terça-feira, 3 de março de 2015

Corações Ousados

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
O ex-agente Dalton achou que sua vida tivesse chegado ao fim quando uma gangue de contrabandistas o largou à beira da morte. 

Retornando ao seu rancho no Wyoming, ele se preparou para levar uma vida calma e pacata.
Até Merissa bater à sua porta. Ela sabia muito bem que era considerada a “esquisita” da cidade devido ao seu dom de prever o futuro.
E Merissa teve uma visão com Dalton em perigo. Mas ele não é o único. A segurança de Merissa também está ameaçada...

Capítulo Um

Era uma das piores nevascas na história da Fazenda Real em Catelow, Wyoming. Dalton Kirk olhou pela janela e fez uma careta enquanto os flocos pareciam crescer de tamanho a cada minuto. Era meio de dezembro. Geralmente, um tempo como este vinha mais tarde. Ele tirou seu celular do bolso e ligou para Darby Hanes, seu capataz. 
— Darby, como estão as coisas por aí? 
— O gado está parcialmente afundado na neve — replicou Darby, a voz falhando com a estática —, mas nós temos comida por enquanto. Está ficando difícil alcançá-los, todavia. 
— Eu espero que isso não dure muito tempo — disse ele, com pesar. 
— Eu também, mas nós precisamos tanto da neve para o suprimento de água na primavera que não estou reclamando. — Darby riu. 
— Cuide-se aí. 
— Claro. Obrigado, chefe. Ele desligou. Detestava as tempestades, mas Darby estava certo sobre a necessidade desesperadora deles por neve. A seca do verão tinha dificultado a vida dos fazendeiros do Oeste e do Centro-Oeste. Ele apenas esperava que eles fossem capazes de alimentar o gado. Numa emergência, é claro, agências estaduais e federais ajudariam com transporte aéreo de sacos de feno para os animais. 
Dalton foi para a sala de estar e ligou a televisão no canal de História. Era melhor se ocupar, em vez de se preocupar tanto, pensou com divertimento. Mavie, a governanta, franziu o cenho quando pensou ter ouvido alguma coisa perto da porta dos fundos. Estava guardando a louça na cozinha, nervosa porque a tempestade parecia estar piorando. Curiosa, todavia, ela foi espiar através das cortinas brancas, e arfou ao ver um rosto oval pálido, com grandes olhos verdes encarando-a de volta. 
— Merissa? — perguntou ela, chocada. Então abriu a porta. Lá, numa capa vermelha com capuz, quase coberta de neve, estava uma vizinha. Merissa Baker vivia com a mãe, Clara, num chalé no bosque. Elas eram as pessoas da região consideradas “peculiares”. Clara podia curar queimaduras e verrugas com palavras mágicas. 
Ela conhecia todo tipo de ervas para doenças, e diziam que ela possuía a “clarividência”, também, que podia ver o futuro. Boatos indicavam que a filha tinha as mesmas habilidades, apenas aumentadas. 
Ela lembrava que, quando Merissa estivera na escola, as colegas de classe costumavam evitá-la e castigá-la tanto que sua mãe a tirara da escola por causa dos problemas de estômago constantes da filha. O sistema de ensino enviara um profissional à casa de Merissa com as lições de classe e para ver o currículo escolar da garota. Ela se formara com a classe, com notas que envergonhava a maioria deles.


A Decisão de Um Homem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 






O recluso Cesar da Silva está em todas as manchetes!

Os segredos de sua família não só serão divulgados, como ele foi pego beijando Lexie Anderson no set do filme mais recente dela, no castelo de Da Silva!
Avesso à fama, ele quebra as próprias regras quando se envolve com uma grande estrela. 
Fontes contam que Da Silva está ajudando a curar o coração partido da srta. Anderson com uma série de encontros ardentes. 
E se formos nos basear na química dos dois, este casal não demorará a pegar fogo!

Capítulo Um

Castillo Da Silva, próximo de Salamanca
Cesar estava com calor, suado e desalinhado. Tudo que queria era um banho frio e um drinque forte. Uma cavalgada punitiva ao redor de sua vasta propriedade, em seu garanhão favorito, fracassara em tirá-lo do mau humor que o envolvia desde seu retorno, naquela tarde, do casamento de seu meio-irmão Alexio, em Paris. Aquelas cenas de felicidade animada irritavam-no. 
O fato de que ele cedera à compulsão de ir também o irritava. Quando aproximou-se do estábulo, seu estado de espírito piorou ao ver a evidência de uma violação séria de sua privacidade. Um filme começaria a ser rodado em sua fazenda dali a alguns dias, pelas próximas quatro semanas. Se isso não fosse ruim o bastante, os atores, o diretor e os produtores iriam ficar no castillo. 
Cesar tinha consciência de seu relacionamento complicado com seu lar, que era tanto prisão quanto santuário. Mas uma coisa era certa: detestava ter sua privacidade invadida dessa forma. Enormes caminhonetes equipadas se alinhavam em seu pátio. Pessoas andavam com pranchetas, falando em walkie-talkies. 
Uma marquise imensa fora armada, e ali cidadãos da cidade próxima estavam sendo vestidos como figurantes do século XIX. Um de seus maiores estábulos havia sido esvaziado, de modo que pudesse ser usado como base. A base, como um produtor explicara para Cesar, era onde os atores se arrumavam todos os dias, e onde o elenco se alimentaria. 
Como se ele se importasse! No entanto, fingira interesse pelo bem de seu amigo Juan Cortez, que era o prefeito de Villaporto, a cidade local, e a razão pela qual Cesar considerara aquela ideia. Eles eram amigos desde os 10 anos de idade, quando ambos admitiram derrota durante uma luta, ou teriam permanecido lutando até perderem todos os dentes. O que podia ter acontecido... sendo os dois teimosos o bastante para isso. Como seu amigo apontara: 
— Quase todo o mundo foi empregado em alguma função... acomodação, bufês, locação, o departamento de arte. Até minha mãe está envolvida, fazendo roupas para os figurantes e hospedando alguns membros da equipe. Eu não a via tão animada fazia anos. 
Cesar não podia deixar de reconhecer o impulso moral e econômico que o filme já proporcionara à área. Ele era conhecido na imprensa por seu jeito implacável de lidar com pessoas e negócios... um jornalista comparara seus métodos àqueles de um tubarão de olhos mortalmente frios, antes que ele o devorasse. 
Mas Cesar não era tão sem coração... especialmente se isso envolvesse sua própria comunidade local. Mais de uma pessoa já fitara suas feições intimidadoras e desviara rápido o olhar, mas Cesar nem percebia, já pensando em como poderia reorganizar sua agenda, a fim de se certificar de que ficasse o mais longe possível de lá durante as próximas quatro semanas. 
Para seu alívio, seu estábulo particular, o qual era estritamente proibido para a equipe, se achava vazio quando ele retornou. Não estava no humor de falar com ninguém... nem mesmo com um cavalariço.


