segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Escândalo Real

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Um casamento sob os holofotes.

O rebelde príncipe Felipe Cairo quer evitar a coroa a todo custo. 

Por isso, ele decidiu se casar com a mulher mais inapropriada que pudesse encontrar. 
A queridinha da mídia Brittany Hollis é tão infame quanto ele. 
Ainda assim, os beijos escaldantes que trocam em público revelam que há muito mais nela do que Cairo podia imaginar. Porém, esse conto de fadas de mentirinha vai ter um final inesperado. Brittany pode não ser a rainha perfeita, mas está esperando um herdeiro do trono.
Capítulo Um

Qualquer mulher ajuizada recusaria certos convites. E aquele era um deles, escrito à mão por um dos homens mais famosos do mundo, num cartão luxuoso e entregue na sua porta por um funcionário do remetente. A mensagem em si era misteriosa: Encontre-me em Monte Carlo.
Brittany Hollis já vivera um bocado, apesar dos seus 23 anos; já viajara para, no mínimo, dois continentes, graças à coleção de casamentos por conveniência, uma participação num reality show em que representava a detestada vilã, e por sua recusa em confirmar ou negar qualquer escândalo a seu respeito. Sempre acreditara ter bom senso.
Bom senso demais para o seu gosto, ou assim pensava. Era assim que uma virgem intocada se deixara ser conhecida como uma das mulheres mais safadas do planeta. Entretanto, sempre se mantivera acima dos comentários ferinos, pois só ela conhecia a verdade.
E, sem se importar com a forma que a chamavam — como mercenária, por aqueles mais gentis –, Brittany sabia que o foco, como se nada disso a incomodasse, era a melhor maneira de levá-la à paradisíaca ilha tropical de seus sonhos.
Um dia chegaria lá. Passaria o resto da vida num caftan esvoaçante, com flores no cabelo e tomando mai tais sem nunca mais pensar nos dias difíceis ou nas notícias cruéis publicadas nos tabloides nos quais era sempre retratada como a vilã diabólica.
Nunca mais.
Mal podia esperar. Passara anos a fio mandando metade do dinheiro ganho a duras penas para os membros da família, que a declaravam ter pacto com o diabo, em público, embolsavam os cheques pecadores às escondidas e depois, sem um pingo de pudor, exigiam mais. E mais e mais. 
Sua amada avó pedira que ela assumisse a responsabilidade, depois que o furacão Katrina tinha destruído tudo o que a mãe solteira de Brittany conseguira dez anos atrás, deixando-os à beira da miséria em Gulfport, Mississippi.
Brittany se empenhara. Ano após ano, da única maneira que sabia e com as armas que possuía — sua aparência, seu corpo e a inteligência herdada da avó, embora a maioria acreditasse que ela era burra. Sua irmã caçula faria 10 anos. Ou seja, faltavam oito para ela sugerir à família que, para variar, trabalhassem para manter o sustento.
Na certa, usaria termos mais fortes ao conversar com a mãe.
Enquanto isso, poupava a outra metade do dinheiro, pois um dia se mudaria para uma ilha deserta do Pacífico com palmeiras, céu azul e praias de areia branca. Vira fotos do arquipélago de Vanuatu ainda no ensino médio e decidira que um dia moraria naquele lugar paradisíaco. Uma vez numa das ilhas a oeste de Fiji, não poria mais os pés nessas cidades agitadas e conturbadas.
Nunca mais.
Mas uma coisa de cada vez: primeiro devia ir ao encontro do homem que a convocara a encontrá-lo naquele cassino icônico de Monte Carlo, localizado na majestosa cidade de Mônaco, onde homens de sangue azul como ele planejavam noites de jogatina para que as maiores fortunas da Europa perdessem grandes somas de dinheiro. 
Para discutir uma proposta interessante para ambos, dizia a mensagem. Mas ela não fazia ideia de qual seria essa proposta. Nada tinham em comum, exceto certa fama internacional; e a dele, ao contrário da sua, podia ser comprovada por fatos documentados.
Documentados e viralizados na internet repetidas vezes.
Mesmo assim, Brittany entrou no cassino no horário marcado. A caráter, como exigia o mundo da moda. Num vestido longo de um ombro só, em tom dourado discreto, e salto alto. Sabia que o vestido a tornava atraente e suntuosa ao mesmo tempo, como convinha à mulher chamada de vagabunda pela própria mãe. Mas o vestido elegante também denotava sofisticação, o que ajudava a menina miserável do Mississippi a desfilar com segurança pelo ambiente deslumbrante de piso de mármore.
Brittany tinha a incrível capacidade de simular ser o que não era.

Adorável Engano

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Adorável engano

Marnie Clarke fica horrorizada ao descobrir que Leandro Vialli considera o caso que tiveram um sórdido segredo. 
Com o coração partido, ela decide fugir… grávida. Agora, para assegurar o seu legado, Leandro precisa convencer Marnie a ficar a seu lado. A oportunidade perfeita surge quando ela perde a memória em um acidente. Convencê-la de que eles estavam noivos não foi difícil. Porém, antes que Leandro pudesse dizer “eu aceito”, Marnie volta a se lembrar de tudo!

Capítulo Um


— Então vo
cê é o segredinho sujo de Leandro. 
Marnie desviou o olhar da porta do restaurante — para onde estivera olhando, à espera de Leandro — para o homem que se sentara no banco do bar ao seu lado. Imaginou se entendera errado.
— Perdão?
Ele sorriu e estendeu a mão.
— Perdoe-me a brincadeirinha. Eu sou Fergus Leary, contador sênior da Vialli Entertainment. Todos na empresa estão curiosos em saber por que Leandro mantém a namorada escondida. Apenas soubemos da sua existência quando ele pediu para a secretária telefonar para você para falar sobre a festa.
Marnie tentou ignorar o nó na boca do estômago. Imediatamente não gostara de Fergus, mas sorriu com educação. Pelo menos, o contador lhe falara, o que era mais do que qualquer outro funcionário de Leandro fizera. Ela se sentira nervosa o bastante quando chegara sozinha no restaurante, o qual fora reservado para a festa privada, e os olhares curiosos que ela recebera dos outros convidados a tinham feito se sentir pior.
Como ela, todos pareciam estar esperando Leandro. Ele estava 15 minutos atrasado e, embora ela tivesse tentado ligar, o telefone dele estava constantemente ocupado. Nenhuma novidade, pensou Marnie. Eles tinham se falado poucas vezes nas últimas duas semanas, enquanto ele estivera em Nova York numa viagem a negócios.
— Leandro fica frustrado com a constante atenção dos paparazzi, então nós evitamos restaurantes e bares populares — explicou ela para Fergus.
Na verdade, ultimamente, ela se perguntara por que Leandro nunca a convidava para acompanhá-lo a eventos sociais, como, por exemplo, à première de um filme que ele fora na semana anterior.
— Eu vou à première porque é uma boa oportunidade de negócios e uma chance de network — dissera-lhe ele quando, pela primeira vez no relacionamento deles, Marnie o questionara sobre o motivo por que ele não a convidara para acompanhá-lo.
— Você não conhece nenhum dos convidados. Tenho certeza de que ficará entediada. — O desapontamento dela devia ter transparecido no rosto, porque ele acrescentara em tom conciliatório: — Sairemos para jantar quando eu voltar de Nova York. Na verdade, iremos viajar por um fim de semana. Escolha aonde quer ir, e eu farei os arranjos. Que tal Praga? Você sempre diz que gostaria de conhecer a cidade.
Ele evitara mais discussões levando-a para cama; porém, mais tarde, depois que Leandro dormira, Marnie percebera que ele novamente a distraíra com a promessa de uma viagem e sexo... o que sempre a lembrava que, apesar de o relacionamento deles não ser convencional, ela estava muito feliz morando com Leandro, e ele parecia igualmente feliz.
O fato de que ela estava na festa que ele estava dando para os funcionários da Vialli Entertainment, para celebrar a reforma completa de seu último projeto de teatro, provava que Leandro ouvira a reclamação dela sobre o relacionamento deles e a convidara. Certo, convidá-la devia ter sido uma decisão de última hora, e ele pedira que a secretária contatasse Marnie sobre os detalhes do local e hora da festa.
Determinada a impressionar em sua primeira aparição pública com Leandro, ela comprara uma roupa nova em Bond Street. Mas fora uma experiência desagradável... não somente por causa dos preços muito altos para seu orçamento, mas porque se lembrara do incidente humilhante, quando tinha 16 anos e fora acusada de roubar de uma grande loja de departamento.




