quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Serviço da Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um amor impossível!

O sheik Shazim Al Q'Aqabi fica intrigado ao descobrir que Isla Sinclair fora escolhida para transformar o sonho de seu falecido irmão em realidade. 

Afinal, ele a vira trabalhando como dançarina em uma boate de Londres. 
Porém, a personalidade enérgica dela era como uma brisa fresca no calor do deserto. 
Em toda a sua vida, Shazim só havia se relacionado com o trabalho. 
Agora, ele está considerando uma forma mais prazerosa de passar suas noites, mas envolver-se com uma mulher tão inadequada é um ato de traição. Será que ele está disposto a abrir mão de tudo para ficar com Isla?

Capítulo Um

Que infeliz coincidência: uma boate com pole dance bem em frente ao restaurante estrelado pelo guia Michelin onde Shazim estava jantando com seu embaixador. Ele já devia saber o que esperar quando sua equipe reservou a mesa favorita do embaixador para o jantar. Afinal, era o bairro de Soho, em Londres, Inglaterra, onde os clubes de striptease coexistiam alegremente junto a restaurantes de alto nível, mas o embaixador era um velho amigo, e Shazim tinha cedido à vontade do velho de experimentar uma novidade. A desvantagem era que o filho do embaixador também estava presente.
Ficar sentado quietinho parecia demais para o rapaz tenso de trinta e poucos anos. As garotas dançando no clube do outro lado da rua tinham captado sua atenção.
Shazim achou terrível não apenas a ausência flagrante de boas maneiras do rapaz, mas algo ainda mais irritante o incomodava. Seja lá o que acontecesse, ele não permitiria que o filho do embaixador molestasse as mulheres de lá.
— O senhor já acabou de comer? — O filho do embaixador olhou para o pai com súplica. — Podemos dar uma passadinha do outro lado da rua?
Ele era como um filhotinho de cachorro tentando se soltar da guia. Shazim teve de agarrar rapidamente um copo que quase caiu no instante em que o rapaz se levantou da mesa em sua pressa para sair do restaurante.
Shazim o alcançou já à porta. Seus seguranças pairavam ali. Com um olhar, ele pediu que seus homens se afastassem.
— Você não está um pouco velho para isso? — Ele meneou o queixo para as janelas tingidas de cor-de-rosa da boate, onde figuras sombrias ondulavam de um lado a outro.
A essa altura, o embaixador havia se juntado a eles, e havia o risco real de um escândalo.
— Vá com ele, Shazim — suplicou o embaixador. — Assegure que ele não vá se meter em encrencas, sim? Por favor? Por mim?
Pedindo a um dos seguranças que escoltasse o estadista mais velho até em casa, ele meteu um maço de notas na mão do maître e acompanhou o filho do embaixador restaurante afora.
Ah, pelo amor de Deus! Isso era ridículo. Sua amiga Chrissie não era exatamente carente no quesito peitos, mas também não era dona de uma bela comissão de frente, incomodou-se Isla enquanto tentava espremer seus seios imensos no biquíni microscópico.
Se alguém tivesse perguntado a Isla a última coisa na Terra que ela gostaria de fazer, certamente seria dançar toda sexy num salão cheio de homens — e havia todos os motivos para tal; mas Chrissie era uma boa amiga e estava enfrentando uma emergência familiar esta noite.
O passado não era capaz de ressurgir e machucá-la, disse a si mesma com veemência, não a menos que ela permitisse, e esta noite não permitiria.
A morte de sua mãe, 18 meses atrás, a abalara imensamente, e o que acontecera logo depois do funeral ainda era capaz de desestruturá-la, mas esta noite era a noite de Chrissie, então ela ia dar continuidade ao trabalho — isso se conseguisse enfiar seus seios no confinamento do tecido. 
Virando-se para lá e para cá, ela mediu o fator de risco de seus seios vazarem para um lado quando ela fosse para o outro. 
Eis a prova viva de que ninguém era capaz de espremer um litro num jarro onde só coubesse meio. Nem podiam transformar uma mulher comum e atarracada numa sílfide sensual do dia para a noite. 
Isla era uma aluna realista no departamento de ciências veterinárias. Longe de fazer o tipo deslumbrante, ela geralmente tinha sujeira de origens indescritíveis sob as unhas.
Olhando pelo lado positivo, a roupa era linda. Ela adorava um bocadinho de brilho, e o biquíni era de um rosa intenso e lindamente decorado com continhas de cristal e lantejoulas. Ficaria fantástico em Chrissie, assim como em qualquer mulher com estrutura normal, mas nas formas avantajadas e pesadas de Isla?

Descoberta do Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Um conto de fadas?

Destratada pela madrasta e pela meia-irmã, Ellen Mountford vive às margens da família, sentindo-se indigna e rejeitada. 

Contudo, quando o poderoso magnata Max Vasilikos aparece querendo comprar a propriedade que pertencera ao pai dela, Ellen sabe que não pode mais se omitir. 
Sob o olhar arrogante do imponente grego, ela luta com a vontade de se esconder e o enfrenta. Intrigado, Max a convida para um baile de gala, e fica perplexo com a transformação. 
Agora, Ellen não é mais a reclusa desajeitada que ele conheceu, e sim uma bela mulher… e Max não consegue pensar em outra coisa além de seduzi-la.

Capítulo Um

Max Vasilikos sentou seu corpo alto na cadeira de couro junto à mesa de trabalho e relaxou, esticando as pernas longas à sua frente.
— Está bem, o que você tem para mim?
O corretor imobiliário dele no Reino Unido entregou-lhe um conjunto de brochuras com fotos.
— Acho que temos boas ofertas aqui, sr. Vasilikos — disse ele esperançoso para aquele que era um de seus clientes mais exigentes.
Max olhou o material de relance e, então, deteve os olhos numa das propriedades.
Uma casa de campo inglesa, feita de pedra amarela, com trepadeiras floridas subindo pela varanda, circundada por jardins verdejantes e bosques tranquilos, com um vislumbre de um lago para além do gramado. Banhado pelo sol, o lugar inteiro tinha um encanto que atraiu o olhar dele, fazendo-o querer vê-lo pessoalmente.
Pegando a brochura, ele desviou o olhar para o corretor.
— Esta aqui — disse decidido.
Ellen parou no corredor de cima. Pôde ouvir a voz aguda da madrasta vindo da sala de estar.
— Isto é exatamente o que estive esperando! E não vou deixar que aquela maldita garota tente estragar tudo... outra vez!
— Temos que vender este lugar depressa!
A segunda voz foi da irmã de criação de Ellen, Chloe, petulante e insatisfeita.
Ellen apertou os lábios. Estava bastante ciente da fonte das insatisfações delas. Quando Pauline se casara com o pai viúvo de Ellen, ela e a filha Chloe tinham apenas um objetivo — gastar o dinheiro dele no estilo de vida luxuoso que almejavam ter. Agora, tudo que restara, depois dos anos em que elas haviam esbanjado, era a casa que haviam herdado em conjunto com Ellen após a morte repentina de seu pai no ano anterior, após sofrer um ataque cardíaco. E mal podiam esperar para vendê-la. O fato de ser o lar de Ellen e de estar na família dela havia gerações não as preocupava nem um pouco.
A hostilidade de ambas em relação a ela não era nada novo. Desde o momento que tinham invadido sua vida, Pauline e a filha tinham tratado Ellen com total desprezo. Como Ellen — alta e desajeitada, andando “como um elefante”, como sempre a tinham descrito — podia se comparar com a esguia, delicada e tão bonita Chloe?
Ela desceu o resto da escada deliberadamente devagar, para ouvir as vozes das duas. Parecia, pensou pesarosa, que a madrasta tinha esperança de haver um comprador em potencial para Haughton. Apesar de saber que precisaria recorrer a uma ação legal contra a enteada a fim de forçar a venda, Pauline insistia em manter a casa no mercado e tentava vencer a resistência de Ellen e fazê-la concordar em vender a propriedade.
Mas o coração de Ellen endurecera naquele primeiro inverno sem o pai, quando a madrasta e Chloe tinham passado férias no Caribe. Ela dificultaria ao máximo para que Pauline vendesse sua casa adorada — a casa em que fora feliz até o dia terrível em que a mãe morrera num acidente de carro, levando o pai a tamanha solidão que o tornara perigosamente vulnerável às ambições avarentas de Pauline.