Acorrentado Ao Trono

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Franca e direta, Amy é uma babá 

que parece ignorar que trabalho e discrição devem andar de mãos dadas. Mas o sheik Emir conhece outras utilidades para uma boca tão sedutora quanto malcriada… 
Apesar de viverem uma paixão abrasadora, ambos estão sujeitos às rigorosas Leis do Deserto. Como governante de Alzan, Emir jamais poderá fazer de Amy sua rainha. 
Ele perdeu a esposa quando ela dava à luz suas preciosas filhas gêmeas, porém Emir precisa de um herdeiro para que a linhagem continue. E essa é a única coisa que Amy é incapaz de lhe proporcionar… 


Capítulo Um 

– O sheik Rei Emir irá recebê-la – anunciou a mulher com ar pomposo. Amy ergueu o rosto enquanto Fatima, uma das criadas, entrava no quarto das crianças onde ela dava o jantar para as jovens princesas. 
– Obrigada por me avisar. A que horas...? – Vai recebê-la agora – interrompeu Fatima, a impaciência evidente diante da pouca pressa de Amy, que continuava a alimentar as gêmeas. 
– Elas estão jantando... – começou Amy, mas não se deu ao trabalho de prosseguir... Afinal, o que sabia o rei sobre as rotinas das filhas? Emir mal as via e isso simplesmente a deixava de coração partido. 
O que ele sabia sobre como estavam carentes nos últimos tempos e como eram enjoadas para comer? Esse era um dos motivos para Amy ter pedido uma audiência com ele... No dia seguinte as meninas seriam entregues aos beduínos. Primeiramente iriam para o oásis no deserto e depois seriam entregues á estranhos para passar a noite.
Era uma tradição de séculos, explicara Fatima, e que não podia ser mudada. Bem, Amy ia dar um jeito nisso! As garotinhas haviam perdido a mãe com apenas duas semanas de vida, e desde a morte da esposa Emir mal as via. Era de Amy que dependiam. Amy, que ficava com elas todos os dias. Amy, em quem confiavam. Ela não pretendia simplesmente entregar as gêmeas nas mãos de estranhos sem lutar, mesmo que fosse por algumas horas.
– Vou cuidar das meninas e acabar de dar o jantar para elas – anunciou com calma. 
– Precisa estar apresentável para sua audiência com o rei – disse Fatima, passeando o olhar de desaprovação pela túnica azul-clara que era o uniforme da Babá Real. Estivera bem passada e limpa pela manhã, porém agora traía o fato de Amy ter brincado de pintura com os dedos com Clemira e Nakia durante a tarde. Por certo Emir não se importaria se estava ou não bem-arrumada. 
Era de se esperar que, se a babá cumpria suas obrigações, não estaria com uma aparência imaculada. Entretanto, de novo, o que Emir sabia sobre a vida na ala das crianças? Não visitava as filhas havia semanas. Amy trocou o uniforme manchado por outro limpo e penteou os cabelos louros que chegavam aos ombros em um rabo de cavalo. Depois cobriu a cabeça com um xale de seda azul-marinho, passando-o pelo pescoço e deixando as pontas caírem pelos ombros. 
Não usava maquiagem, mas, do mesmo modo como outras mulheres verificariam o batom, ela verificou se a cicatriz na parte baixa do pescoço estava coberta pelo xale. Detestava o modo como as pessoas sempre olhavam para aquilo, e ainda mais as perguntas que faziam a seguir. O acidente e suas conseqüências eram algo que preferia esquecer. 
– As meninas estão fazendo manha por causa da comida – anunciou Fatima quando Amy voltou para o quarto de Clemira e Nakia. Amy sufocou um sorriso quando Clemira fez uma careta para depois segurar a colher que Fatima oferecia e jogá-la no chão. 
– Precisam ser incentivadas – Amy explicou. 
– Nunca comeram essas verduras antes. 
– Precisam aprender a se comportar, isso sim! – retrucou Fatima. 
– Muitos olhos estão sobre elas em público, e amanhã partirão para o deserto... 


Chão de Estrelas

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Para Lorena, verão significava paraíso. 

Era a época em que ela ia trabalhar em Waiwhetu, na costa ensolarada e florida da Nova Zelândia, onde as praias eram tranquilas, e o mar, à noite, parecia um chão de estrelas.
Lá sentia-se inteiramente feliz, até que conheceu Bourne Kerwood, o compositor de sucesso, o homem que despertou em seu coração as emoções mais profundas que uma mulher pode doente de amor, e seu corpo, febril de desejo. 
Deslumbrada, percebeu que Bourne a queria também... mas apenas como um caso passageiro, um amor para ser vivido no verão e esquecido depois... 