Caminhos do Prazer

 ROMANCE CONTEMPORÂNEO
“Quero que Tyler Scott pense em mim com amor, com desejo!” 

“Quero você na minha vida, Hailey. Quero você na minha cama!”
Quentes, possessivas, as mãos de Tyler traçam um caminho de fogo pelo corpo de Hailey, percorrendo cada curva com a avidez e a ternura de um amante. Ela hesita, não quer se 
entregar tão depressa, sem nenhuma certeza de que aquele homem a ama realmente. 
Sabe que depois ele irá embora! 
Mas seu corpo traiçoeiro estremece de prazer; seus lábios se abrem para receber o beijo de Tyler! E Hailey o abraça, pronta para deixá-lo cumprir sua promessa de sedução…

Capítulo Um

— Hailey Ashton — ela disse atendendo ao telefone do escritório.
— Srta. Ashton, aqui é o guarda Dawson.
Pelo barulho que se ouvia ao fundo, ele devia estar falando do orelhão no meio do parque.
— Seria bom a senhorita vir até aqui rapidamente. Acho que a bruxa está solta.

Devia ser uma emergência. Dawson, normalmente tão calmo e seguro, parecia nervoso.
— O que está acontecendo?
— Tem um sujeito aqui criando a maior confusão. Está gritando com todo mundo feito um doido. Diz que algo aconteceu à filha dele. Só sei que a garota se meteu no banheiro das senhoras e não deixa ninguém chegar perto. Está juntando gente e as pessoas estão começando a especular.
— Vou já para aí.
— Quer que eu mande um carro buscá-la? Está um calor infernal.
— Não é necessário — ela cortou. — Tente acalmar o pai da garota.
— Está bem.
Dawson desligou e Hailey disse para a secretária:
— Tome conta de tudo, Charlene.
Em seguida, saiu para enfrentar o calor.
O vestíbulo envidraçado que era seu escritório ficava perto da entrada principal do imenso Parque de Diversões Serendipity. Habilmente, ela teceu seu caminho através da multidão de visitantes que, com suas câmeras e crianças a tiracolo, entravam no parque.
Um deles bloqueava a fila diante do portão principal, discutindo com a porteira. Exasperada, a funcionária olhou para Hailey pedindo socorro.
— Srta. Ashton…
— Algum problema?
Hailey foi direto ao assunto para poupar tempo. Sua mente estava na emergência de Dawson.
— Sim — O freguês se intrometeu agressivamente. — A moça aí, não quer me deixar entrar com meu filho só com um bilhete. Ele só tem três anos. Acho…
— Por favor, senhor, pode entrar.
A decisão não era muito justa para os negócios do parque, nem para a funcionária que havia barrado a entrada do homem e nem para os visitantes que tinham pago entradas para seus filhos, mas Hailey estava com um problema mais urgente a resolver. Mais tarde, pediria desculpas à funcionária.
Acenando de leve, em resposta aos efusivos agradecimentos do homem, atravessou o portão que separava a área do público da parte reservada aos funcionários. O Parque de Diversões Serendipity estava repleto naquele sábado à tarde. Como sempre, quanto maior o número de pessoas, maiores as probabilidades de surgirem problemas. E, como diretora de relações públicas, a função de Hailey era lidar com as pequenas emergências, provocadas por Deus e pelos homens.
As sandálias de salto alto não eram muito apropriadas para caminhadas, mas ela foi andando em passadas rápidas através das ruas asfaltadas, que refletiam em cheio o calor da tarde. A saia branca esvoaçava em torno de suas pernas bem torneadas. Sentia a transpiração umedecer a blusa de algodão verde, que tinha um discreto emblema do parque bordado no bolso. Felizmente havia prendido o cabelo num coque alto. De outra maneira, seus longos cabelos cor de cobre ficariam revoltos com a brisa.








O Feitiço do Tango

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



Se havia uma coisa que faltava na vida de Nicholas Hunter era jeito para a dança.

 Executivo de talento, galgara as escadas do sucesso com facilidade, mas agora enfrentava um desafio: um estranho contrato o obrigava a dançar... tango! 
Para Angélica, a parceira escolhida por Nicholas, o tango era mais que uma simples dança. Como o amor, ele invadia o coração, a mente, a alma... 
E dançar com Nicholas poderia ser sua perdição. Belo e atraente, ele só a queria para uma noite de 'dança. Angélica, porém, o queria para uma noite de amor...

Capítulo Um

— O homem é doido — murmurou Nicholas Hunter, perplexo, lendo pela décima vez o contrato. — Que raio de brincadeira é essa?
Martin Hennessey jogou os pés para cima da escrivaninha, com um sorriso indulgente.
— Uma das mais intrigantes, eu diria.
— Intrigante? É a coisa mais sem sentido que já vi, isso sim.
— Encare os fatos, velhão. Ou você faz o que Juan Carlos quer, ou aquele terreno maravilhoso não nos será vendido. Simples, não?
Os olhos azuis de Nicholas ganharam um tom mais escuro.
— Das duas, uma: ou preciso de óculos, ou de voltar para o primário. Não posso estar lendo direito, impossível! Ele quer que eu dance... tango?!
— É isso aí, meu velho — assentiu Martin, divertido.
— Ele está louco varrido. Nada feito!
— Ei, fique tranqüilo! É só aprender uns passinhos, homem!
— Uns passinhos! Estamos falando de negócios, não de piadas de mau gosto, Martin. Ofereci uma excelente soma por aquele terreno, e duvido que Juan Carlos consiga oferta melhor.
— Eu também, mas...
— Nem mas nem meio mas, que diabos! Quando saí de Buenos Ai­res, na sexta, tudo estava arranjado, e você ficou lá só para acertar os últimos detalhes. Quarenta e oito horas depois, você vem agitar esse pedaço de papel maluco debaixo de meu nariz?
— Você não impressionou muito bem Juan Carlos, com sua mania de permanecer trancado no hotel. Em vez de sair e passear, você enfiou a cara em mapas e plantas de arquitetura.
— E daí? Vai me dizer que ele não gosta de ver alguém estudando?
— Depende. Juan Carlos julga que, para construir uma estância balneária desse porte, você precisa se enfronhar na paisagem argentina, no espírito milongueiro, a fim de explorar o sabor único do país... palavras dele, não minhas. Nosso amigo diz que, antes de ser negociante, é um patriota.
Nicholas enfiou as mãos nos bolsos e mediu a sala luxuosa com passos irritados. Parando em frente à grande janela, olhou para o burburi­nho agitado de carros e gente que trafegavam pela avenida principal de Pasadena. Que diferença do litoral argentino! Em vez de neblina, buzi­nas e gritaria, lá havia a paz de um céu límpido, um mar cristalino e cre­púsculos indescritíveis. Seus dedos se fecharam na antiga e amassada página de revista que trazia guardada no bolso como talismã.
Aquele pedaço de terra atraíra-o no momento em que o vira, lembrando-lhe de imediato a velha fotografia. Era perfeito para a construção de um luxuoso hotel cinco estrelas, cercado de chalés de madeira e parques flo­ridos. Mas aquela cláusula era ridícula, para dizer o mínimo.
— Construímos mais de uma dúzia de hotéis de primeira classe, em países diferentes, e no curto espaço de oito anos. Todos foram projetados com o maior cuidado, a fim de não ferirem a beleza da paisagem, e você sabe disso melhor que eu. Juan Carlos também, diga-se de passa­gem. Quando mostrei a ele o esboço do projeto, só ouvi elogios.
Martin deu de ombros, suspirando.
— Que posso dizer? Ele mudou de idéia, Nicholas. Depois que você veio para cá, Juan Carlos me levou até a praia e falou horas seguidas sobre as belezas do lugar. Se quer minha opinião, o homem está dividido e infeliz. Não quer vender as terras, mas precisa do dinheiro.