Um Brinde à Fortuna

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Como agarrar um Milionário
Amor ou dinheiro? 

Por que não os dois? Afinal, milionários também precisam de amor! 
Essa ideia era defendida por Tônia Benson, em seu best-seller Como Agarrar um Milionário, e estava tendo a maior repercussão! 
Os conselhos que ela dava no livro eram resultado de sua própria experiência de vida. 
Casada duas vezes, enviuvara uma e estava prestes a se casar com seu terceiro milionário. Isto é, se conseguisse chegar inteira, depois daquela série estafante de viagens promocionais! 
Como se não bastasse, também teria de provar que os conselhos do livro eram mesmo eficazes, ao serem capazes de fazer três voluntários de um concurso de tevê encontrarem seus amores milionários. Porém, qual não foi seu espanto ao descobrir que um deles era seu ex-marido!

Capítulo Um

— Ok, pessoal! — disse Tônia Benson aos alunos que as­sistiam à sua palestra sobre flerte. — Essa é para as mulheres, em específico. Imagine que um es­tranho a olha de alto a baixo e aponta pelo menos um pé em sua direção. Isso é apenas uma coin­cidência ou o fato de ele estar apontando os sa­patos em sua direção significa algo?
Essa pergunta sempre causava risos na plateia, mas Tônia continuou com uma expressão impas­sível. Apontar o sapato na direção de outra pessoa às vezes significava uma maneira inconsciente de demonstrar interesse. E isso não apenas por parte dos homens, mas também das mulheres.
Uma das alunas levantou a mão.
— Significa que ele quer se aproximar, mas que pode acabar pisando no seu pé?
Seguiu-se outra onda de risos.
— Ou então que ele quer bancar o Fred Astaire e dançar um tango com você — brincou outra das alunas.
Tônia não conseguiu se manter séria depois de ouvir aquilo. A turma composta por trinta alunos era mesmo muito bem-humorada. Não se tratava de uma aula exatamente, mas de uma palestra con­tendo dicas sobre como conquistar o sexo oposto.
Estavam a bordo de um transatlântico que aca­bara de zarpar em direção à Riviera Mexicana. Não apenas o cruzeiro, mas também a palestra de Tônia, faziam parte da exaustiva campanha promocional do livro Como Agarrar um Milionário.
A palestra começara cerca de quinze minutos antes, mas um retardatário chegara havia cerca de dois minutos e sentara-se em uma cadeira no fundo da classe.
Enquanto os alunos se preocupavam em respon­der às suas questões, Tônia decidiu utilizar um dos métodos de linguagem corporal. Tendo o cuidado de observar para onde estava apontando o pé direito, arriscou um olhar para o aluno retardatário que, por sinal, era o único homem da turma.
Ele conseguira ajeitar o corpo atlético na cadeira inapropriada para um homem com um metro e oitenta de altura, e a impressão que transmitia era de que estava até bastante à vontade. Todavia, não era a postura dele que preocupava Tônia no momento, nem o fato de ele estar vestido apenas com uma sunga e uma camiseta regata. O que mais a incomodou foi o detalhe de o pé dele estar apontando diretamente em sua direção.
— Não pode significar que ele quer se casar e ter filhos com você? — perguntou o retardatário, com uma inconfundível voz aveludada.
Tônia sentiu o rosto esquentar, e não apenas pelo fato de ele haver acertado a resposta. Aquele também era seu ex-marido e o que ele dissera tinha um tom muito particular.
O choque de encontrar Christopher McGrath na plateia do programa onde estava divulgando seu livro acabara se transformando em uma espécie de pesadelo do qual ela não conseguia mais acordar.
Não via Christopher havia quinze anos e deparar-se com ele no programa de entrevistas de Babs Randazzo parecera uma brincadeira de mau gosto do destino. Como se não bastasse, ele fora um dos voluntários escolhidos para pôr em prática as dicas do livro.
As regras do concurso eram simples. Tônia se dispusera a servir como consultora para cada um dos candidatos. Qualquer um deles que conseguis­se conquistar um milionário, ou no caso de um homem, uma milionária, utilizando as dicas de seu livro receberia um prêmio especial da emis­sora de tevê e da editora.
E ali estava Christopher assistindo à sua pa­lestra e provavelmente esperando uma consultoria pessoal. Por isso, estava fadada a passar sete dias ao lado dele, naquele cruzeiro de Los Angeles até o cabo São Lucas.
Pelo menos tivera a sorte de a equipe de câmeras do programa de Babs Randazzo, que tam­bém se encontrava no transatlântico, não estar filmando sua palestra no momento.
Entretanto, iriam filmar o coquetel oferecido pelo capitão à noite, e isso já era muito preocu­pante. Esperava que Cláudia Barnes, sua empre­sária, conseguisse pelo menos comparecer ao evento, para salvá-la de alguma situação mais emba­raçosa. Cláudia começara a passar mal pouco de­pois de haverem embarcado e não conseguira mais se levantar da cama. — O que ele disse?


Série Como agarrar um Milionário
1- Feitiço do Luar
2- Milionário Irresistível
3- Um Brinde à Fortuna
Série concluída

Milionário Irresistível

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Como agarrar um Milionário
Millie e as irmãs haviam dado muitas risadas, quando ela ganhara aquele livro com um título tão ousado.

Fizeram até piadinhas sobre a necessidade de terminarem a faculdade e de não terem dinheiro para isso. 

Porém, Millie acabou gostando da ideia e traçou um plano: iria convencer o irresistível milionário Rino Corrigan a se casar com ela!
Mas jamais imaginara que aquele modelo de perfeição masculina tinha seus próprios planos em mente, e que pretendia se tornar uma perigosa tentação para ela.
Seria Millie capaz de conciliar tantos interesses sem se entregar à chama da paixão?