Capítulo Um 

A caixa volumosa e desajeitada que Lorena Tanner carregava enquanto caminhava pelo cais, em direção ao embarcadouro, não escondia sua graça e feminilidade. Era o começo da estação; o mês de dezembro apenas se iniciava e os turistas logo tomariam conta de Paihia. No embarcadouro já se notavam alguns deles, aguardando ansiosos a balsa que os levaria através da baía. 
Um rapaz barbudo, levando uma mochila enorme nos ombros, dirigiu-se a ela: 
— Ei! Posso ajudar você com isso? Lorena sorriu, pois ele estava sendo bastante gentil e atencioso, mas balançou a cabeça negativamente. 
— Não, obrigada, não é pesada e meu barco está pertinho. Logo abaixo estava a lancha, pequena mas luxuosa; um senhor de meia-idade, gordo e baixo, com um uniforme impecável e o quepe de marinheiro jogado para trás, aguardava a chegada de Lorena, enquanto conversava com alguns conhecidos. 
— Sei! Ele atendeu imediatamente ao chamado de Lorena. Subiu ao cais e, num instante, pegou a caixa das mãos dela. 
— Você ainda tem esse telescópio? — perguntou ele, como se já não tivessem se passado nove meses desde a última vez em que a vira. 
— Sim, ainda o tenho e desta vez pretendo usá-lo de maneira correta. — Lorena falou isso com uma expressão tão viva que, por alguns instantes, todos os que a observavam pareciam pálidos e sem energia. 
— Eu mal posso esperar para observar o céu e dar uma boa olhada nas estrelas, sem as luzes de Auckland me atrapalhando! 
— É uma maneira engraçada de se passar as noites, pode crer. Vamos, quero chegar o mais rápido possível. Deixe que eu levo sua mala. 
— Como está Peggy? 
— Bem. — Ele voltou da pequena cabine, sorrindo. 
— Ela vai ficar muito feliz em vê-la novamente. 
— Eu também. Não vejo a hora de chegar e lhe dar um forte abraço. 
Um garoto jogou a corda nas mãos de Lorena. Agradecendo, ela a recolheu com cuidado e a colocou no lugar apropriado. A pequena lancha saiu velozmente do embarcadouro e seguiu em direção à baía. Encostada na cabine, Lorena sentia o ar salgado tocar sua pele e, com os olhos semicerrados, deixava o sol brincar nos seus longos cílios, formando pequenos arco-íris. 
Sentia um contentamento tão profundo que não conseguia dizer uma só palavra. Nascida e criada numa cidade grande e movimentada, como Auckland, ela se apaixonara por aquela parte do norte da Nova Zelândia quando viera passar umas férias com seus pais, muito tempo atrás. 
O sol, o oceano e os longos dias claros, as cores vivas e as belas paisagens ficaram gravadas em seu coração, embora fosse apenas uma garotinha.
O desconhecido era muito alto, parado ali, na obscuridade do crepúsculo. Ela ergueu a lanterna para ver-lhe o rosto. 


Exceção à Regra

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Tentações e Mentiras 
Nunca, jamais, namore seu chefe!

O milionário Damien Wyatt vive de acordo com uma regra: nada além de uma noite, Mas quando Harriet Livingstone aparece para uma entrevista — a mesma mulher que destruiu seu carro! —, ele é atraído por sua beleza estonteante.
Então Damien lhe rouba um beijo, e ela responde com um tapa bem merecido! 
Harriet não aceitaria o emprego se não estivesse desesperada, e a última coisa que deseja é se envolver com o atraente, porém arrogante, Damien!
No entanto, manter o relacionamento longe da cama se prova uma batalha... que nenhum dos dois quer ganhar...

Capítulo Um

Damien Wyatt descansava no estúdio do andar superior. Usava jeans, uma camisa cáqui e botas para o deserto, tudo visível porque seus pés estavam sobre a escrivaninha. O cabelo escuro estava despenteado e a barba nascente fazia uma sombra azul no maxilar. 
As janelas estavam abertas e as rosas do jardim abaixo floresciam, assim como a trepadeira de jasmim que se agarrava às paredes da casa. Além do muro do jardim, uma praia se curvava em torno de uma baía azul e convidativa. Era possível ouvir o som das ondas e sentir o travo salgado no ar. 
— Um minuto, é possível que esta srta. Livingstone sobre quem estamos falando seja Harriet Livingstone? Porque, se for, esqueça, Arthur. Arthur Tindall, art connoisseur e dono de um gosto colorido para roupas, usava jeans e um colete amarelo com estampa de elefantes negros sobre uma camisa marrom, pareceu confuso. 
— Você a conhece? 
— Não sei. A menos que haja duas Harriet Livingstone, posso ter conhecido. 
— Pode muito bem haver. Duas, quero dizer. Afinal, não estamos na vastidão das florestas da África, onde era muito improvável haver mais de um doutor Livingstone surgindo do nada. Damien sorriu de leve. 
— Entendido. — Ficou sério. 
— Como é a sua Harriet? Uma garota alta e magra, com cabelos selvagens e um gosto incomum para roupas? Arthur pareceu perdido por um momento. 
— Alta, sim. E certamente não é gorda e suas roupas são... não me lembro de suas roupas. — Você a conhece?
— Havia ironia no tom de Damien. — É claro. 
— Arthur pareceu insultado, então se alegrou. — Posso lhe dizer uma coisa: tem pernas muito, muito longas! 
— Uma cegonha também tem — observou Damien. 
— Não sei quanto à minha srta. Livingstone. Quero dizer, para uma mulher tão alta, certamente tem pernas longas, mas se são bonitas não posso dizer porque estavam cobertas por uma espécie de saia comprida de batik. Arthur olhou para fora, como se tentasse imaginar uma saia comprida de batik, então piscou de novo e sua expressão se tornou triunfante. 
— Óculos! Enormes e redondos, armação vermelha, também. — Franziu a testa e se concentrou. — Uma expressão vaga, embora isso possa ser causado pela miopia, mas parece estar com a mente em coisas mais elevadas. Damien Wyatt sorriu desagradavelmente. 
— Se é a mesma garota, bateu no meu carro dois meses atrás. Na ocasião, estava usando óculos enormes, redondos e de armação vermelha. 
— Oh, nossa! Não o Aston? Oh, nossa! — repetiu Arthur. Damien olhou para ele com ironia. 
— E não é só isso. Não tinha seguro e o ... tanque que dirigia ficou praticamente intacto. 
— Tanque? 
— Quase. Era um antigo e sólido 4X4 com proteção frontal. Desta vez Arthur se encolheu visivelmente. 
— Como aconteceu? 
 
Série Tentações e Mentiras
1 - Exceção à Regra
2 - Jogo de Espelhos
Série Concluída

Jogo de Espelhos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Tentações e Mentiras





Tudo pela vitória.

O descarado Cruz Rodriguez trocou a quadra de polo pela sala de reunião há oito anos, onde seus instintos o tornaram um homem muito rico.
Mas seu último negócio veio com um empecilho: a bela Aspen Carmichael. 
Criadora de cavalos premiada, ela nunca esqueceu Cruz. 
O encontro deles foi um alívio prazeroso em sua vida cada vez mais desesperadora.
Então, quando o sombrio e atraente empresário reaparece com uma oferta de investimento multimilionária, Aspen fica tentada.
Ela anseia por seu toque, mas por trás do brilho dos olhos negros de Cruz há uma armadilha que pode lhe custar muito caro!