A Feiticeira do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO

O romance nasceu naquela noite de mistério e feitiço...

Eles viveram um ritual de amor, doce... e perigoso!
De mãos dadas, eles foram girando em volta das pedras, repetindo o frenético ritual. 

A noite transpirava mistério, feitiço... o brilho das pedras mágicas sugerindo um passeio ao fantástico, ao abandono da realidade.
De repente, um vulto surgiu da escuridão e levou Prudence tão rapidamente que ninguém pode impedir. 

Era a noite das bruxas e elas haviam dado seu recado: não se brinca com o desconhecido!

Capítulo Um

É a mais deliciosa das sensações, Prudence pensou ao saltar novamente. Muito mais excitante que nadar, quase tão bom como fazer amor. Naquela tarde fria de outono, sob um clarís­simo céu azul, voava livremente ao sabor do vento em sua asa-delta, como um pássaro sobre os campos verdes cultivados, observando as casas das fazendas em miniatura, lá embaixo.
Ela dominava aquela região, conhecia as correntes de ar quen­te, que a mantinham planando durante horas. Voara pela pri­meira vez há três anos, e desde o primeiro instante adorara sentir-se como um pássaro, livre no silêncio do céu.
Uma corrente a elevou ainda mais. Agora conseguia enxer­gar o que havia atrás das montanhas, e as formações geológicas e pré-históricas da planície mais próxima. Aquele era um lugar muito especial para ela.
Manipulou os controles, virando o corpo para iniciar a des­cida. Um aglomerado de pessoas próximo à mansão chamou-lhe a atenção. Gostaria de identificá-las, ouvir o que diziam sorrin­do. Sentiu o vento no rosto enquanto perdia altura. Já mais próxima do solo, reconheceu um homem no meio do grupo lá embaixo. Ainda não tinha sido apresentada a ele, mas ouvira tantos comentários que não via a hora de encontrá-lo.
Ele acenou. Será que alguém havia dito que a garota que voava na asa-delta era a proprietária da pequena casa, perto do antigo hotel? Não. Provavelmente, se soubesse sua identidade, deixaria de lado os gestos cordiais e amigáveis.
O gramado que cercava a mansão pareceu-lhe um excelen­te local para pousar. Prudence manipulou os controles e, em poucos instantes, aterrissava com total segurança. Mal tocou o chão, começou a se desvencilhar das correias.
— Você está bem? — o homem perguntou ao se aproximar dela.
— Claro que estou bem. Talvez não possa dizer o mesmo quando os helicópteros estiverem sobrevoando a região!
Prudence admitia ter um temperamento agressivo, mas não pretendia declarar guerra a Jason Bellinger. As circunstâncias recomendavam tranquilidade e firmeza.
Vizinhos há alguns meses, era a primeira vez que conver­savam. O nome dele ficara conhecido quando o jornal publi­cou, para espanto geral, que Radstone Manor, uma antiga casa em estilo vitoriano, usada como hotel nos últimos anos, fora vendida para ser transformada num moderno e luxuoso centro de convenções e conferências.
Ninguém na cidade sequer desconfiava que o hotel estivesse à venda. Durante cinquenta anos permanecera nas mãos de uma mesma família, os Tilbury, mas, ao que tudo indicava, os últi­mos descendentes não ligavam para a tradição. Simplesmente venderam a casa e, com o dinheiro, instalaram-se numa moder­na e luxuosa vila em Denia.
Jason Bellinger trouxera uma equipe de sua própria firma de construção, a Bellinger & Merrick, para reformar a mansão e transformá-la num centro de convenções. A cidade se agitara com a novidade, principalmente quando o investidor acenara com a promessa de empregos para a população, pois precisaria de gente para administrar o centro.
Se alguns receberam a notícia da venda do imóvel com en­tusiasmo, isso não aconteceu com Prudence. Pelo contrário. Acabou com sua tranquilidade. A casinha onde morava, com­prada por sua mãe, estava dentro dos limites de Radstone Ma­nor e, por isso, fora procurada inúmeras vezes por advogados da Bellinger & Merrick para que vendesse o imóvel. Só que ela não tinha a menor intenção de sair dali. Reformara a casinha, deixando-a exatamente do jeito que gostava. Ela era seu peque­no mundo, seu refúgio, e não tinha sentido abandoná-la. E foi isso o que comunicou aos advogados, numa longa carta. Para ela, o assunto estava encerrado. É ponto final.


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Amor Único

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O segredo que ela escondeu…

Arden Wills ficou surpresa ao reencontrar o primeiro e único homem que já amou, o sheik Idris Baddour. 

Contudo, agora que teve de assumir o trono, ele tem muitas responsabilidades e deveres. 
Por isso, ela decide continuar escondendo seu precioso segredo. 
Porém, nem mesmo o tempo foi capaz de apagar o intenso desejo que sentem um pelo outro. 
E quando o beijo inesquecível que trocaram é divulgado por todo o mundo, a verdade é revelada: Arden tivera um filho de Idris. Para evitar um escândalo ainda maior, ele precisa legitimar seu herdeiro, transformando a bela Arden em sua rainha do deserto.

Capítulo Um

— Quero ser o primeiro a congratulá-lo, primo. Que você e sua princesa sejam muitos felizes.
Hamid estava tão radiante, que Idris deu um raro sorriso. Podiam não ser próximos, mas ele sentira falta do primo mais velho, depois que cada um seguira seu caminho. Idris em Zahrat, e Hamid, como professor, na Inglaterra.
— Ela ainda não é minha princesa, Hamid — disse Idris baixo, sabendo que, em meio às conversas de centenas de VIPs, haveria ouvidos ávidos por notícias sobre o casamento.
Por detrás dos óculos sem aro, os olhos de Hamid se arregalaram.
— Eu disse o que não devia? Ouvi dizer...
— Ouviu corretamente. — Idris abafou um suspiro. Toda vez que pensava no casamento, sentia-se acorrentado.
Ninguém o forçara. Ele era o sheik Idris Baddour, governante supremo de Zahrat, protetor dos fracos, defensor da nação. Sua palavra era lei em seu país, assim como na suntuosa embaixada, em Londres.
Mas ele não escolhera casar. O casamento era uma aliança necessária para garantir a linha de sucessão e provar que, apesar de defender reformas, ele respeitava a tradição de seu povo. Muitas coisas dependiam daquela união.
Fora difícil implementar mudanças em Zahrat. Conformar-se com um casamento tradicional apaziguaria os que ainda combatiam suas reformas. Quando ele assumira o governo, aos 26 anos, todos o tinham visto como um jovem imaturo. Depois de quatro anos, haviam mudado de ideia, mas era inegável que o casamento lhe daria o que uma liderança firme e a diplomacia não tinham conseguido.
— Ainda não é oficial — disse Idris a Hamid. — Você sabe como essas negociações são demoradas.
— Você é um homem de sorte. A princesa Ghizlan é bonita e inteligente. Será a esposa perfeita para você.
Idris olhou para a mulher cercada de admiradores, ali perto. Resplandecente no longo vestido vermelho que delineava suas curvas perfeitas, ela era a fantasia de qualquer homem. Somando-se a isso o seu perfeito entendimento da política do Oriente Médio e o seu charme, ele reconhecia ser um homem de sorte.
Mas não se sentia como um.
Nem mesmo a ideia de possuir aquele corpo sedutor o animava.
O que isso dizia sobre a sua libido?
Longas horas negociando a paz com dois países vizinhos. Inúmeras noites planejando estratégias para implementar reformas no país, que ainda tentava alcançar o século XXI.
E, antes disso, vários relacionamentos casuais com mulheres agradáveis, mas sem importância.
— Obrigado, Hamid. Com certeza, ela será. — Como filha de um governante vizinho, um instrumento para manter a paz e como mãe de seus filhos, Ghizlan seria valiosa. Ter herdeiros seria uma garantia de que seu país não voltaria ao caos que se instalara, quando seu tio morrera.
Idris pensou que talvez a sua falta de entusiasmo acabasse quando ele e Ghizlan estivessem dividindo o mesmo leito. Tentou imaginar seu cabelo negro espalhado sobre o travesseiro, mas só conseguia ver a imagem de cabelo ondulado da cor do sol ao amanhecer.
— Você deve ir à cerimônia. Será ótimo saber que você esteve lá, e não enterrado nesse lugar frio e acinzentado.
Hamid sorriu.
— Isso é preconceito. A Inglaterra tem seus encantos.
— Claro, é um país admirável. — Idris olhou ao redor, lembrando-se de que poderiam ouvi-los.
— Tem coisas que valem a pena — disse Hamid, abaixando ainda mais a voz. — Inclusive uma mulher muito especial, que eu quero que você conheça.
Idris arregalou os olhos. Hamid namorando a sério?