Capítulo Um

Millie Brown empurrou a fita para dentro do videocassete e se afastou um pouco, esperando que a imagem aparecesse. Atrás dela, suas irmãs falavam alto, discutindo por pequenas futilidades, como sempre.
— Você estourou as pipocas na manteiga! — acusou Pru, com seu habitual tom dramático.
Em setembro, Prudência estaria se tornando uma atriz iniciante, quando concluísse o curso básico de teatro, e precisaria começar a estagiar e a se espe­cializar. Isso se o plano de Millie funcionasse.
— Sim, estourei-as na manteiga — admitiu Es­perança. — Sei que a gordura vai direto para seus quadris, mas Gló e eu não temos o mesmo pro­blema, e não vejo por que deveríamos nos abster desse pequeno prazer por sua causa. E pare de exagerar! Não há produtores nem diretores assis­tindo à sua encenação.
Esperança tinha mais um ano e pouco pela frente, antes de conseguir o bacharelado em literatura e poder começar sua carreira como romancista. Aos dezenove anos, sonhava em ser uma autora pre­miada antes de seu trigésimo quinto aniversário.
— Prefiro ter gordura nos quadris a ter gordura no cérebro! — atacou Pru.
— Mas você não tem opção, por isso sua pre­ferência não fez diferença. Seu cérebro já foi do­minado — rebateu Esperança.
— E vocês duas, parem de me chamar de Gló! — falou Glória, dominada pelo clima de discussão que se havia formado. — Já pedi um milhão de vezes para não me chamarem mais dessa forma. Não sou mais uma garotinha. Meu nome é Glória! Glória!
Ela estava no primeiro ano de um curso de três, na Escola de Criação e Artes Plásticas de Los Angeles, e tinha um temperamento bastante apro­priado para uma futura artista excêntrica.
Millie apertou o botão de pausa no videocassete e se virou para as irmãs, que formavam um im­pressionante trio de lindíssimas ruivas, sentadas no sofá.
A beleza chamativa, quase rude, das três garo­tas era um constante lembrete de que ela era ape­nas uma meia-irmã. Seus cabelos castanho-claros e sua delicadeza mostravam uma diferença tão grande de aparência que quase ocultavam as ín­fimas semelhanças com as três em seus traços admiráveis. Todas, porém, eram lindas.
Mas a consciência de tais detalhes jamais obs­truíra o amor intenso que sentia por cada uma delas, mesmo quando estavam sendo infantis.
As garotas haviam passado os últimos meses em suas respectivas escolas, desde o Natal, e es­tavam reunidas no apartamento de Millie, para passar as primeiras semanas das férias de verão. Seriam dias de atritos e ajustes.
Vinha lidando com os egos artísticos das três des­de a morte da mãe, quando ela tinha catorze anos e ficara com a tarefa de criar as irmãs menores.
A implementação de seu plano ocorreria no dia seguinte, o que a estava deixando tensa e aflita. Se não funcionasse, as carreiras das garotas es­tariam acabadas. Mas Millie não queria nem pen­sar nisso. Prometera ao pai delas que cuidaria para que as três se formassem no curso superior.
— Prestaram atenção no que estão fazendo, ga­rotas? — perguntou Millie, encarando-as. — O pai de vocês as batizou como Esperança, Prudên­cia e Glória, mas ouçam só como estão gritando!
— E muito desagradável ter um nome tão bí­blico — declarou Glória, pegando a gigantesca ti­gela de pipoca do colo de Prudência. — Todos es­peram que você aja de acordo com seu nome. Por que não recebemos nome de flores? Seria bem mais fácil ser apenas linda e perfumada...
Pru revirou os olhos e pegou a tigela de volta, dizendo:
— Porque nosso pai era um pastor, e não um botânico! 


Série Como agarrar um Milionário
1- Feitiço do Luar
2- Milionário Irresistível
3- Um Brinde à Fortuna
Série concluída

Feitiço do Luar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Como agarrar um Milionário
Como agarrar um milionário

Emilie Storrs se surpreendeu ao ler o título do livro que a irmã lhe dera. 
Seriam os conselhos indicados pela autora suficientes para fazê-la conquistar um milionário sexy e irresistível? 
Decidiu que o melhor lugar para descobrir isso seria o Caribe, com suas paisagens paradisíacas, freqüentadas por milionários excêntricos. 
Porém, logo se descobriu perigosamente atraída pelo charmoso Tyler Weston, dono de estonteantes olhos azuis.
Só que ele era apenas um barman, e não poderia oferecer a riqueza que Emilie procurava...

Capítulo Um

“Tudo bem", pensou Emilie. "Tentarei realizar essa loucura e encontrar um pretendente milionário. Mas duvido que exista algum homem rico tão sexy quanto esse barman."
Tentou não olhar para ele, mas simplesmente não conseguiu se conter. A luxuosa estação de férias, com prédios brancos, pátios internos e trilhas arborizadas, gramados verde-esmeralda e praias de areia clara pareceu sumir de repente. Para Emilie, restava apenas a imagem daquele irresistível desconhecido.
Ele era alto, forte e tinha um físico invejável. 
Sua pele era perfeitamente bronzeada, por certo como conseqüência das horas que passava sob o sol tropical. 
Os cabelos castanho-claros iam além da linha do colarinho e tinham algumas mechas aloiradas. Seus olhos eram tão azuis quanto o mar do Caribe, e o amplo sorriso o deixava com uma aparência ainda mais estonteante. 
A camisa pólo e a bermuda caqui enalteciam os músculos rijos que os preenchiam, demonstrando a força que ele poderia utilizar se fosse preciso.
Não havia homens como aquele em Chicago, pensou Emilie. Nunca encontrara algum entre seus antigos clientes, nem na vizinhança do minúsculo apartamento onde morava, antes que a mudança na política e os cortes nos gastos da empresa a deixassem sem emprego, quatro meses antes. Os homens que ela conhecia em Windy City costumavam ser pálidos e viviam sempre estressados.
No entanto, encontrava-se muito longe de Windy City no momento. A estância Golden Key, situada em uma paradisíaca ilha do Caribe, três quilômetros a oeste de St. Thomas, era o local onde, supostamente, ela encontraria seu amor milionário.
Lera Como Agarrar um Milionário e recebera instruções da própria autora, Tônia Benson. Um dos capítulos dizia que para conhecer milionários era preciso ir aos lugares que eles costumavam freqüentar. Golden Key era o local perfeito, mas a única maneira que Emilie encontrara de entrar na estância fora se inscrevendo para trabalhar como garçonete.
Entretanto, como conseguiria prestar atenção a algum dos hóspedes milionários com aquele verdadeiro deus grego à sua frente? Com aquela aparência, que importância tinha que ele fosse um barman e que tivesse uma conta bancária reduzida?
Na verdade, a idéia do casamento com um milionário fora de sua irmã, Corinne. Ela conquistara um milionário e casara-se com ele, anos antes. Corinne o conhecera na faculdade e, por sorte, ambos haviam se apaixonado à primeira vista. Jonathan era descendente de uma das famílias mais ricas de Chicago, mas esse não fora o fator decisivo para Corinne aceitar se casar com ele. Os dois se amavam de verdade.
Contudo, assim que os dois passaram a morar na luxuosa casa em Lake Shore Drive, e que Corinne passara a desfrutar do benefício de nunca mais ter de viver com um orçamento apertado, ela aconselhara a irmã mais nova a procurar um pretendente rico.
Tentara até apresentá-la para alguns amigos ricos e solteiros do marido, mas Emilie os considerara pessoas muito vazias e superficiais.
— Você tem um coração muito nobre e sei que está fazendo diferença na vida das pessoas — Corinne lhe dissera. — Mas também pode fazer essa diferença com dinheiro, querida. Veja, por exemplo, quanto arrecadei naquele último bazar para ajudar desabrigados. O baile de caridade para ajudar crianças com câncer também foi bem-sucedido. Assim como outras atividades para arrecadar fundos para a Cruz Vermelha.
Era verdade. Corinne arrecadava muito dinheiro para pessoas necessitadas e sentia-se realizada fazendo isso. Ela própria, no entanto, passara os últimos quatro anos trabalhando como uma mal remunerada assistente social do Departamento de Serviços Sociais. Até ser despedida.

Série Como agarrar um Milionário
1- Feitiço do Luar
2- Milionário Irresistível
3- Um Brinde à Fortuna
Série concluída

Folhas de Outono

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Bela e rica, Luenda significava um prêmio para um homem sem escrúpulos. 

Luenda sentia o desejo crescer à medida que a boca de Gwill buscava a dela. 
Desejo ou cobiça? Lá dentro, uma voz a mandava tomar cuidado. 
Como herdeira de uma fortuna, ela era um alvo em potencial para as ambições de qualquer homem...Devagar, Luenda foi se soltando daquele abraço, daquele beijo envolvido numa suspeita fatal: por acaso seria o beijo da traição?
Capítulo Um

Luenda Morgan acordou para a beleza serena de uma manhã de outono em Auckland, na Nova Zelândia, e logo a lembrança de seus angustiantes problemas lhe veio à mente. Amargurada, pensou que a tranqüilidade à sua volta era apenas ironia... A bela paisagem que se descortinava pela janela, com o sol refletindo nos cascos brancos dos barcos ancorados na baía, só servia para recordá-la de que logo precisaria sair daquela casa; onde passara a melhor fase da vida, ao lado dos três irmãos pequenos: Judith e Diana, as gêmeas de doze anos, e Davy, com somente dez.
Até receber aquele último golpe, sentira-se capaz de enfrentar as sucessivas crises que vinham se abatendo sobre a família desde a morte de sua mãe. 