Capítulo Um

— Oito-três. Saque meu. Cruz Rodriguez Sanchez, bilionário e formidável desportista no campo de polo, deixou cair sua raquete de squash e olhou o oponente com incredulidade. 
— Besteira! O ponto é meu. 
— De jeito nenhum, compadre! O ponto é meu. Cruz encarou o irmão, Ricardo, que se preparava para o saque. Era um jogo amigável, mas o termo era relativo entre irmãos competidores. 
— Quem rouba sempre recebe o castigo — a voz de Cruz era lenta. Ricardo sorriu. 
— Não pode vencer todas as vezes, mi amigo. Talvez não, pensou Cruz, porém não se lembrava da última vez em que perdera. Oh, sim, na verdade podia. porque sua advogada estava naquele momento tomando providências para consertar aquele erro. Então rebateu com tanta força e velocidade que o irmão não conseguiu pegar. 
— Chingada madre! 
— Ora, ora — debochou Cruz. — Agora é nove-três. Meu saque. 
— Está apenas se exibindo — resmungou Ricardo, e limpou o suor na testa. Cruz balançou a cabeça. 
— Sabe o que dizem? Se não aguenta o calor. 
— Fala demais, la figura. 
— Bom ver que conhece o seu lugar. — Sorriu para o irmão enquanto preparava para sacar. 
— El pequeno. Ricardo rolou os olhos e rebateu com determinação. Contudo Cruz estava pronto e enviou a bola num arco imbatível. Desta vez Ricardo nem se deu ao trabalho de tentar e sacudiu a cabeça. 
— Isto não é justo. O squash nem mesmo é o seu jogo. 
— Verdade. — Seu jogo tinha sido o polo. Anos atrás. Cruz limpou o suor do rosto, abriu a bolsa, tirou duas garrafas de água e jogou uma delas para o irmão. Ricardo se agachou e bebeu. 
— Sabe que o deixo vencer estes joguinhos porque você fica insuportável quando perde. Cruz sorriu. Não podia negar. Todos sabiam que desportistas profissionais odiavam perder e nos oito anos em que fora jogador profissional de polo jamais perdera o espírito competitivo. Além disso, estava num humor muito bom, o que tornava quase impossível derrotá-lo. Ao se lembrar do motivo, pegou o celular para ver se o texto que estava esperando chegara. Franziu a testa quando viu que não.
— Por que está verificando esta coisa tantas vezes? Não me diga que alguma chica está bancando a difícil! 
— Você queria, todavia não, é apenas um negócio. 
— Ah, não se engane, um dia você encontrará a chica de seus sonhos. Cruz lhe lançou um olhar de desprezo. 
— Ao contrário de você, não estou procurando a mulher dos meus sonhos.
— Então provavelmente a encontrará antes de mim — lamentou Ricardo. Cruz riu. — Não segure a respiração, pode morrer cedo. — Jogou a bola para o outro lado da quadra, um pouco irritado com as palavras do irmão.
 
Série Tentações e Mentiras
1 - Exceção à Regra
2 - Jogo de Espelhos
Série Concluída

Quente e Sensual

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Ela não queria que ele a entendesse de um modo errado.


Ou talvez fosse justamente o modo certo de entender! Shadow Callahan apenas estava tentando juntar dez homens lindos de morrer quando abordou Brent Bramwell. Todas as lojas do shopping haviam concordado que um concurso para eleger o homem mais sexy da redondeza atrairia freguesas. 
Mas é claro que Shadow não poderia culpar Brent por estar entendendo equivocadamente a proposta dela. Afinal, a sua loja vendia brinquedos bem peculiares... e para adultos! Brent sempre fora do tipo controlado, sem tempo para joguinhos. 
Porém, depois de conhecer Shadow, percebeu que estava deixando de viver algo muito especial. Coisas bem divertidas até. E que Brent só queria fazer se fosse com Shadow! 


Capítulo Um 

“Você se comportou muito mal. Vá agora mesmo para o meu quarto.” Aquelas palavras ousadas, impressas sobre o algodão branco e macio da camiseta esticada sobre um par de seios volumosos, atraíram a atenção de Brent Bramwell. 
Ele estivera observando a nova cadeia de lojas variadas do pequeno shopping center, para verificar se tudo estava em ordem agora, já que a maioria dos imóveis havia sido arrendada, quando captou um movimento em uma das vitrines. Vencido pela curiosidade, diminuiu o passo, apesar do vento gelado da manhã de início de novembro.
Tudo que podia ver do corpo trajado com a camiseta era o torso. Envolvida com a tarefa de pendurar novos painéis, a mulher se encontrava empoleirada sobre um banco ou uma escada, com o rosto fora do raio de visão. O peitoril da vitrine lhe ocultava as pernas a partir da altura das coxas. Porém, o que viu exposto o agradou. Quadris de curvas perfeitas, coxas torneadas e seios fartos. 
Brent se aproximou devagar, ignorando o açoite gelado dos flocos de neve no rosto e nos cabelos. Releu as palavras impressas na camiseta e imaginou que tipo de mulher estamparia uma sugestão tão ousada no peito. A apenas alguns centímetros de distância da vitrine agora, estacou e a observou esticar os braços. 
O movimento ergueu a camiseta para presenteá-lo com a visão da pele imaculada do esplêndido abdome da mulher e do umbigo, apenas um ponto delicado. Brent prendeu a respiração e naquele instante a mulher desceu, olhando diretamente para ele. Os olhos castanho-claros imensos, levemente curiosos e emoldurados por cílios espessos expressavam um brilho maroto. E ele se viu nocauteado. Com força. Literalmente. 
Os pés de Brent escorregaram no passeio coberto de gelo e ele se descobriu deitado de costas com o olhar cravado no céu escuro e turbulento. Ainda tentava recuperar o fôlego, quando ouviu a porta se abrir. 
A mulher saiu para a calçada, o vento frio lhe despenteando os cabelos escuros e cacheados. Em seguida, ela também se desequilibrou na tentativa de caminhar sobre o gelo. Porém, mostrando mais agilidade que Brent, conseguiu se manter de pé e logo se ajoelhou ao lado dele. 
Quando ela esticou as mãos para lhe segurar a cabeça e a envolveu entre as palmas quentes, Brent se deparou com os mais lindos olhos castanhos que jamais vira. Eram penetrantes e atraentes. A voz da mulher soou ansiosa. As bochechas do rosto se encontravam coradas. 
— Você está bem? Brent procurou as palavras, mas nenhuma lhe veio à mente. Apenas confirmou com um gesto de cabeça, sem saber se estava mesmo em condições de falar. A vergonha travava uma batalha com o desconforto. O chão da calçada era duro, repleto de pedaços de gelo e sal e tão frio que ele sentiu os dentes começarem a tiritar. A mulher franziu a testa. 
— Deixe-me ajudá-lo a se levantar. Acha que consegue andar? 