Sonho de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Encontros inesquecíveis
Para Holly Christmas, a noite que passou com seu sensual chefe, o milionário Connor Knight, foi quase um sonho. 

Ela sempre desejou tê-lo em seus braços, mesmo que fosse uma única vez.
Porém, algumas semanas depois, Holly descobre estar grávida. Mas para terem um futuro juntos, ambos precisam derrubar as barreiras que construíram em volta de seus corações.



Capítulo Um

Bile subiu pela garganta dele. Bile quente e amarga.
Connor Knight atirou o relatório do investigador sobre o tampo de mogno da escrivaninha, espalhando os papéis pelo ar como confete gigante, antes que flutuassem para o chão acarpetado do gabinete.
Através das portas envidraçadas atrás de si, escutou o vibrar dos motores da lancha, arrancando do atracadouro particular, levando o portador de más notícias para o outro lado do porto, para a cidade de Auckland.
O gosto vil na boca de Connor rivalizava-se com a malevolência dos atos da ex-esposa. Engoliu em seco, contudo, não poderia se livrar com tanta facilidade da irrefutável prova de sua traição.
Como se o apetite insaciável para festas e jogatinas não fosse o suficiente, ele agora sabia que aos seis meses de casamento, ela deliberadamente destruíra o bebê deles, a criança que sabia que ele queria… e providenciara a própria esterilização, em vez de correr o risco de gerar outros filhos.
Se não fosse por um comentário descuidado de uma das amigas dela em um recente evento beneficente, ele jamais teria descoberto. No entanto, o comentário fora tudo que ele precisava para dar início a uma investigação, e confirmar que ela mentira quanto ao aborto espontâneo.
Uma dor terrível rasgou-lhe o peito.
A prova da traição agora estava espalhada pelo chão… informações que lhe custaram caro, mas que valeram cada centavo gasto.
Uma cópia do formulário de internação dela em um hospital particular quatro anos atrás, as cobranças do anestesista, do cirurgião, do hospital. Dos procedimentos. Interrompimento. Esterilização.
E o tempo todo, ele não soubera de nada.
Quer dizer que, agora, ela queria mais dinheiro? Connor teria pago só para se ver livre dela… até receber as informações de hoje.
Já era ruim se dar conta de que, na época, ela o enganara com suas mentiras, a sua necessidade avarenta de agarrar tudo no caminho durante a breve união deles. Mas isto? Isto ia muito além.
As badaladas do relógio indicavam que já eram 9h. Droga! A reunião o atrasara para o escritório mais do que pensara.
Usando a função de viva-voz do telefone sobre a mesa, ligou para o seu escritório na cidade.
— Holly, estou um pouco atrasado. Algum recado, ou problemas?
— Nada de urgente, Sr. Knight. Eu remarquei a sua videoconferência para Nova York.
A voz gentil e agradável da assistente pessoal foi como uma calmante onda de sanidade, levando embora a loucura da manhã. Graças a Deus, ainda havia pessoas com quem podia contar.
Connor vestiu o paletó, ajeitou a gravata e, sem dar atenção ao relatório sendo esmagado sob seus pés, cruzou as portas envidraçadas, seguindo em direção ao helicóptero que aguardava para levá-lo de sua ilha para o distrito comercial no centro de Auckland.
SE HOLLY Christmas recebesse mais um vaso de plantas com um laçarote xadrez, iria gritar.
E daí que o aniversário dela caía na véspera do Natal?


Série Encontros inesquecíveis
1- Sonho de Sedução
2- Verdadeira paixão
3- Fruto da atração

Verdadeira Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Encontros inesquecíveis
Faltando nove dias para seu casamento, o noivo de Gwen Jones desapareceu, levando consigo todas as economias dela. 

Agora, para salvar a propriedade da família, Gwen precisa se casar com Declan Knight. 
Ele, por sua vez, só aceitou a proposta de Gwen porque quer colocar as mãos em sua herança. 
E, para isso, Declan precisa convencer a todos de que o amor entre eles é real…




Capítulo Um


— Seis semanas para fechar a proposta, meu camarada.
Declan Knight recostou-se na poltrona do seu escritório, e fez uma careta ante as palavras do irmão caçula ao telefone. Lançou um olhar irritado para o seu Rolex. É, seis semanas. Podia contar os segundos que lhe restavam para encontrar a noiva de que precisaria para a realização do seu projeto.
— Nem me lembre — rosnou.
— Ei, não tenho culpa se mamãe estipulou essa condição nos nossos fundos fideicomissos. Além do mais, quem poderia imaginar que você ainda seria um dos solteirões mais cobiçados da Nova Zelândia?
Declan permaneceu em silêncio. Mesmo do outro lado da linha, pôde sentir o desconforto instantâneo de Connor.
— Dec? Eu sinto muito, meu camarada.
— É, eu sei. — Declan tratou de interromper, antes que o irmão pudesse dizer outra palavra. — Eu preciso esquecer o passado.
Esquecer a realidade, quando não foi capaz de salvar Renata, a sua noiva, quando ela mais precisou dele. Por um instante, permitiu que o rosto dela passasse pelos seus pensamentos, antes de desaparecer no lugar onde mantinha o passado trancafiado… junto com a sua culpa.
— E então, quer sair hoje à noite? Quem sabe tomar um drinque? Mostrar o que é diversão de verdade nos locais quentes de Auckland? — A voz de Connor o trouxe de volta ao presente.
— Desculpe, já tenho compromisso.
— Bem, não precisa mostrar tanta empolgação. Do que se trata?
— A festa antes do casamento de Steve Crenshaw.
— Não está falando sério, está? Steve Veja-a-Tinta-Secar?
— Quem dera fosse brincadeira. — O lápis com que Declan esteve brincando entre os dedos se partiu, as metades caíram no chão. O seu sério e excessivamente cauteloso gerente de finanças ia se casar com a única mulher no mundo que era um lembrete constante do seu fracasso e da mais profunda traição. A mais antiga e melhor amiga de Renata, Gwen Jones.
— Talvez deva lhe pedir conselhos sobre como arrumar uma esposa.
Um relutante sorriso se desenhou nos lábios de Declan, ante o tom jocoso do irmão.
— Eu acho que não — retrucou.
— Deve ter razão. Muito bem, então. Não faça nada que eu não faria. Tchau, irmão.
Declan lentamente devolveu o aparelho à base. Não era que lhe faltasse mulheres. Muito pelo contrário. Mas a verdade é que não queria se casar com nenhuma delas. Não havia uma única que não fosse esperar declarações de eterna devoção… devoção que ele era incapaz de dar.
Já estivera nessa situação, já fizera isso antes. Carregaria as cicatrizes para toda a vida. Perder Renata foi a pior coisa que lhe aconteceu. Jamais tomaria essa estrada novamente. E jamais faria promessas que, sabia, não seria capaz de cumprir. Não fazia, nem nunca faria, o seu estilo.
Se não fosse o seu negócio no qual investiu suas energias quando Renata morreu, poderia muito bem ter sido enterrado com ela. De certa forma, provavelmente foi o que aconteceu, mas tratou-se de uma escolha que ele fez.
Girando para fora da poltrona, seguiu para o chuveiro no banheiro antigo do prédio art déco convertido, mais uma vez grato por manter um banheiro completo plenamente funcional no escritório. Sentia um orgulho inesgotável em basear o lado administrativo do seu trabalho ali, no seu primeiro projeto completado, aquele que seu pai disse que jamais seria bem-sucedido.



Série Encontros inesquecíveis
1- Sonho de sedução
2- Verdadeira paixão
3- Fruto da atração

Fruto Da Atração

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Encontros inesquecíveis
Mason Knight jamais perdoou Helena Davies. 