As três crianças haviam superado bem o infortúnio, pois tanto Luenda quanto seu padrasto, Tony Sherborne, cuidaram para que nada lhes faltasse.
Quando as coisas pareciam retomar seu curso normal, Tony mergulhou numa profunda depressão e, após insistentes conselhos médicos, iniciou uma série de viagens na tentativa de se recuperar da tristeza conhecendo novas paisagens e culturas que em nada o lembrassem a figura bela e adorada de Nicole. 

Se a princípio Luenda achara excelente a idéia e dera todo seu apoio, logo se chocou ao descobrir as dívidas que ele havia contraído, dilapidado um patrimônio que fora acumulado durante toda uma vida. E, o que era pior, deixando cada centavo numa mesa e jogo.
Luenda tinha apenas onze anos quando Tony se casara com sua mãe, e aprendera a amar aquele homem gentil e carinhoso que sempre lhe dedicara tanto carinho. Por isso, quase não conseguiu reunir forças a fim de partir para Las Vegas, onde o padrasto sofrera um ataque cardíaco de conseqüências fatais.
Após cumprir todas as formalidades necessárias para o enterro, um telefonema frio e impessoal colocara-a a par da real situação financeira da família. Tony levantara vultosos empréstimos, dando como garantia a empresa, e até mesmo a casa, na qual moravam.
Apesar de lhe condenar a atitude leviana, ela decidiu esconder das crianças a extensão da loucura do pai, justificando o corte de regalias como simples resultado da ausência da mesada de Tony.
Com algumas economias pessoais conseguira sustentá-los durante as férias de verão, e em fevereiro precisara vender o luxuoso carro da família para matriculá-los na escola. 

Depois fora a vez de se desfazer do pequeno automóvel da mãe, usado para levar as crianças ao colégio, e da velha lancha, pela qual alcançara um bom preço. Mas o dinheiro simplesmente desaparecera, e ainda havia hipotecas para' saldar. E, a julgar pelos preços proibitivos de casas e apartamentos, mesmo em bairros populares, teriam de morar de aluguel, após a venda da mansão.
Luenda estava a ponto de entrar em pânico quando recebera uma carta de uma firma de procuradores, comunicando-lhe a recente morte de Megan Richards, na Califórnia, e obrigando-a a tomar algumas decisões bastante difíceis.
Fora penoso descobrir que aquela encantadora mulher de cabelos grisalhos e riso fácil, que entrara em sua vida há um ano, revelando-se uma excelente amiga, falecera longe de sua terra natal.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Amor Profundo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Herdeiros Secretos

Há segredos que nem o dinheiro pode revelar...

Um segredo precioso. Uma mulher obstinada.
Após descobrir que tem um herdeiro, o sheik Zafir el-Khalil está disposto a tudo para proteger a criança… até mesmo se casar com a mulher que o traiu.
Porém, Darcy Carrick não é mais a menina inocente que ele conhecera, e se recusa a se submeter às ordens de Zafir.
No passado, o coração dela se derreteria ao ouvi-lo pedindo que ela se torne sua esposa. 
Agora, ele precisará de muito mais do que apenas palavras doces e toques sedutores para convencer Darcy a ser sua rainha!

Capítulo Um

A queda de cima do alto muro aconteceu em um instante, ainda que, de forma estranha, o tempo tenha parecido desacelerar enquanto Darcy observava a si mesma caindo. Algo muito parecido com uma misteriosa experiência fora do corpo. As imagens alcançavam a mente dela em lampejos — havia algo acontecendo, mas não parecia real — exatamente como em um sonho.
O problema é que Darcy tinha perdido a concentração, já que sua mente estava tomada pela enervante missão que tinha diante de si: acalentava a esperança de se encontrar com o carismático dono daquela impressionante mansão, para contar que o apaixonado caso entre eles gerara um bebê.
A dor imensa que atravessou seu tornozelo quando atingiu o chão lhe deu algo ainda mais pertinente com que se preocupar. Resmungando como uma dama realmente não deveria fazer, esfregou a área machucada, estremecendo quando a dor se intensificou de forma excruciante.
Como, em nome de Deus, conseguiria ficar em pé? Seu tornozelo estava ficando roxo e inchado, rápido demais para seu gosto. Qualquer chance de ter aquela conversa mostrando-se tranquila e imperturbável desaparecera, então...
Enquanto se dava conta disso, um homem grande e usando um terno preto e justo começou a correr na direção dela vindo do outro lado dos esplêndidos jardins. Darcy logo deduziu que era um segurança. Lembrou-se de sua intenção de permanecer o mais calma possível, não importando o que acontecesse. Respirou profundamente para tentar controlar as ondas de dor que a varriam, uma após a outra.
Quando o homem a alcançou, a respiração dele se condensava no ar frio de outubro, e Darcy notou que sua pele cor de oliva estava coberta por um brilho tênue de suor.
Apesar da situação em que se encontrava, Darcy ainda brincou:
— Poderia ter se poupado da correria. Eu obviamente não vou a lugar algum. Acho que torci o tornozelo.
— Você é uma jovem muito tola para se arriscar a fazer uma coisa tão idiota. Posso dizer-lhe agora que o sheik não vai ficar nada feliz com isto.
Sua compreensão de que ele estava se referindo ao homem que Darcy esperava desesperadamente ver a fez sentir-se como se tivesse batido contra um muro em vez de simplesmente cair dele.
— O sheik é o dono desta propriedade e você a invadiu. Devo avisá-la de que ele não vai encarar essa invasão como alguma coisa sem importância.
— Não... Eu acho que não.
Qualquer que fosse a forma como seu ex-amante reagisse ao vê-la, certamente não poderia fazê-la sentir-se pior do que já se sentia. Sim, poderia. Darcy já estava no limite antes do acidente, imagine agora, com a possibilidade iminente de ser confrontada por ele e acusada de invasão de domicílio.
— Olha, o que aconteceu, aconteceu, e por mais que eu precise explicar ao sheik meus motivos para estar aqui, primeiro vou precisar de sua ajuda para me levantar.
— Isso não me parece boa ideia. Você precisa ser examinada por um médico. Tentar ficar em pé pode agravar a lesão.



Série Herdeiros Secretos
1- Coração Intocado
2- União Avassaladora 
4- Amor único - a revisar
5- Amor profundo - idem

Uma Noite no Deserto

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Dominada pelo sheik.

Assim que Karim al-Hassan vê a sensual Lily Finch, ele decide conquistá-la. E o beijo escaldante que trocaram despertou em Karim um desejo que precisa ser saciado. 

Bem-sucedida e focada na carreira, Lily não pretendia misturar negócios com prazer… até a sedução implacável de Karim estraçalhar sua resistência. 
Ele só estava interessado em um caso passageiro, mas não demora para Karim começar a querer tê-la para sempre em sua cama.