Corpos Ardentes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Quando Amy conheceu Matt, não hesitou em lhe dar seu amor, 

sua confiança, seu corpo. Ele era o homem mais atraente e gentil que já vira, e sabia como despertar seu desejo. Por isso, ela se entregou àquelas mãos de escultor, esquecendo seus pudores. 
Passou com ele uma semana de sonhos em Creta, amando e sendo amada. Até descobrir que Matt era casado! Com o coração partido, Amy se refugiou na Cornualha. A paisagem calma do campo foi um bálsamo para sua alma atormentada. 
Mas agora Matt estava de volta, e ela descobriu que ainda o amava. Descobriu também que o fogo que ardia entre eles continuava aceso. Mas Amy jamais seria sua amante... 


Capítulo Um 

Amy Lawrence saiu para o sol brilhante de verão, fechando atrás de si a porta pintada de vermelho. Respirou profundamente, aspirando o ar quente e perfumado do jardim selvagem. Amava aquele jardim desde a infância. 
Sempre tinha visitado seus avós no verão, quando criança, e passava os longos dias ensolarados brincando na grama cor de esmeralda, extasiada com a atividade incessante das borboletas e outros insetos coloridos. Sorrindo consigo mesma pelas lembranças gostosas. Amy se dirigia para a vila. 
Constatou o quanto era feliz ali, morando com seu avô; a vida transcorria pacífica e feliz, sem grandes problemas. Nunca, nunca mais complicaria sua vida, pensou, enquanto afastava uma mecha de cabelos negros dos olhos. Uma hora mais tarde, depois de ter enchido a cesta de palha com as compras, e de um bate-papo agradável com os conhecidos da vila, lembrou que tinha que passar na farmácia para pegar um remédio para o avô. 
Na porta, um homem alto bloqueava a entrada. Quando Amy ergueu os olhos para pedir passagem, seu coração parou de repente, o ar lhe faltou e ela não conseguiu respirar. Por longos instantes ficou contemplando aquele rosto, até que ele quebrou o silêncio. 
— Como vai, Amy?
— Matt... — ela sussurrou, incrédula. Amy tremia dos pés à cabeça, inconsciente dos olhares curiosos que observavam os dois. Seus pensamentos estavam num caos total. Os olhos turvos e enigmáticos de Matt a mediam de cima a baixo, percorrendo o corpo esguio que se escondia sob um simples vestido de algodão azul. 
Ele apertou os olhos criticamente ao voltar para o rosto dela. Amy ergueu a cabeça e empinou o nariz, lançando-lhe um olhar desdenhoso e indiferente. Não seja estúpida, ela se repreendeu severamente, Matt Cavanagh não representa mais nada para você depois de todos estes anos. Nada. Por isso não lhe dê nenhuma satisfação demonstrando fraqueza. Mas ela precisou reunir todas as forças que tinha para não sair correndo pelas ruas como uma criança assustada. 
— Vou bem, obrigada. E você? Matt não respondeu por intermináveis segundos. Seus olhos estavam cheios de sarcasmo. Ele a pegou pelo braço e a conduziu para a rua, e o toque de seus dedos enviavam labaredas de fogo ao corpo de Amy. 
Seu coração batia desesperadamente, coisa que a deixou mais zangada ainda. Era inacreditável que eles tivessem se encontrado por acaso depois de todos aqueles anos, e ela estava temerosa e desconfiada. 
— O que está fazendo aqui? — deixou escapar, num tom desafiador. 
— Como me encontrou? O sarcasmo deixou os olhos de Matt, e foi substituído por uma expressão de raiva. Amy se encolheu. Depois, o olhar dele se tornou totalmente inexpressivo. 
— Pode ficar certa de que a minha presença aqui não tem nada a ver com você, minha cara. — Ele acendeu um cigarro, tragando profundamente. 
Amy observava seus movimentos distraidamente, percebendo, com tristeza, que jamais tinha se esquecido de sua graça felina, de seus gestos macios.


Noites Ardentes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Clayton desperta no meio da noite. 

A escuridão no quarto é completa, e ele ouve a respiração suave de Shelley a seu lado. Movendo-se com cuidado, começa a abraçá-la, e então percebe que está acordada e... gloriosamente nua!
Invadidos por um desejo selvagem, insano, eles se amam até a exaustão, prisioneiros de uma paixão mais forte que o destino. Ao nascer do dia, porém, despedem-se sem promessas. 
Clayton não tem nada para oferecer a Shelley. Não é culto, não é civilizado, e descera de sua montanha solitária não em busca de amor, mas de vingança... 


Capítulo Um 

Os incêndios começaram a piorar em agosto, aquele ano; e, como as outras criaturas, Clayton Masterson desceu das montanhas a oeste de Yellowstone. Antes de deixar sua casa, porém, ele levou para o porão, escavado em rocha sólida, com dinamite, por seu tataravô, objetos insubstituíveis como o retrato dos pais e a Bíblia da família, além de outros necessários, como seu colchão, acolchoados, a serra motorizada, televisão, armadilhas, armas, panelas e mantimentos. 
Então fechou a porta de madeira e a cobriu com terra. Muito tempo antes ele já havia transportado terra para, em caso de emergência, espalhar uma grossa camada no terrado quase plano e sua cabana, seguindo o conselho de seus pais, e também não permitira o acúmulo de vegetação rasteira ao redor da casa. 
Com essas precauções, estava certo de garantir a segurança da cabana, a menos que os ventos alimentassem as chamas provocando um incêndio de grandes dimensões na floresta. 
Neste caso, tudo arderia. Clayton deu uma última olhada, em redor, antes de partir. A terra pertencia aos Masterson desde os fins do século XVIII, e, se o fogo ameaçador chegasse até ali, a rocha e a terra protegeriam seus pertences na caverna artificial sob a casa. Se a cabana se queimasse, ele a reconstruiria, tal como seus antepassados tinham feito duas vezes. Aquele era seu lar, seu lugar no mundo. 
Ele voltaria quando os incêndios estivessem sob controle. Então, Clayton guardou numa mochila um pouco de carne-seca e uma mistura de cereais que sua mãe lhe ensinara, acrescentando uma muda de roupa, um cobertor enrolado e sua rabeca, embalada com cuidado. Depois apanhou o rifle. 
Estava pronto. Assoviou para Lobo e começaram a descida. Num lugar tão afastado, Clayton jamais via alguém, a menos que precisasse de algo da cidade, e, em vista de sua autossuficiência, aventurar-se na “civilização” era um fato raro. 
Não o fazia com frequência por sua falta de jeito com pessoas. Parecia sempre meio deslocado. Mas seus pais o haviam ensinado a ter responsabilidade. Os homens de sua família haviam lutado em todas as guerras que envolveram aquele país, e enquanto sua mãe fora uma hippie, seu pai servira no Vietnã.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Caindo aos Pedaços

