre colinas nuas, voando até alcançar a floresta.
Parecia dirigir-se a algum lugar, pairando lentamente pelo céu, os raios quentes do sol brilhavam a suas costas.
Emplastros de nuvens cinza começavam a vagar no horizonte, quase a sua esteira, como se o pássaro estivesse desenhando uma sombra cinza na terra de abaixo.
Uma vez ao abrigo das árvores, o pássaro mudou de velocidade, reduzindo-a rapidamente, manobrando através dos frondosos ramos e rodeando troncos de árvores como competindo com o pôr-do-sol.
Voou tão reto como era possível sobre a ladeira até as árvores da encosta da montanha distante. Ele fez o seu caminho aconteço infalivelmente até um galho grosso e torcido. Posou-se ali, dobrou as asas muito majestosamente, com seus olhos redondos e brilhantes atentos à mulher pequena abaixo.
Nicoletta amontoava cuidadosamente terra fértil ao redor da pequena samambaia que recentemente transplantou.
A terra ali era mais fértil que a próxima a sua casa e iria florescer sua própria necessária e suas formas raras de flora.
Utilizava extratos das plantas como medicamentos para a gente dos arredores da aldeia e as granjas.
O que começou como um pequeno jardim no lado da colina cresceu até ser uma enorme porção de terreno transplantado com todas as ervas e flores que requeria para vários remédios. Suas mãos nuas estavam enterradas na terra, as ricas fragrâncias das ervas a envolviam, um tumulto de cor procedente da vegetação se pulverizava por toda parte ao seu redor.
De repente se estremeceu quando uma sombra cinza obscureceu os últimos raios quentes de sol, deixando um ameaçador presságio de desastre em sua mente.
Muito lentamente Nicoletta ficou em pé, limpando-a terra úmida das mãos e depois na saia longa e ampla antes de inclinar a cabeça para cima para olhar ao pássaro sentado ainda sobre ela na árvore.
—Então você veio chamar-me — disse em voz alta, sua voz era suave e rouca, no silêncio do bosque. —Nunca me traz boas notícias, mas perdôo você.
O pássaro a olhava fixamente, seus pequenos olhos redondos brilhavam.
Um último raio de luz golpeou as plumas de suas costas, as fazendo quase iridescentes, antes que as nuvens cinza obscurecessem o sol completamente.
Nicoletta suspirou e empurrou para trás a selvagem massa de comprimento e enredado cabelo que flutuava como uma cascata por suas costas até sua pequena cintura, com alguns pequenos ramos apanhados entre as sedosas mechas.
Parecia uma criatura tão misteriosa e mística como o silencioso corvo, selvagem e indomável com seus pés descalços, olhos escuros, e delicados rasgos tintos de dourado pelo sol.
Uma jovem e formosa bruxa, possivelmente, tecendo feitiços em meio de seu frondoso e exótico jardim. O pássaro abriu o pico e emitiu um forte grasnido, a nota resultou irritante no silêncio do bosque.
Por um momento os insetos cessaram seu incessante zumbido, e a mesma terra pareceu conter o fôlego.
—Já vou, já vou — disse Nicolleta, agarrando um embornal de couro fino. Elevou a cabeça ao céu sobre ela, depois girou em um lento círculo, determinada com os braços estendidos, enquanto enfrentava a cada uma das quatro direções, norte, sul, este e oeste. O vento agitava sua roupa e fustigava o cabelo ao seu redor como uma capa. Apressadamente começou a recolher folhas e sementes de várias plantas, as acrescentando às ervas secas e esmagadas e os bagos para medicamentos que já havia em seu embornal.

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