Capítulo Um

— Muito obrigada pelo tempo dispensado, Sua Alteza.
A jornalista estava praticamente fazendo uma reverência a ele. Algo que Sua Alteza, Karim, realmente detestava.Mas ele conseguiu manter-se educado.
— Sem problemas. Prazer em conhecê-la.
Ele sabia que estava usando uma máscara tão falsa quanto a da jornalista.
Sem dúvida, ela pensava ter uma boa matéria em mãos. Aquela era a espécie de festa que sempre alimentava as colunas de fofocas dos tabloides... pessoas de alto nível do mundo dos negócios, políticos, acionistas, e uma profusão de astros e estrelas.
E ele sabia exatamente por que estava em foco. O rei Karim al-Hassan vinha participando ativamente de recepções com champanhe todos os dias nas últimas semanas, e de longos almoços que começavam antes do meio-dia e jamais acabavam antes das três.
Cinco anos atrás, eles podiam estar certos. Ele tinha sido muito festivo. Mas agora... isso fazia parte do passado. Embora isso pudesse lhe ser útil, as pessoas não se mantinham tão reservadas quando o encontravam no clima de divertimento, um frívolo diletante, charmoso e sofisticado.
O que todos os jornais desconheciam era que o copo de Karim usualmente continha água mineral com gás em vez de gim e tônica. Que ele possuía uma memória fantástica e não precisava tomar anotações... podia recordar-se de todos os detalhes de uma reunião e acompanhá-la com cartas e relatórios quando necessário. E nenhum deles imaginava que, quando ele deixava um almoço ou uma festa, trabalhava calculando números ou lendo relatórios até o amanhecer.
Desde que seu pai o incumbira de uma tarefa importante, desenvolver turismo e investimentos estrangeiros em Harrat Salma, Karim vinha sendo mais um homem de negócios do que um playboy. 

Pesquisara, encontrando as pessoas certas, fazendo os contatos certos, escrevendo seus planos de negócios. E agora precisava tirar o máximo proveito disso. Estabeleceria uma série de reuniões com pessoas dispostas a investir para ajudar a criar mais empregos, melhores infraestruturas e a chance de desenvolver fontes de energia sustentáveis no país. Tudo isso ajudaria a colocar Harrat Salma na vanguarda.
Mesmo enquanto ele conversava com um grupo de pessoas, sorrindo e fazendo comentários apropriados para mostrar que estava atento, a mente de Karim trabalhava em seu plano de negócios. Todavia, subitamente, alguma coisa — como um sussurro intuitivo em sua cabeça — o fez virar-se.
A mulher no outro lado da sala chamou-lhe a atenção, embora estivesse claramente vestida para ser invisível em vez de brilhar. Seus cabelos eram castanhos, presos na nuca. O vestido preto era simples e elegante. Ela usava sapatos de saltos baixos e nenhuma joia. O rosto não tinha maquiagem.
Estranho, muito estranho.

Caminho de Felicidade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O milagre do amor fazendo renascer as esperanças no coração de Livy.

O inverno chegara mais cedo, e o manto da neve transformara a noite num espetáculo encantador. 
Sentada à frente da lareira, Livy pensava em Corbin Radbrook, um estranho que entrara sorrateiramente em sua vida e apossara-se de seu coração, fazendo-a descobrir a força de um verdadeiro amor. 
Queria estar com aquele homem, entregar-se a ele, em busca da felicidade tão almejada. 
Mas Livy sabia que essa felicidade poderia se transformar em desespero, quando Corbin descobrisse o segredo que a atormentava.

Capítulo Um

— E então, seus malandros — o tom de Livy era acusador —, qual de vocês foi o culpado?
Os dois gatos siameses ficaram a encará-la, imperturbáveis, sem piscar os olhos azuis. Em seguida, o menor deles, indolentemente, afastou-se majestoso pelo corredor.
O maior, com ar culpado, esgueirou-se também pela porta aberta do banheiro, provocando o suspiro desanimado de Livy.
— Oh, Mischa, que coisa mais feia! — a censurou, pondo de lado a brocha com que estivera pintando as paredes de um dos banheiros, uma das suas tarefas durante o inverno no hotel de sua propriedade, na ilha de Wight.
Enquanto isso, a pequena Daisy, de quatro anos, continuava aos berros no colo da mãe, Sônia Barnes, apontando para o leve arranhão em sua perninha gorducha. Seus gritos desesperados tinham feito Sônia correr em seu socorro, até o pátio dos fundos, onde a mimada garotinha estivera brincando. Depois, com a filha no colo, viera até onde Livy se encontrava, anunciando como se tratasse de um ferimento mortal.
— Um dos seus gatos arranhou a pobrezinha!
Devido a experiências anteriores, Livy sabia que a pequena e terrível Daisy devia ter provocado os gatos, aos quais costumava apertar e puxar-lhes os bigodes. Para Sônia, no entanto, a filhinha adorada era incapaz de fazer algo errado.
No momento, apertando nos braços a menina, repetia em tom meloso:
— Pobrezinha; pobre do meu bebê...
Acostumada com a pantomima, Livy sugeriu, por desencargo de consciência:
— Coloque um pouco de mertiolate para desinfetar.
E, abrindo a porta do armário dos remédios, tirou o vidro, oferecendo-o a Sônia.
Diante disso, os gritos de Daisy tornaram-se ainda mais escandalosos, e, apesar das tentativas da mãe no sentido de acalmá-la, a criança começou a se debater e a dar pontapés. Acabou fazendo voar o vidro de desinfetante, que foi espatifar-se no chão, espalhando o conteúdo pela parede recém-pintada.
Ouvindo a praga que escapou involuntariamente dos lábios de Livy, a garotinha percebeu que fora longe demais e, por fim, parou de chorar.
No mesmo instante, um homem surgiu à porta do banheiro. De barbas brancas pouco crescidas e rosto curtido pelo sol, assemelhava-se, sem sombra de dúvida, ao que de fato era: um lobo do mar aposentado.
— Cansei de chamar você, Livy. Acontece que, com essa barulheira, nem uma sirene de nevoeiro seria ouvida. O que houve desta vez por aqui?
Daisy ergueu a perna na direção dele, exibindo o minúsculo machucado. De cenho franzido, o velho marinheiro examinou a região do ferimento, dizendo:
— Não estou vendo nada.
— Mischa arranhou-a!

Roma de Meus Amores

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Na cidade encantada, Kristin conheceu o amor!

Os sonhos de Kristin eram sempre iguais: um homem viril e sensual amava-a na relva macia. Ela nunca conseguia ver seu rosto, mas o toque de seus lábios parecia real. Quando Seth Richards beijou-a, Kristin soube que era ele quem povoara seus sonhos.
A descoberta deixou-a angustiada. Como fora se apaixonar por Seth, um homem comprometido, que além de tudo era seu chefe!

Capítulo Um

Kristin sabia que estava sonhando. Era um devaneio, daqueles que surgem pouco antes do momento de acordar, quando a mente informa que você estava em um mundo de fantasia e é hora de enfrentar a realidade.
Vamos, Kristin, sussurrou uma vozinha interna. Nada daquilo era real e ela precisava abrir os olhos.
O sonho nunca se repetia. Algumas vezes via-se no coração de uma floresta, sentindo o cheiro forte dos pinheiros, ou ia caminhando por uma praia, sentindo a areia aquecida pelo sol e admirava o mar.
Dessa vez ela se encontrava num campo cheio de flores silvestres. Kristin parou um pouco, observou a paisagem e prendeu a respiração. Ele estava ali, podia sentir a presença. Estava à espera dela, um pouco à frente.
Acorde, Kristin, a vozinha repetiu. Vamos, acorde!
Ela tentou, mas as pálpebras pesavam muito. Os longos cílios negros chegaram a pestanejar levemente, mas continuaram cerrados. Suspirando, ela tornou a mergulhar na espiral da escuridão.
O sonho a recebeu de volta como um velho amigo, cheio de promessas.
Os seios de Kristin, sob a fina camisola de seda, arfaram mais rapidamente. Ele estava ali, de pé, no meio do capim cerrado. A névoa o envolvia e encobria os traços do rosto. Mas ela o conhecia: sua voz meio rouca, os ombros largos e até o perfume da água-de-colônia.
— Você está aqui... — Kristin murmurou sorrindo.
— Achou que eu não estaria?
— Eu... não tinha certeza. — Ela silenciou por algum tempo. — Estava me esperando?
— Sempre esperei por você — ele respondeu com um sorriso.
— Não quer me dizer quem é?
— Você sabe quem sou. — Ele riu baixinho.
— Não sei, não — ela insistiu. — Nunca vi seu rosto. Você não deixa...
— Você nunca me olhou.
— Olhei, sim. Mas você fica sempre na sombra.
— E você nunca se aproximou para me ver melhor.
— Não estou entendendo... — Kristin sacudiu a cabeça e a voz sumiu na garganta.
Ele foi se aproximando em silêncio, com passos tão irregulares quanto às batidas do coração de Kristin. Ela podia vê-lo saindo da névoa.
— Espere — pediu, e ele deu um passo atrás. — Não se aproxime. Eu... eu não quero... eu não...
Kristin sentiu-se presa ao solo e fechou os olhos com força antes de ele se aproximar. Começou a tremer quando ele a abraçou.
— Kristin.
O nome dela soou docemente no ar parado, carregando em seu som tudo o que ela mais queria. Ele a atraiu ainda mais, fazendo seu coração bater mais forte. Kristin apoiou a cabeça no peito forte e sentiu que o dele também demonstrava a emoção que sentia.
— Você cheira a violetas — ele comentou baixinho.
— Não — disse ela. — Isto está errado. Eu não posso...