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Foi apenas uma pequena mentira e nunca pensei que iria sair do controle. 

Mas não tive escolha, já que Asher estava perto de descobrir a verdade sobre mim e eu não podia deixar isso acontecer.
Agora todo mundo me odeia. Bem, todos, exceto Asher. 

Ele ainda acredita em mim, mesmo depois do que fiz.
E quando estou com ele, sinto como se estivesse caindo. 

Só espero que se isso acontecer, ele esteja lá para me pegar.



Capítulo Um

— Ok, o que você acha? — Billie fala vindo do corredor. — Seja honesta.
Levanto a cabeça do encosto do sofá, assim que elaentra na sala. Ela está vestida com um top preto, calça jeans e botas até os joelhos, com fivelas que tintilavam conforme ela andava. Franzo a testa, quando me douconta do amplo decote em suas costas.
— Whoa. O cara não vai saber o que o atingiu.
— Estou muito elegante?
Começo a rir. Só Billie para achar que jeans e um top frente única eraelegante.
— Não, não está.
— Legal. Não quero parecer que estou tentando impressionar. — Ela faz uma pausa franzindo a testa. — Porque eu não estou. Não poderia me importar menos sobre esse cara. Estou apenas usando-o para um jantar e uma noite fora.
— Não há problema em dizer que gosta dele, Billie. — Dou um sorriso e volto a olhar para a revista aberta em meu colo.
— Oh, sim, eu vou aceitar conselhos amorosos de você. O que vai fazer hoje? Planejandopassar uma noite fascinante lendo revistas e assistindo televisão?
Sinto-me ofendida com suas palavras, mesmo sendo verdadeiras. — Talvez — digo com tristeza.
— Sabe, você realmente precisa começar a sair, Ivy. Viver um pouco. — Ela vai em direção à cozinha, onde a jaqueta e bolsa estavam jogadas em cima da mesa.
Quando eu morava com a minha mãe, ela nunca teria tolerado utilizar nossa mesa como cabideiro. Mas essa é a alegria de alugar seu próprio apartamento. Você começa a fazer o que quiser e aparentemente o que Billie e eu queríamos era viver na bagunça. Sinto tremores ao olhar em volta e ver as latas de refrigerantes vazias, os livros, revistas e sapatos jogados por toda a nossa pequena sala de estar.
Oh, bem. É melhor do que ter que aturar minha mãe e meu padrasto.
— Eu saio sim, fiz isso outra noite mesmo — explico.
— Ir buscar um filme e comida chinesa não é sair. — Billie veste a jaqueta de couro. — Você trouxe tudo para cá e ficou em casa.
— Posso ir visitar meu avô mais tarde.
— Isso não conta muito. — Billie se aproxima de mim. — Ivy, é sexta-feira à noite, você tem 19 anos e vai ficar em casa. Isto não é saudável. — Ela tira a revista do meu colo e a jogana mesa de café. A revista esvoaça enquanto cai, as páginas sussurrando à medida que entram em contato uma com a outra. — Vamos lá, você pode se juntar a mim e a Ryan.
— Não, obrigado. — Balanço a cabeça. — De modo algum vou ser a terceira roda.
Billie suspira se empoleirando na beira do sofá.
 Ivy, aconteceu há mais de um ano. Você tem que seguir em frente, em algum momento.
Meu peito se aperta e não tenho nenhuma vontade de discutir com ela novamente. Apertoos lábios, pego a revista e me afasto dela.
— Ivy? — Ela chama e eu olho para o relógio.
— Billie, é melhor você ir ou vai se atrasar.
Ela segue meu olhar e arregala os olhos ao ver que horas são, então, ela me dá um sorriso triste.
— Tudo bem. Vou deixar para lá neste momento, mas essa conversa não acabou.
Claro que não, nunca acaba.
— Divirta-se, Billie—falo sobre o ombro, enquanto ela sai.
— Não me espere — ela grita antes de fechar a porta.
Eu viro as páginas da revista, observando as imagens brilhantes e coloridas. As celebridades parecem tão felizes e glamourosas nas fotos, mas sei quetudo é uma farsa. Afinal, sei tudo sobre manter as aparências, fingir que está feliz quando na verdades e está morrendo por dentro.




Para Além do Arco-Íris

ROMANCE CONTEMPORÂNEO








Para Seth e Natascha, enfrentar o amor era o maior dos desafios! 

Ao ver Seth banhando-se no lago de águas cristalinas, Natascha compreendeu que estava completamente apaixonada por ele.
De repente, deu-se conta de que também se apaixonara pela vida durante aquele verão no Canadá. 
Cercada pela natureza selvagem, descobrira a grande emoção de desejar um homem. Mas, apesar de amá-lo, tinha medo de se aproximar de Seth. 
Jamais poderia se esquecer de que ele já a rejeitara uma vez.