Após a noite inesquecível que tiveram, ela se casou com outro homem. 
Doze anos depois, Helena reaparece em sua vida, afirmando que o filho que tivera era, na verdade, de Mason. 
Agora, o poderoso magnata tem a oportunidade perfeita de se vingar… da forma mais sensual possível a convencer a todos de que o amor entre eles é real…



Capitulo Um

O presente…
— É BEM simples, Helena. Se não me passar o controle da metade de Brody do negócio nos próximos trinta dias, vou fazer de tudo para garantir que o mundo saiba exatamente como você e o meu pai se conheceram. Vamos ver como o seu filhinho precioso se dará na escola depois que todo mundo souber desses detalhes suculentos.
Ele sabia? Como diabos descobrira? Helena sentiu um frio na barriga. Apesar do seu cuidado para esconder o passado, era algo que sabia que poderia vir à tona a qualquer momento nos últimos 12 anos. Não deveria estar surpresa que fosse por intermédio de Evan, o filho mais velho de Patrick.
Sentiu o coração se apertar por Brody. 

Ele acabara de retomar as aulas no internato exclusivo e, relutante em deixá-la e facilmente irritável, estivera tendo problemas desde a morte súbita de Patrick. Tudo compreensível, é claro. Como ele se sairia na escola durante esse difícil período de adaptação já a preocupava bastante. Se Evan espalhasse o seu segredo venenoso, a vida de Brody se tornaria um inferno. Ela não permitiria que isso acontecesse.
Mas o que diabos poderia fazer? Já entrincheirado na empresa como diretor de marketing, desde o dia do enfarto fulminante de Patrick, Evan exercera o seu poder como novo proprietário parcial da Davies Freight para assumir a cadeira de Patrick e o processo de tomar as decisões. 

Com a demanda de lidar com o sentimento de perda de Brody, sem falar no seu próprio, não lhe restara energia para lutar nas salas de conferências da empresa. Esta semana, enfim retornara para o escritório, onde era encarregada da supervisão administrativa da empresa. 
ão demorara muito para descobrir que Evan assumira tudo.
Evan jamais apreciara, nem entendera, o amor que o pai tinha pelo ambiente natural da indústria, nem a cautela de seus planos de expansão. Não, tudo que via era uma maneira de manter o seu luxuoso estilo de vida e o modo mais rápido de se ver livre dela. Se Evan mantivesse o rumo atual tocando a empresa, o negócio estaria falido em menos de um ano.
Ela crescera tendo que economizar cada centavo. De modo algum permitiria que o mesmo acontecesse com o seu filho.

Uma expressão de desprezo cruzou o rosto do enteado, deixando bem claro que, independentemente do quanto ele fora friamente cortês com ela enquanto o pai estava vivo, a história agora, sem sombra de dúvidas, era outra. As unhas de Helena se fincaram nas palmas de suas mãos, enquanto se esforçava para não o esbofetear na cara presunçosa. 
Sem dúvida, ele esperava que ela fosse fazer exatamente isso. Com as suas conexões, poderia acusá-la de agressão e providenciar para que o filho fosse retirado de sua guarda. Depois, poderia fazer o que bem quisesse com a parte de Brody da empresa. Sim, sem dúvida ele adoraria que isso acontecesse, contudo, no que dependesse dela, o inferno congelaria antes.
O que mais a assustava é que, se Evan descobrira toda a verdade, ele se deliciaria em destroçar o irmão muito mais jovem.
Com os recursos que tinha à disposição, sabia que ele teria pessoas tentando levantar sujeira a respeito dela…



Série Encontros inesquecíveis
1- Sonho de sedução
2- Verdadeira paixão
3- Fruto da atração

O Signo da Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Cherry descobriu que o amava… e que precisava esquecê-lo!

Quando as luzes se apagaram e o elevador parou, Cherry entrou em pânico. 
Todo seu esforço em se controlar caiu por terra e por pouco não se pôs a gritar.
Foi então que aqueles braços envolventes a aprisionaram, os lábios dele queimando-a de desejo…
Voltou a si com o impacto da claridade e olhou assustada ao redor. Tudo estava como antes, a não ser a estranha sensação de ter cometido um grande erro.
Capítulo Um

— Sra. Simson, quer me acompanhar, por favor? O sr. Moore a receberá agora.
Cherry Simson estava tranquila, apesar da entrevista que faria a seguir. Já se encontrara várias vezes no decorrer de três anos com Alec Moore e o achava simpático.
 Além disso, por que deveria ficar nervosa, se pouco importava conseguir ou não o emprego?Seguiu a moça do Departamento Pessoal até o elevador acarpetado, com fundo revestido de espelho envelhecido. A matriz da Silver & Silver Ltda. era luxuosa.
Embora trabalhasse para a companhia há três anos, era a primeira vez que Cherry entrava ali. Localizada na zona oeste de Londres, a matriz ocupava um prédio de cinco andares. As plantas viçosas nos corredores, o carpete espesso e a decoração sofisticada não a impressionaram, pois era exatamente o que esperava encontrar. A Silver & Silver Ltda. era uma empresa sólida, com uma tradição de quase um século de existência.
A firma projetava, fabricava e instalava sistemas de ar condicionado, tanto para o mercado interno quanto externo. A expansão verificada nos últimos dez anos fora particularmente acentuada, sob a liderança de Leon Silver, que Cherry não conhecia.
— Conhece o sr. Moore? — a moça do Departamento Pessoal perguntou quando chegaram ao quinto andar, ocupado pela Diretoria.
— Sim, ele foi várias vezes conversar com o meu chefe na filial de Bristol. — Num gesto involuntário, Cherry passou a mão pelos cabelos castanho-escuros que emolduravam um rosto de pele clara. Havia se vestido para a entrevista como de costume, com elegante simplicidade.
Apesar de indiferente ao resultado da entrevista, os belos olhos de tonalidade incomum examinavam com interesse tudo à sua volta. Nas paredes do corredor pelo qual seguiam, havia uma série de rotos de equipamentos e instalações da fábrica em Southampton.
Entraram por uma porta indicando “Alec Moore, diretor de vendas” e foram recebidas por uma secretária extremamente atraente, de cabelos arruivados e sorriso amável.
— Bom dia. Sou Karen Black, secretária do sr. Moore. Ele está atendendo um telefonema internacional no momento. Queira aguardar, sim? Sente-se, por favor.
— Obrigada.
— Está entregue, então. — A funcionária que acompanhava Cherry entregou uma pasta a Karen e saiu. — Boa sorte, sra. Simson.
— Obrigada.
Se a entrevista com Alec Moore corresse tão bem quanto a prévia de meia hora com a chefe do Pessoal, Cherry logo estaria ocupando o lugar da atual secretária.
Mas era isso mesmo que queria? Ser secretária do diretor de vendas da empresa? Valeria a pena trabalhar ali, na matriz, se para isso teria de se mudar para Londres?
Seus pais é que desejavam isso. Por mais que a amassem, achavam ser melhor para a filha sair de Bristol, a cidade onde sempre viveu.
— Faz três anos, Cherry…

A Herdeira dos Diamantes

ROMANCE CONTEMPORÂNEO



“Você brilha como um diamante, mas é tão fria quanto gelo”

Susan entrou no salão e todos os olhares concentraram-se nela. 