Romance Inacabado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Casey ficou louca por um homem que não podia ser seu...

Jamie acariciou as costas de Casey, puxando-a para bem perto dele. 

A brisa, as estrelas, tudo tornava a noite perfeita, e a atração entre eles parecia mais forte do que nunca. Naquele momento mágico de entrega e descobrimento, Casey soube que se ele a beijasse não seria capaz de resistir. 
Enigmático e sensual, Jamie derrubara suas defesas, fazendo-a desabrochar para o amor. Mas um medo oculto permanecia no coração de Casey: medo de perdê-lo, de, depois de tantas alegrias, se encontrar novamente sozinha, sem a felicidade de estar nos braços de seu grande amor.

Capítulo Um

Assim que o trailer partiu, deixando marcas na estrada da fazenda, Casey acenou e voltou ao pátio.
Parou na porta do estábulo por um momento, com medo de entrar, pois tudo poderia não passar de um sonho. A égua cinzenta que permanecia no estábulo deu um delicado relincho de saudação, fazendo Casey sorrir, um brilho intenso brincando nos olhos castanhos.
— Então você realmente está aqui — ela murmurou, calma. — Não se trata apenas de uma fantasia...
Com cuidado, Casey aproximou-se do animal e, tranquilamente, acariciou seu dorso. O coração batia descompassado, como se ela fosse uma adolescente que estava amando pela primeira vez. Ergueu a mão e tocou o focinho aveludado da égua, com delicadeza.
— Tenho esperado por você minha vida inteira — ela falou, com calma. — Comecei a sonhar com você quando eu era pequena, porém vinte e sete anos se passaram para que pudesse tê-la.
Os delicados lábios de Casey se curvaram em um sorriso.
— As pessoas pensam que sou totalmente louca, eu sei, especialmente Megan. O que você acha?
— Acho que eles terão plena certeza disso se eu lhes contar que, além de tudo, você fala sozinha?
Assustada, Casey virou-se com os olhos arregalados, surpresa com a inesperada intromissão. Então, começou a rir, reconhecendo a pequena e rechonchuda figura de sua vizinha.
— Lisa! Eu deveria saber que era você. Por um segundo pensei que tivesse encontrado um cavalo falante.
— Teria sido uma boa história para seu noticiário. — Os olhos azuis de Lisa tinham um brilho divertido. — Então é verdade... Você finalmente comprou seu cavalo.
Casey sorriu, entendendo o que Lisa dissera. A esposa do fazendeiro Joe fora uma das primeiras pessoas a aceitá-la na fechada comunidade rural, seu lar nos oito últimos meses, desde que ela fora trabalhar na estação de televisão local. Apesar de amaldiçoar os frequentes falatórios dos habitantes de Cumberland, Casey se via recompensada pela amizade de Lisa, que a cercava de carinho e atenção.
— Então você já sabia? — Casey balançou a cabeça, admirada. — Este lugar não precisa de televisão ou de jornalistas. As notícias voam.
— Mas nem sempre são verdadeiras. — Lisa a olhou com censura e inclinou-se na porta do estábulo. — Ninguém havia me dito que você comprou um cavalo árabe.
Casey sorriu.
— Talvez porque eu não quisesse divulgar esse detalhe particular.
— Eu achei que você desejasse um animal pequeno e manso. — Lisa olhou rapidamente para ela. — Uma "cadeira de rodas" sobre patas, foi a frase que você usou, eu me lembro.
Casey colocou a rédea na égua.
— Eu sei, eu disse — defendeu-se. — Mas não fiz um péssimo negócio ao comprar essa belezinha.
— Você a comprou num leilão?
Casey confirmou timidamente, e Lisa suspirou.
— Mas por que, diabos, não me contou que ia comprar um cavalo? Eu teria ido com você!
— Não fui com a intenção de comprar nada. Estava com a máquina fotográfica, fazendo uma reportagem — Casey explicou. — Seria meia hora de um documentário sobre cavalos garanhões...



Um Homem Famoso

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Janie temia perder Lance para sempre!

As mãos de Lance Winter acariciavam o rosto de Janie, perdendo-se na farta cabeleira loira. 
Ela se entregava àquele abraço, à onda de amor que invadia seu peito. 
Parte de sua consciência avisava-a de que aquilo era loucura, pura insanidade, que estava arriscando ver ruir todos os seus planos. Mas não conseguia resistir ao apelo sensual de Lance.
Janie precisava contar-lhe seu segredo, para que houvesse um futuro para os dois, pois sabia que não poderia mais viver sem ele! 

Capítulo Um

Janine Meredith esperava a chegada do carteiro com ansiedade. Tinha a esperança de que alguma das crônicas que enviara a uma revista especializada tivesse sido aceita.
Correspondente da revista de esportes Auckland, seu sonho era apenas dedicar-se às crônicas. Por isso, se recusara a fazer uma reportagem sobre polo que o editor pedira.
Mas a chegada do carteiro não trouxe alívio para sua ansiedade. Debruçada no parapeito da janela, pouco absorvia da paisagem que se estendia diante dos seus olhos. O editor não só se negara a ler as crônicas de Janine como não aceitara sua recusa a respeito da reportagem de polo.
Ao perceber a filha assim tão distante, Laura Meredith, que, apesar dos cabelos grisalhos e de já ter quase cinquenta anos, mais parecia uma irmã mais velha, abraçou-a e, usando o apelido que tinha desde pequena, perguntou:
— Algum problema, Janie?
Suas palavras deixaram Janine indignada.
— Problema? Eu diria uma verdadeira desgraça!
— Que aconteceu? De quem é a carta? — perguntou calmamente, arrumando as flores no vaso.
Janie olhou-a com impaciência.
— É do editor da Auckland.
— Não me diga que rejeitaram seu artigo?!
— Pior, eles recusaram minhas razões para não lhes enviar o artigo que pediram.
— Não entendi — Laura respondeu de maneira displicente, abrindo as portas que davam para a varanda.
Com um gesto de desânimo, Janie soltou a carta sobre a mesa de vime, deixando-se cair em uma poltrona ao lado.
Os raios de sol que entravam pela janela tornavam os olhos azuis e os cabelos ondulados de Janie ainda mais brilhantes.
— Não lhe disse que o editor havia me pedido uma matéria sobre aquele jogador de polo famoso, considerado um mestre na última temporada?
— Não me lembro de você ter mencionado isso, querida.
— Bem, suponho que seja porque não falamos muito sobre polo ultimamente.— É verdade. Polo parece coisa do passado. Mas, quem é esse homem? Alguém que nós conhecemos naquela época?
— Lance Winter, o vencedor da última temporada. Mas tenho certeza de que não o conhecemos.
— Lance Winter! Você disse Lance Winter?
— Não me diga que o conhece?
— Não, querida, ele não estava em North Island quando seu pai jogou, mas nós conhecemos seus tios. Não se lembra de Nell Abbott e sua dama de companhia, Maud Perry, que nunca parava de tricotar? Nós assistíamos aos jogos juntas.
O rosto de Janie se iluminou.
— Ah, sim, estou me recordando...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Legado Sombrio

ROMANCE SOBRENATURAL 
Série Cárpatos
Uma mulher luta para libertar-se das garras do vampiro tentando possuí-la ...