Capítulo Um

Durante todo aquele dia, enquanto o avião atravessava os céus do Canadá, Natascha Dennis esteve concentrando o pensamento no destino final da viagem: Whitehorse, capital do Yukon, a mais de quatro mil e oitocentos quilômetros do lugar de onde ela vinha, o oeste de Montreal, e a mil e seiscentos quilômetros de Vancouver. Mas agora que o avião pousava no terminal do Whitehorse, amplo e impessoal, ela compreendia, com um arrepio nervoso a lhe percorrer a espinha, que sua viagem mal havia começado.
Passados todos os trâmites normais no aeroporto, ela esperou durante alguns momentos diante da esteira giratória que sua mala de lona aparecesse, para apanhá-la. A confusão de seus sentimentos era tamanha que temia deixar-se tomar inteiramente pelo pânico, e sua garganta estava seca. E se a hospedaria que procurava nem fosse conhecida por ali? 
Se já tivesse fechado há muito tempo? Talvez não passasse de uma tolice de sua parte ter feito toda essa viagem sem tomar informações primeiro. "Natascha, será que você não é capaz, pelo menos uma vez na vida, de tomar uma atitude que não seja irracional e impulsiva?" A voz de Olga, estridente e nervosa, sempre criticando Natascha por suas reações naturais, soava em seus ouvidos de um modo tão real que, em seu íntimo, nem lhe parecia verdade o fato de Olga ter morrido tão recentemente. 
— Posso ajudá-la, senhorita? 
Tirada de seus pensamentos pela pergunta do rapaz que se ocupava do guichê de informações, ela assustou-se, mas logo se refez e perguntou: 
— Eu preciso ir à Hospedaria Caribu, dirigida pelo sr. Neil Curtis. Sabe como posso chegar lá? O jovem pensou um pouco antes de responder: 
— Uma de nossas companhias de táxi aéreo faz essa linha, mas não sei ao certo qual é. 
Parte da tensão que dominava Natascha diminuiu; pelo menos a hospedaria ainda existia. Talvez não tivesse sido tão tola, afinal. O jovem do outro lado do balcão deu uma olhada ao longo do saguão. 
— Se Chuck estivesse aqui poderia informá-la melhor — disse para desculpar-se da ignorância —, mas ele está de folga esta manhã. Em todo caso, fale com Lily, a mulher que está no caixa daquela loja ali em frente. Ela conhece tudo e todos por aqui, especialmente o pessoal das linhas aéreas. Um dos filhos dela é piloto de táxi aéreo há anos.
— Muito obrigada — disse Natascha, sorrindo para o rapaz e afastando-se do balcão. Apesar de nervosa, ela estava achando aquilo tudo muito divertido. Em Montreal, de onde vinha, jamais teria que ir a uma loja de presentes para obter informações sobre táxi aéreo. 
A tensão ia se dissolvendo enquanto Natascha atravessava o corredor, com sua mala chocando-se contra os joelhos a cada passo. Seus longos cabelos castanho-claros e a beleza de seu corpo de pequena estatura atraíam muitos olhares, o que também a divertia e, de certa forma, lisonjeava.

Emoção Secreta

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Meg tinha ido para a ilha à procura de paz e esquecimento. 

Era estranho, mas agora que estava presa a uma cadeira de rodas, sentia-se mais feliz do que antes, quando era a louca e extravagante Margaret Cairns, pantera das colunas sociais. Não podia andar, mas nada lhe faltava. Amor? 
Não pensava nisso. Nem sentia falta. Pelo menos, até aquela noite chuvosa, quando um estranho entrou em sua cabana, despertando em Meg emoções adormecidas. 
Paul Moreton chegou para acabar com sua paz e fazer com que se sentisse novamente mulher. Mas ela não era uma mulher inteira; não tinha o direito de desejar um homem ou sonhar com uma família. 
Paul nunca devia saber de sua paixão sem esperança!


Capítulo Um

 — Já estamos chegando? — perguntou Chris, mal-humorado. 
— Não tenho certeza — respondeu Paul. — Acho que errei o caminho. Por que não tenta dormir mais um pouco? Acordo você assim que a gente chegar. 
O garoto balbuciou qualquer coisa, abraçando-se ao travesseiro e mantendo-se afastado do pai o mais que podia. Com um misto de ternura e mágoa que Chris sempre lhe despertava, Paul olhou-o, desejando que o filho confiasse mais nele. Gostaria que Chris se aninhasse junto a seu corpo, em vez de apoiar a cabeça na porta do carro, permitindo que fizessem a viagem abraçados, naquela noite chuvosa. Deu um suspiro profundo, pensando se esse dia chegaria alguma vez. 
O psiquiatra do hospital tinha dito que ia levar tempo para Chris ganhar confiança. Tempo e paciência... Paul tinha ambos. O que não sabia, naquele tempo do hospital, era que a rejeição contínua do filho fosse feri-lo tanto. Amava o garoto, mas Chris deixava dolorosamente claro que não queria esse amor. Tinha pensado dezenas de vezes no assunto, sem nunca chegar a um resultado prático. Para dizer a verdade, de nada adiantara. Ao menos, o garoto agora havia adormecido outra vez. 
Devia estar cansado... e isso era o que os médicos menos recomendavam. Paul bateu com a mão no volante, num gesto de frustração total. Não podia culpar ninguém, a não ser a si próprio, pela situação em que se encontravam. O avião tinha demorado a sair de Toronto; uma denúncia de uma bomba a bordo obrigou a que revistassem o aparelho de uma ponta à outra. Por isso, já chegaram atrasados a Halifax. 
Lá, houve um malentendido ao alugar o carro, que os prendeu por mais uma hora e meia. O que devia ter feito era ir direto para Halifax e dormir num hotel, para ter certeza de que Chris passaria uma noite tranquila. Mas o menino queria chegar ao mar e ele próprio estava ansioso para se afastar das cidades. Então, telefonou para a pensão onde tinham feito as reservas e recebeu uma série de explicações complicadas de Rose Huntingdon, a proprietária. 
— É muito fácil, sr. Moreton. Não tem como se perder.
Não havia dúvidas de que ela se enganara, pensou Paul, irritado e pisando fundo no acelerador. Não fazia a menor ideia de onde estava, ou qual a direção a tomar. Cerca de cinco quilometros atrás, tinha virado à esquerda, na ponte, seguindo as instruções da sra. Huntingdon.

Amor Imperfeito

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
A paixão, quando acontece, não conhece barreiras! 

Com o coração descompassado, Laura vê Justin se levantar para reavivar o fogo na lareira. 
Então, em vez de voltar para junto dela, ele se deita no sofá, com ar distante, pensativo. Decepcionada, Laura procura uma explicação para o comportamento de Justin. 
Haviam se casado naquela tarde e, depois de jantar num restaurante francês, voltaram para casa e se amaram no tapete da sala. 
De repente, Laura se dá conta de que, no auge do prazer, gritara o nome de Clay, o marido de sua irmã!