Os convidados deviam estar se perguntando por que aquela jovem inglesa estava em Luanda, na África, ostentando seu belo vestido de seda e os preciosos diamantes da família, enquanto o país vivia uma sangrenta guerra civil. 
A amabilidade forçada das pessoas começou a irritá-la. 
Mas foi o comentário do homem designado para protege-la que a desconcertou: “Odeio mulheres como você, odeio tudo o que representam”

Capítulo Um

O som de risos e conversas dos convidados enchia o ar quente e úmido da noite, chegando até Susan. Sozinha, no grande terraço de pedra, ela olhava para os telhados dos edifícios da Mina Lambouchere e, mais ao longe, o vale. 
O luar da noite africana atravessava a folhagem de uma imensa árvore, iluminando-lhe os cabelos castanho claros e fazendo brilhar os fios de prata do seu vestido branco.
Suspirou, tentando ignorar o suor que molhava suas costas.
Por que ela tinha ido para aquele país horrível? No dia anterior, assim que o avião aterrissou no aeroporto e ela deixou o ar refrigerado para caminhar sob o calor úmido e insuportável, percebeu que havia cometido um erro. Luanda era "a terra esquecida por Deus", segundo seu tataravô. E, ao sentir a desconfortável sensação do vestido colado ao corpo esguio, ela logo achou que ele tinha razão.
Abriu a bolsa e tirou um lenço para enxugar as gotas de suor que lhe cobriam a testa. Ela não só tinha chegado na estação mais quente do ano, como também não conseguira fazer amigos. 
As pessoas que conhecera ficavam pouquíssimo à vontade na sua presença, como seria de se esperar, em se tratando de uma jovem e milionária herdeira.
Afinal, quando viera para ali, já sabia o que iria enfrentar. E como deixaria de saber, se Luanda era a maior fonte de riqueza da sua família? Pelo que se lembrava, seu pai mesmo nunca havia visitado o país, preferindo viver em solitário esplendor, trancado na imensa mansão da família até o dia em que morreu.
E quanto a ela? Suspirou outra vez. 
Tinha viajado muito, é verdade, mas sempre no aborrecido círculo da alta sociedade. Só há pouco tempo é que tinha, de fato, entendido o sentido do que seu pai sempre dizia: "O grande aborrecimento de ser rico é ter de viver com os ricos". 
Será que era por isso que se sentia tão apática e deprimida ultimamente? Antes de chegar ao país, pensou que Luanda seria diferente. O que entendia por "diferente" não lhe era muito claro, mas esperava encontrar no coração da África algo que realmente valesse a pena; algo que desse um sentido à sua vida, libertando-a da interminável roda-viva de prazeres superficiais.
Suas ilusões se desfizeram já no caminho entre o aeroporto e a cidade, quando viu, com horror, as condições em que viviam os habitantes. As casas não eram mais do que barracos miseráveis e a população, na sua maioria, parecia doente e desamparada. À noite, tinha sido difícil pegar no sono, com a lembrança das criancinhas de barrigas dilatadas por doenças, os braços e pernas esqueléticos cobertos de feridas.
Tinha consciência de que não poderia fazer nada pelas condições de vida do país, mas queria garantir, quando fizesse a visita oficial às minas no dia seguinte, que pelo menos os trabalhadores empregados pela Companhia Lambouchere tivessem moradia decente!



Nosso Amor Eterno

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Nada podia separá-los, nem mesmo o tempo ou a distância...

Durante anos Jennifer e Chad comunicaram-se por telepatia. 

Podiam conversar sem nunca terem se visto, e esse estranho poder que os unia tornou-os mais íntimos do que se tivessem crescido juntos. 
Dividiam alegrias e tristezas, partilhavam sonhos, brigavam e se reconciliavam... sempre em pensamento. Mas então chegou o momento em que a vida os colocou face a face. 
Chad ganhou um rosto, e Jennifer não conteve a surpresa ao descobrir quem era aquele homem a quem amava com todas as forças de seu coração...

Capitulo Um

O tique-taque do relógio era o único som na sala além da televisão. Jennifer Chisholm acordou assustada e abraçou Sam, o gato malhado, deitado sobre sua barriga. Os pontei­ros marcavam duas horas da madrugada.
Ela espreguiçou-se e reconstituiu, mentalmente, o dia atri­bulado que tivera. Trabalhara como nunca. O Sr. Cameron encontrava-se em viagem de negócios e todas as vezes que isso acontecia o escritório ficava sob sua responsabilidade. E só Deus sabia o quanto era difícil lidar com uma firma de investigação de seguros.
No entanto, o dia seguinte seria sábado e Jennifer sorriu, satisfeita. A possibilidade de descansar por um fim de sema­na inteiro a colocava em estado de graça.
— Sinto muito, Raio de Sol. Acho que desta vez estou mes­mo em apuros.
Fora essa frase que acordara Jennifer. Chad, mas uma vez, estava se comunicando com ela. A surpresa, contudo, não era devida ao fato de estar ouvindo coisas, quando na reali­dade não havia ninguém ali na casa. Estava acostumada com isso. O que a perturbava era que, desde que mandara Chad embora alguns meses antes, não recebera mais nenhum tipo de notícias. Havia somente uma pessoa que a chamava as­sim. Alguém que não precisava de telefone ou estar presente para comunicar-se com ela.
Quando criança referia-se a essa pessoa como o amigo in­visível. Alguns adultos achavam graça e encaravam a histó­ria como uma brincadeira. Outros, porém, sentiam pena dela e comentavam que todo filho único era solitário e que, por isso, inventava um amigo para distrair-se.
Jennifer nunca fora capaz de convencê-los de que não era invenção e, com o tempo, desistira de explicar o que real­mente se passava entre ela e Chad.
— Chad, meu querido amigo, o que aconteceu?
Sem saber direito por quê, Jennifer pressentia que o ami­go estava agitado, que não se sentia bem. Alguma coisa pa­recia errada.
— Nada que você possa remediar. Queria somente te di­zer como o nosso contato foi importante para mim durante todos esses anos.
Jennifer não se lembrava de ter ouvido qualquer elogio da parte de Chad antes. Ao contrário, todas as vezes que se co­municavam, ele a irritava e provocava. No entanto, agora, parecia arrependido. E, pior que isso, Chad falava como se estivesse se despedindo dela.
Contrariada, tentou levantar-se e, para isso, empurrou o gato adormecido. — Quer sair de cima de mim? Você está pesando uma to­nelada!
Peço desculpas por perturbá-la numa hora dessas. De­veria saber...
Não vá, Chad! — Jennifer retrucou. — Estava falan­do com Sam.
Sam?
Meu gato. Não se lembra? Eu o tenho já há alguns anos.
Não me lembrava do nome.
Por favor, diga-me o que está acontecendo. Você pa­rece diferente.
Isso não é importante. Só queria que soubesse, Raio de Sol, que eu te amo muito... sempre amei.
Chad a amava?

Encontro em Roma

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


“Eu te amo Lynette, não haverá mais mentiras entre nós...”.

Renato afastou um instante o rosto da mulher que abraçava e a contemplou. 
O luar se esgueirava por entre as árvores, envolvendo-os em seu pálido clarão.
“Lynette se parece com uma pérola, suave e perfeita”, pensava ele. 
“Merece tudo que um homem possa lhe dar”. Mas o preço que ela lhe exigia mostrava-se alto demais. 
Seria preciso sufocar os apelos de seu coração e denunciá-la. Sim, teria de fazer isso. Aquela mulher era uma ladra!