Em um belo complexo
escondido do mundo, Emeline Sanchez tenta romper a dor que tem arruinado seu corpo desde a sua terrível provação no labirinto sob a cidade—quando ela foi forçada a trocar sangue com um vampiro mestre do mal.
Agora, é a voz dele que a assombra ... que a chama no escuro ... que nunca a deixa descansar. E enquanto as crianças que ela ajudou a libertar de suas garras lutam para curar, vigiada por seus protetores Cárpatos, Emeline sabe uma coisa: Ela deve sacrificar-se para mantê-los todos longe do mal ...
Pois sua beleza é irresistível para os vampiros, sua habilidade psíquica como uma droga. Chicoteados em um frenesi, eles nunca pararão de vir para ela.
E só o gosto de um dos guerreiros Cárpatos—a corrida de seu sangue—pode salvá-la ...
                          





Série Cárpatos
1- Principe Sombrio
2- Desejo Sombrio
3- Ouro Sombrio
4- Magia Negra
5- Desafio Sombrio
6- Fogo Sombrio
7- Sonho Sombrio
8- Lenda Sombria
9- Guardião Sombrio
10- Sinfonia Sombria
11- Descida Escura
12- Melodia Sombria
13- Destino Escuro
14- Fome Sombria
15- Segredo Escuro
16- Demonio Sombrio
17- Celebração Sombria
18- Possessão Sombria
19- Maldição Sombria
20- Assassina Escura
21– Perigo Sombrio
22- Predador Sombrio
23 - Tempestade Sombria
24-  Lycan Sombrio
25-  Lobo Sombrio
26- Sangue Sombrio
27- Crime Sombrio
28- Fantasma Sombrio
29- Promessas Sombrias
30- Carrossel Sombrio
31-Legado Sombrio

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Atração Inesperada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Um romance proibido…

Há cinco anos, Abby Laurence daria qualquer coisa para se tornar amante de Luke Morelli.
O sabor dos lábios e os toques irresistíveis dele eram a promessa de segurança com a qual ela sempre sonhou. 
Contudo, Abby sabia que esse amor era proibido. Afinal, ela era casada. 
Mas agora Luke está de volta, determinado a fazê-la pagar por suas mentiras e traições. 
Finalmente livre de seu terrível marido, 
Abby está certa de que existe apenas uma maneira de consertar os erros do passado: entregando-se para Luke de corpo e alma.

Capítulo Um

Abby tirou a última leva de muffins de framboesa do forno, inalando a deliciosa fragrância quando pôs a assadeira sobre o balcão próximo.
Ela passou os muffins para uma bandeja, de modo que esfriassem, e verificou se a cafeteira tinha sido enchida naquela manhã. Os bolinhos que assara mais cedo estavam esperando para serem transferidos para uma cesta.
Ainda precisava encher os potes de geléia, mas os cremes podiam esperar até que ela tivesse o primeiro cliente do dia.
Também tinha de assar cupcakes, mas eles estavam misturados e prontos. Ela só precisava separá-los em seus compartimentos, antes de levá-los ao forno.
Imaginou quando desenvolvera tanto amor por culinária. Não enquanto estava casada com Harry; isso com certeza.
Naquela época, ela passara todo seu tempo livre trabalhando, economizando para o dia que pudesse sustentar sua mãe e a si mesma.
Infelizmente, esse dia nunca chegara. Ela suspirou.
Mesmo assim, Abby experimentou uma onda de satisfação quando olhou em volta. O pequeno Café, com a livraria que ela introduzira, era tudo que ela esperara que seria. Sua mãe teria amado o lugar, pensou com saudade. Mas ela falecera de doença do neurônio motor, dois anos depois de entrar na casa de repouso.
Abby descobrira o pequeno Café, o qual, previamente, fora administrado por duas irmãs, agora aposentadas, quando pesquisara na Internet. Até então, a idéia de se mudar de Londres tinha sido apenas um sonho. Mas o Café em Ashford-St-James estivera para alugar, e aquilo parecera uma inspiração. Quando ela descobrira que o lugar também possuía acomodação para morar, Abby não hesitara em se candidatar para inquilina.
Então, quando seu divórcio com Harry se tornara definitivo, ela comprara uma garrafa de vinho e comemorara sozinha, antes de deixar a quitinete, onde tinha morado desde que abandonara Harry, e mudara-se com Harley... O Golden Retriever de sua mãe, para esta pequena cidade de Wiltshire.
Supunha que sempre devia ter sonhado em possuir seu próprio Café. E o dono, um senhor idoso chamado Gifford, não se opusera ao seu desejo de modernizar o interior do local para adequá-lo às suas necessidades. 
Abby havia usado suas economias para reformar o lugar, o qual agora estava muito diferente do salão de chá precário que ela encontrara antes.
No começo, ela comprara os bolos e doces que servia com café por atacado. Até que, um dia, tentara fazer os muffins, e os resultados tinham sido tão bons que não parara mais. Mas também descobrira que o Café em si não gerava uma renda grande. Provavelmente, por isso as irmãs que o possuíam antes haviam desistido do negócio próprio. Apesar de eles terem uma clientela fixa, não recebiam muitos turistas em Ashford-St-James.
Motivo pelo qual Abby tivera a idéia de acrescentar uma livraria ao Café. Havia diversas pessoas mais velhas vivendo na área, que achavam complicado visitar as livrarias em Bath. Era muito mais fácil sair para um café e explorar as prateleiras depois que você terminasse. Abby sabia que muitos dos homens solteiros que usavam o Café não o teriam feito sem a atração adicional de escolher um best-seller.
E nos últimos quatro anos, ela criara uma vida boa para si mesma ali. Estava mais feliz do que estivera desde antes de seu casamento.
Certo, suas amigas em Londres a consideravam uma tola por morar numa cidade atrasada como Ashford. Mas depois de trabalhar como louca, quando estava empregada no departamento de Inglês na universidade, Abby gostava de ser sua própria chefe. Podia fazer seu próprio horário, sem ninguém inspecionando seu trabalho.
Deixando a enorme cafeteira italiana ligada, Abby atravessou a pequena livraria.
Uma jovem mãe que morava na cidade, e queria um emprego para suprir as necessidades da filha de seis anos, trabalhava com ela. Mas Lori não chegava até as 9h, depois de deixar a filha na escola.
No momento, tudo estava tranquilo, e Abby andou entre as prateleiras, organizando livros que tinham sido colocados em lugares errados e admirando o resultado.
Seu instante pacífico foi quebrado por alguém batendo à porta externa. Consultando o relógio, Abby viu que não eram nem 7h da manhã, e ela abria o Café às 7h30.
Devia ser uma emergência, pensou, embora não pudesse imaginar que tipo de emergência. A menos que Harley tivesse escapado do apartamento no andar de cima e ido perambular pelas ruas da pequena cidade do interior.
Isso seria uma emergência!