Capítulo Um

"Será que nunca vou chegar?", pensou Laura. 
Naquela manhã, em especial, o trânsito estava muito lento. Pouco mais tarde que de costume, estacionou o carro diante do suntuoso edifício que abrigava a Justin Abernathy Advogados. Saiu apressada, ajeitando o suéter que trazia sobre os ombros. Por certo, no início de março o clima em Phoenix era mais agradável do que na maioria das cidades, mas as manhãs e noites eram frias. 
— Frias!? — Resmungou. "Você desfruta desse clima maravilhoso há menos de um ano e já está mal-acostumada. Em Green Bay, sim, deve estar até nevando. E você... reclamando por usar um suéter de manhã! Adoraria a neve, o gelo e o frio, se pelo menos pudesse voltar para casa", pensou. 
Endireitou os ombros. "Seu lar agora é aqui", disse a si mesma. "Afinal, lar não é uma cidade, um bairro, uma casa... Mas o lugar onde se é livre, sem fingimentos, desculpas ou falsos sorrisos. No lar se pode chorar sem ter de dar explicações." E Green Bay nunca mais seria seu lar. Não enquanto Shelley estivesse lá. Shelley e Clay. A recepcionista ergueu os olhos da correspondência que separava e sorriu.
— Difícil eu chegar mais cedo que você, Srta. McClenaghan. Está aproveitando para descansar um pouco enquanto o Sr. Abernathy está fora da cidade? Laura sorriu. 
— Não exatamente. Essa é toda a correspondência? A outra jovem espirrou e balançou a cabeça. 
— Acabo de encontrar outra carta perfumada debaixo dessa pilha. — Juntou o envelope azul às demais cartas do Sr. Abernathy e espirrou novamente. 
— Começo a desconfiar que seja alérgica a perfumes. 
— Bem, nem todas as cartas do Sr. Abernathy chegam impregnadas de perfume barato. 
— Oh, não — concordou a recepcionista de imediato. 
— Algumas mulheres preferem perfumes franceses. É impressionante que sejam capazes de gastar preciosas gotinhas em cartas para o advogado. Laura não pôde conter o riso. 
— Dê-se por feliz que elas se limitem a escrever cartas. Já pensou se viessem aqui pessoalmente? 
— Deus me livre! Eu passaria o dia todo espirrando! Mas você não acha incrível! Essas mulheres mal saem de um casamento falido e já estão pensando em romance outra vez. 
— Por que não? Para algumas, este é um modo de vida. Além do mais, você tem de admitir que ele se saia muito bem nesse jogo, quem sabe até goste. A recepcionista pareceu horrorizada. 
— Acha mesmo que ele tira proveito? 
— Não, eu não disse isso. Laura estava arrependida do comentário que fizera. Apanhou a pilha de envelopes, atravessou a área acarpetada da recepção e, entrando em sua sala, bateu a porta com firmeza. 

Absolutamente Apaixonada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

Kate sonhava encontrar um homem romântico, 

que lhe enviasse flores e fosse capaz de eternas juras de amor. Mas o destino quis que encontrasse Barrett, um solteiro convicto, atraente, viril, que desejava apenas aventuras passageiras. 
Quando ele a tomou nos braços e a olhou intensamente, sorrindo com sensualidade, Kate soube que não poderia fugir. 
Mesmo que os momentos vividos fossem raros e fugidios, trazendo-lhe no futuro lágrimas e saudade...


Capítulo Um

Kate Marlowe verificou seu relógio de pulso. Trinta e cinco minutos e vinte segundos. Foi o que o ônibus demorou para ir do centro da cidade até a Union Street. Economia de tempo foi um fator que não considerou ao decidir abrir uma firma de consultoria para casamentos, no bairro de Marina. Nessa época, procurava apenas um local que oferecesse uma atmosfera romântica e um preço acessível. 
Conciliara os dois requisitos ao alugar um conjunto num prédio em estilo vitoriano, localizado em uma da ruas comerciais mais conhecidas de San Francisco. Infelizmente, por força de suas atividades, precisava ir com muita frequência ao centro, onde se concentravam os melhores hotéis, de modo que Kate passava muito tempo dentro de ônibus ou então procurando onde estacionar seu carro. Entretanto, não reclamava. 
Embora exaustivo, era um trabalho gratificante, que fazia com o maior prazer. E não deixava de ser agradável pensar que de sua criatividade e organização dependiam o sucesso de uma cerimônia de casamento. O ônibus parou um quarteirão antes do prédio onde funcionava o Romantic Affairs Wedding Agency. Kate desceu e, enquanto caminhava até o escritório, mentalmente preparava-se para a próxima entrevista. 
Cumprimentou o sr. Ramoni, que há vinte anos vendia flores na mesma esquina e que já fazia parte do visual da rua. Resmungou baixinho quando o homem se aproximou. Já tinha uma tendência natural para atrasar-se nos compromissos, e deixar-se envolver por conversas com conhecidos era uma das principais razões, porém não resistiu ao sorriso amigável dele. 
— Alô, srta. Marlowe. Olhe, para a senhorita! 
— Obrigada — respondeu, pegando a rosa branca, sua flor favorita, mal escondendo a surpresa. 
— Segui seu conselho — Ramoni confidenciou. 
— Valeu a pena? Ele assentiu e, meio embaraçado, explicou: 
— Minha Helena admitiu que jamais tivera uma noite tão maravilhosa, e nos sentimos como dois adolescentes de novo. 
— Fico feliz por vocês. 
— E lhe devemos essa alegria. Se precisar de mim, estou pronto para servi-la. 
— Sejam felizes. — Assim dizendo, despediu-se, retomando seu caminho. Chegou ao prédio e subiu os degraus sorrindo, com a lembrança do sr. Ramoni. Era bom vê-lo feliz novamente. Logo, porém, o sorriso desapareceu, ao ouvir o velho relógio que pertencera a seu avô soar cinco vezes. Apressou os passos e, com ar de inocência, abriu a porta do escritório. 
— Desculpe o atraso, mas não tive culpa — apressou-se em esclarecer. Liz Jamison, sua sócia, levantou a cabeça e, fitando-a, enquanto Kate pendurava o casaco no armário, indagou: 
— O que houve desta vez? Trânsito, enchente ou obra do destino? 
— Um ônibus quebrado e um carrinho de sorvete estacionado em fila dupla — Kate retrucou. 
— E Melanie, ainda está aqui?