Capitulo Um

Lynette Hallam consultou o relógio e, aflita, constatou que já estava atrasada. Sentada no banco traseiro do táxi, pediu ao motorista que fosse mais rápido. Este, porém, respondeu-lhe com um olhar de desprezo que lançou pelo espelho retrovisor.
— Milionárias — ele resmungou, irritado.
Não, Lynette não era tão rica assim, mas estava prestes a conhecer um dos homens mais poderosos da Europa: Renato Bardini.
Jamais vira homem tão insistente. No dia anterior, a gerente da agência de empregos ligou para contar-lhe a respeito de um cliente que estava interessado em contratar uma enfermeira que falasse italiano.
— É o trabalho ideal para você. Você fala a língua, é solteira e pode viajar. O Sr. Bardini precisa de alguém para cuidar da tia dele, em Roma.
— Sinto muito, Sra. Adams, mas não posso ir para Roma.
— Por que não?
— É muito longe.
— Ora, Lynette, você nunca se importou em viajar!
— É verdade. Mas não para a Itália.
— Mas é um lugar tão lindo! Este emprego pode ser excelente; nem preocupação com família você tem! E o seu italiano é ótimo. — a gerente insistiu.
— Ora, o italiano não faz parte das minhas qualificações. E a senhora descobriu que eu falo essa língua por acaso!
— E daí? O que importa é que você precisa de emprego, não é? No ano passado, você foi à França. Que diferença faz ir agora para a Itália?
"Faz muita, uma enorme diferença", Lynette pensou. E, em seguida, perguntou:
— Mas por que ele não procura uma enfermeira italiana?
— Sei lá. Isso é problema dele... Mas eu vou te dizer uma coisa: o pagamento é ótimo. Eu, se fosse você, pensaria melhor...
— Sinto muito, mas não estou interessada — Lynette respondeu com firmeza.
— Não consigo entender esta recusa... O emprego me parece excelente! — a Sra. Adams concluiu, desligando.
Um pouco mais tarde, tornou a ligar para dizer a Lynette que o Sr. Bardini queria falar com ela.
— Não adianta, eu não vou mudar de opinião.
— Mas eu acho que não lhe custaria nada falar com ele. Seria muita indelicadeza não comparecer ao encontro que ele propôs, ainda mais que eu a recomendei... Você está me desapontando, sabia? Fique sabendo que estão sobrando enfermeiras por aí.
Nisso Lynette precisava concordar com a Sra. Adams. Se não aceitasse aquela proposta de emprego, sabia que tão cedo não receberia outra.
— Está bem, eu falo com ele. Mas avise-o de que não estou interessada em ir à Itália.
Naquele momento Lynette estava a caminho do Hotel Ritz, onde deveria encontrá-lo à uma hora. Sentia-se mal só em pensar que tomaria contato com um italiano. Procurava se acalmar, dizendo a si mesma que já superara tudo, pois quatro anos já tinham passado... Ainda assim, tinha muita mágoa naquele coração que sofreu aos dezoito anos...
O pior é que um sentimento de culpa a havia atormentado por muito tempo. Ela fugira e, quando reapareceu de seu esconderijo, trazia no peito muitas amarguras, um novo nome e diversas rugbas começavam a vincar-lhe o rosto. Transformara-se numa mulher madura, cujos olhos tristes eram o único indício da felicidade perdida.
— O Ritz é ali. — O motorista parou o carro, apontando para o outro lado da avenida.
De volta à realidade, Lynette pagou a corrida e, apressada, passou a andar em direção ao hotel.
Lá chegando, estranhou que ninguém se identificasse como sendo o Sr. Bardini. Dirigiu-se então à recepcionista, que, após anunciá-la, fez com que subisse à suíte do Sr. Bardini.
Ele mesmo atendeu à porta, mostrando-se muito simpático. Bronzeado, tinha olhos e cabelos castanhos e vestia-se com elegância.
Por um momento ficou parado, de olhos fixos em Lynette.
— Srta. Hallam?
— Eu mesma.
— Sou Renato Bardini. Entre, por favor.
Lynette surpreendeu-se ao ver, junto à janela que dava para a varanda, uma mesa posta para dois.
— Acho que já percebeu minhas intenções...


Estranho Sedutor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Atropelar Ian Wykoff tinha sido um tremendo azar para Janet. 

Desistira de ir à Grécia, encontrar seu noivo, para pagar o hospital. 
Mas Ian ainda exigia mais: “Você ainda está em dívida comigo, doçura. 
Quem sabe, amanhã, quando acordarmos juntos...” Janet arregalou os olhos, indignada. Aquele estranho teria coragem de exigir que dormisse com ele?





Capítulo Um

Janet aproximou-se das plantas colocadas no peitoril da janela e respirou fundo. Sentia-se bem, animada.
— Tenho a impressão de que hoje vai ser um dia muito especial, em que nada pode dar errado.
Olhou para o céu ainda escuro, sem nuvens, notando que os primeiros raios cor de púrpura começavam a aparecer no horizonte. 
Tinha que se apressar, se quisesse ver o Sol nascer no lugar certo.
A água que ela havia posto no fogo já estava fervendo e logo um cheiro bom de café se espalhou pela casa. Janet colocou-o numa garrafa térmica e consultou o relógio.
 Quase quatro e meia! Precisava correr! Engoliu uma xícara de café, mastigou umas bolachas, colocou o resto do pacote na cesta de lanche e ainda pegou uma maçã, para comê-la enquanto dirigia. Um sorriso radiante enfeitava seu rosto e iluminava seus olhos verdes.
O que Fred diria, quando descobrisse essa sua mania de pintar cenas marinhas de madrugada? Nos dois anos em que tinham lecionado juntos, ele nunca tivera oportunidade de saber dessa excentricidade.
Durante o inverno frio da Nova Inglaterra, Janet se limitava a ser uma eficiente professora de arte, responsável e muito conceituada. Mas no verão tornava-se diferente, embriagada pelo calor do sol, entusiasmada com as eternas mudanças do mar.
Fred, por sua vez, aproveitava as férias para ir à Grécia fazer seus trabalhos de arqueologia, encantando-se ao desenterrar antigas peças de cerâmica ou metal.
Bem, de qualquer modo, em breve ele ia descobrir muitas particularidades da vida de Janet. 
Na verdade, na semana seguinte estariam juntos; iam ter bastante tempo para se conhecerem melhor.
Janet desceu os degraus da escada de madeira procurando não fazer barulho, para não acordar os vizinhos. Tinha que mandar consertar aquela escada, mas deixaria isso para depois.
Havia varias coisas por fazer naquela casa, mas acabara de comprá-la e no momento não tinha dinheiro para nada.
Alcançou a rua e olhou para o céu, preocupada. Será que ainda daria tempo de chegar à praia antes de o Sol nascer? Respirou fundo, inalando o ar da manhã de junho. Verão em Newport, Rhode Island! Poderia haver coisa melhor na vida?
Seria uma pena largar tudo aquilo para ir até a Grécia, mas por lá também haveria coisas maravilhosas... E, de qualquer jeito, agora era tarde demais para pensar em mudar de planos.
Onde tinha estacionado o carro? Janet olhou os veículos parados junto à calçada. Não lembrava direito. Há três dias não saía com ele, porque o seguro estava vencido e não valia a pena 'Se arriscar. 
Como o dinheiro era pouco, ela tivera que escolher: ou pagava um novo seguro ou ia para a Grécia. Portanto...
Viu seu velho carrinho parado atrás de um Ford verde-escuro. Chegou junto dele e abriu a porta, colocando o material de pintura no banco traseiro. Depois se acomodou atrás do volante, deu partida e seguiu pela rua silenciosa.
Janet era assim mesmo: decidida, inquieta, impulsiva. Tinha herdado da mãe essas características. Por outro lado, Fred era sensato e comedido. 
Há três anos esperava pacientemente que ela decidisse se casar e fora recompensado: Janet finalmente cedera. Ela ainda tinha uma semana para pintar as cenas maravilhosas da Nova Inglaterra, antes de voar ao encontro do noivo.

Talento para Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




Dois homens entravam ao mesmo tempo na vida de Polly

Polly sentia-se nas nuvens. 
Diante dela, sorrindo encantador, encontrava-se Dexter Grant em pessoa, o famoso astro de cinema. 
Valera a pena arrebentar a bicicleta contra um carro para chamar-lhe a atenção.
O dono do automóvel, no entanto, não parecia achar graça nenhuma na situação. 
Furioso, o belo desconhecido puxou Polly do chão e a obrigou a encará-lo: “Você é louca, garota?”, perguntou num tom ríspido, fazendo-a perceber que se envolvera numa tremenda confusão...