Jura de Vingança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O sabor da inocência…

Quando Sophie Griffin-Watt saiu da vida do magnata Javier Vasquez e decidiu casar-se com outro homem, esse poderoso milionário jurou encontrar uma maneira de se vingar! 
E ao descobrir que Sophie está desesperada para salvar sua família, ele oferece ajuda. Porém, tudo tem um preço. Em troca do que ela precisa, Javier deseja possui-la. 
Esse acordo sensual parecia a única forma de finalmente conseguir esquecê-la. 
Contudo, ao descobrir a inocência de Sophie, Javier será incapaz de seguir as próprias regras.

Capítulo Um

Javier Vasquez olhou em volta de seu escritório com indisfarçada satisfação.
De volta a Londres depois de sete anos passados em Nova York, e não é que o destino se movia de maneiras misteriosas?
De seu ponto invejável atrás de painéis de vidro que iam do chão ao teto, ele olhou para as ruas movimentadas da cidade. Pequenos táxis e pessoas em miniatura iam para quaisquer destinos importantes ou irrelevantes que os atraíam.
E ele?
Um sorriso sem humor curvou sua linda boca.
Para ele, o passado o atraíra e isso era o motivo pela sensação de satisfação que o preenchia agora, porque, no que dizia respeito a escritórios, este, apesar de espetacular, não era mais ou menos espetacular do que os escritórios que ele deixara em Manhattan. Lá, ele também olhara para as ruas movimentadas abaixo, mal notando o mar de pessoas que transitavam por aquelas ruas como um rio pulsando.
Cada vez mais, Javier se isolara numa torre de marfim, o mestre indiscutível de tudo o que ele inspecionava. Ele tinha 33 anos. Você não conseguia sucesso profissional apenas delegando tarefas. Não; você se mantinha focado, eliminava obstáculos e, nessa marcha progressiva, o tempo passara até agora...
Javier consultou o relógio.
Doze pisos abaixo, na recepção elegante, Oliver Griffin-Watt já estava esperando há meia hora.
Javier se sentia culpado por isso?
Nem um pouco.
Queria saborear o momento, porque sentia como se tivesse passado muito tempo.
E, ainda, pensara ele sobre eventos que tinham acontecido todos aqueles anos atrás? Trocara a Inglaterra pelos EUA e sua vida se tornara consumida pelos negócios e fazer dinheiro, colocar a instrução proporcionada por seus pais em prática e, paralelamente, enterrar um passado breve com uma mulher que ele precisava relegar aos livros de história.
Filho único de pais dedicados, que vivera num barrio pobre nos arredores de Madri, Javier passara a infância sendo levado a acreditar que, para sair da pobreza, ele tinha de ser bem-sucedido e, para ser bem-sucedido, precisava de uma boa educação.
Seus pais haviam trabalhado duro: o pai como motorista de táxi, a mãe como faxineira e eles tinham conseguido sobreviver com esforço. Sem férias, sem televisão de tela plana, sem refeições em restaurantes. Eles tinham vivido com simplicidade e alegria, e cada centavo fora economizado para enviar o filho precocemente brilhante para uma faculdade na Inglaterra. Eles haviam conhecido muito bem as tentações esperando por aqueles que saíam da linha. Tido amigos cujos filhos tinham se envolvido em gangues, morrido de overdose de drogas ou acabado abandonados nas ruas.
Esse não seria o destino do filho deles.
Se, quando adolescente, Javier se ressentira por ter sido tão controlado, não dissera nada.
Ele fora capaz de ver por si mesmo, desde muito cedo, quais podiam ser as consequências de uma situação financeira precária e quão limitante isso podia ser. Vira como alguns de seus amigos, que fugiram do colégio, tinham acabado na sarjeta. Por volta de seus 18 anos, ele fizera seus planos e nada o dissuadiria: um ou dois anos no exterior, trabalhando para somar ao dinheiro que seus pais haviam economizado; depois faculdade, onde ele teria sucesso, porque era brilhante... 


Começar de Novo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Deitada na grama úmida e aquecida pelo sol, completamente nua, Mary era uma tentação irresistível para os olhos cinzentos, ardentes de desejo, de Jamie Fitzhugh, seu marido.

Em pouco tempo, completamente arrebatado por aquela beleza escultural, ele se livrou das roupas e rolou com ela, no ritmo alucinante do amor. E entre beijos e abraços loucos, eles se amaram como se soubessem que depois se separariam por quatro longos anos.
Agora que tudo recomeçava, o ódio e a paixão renasciam com a mesma intensidade, nas palavras ásperas com que se insultavam, nas carícias arrebatadoras que trocavam.
Eram instantes mágicos: tudo podia acontecer entre aqueles dois seres atormentados...

Capítulo Um

Sempre que pensava em Jamie, Mary se lembrava do último dia que passaram juntos, quando haviam nadado nus na água azul da piscina e depois feito amor na grama. Aquele fora o dia mais feliz e também o mais infeliz da sua vida. Nunca mais o vira durante os quatro longos anos que se passaram. 
Era por isso que, naquela cama de hospital, flutuando entre nuvens de delírio, Mary sabia que não o podia estar vendo.
Tentou controlar os sentidos, mas a dor nas mãos era tão grande que não conseguia pensar em nada. Afinal, misericordiosamente, alguém lhe deu um analgésico e ela mergulhou de novo naquele estranho estado de semi inconsciência em que via coisas que não podiam estar ali.
Vagamente, lembrou-se de que o edifício pegara fogo. O garotinho do andar de cima estava sozinho, pois a mãe saíra para fazer compras e lhe pedira para cuidar dele. Ouviu-o chorar e gritar e, quando entrou no apartamento, o berço estava envolto em chamas. Desesperada, ela arrancou as pesadas cortinas da janela, abafou o fogo e pegou a criança.
— Cal... — gritou, a voz rouca ecoando no quarto silencioso do hospital. — Cal!
Um vulto inclinou-se para Mary e aplicou-lhe outra injeção que a atordoou completamente, fazendo-a adormecer. Mas, antes, lembrou confusamente que Cal não era o nome do menino. 
Cal era o nome de seu filhinho... o filho que não estava com ela, mas com Jamie. Ela não tinha ninguém. E, se era Jamie que estava sentado ao lado de sua cama, ele não precisava se preocupar: ela não iria chamar Cal de novo.
Adormeceu. Quando acordou, a cadeira ao lado da cama estava vazia. Achou, então, que Jamie fizera parte do delírio. Ele não poderia encontrá-la ali, depois de quatro anos. E o último lugar onde iria procurá-la seria num quarto de hospital.
Um hospital! Começou a relembrar a série de acontecimentos que a tinham levado ali. O menininho — nem sabia o nome dele —, será que o havia socorrido a tempo? Tinha dificuldade em falar, em forçar o ar a passar pelos pulmões ressecados.
— Skipper está bem, sra. Fitzhugh. A senhora está pior do que ele. Os dois tiveram sorte. Os bombeiros chegaram bem na hora.
— Pode me dar um... copo de... água? — Mary conseguiu dizer, as palavras arranhando a garganta seca.
No mesmo instante sentiu que a erguiam pelos ombros e encostavam um copo nos lábios crestados. Imaginou quem a estaria segurando, mas a cabeça estava pesada demais para poder virá-la e olhar. Stan vivia muito longe, na Europa; mas ele poderia ter voltado por causa do acidente. Não tinha a menor ideia de quanto tempo havia se passado.
— Stash? — indagou, usando o apelido infantil. Se Stan estivesse ali, teria certeza de que tudo corria bem.
Os dedos fortes que lhe seguravam os ombros apertaram-na um pouquinho mais e a voz triste que respondeu era a última que esperava ouvir:
— Sinto muito, Manya... Seu namorado não está aqui. Acho que vai ter que se contentar com seu marido...
Mary voltou-se para o lado daquela voz e encolheu-se diante do desprezo que percebeu nos olhos cinzentos de Jamie.
— Meu Deus... — murmurou. — Não foi sonho...