Capítulo Um

— O que é que você vai fazer agora? — Marjorie Slater olhava fixamente para a filha, mas Polly evitava encará-la, continuando a mexer o molho que estava preparando.
— Polly, agora que está desempregada outra vez, o que vai fazer?
— Arranjar outro emprego, mãe. Não será tão difícil, você vai ver.
— Outro emprego como datilógrafa?
— E por que não? Olhe aqui, você acha que preciso colocar mais creme de leite ou não?
— Não mude de assunto, Polly. Você perdeu seu emprego, e eu quero saber o que pretende fazer da vida.
— Eu não perdi o emprego, exatamente. Era um trabalho temporário, mãe, e você sabia disso. O sr. Ridley me manteria mais tempo, se pudesse.
— Não me fale daquele machista! Contrata meninas que acabaram de sair da escola só para poder pagar salário mínimo!
Polly gostava do sr. Ridley. Via com simpatia a luta daquele homem tão gentil em manter um escritório humilde, e já fazia menção de defendê-lo, quando Marjorie a deteve com um gesto autoritário.
— Eu lhe fiz uma pergunta, mocinha. Você pretende ficar arrumando empreguinhos temporários em escritórios pelo resto da vida? Ou tem outros planos? O que você deseja fazer, afinal?
Antes de responder, Polly abaixou-se para apanhar o palito de fósforo que a mãe jogara no chão depois de acender um cigarro.
— Eu sei o que gostaria de fazer. Queria entrar numa escola de arte culinária. Não adianta fazer essa cara, mãe. Foi você que perguntou!
— Uma coisa tão medíocre! Típico trabalho feminino… Isso é atraso de vida, Polly!
— Não vejo o que há de tão humilde em cozinhar.
— Você sabe muito bem o que eu quero dizer. Ficar o dia inteiro em volta do fogão! Um papel imposto, isso sim. Não passa de um truque masculino para manter as mulheres em posição inferior!
— Se eu não ficar o dia inteiro em volta do fogão, nós duas vamos morrer de fome. Você não sabe nem abrir uma lata!
— Não me importaria tanto, se você tivesse alguma ambição material. Se almejasse abrir um restaurante ou trabalhar em restaurantes sofisticados… Mas não, eu a conheço muito bem! Se eu permitir que você faça esse curso, vou terminar vendo minha própria filha escravizada numa cozinha horrorosa por algum marido com a barba por fazer e uma lata de cerveja na mão! E o pior, você vai adorar isso! 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Coração em uma corrente

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Kate tem 17 anos e tem vivido toda a sua vida na pobreza extrema, com um pai alcoólatra e uma mãe viciada em medicamentos, que abusa gravemente de Kate. 

Na escola, suas roupas de segunda mão são como uma marca de alvo. 
Sua recusa em se defender à torna o alvo de ridicularização e intimidação de seus colegas. Isto é, até o retorno de Henry.
Henry Jamison afastou-se há seis anos, quando ele e Kate tinham começado a desenvolver sentimentos um pelo outro. 
Ele retorna para encontrar a menina, engraçada, extrovertida brilhante que tinha conhecido agora timidamente escondida nos cantos, sem falar com ninguém ao seu redor, desconfiando mesmo dele.
Kate não consegue descobrir qual jogo que Henry está tentando com ela. O que o grandioso garoto de seu passado poderia querer com ela?
Kate finalmente decide confiar nas intenções de Henry, abrindo seu coração para ele. Justamente quando parece que ela pode ser verdadeira em sua amizade, uma tragédia acontece, ameaçando tudo em que Kate tem trabalhado para vencer. Henry pode ajudá-la a superar essa nova devastação, ou separá-los para sempre?

Capítulo Um

Wham!
Ela me golpeia com a parte de trás da mão atirando-me ao chão. Eu levanto e olho para ela, pensando em um nano segundo se eu devo ficar para baixo ou ficar em pé. Atrapalho-me com os pés, encolhendo-me ligeiramente em me preparar para o próximo ataque, garantido se eu a interpretar erroneamente.
Eu não reajo. Ela se move para longe de mim com uma decepção familiar.
-Limpe a bagunça que você fez, Kate - murmura, chutando a mesa com os restos de seu almoço que tinham caído no chão do seu lado da mesa quando eu caí.
-Tudo bem, mãe. Ela se vira, com a ameaça em sua pose.
- Então, você está respondendo?
-Não mãe, me desculpe. - Eu odeio o tom bajulador da minha voz, mas eu sou impotente contra ela, como estou em mudar o rumo da minha vida.
Pego as sobras com as minhas mãos, reunindo-as de volta para o prato e coloco-o de lado. Limpo um par de frascos de prescrição, que tinham caído na confusão, com a frente da minha camisa. Eu coloco os frascos caídos sobre a mesa no seu devido lugar, dentro do grupo de pequenos frascos marrons. Ela sabe exatamente o que está em cada um deles para a sua localização.
Espontaneamente, a foto que tenho escondida debaixo do meu colchão desliza em minha mente. Nela, minha mãe está no quintal com meu pai e comigo, rindo e amando, jovem e bonita, e muito grávida.
Eu tinha nove anos na época, prestes a começar a quarta série, que foi emocionante porque eu pensava estar cada vez mais próxima de atingir a sexta série que era muito legal porque era a classe sênior.
No dia em que a foto foi tirada, meu pai trouxe para casa uma surpresa de aniversário para mim. Meu aniversário é em fevereiro, mas meu pai não podia esperar. Ele queria que eu a tivesse antes, assim poderia apreciá-la antes que a neve caísse.
Enquanto levo o prato sujo de minha mãe para cozinha, olho para fora da janela, para a surpresa de aniversário que tive há muito tempo. É um balanço, de um aço resistente em forma de A, normalmente não é encontrada nos quintais, mas sim num parque público. Foi feito para durar um longo tempo, mesmo agora é quase a mesma, só o brilho opaco trai sua idade. Três reformas cuidadosas, pendurada por longas correntes. Os homens corpulentos lhe fixaram sobre os postes de cimento nas profundezas da terra para que ela não tombasse. Eles disseram que eu tinha que esperar três dias para balançar sobre ela, para o cimento endurecer.
Três dias é uma eternidade para uma menina de nove anos de idade.
Em três dias, eu aprendi que uma eternidade de mudanças podem ocorrer.


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A Noite dos Prazeres

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O mal educado rancheiro Carson Wayne queria aprender boas maneiras para conquistar uma mulher, e Mandelyn Bush era a única pessoa da cidade, que tinha educação suficiente para realizar esse trabalho. 


Nenhuma outra mulher se atrevia a aproximar-se dele, e para Mandelyn seria uma árdua tarefa tentar transformar esse homem em um refinado cavalheiro.




Capítulo Um

A princípio, Mandelyn pensou que os golpes soavam dentro da sua cabeça, já que fora para a cama com uma forte enxaqueca. Mas quando os golpes na porta tornarem-se mais fortes, sentou-se na cama e olhou a hora no relógio de parede.
Era uma da madrugada, e não poderia imaginar que alguém no rancho queria despertá-la a essa hora, por motivo nenhum.
Levantou-se de um salto e colocou um robe sobre a camisola.
Seus olhos cinza refletiam a preocupação que a embargava enquanto atravessava a casa para abrir a porta. 
Era uma casa como a de todos os ranchos da região e, de onde estava cravada, podiam contemplar-se as Montanhas Chiricahuas, a sudeste do Arizona.
— Quem é? — perguntou ela com o clássico sotaque de Charleston, onde nascera.
— Jake Wells, senhorita — respondeu uma voz do outro lado da porta.
Era o capataz de Carson Wayne. Sem que fosse necessária uma só palavra de explicação, ela soube o que estava acontecendo e a razão pela qual a tinham acordado.
Abriu a porta e recebeu o alto e loiro homem com um sorriso preocupado.
— Onde está? — perguntou.
O homem tirou o chapéu suspirando.
— Na cidade, no bar Rodeio.
— Está bêbado?
O capataz hesitou um instante.
— Sim, senhorita — disse por fim.
— Esta é a segunda vez nos últimos dois meses.
Jake encolheu os ombros e começou a manusear o chapéu.
— Acho que ele está preocupado com a falta de dinheiro — aventurou-se Jake.
— Não acredito — murmurou ela — Já faz alguns meses que tenho um comprador para esse pedaço de terra dele, mas não quis nem pensar no assunto.
— Srta. Bush, sabe o que ele pensa dessas urbanizações. Essas terras estão em sua família desde a guerra civil.
— Tem milhares de hectares! — Explodiu ela. — Não diga mais nada. Acha que justamente esse pedaço de terra, fará falta para ele?
— Bom, é que é fica justamente onde está a casa principal.
— Pois não parece que a esteja usando muito.
Ele se limitou a encolher os ombros como resposta ao comentário de Mandelyn.
Alguns minutos depois, vestida com uns jeans, uma camisa de jersey amarelo e uma jaqueta de pele, ela estava sentada ao lado de Jake na caminhonete do rancho de Carson Wayne.
— E por que não foi pedir a outra pessoa que o ajude? — perguntou aborrecida.
— Porque você é a única pessoa no vale que não está zangada com ele.
— E por que você e os meninos não podem levá-lo para casa?