quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Tentado pela Meia-Noite

ROMANCE SOBRENATURAL 
 Raça da Meia-Noite

Uma vez, eles viveram em segredo ao lado da humanidade. Agora, emergido das sombras, a Raça enfrenta inimigos em ambos os lados, tanto humanos quanto vampiros. 

Ninguém sabe disso melhor que Lazaro Archer, um dos mais antigos, mais poderosos de sua espécie. 
Sua amada companheira e família foram massacradas por um louco vinte anos atrás, Lazaro se recusa a abrir seu coração novamente.
Sob o juramento de seu dever como líder de uns dos Centros da Ordem, localizado na Itália, a última coisa que o endurecido guerreiro quer é estar encarregado do resgate e custódia de uma mulher inocente que precisa de sua proteção. Mas, quando uma missão secreta toma um rumo mortalmente errado, Lazaro se encontra no improvável papel de herói com uma familiar beleza intrigante que ele não deveria desejar, mas não pode resistir.
Melena Walsh nunca esqueceu o audacioso macho da Raça que salvou sua vida quando criança. Mas, o cavalheiresco herói de seu passado é totalmente diferente do amargo e perigoso homem do qual sua segurança depende agora. E com um indesejado, mas não negado, desejo acendendo entre eles, Melena teme que a proteção de Lazaro tenda a vir com o preço de seu coração…

Capítulo Um

Ele viveu por mais de mil anos, tempo suficiente para que poucas coisas ainda tenham o poder de maravilhá-lo. O mar à noite era um desses prazeres raros para Lazaro Archer.
Parado no terceiro nível do convés da proa de um brilhante, e privado, mega iate de 279 pés na costa ocidental da Itália, Lazaro apoiou suas mãos no corrimão de mogno polido e entregou seus sentidos em uma leve apreciação ao ambiente enluarado.
O salgado ar mediterrâneo encheu suas narinas e desarrumou seu cabelo preto. A brisa tardia de verão era fresca à noite, com rajadas rítmicas em direção à costa italiana. A escura e ondulante água se espalhava em todas as direções abaixo do brilho branco das espaçadas nuvens e do cobertor de estrelas. Logo abaixo, ondas rolavam com fluidez sensual contra a lateral do iate, motores silenciados como esperado para seu destino no Mar de Tyrrhenian.
Lazaro supôs que o luxuoso navio no qual estava a bordo tiraria o fôlego de todos, humanos ou Raça. Nascido antes, e sendo da primeira geração da Raça, um dos primogênitos da nação vampírica, indivíduos do mais puro sangue, Lazaro sabia o valor da riqueza e do luxo.
Ele uma vez teve todas essas coisas. Ainda tinha, se ele se importasse. Ele deixou em Boston tudo que uma vez teve, há vinte anos, depois que as coisas mais preciosas em sua vida tinham sido tiradas dele. Sua Companheira, seus filhos e seus companheiros, uma casa cheia de crianças inocentes... Tudo perdido. Seu único parente sobrevivente era seu neto, Kellan, que estava com Lazaro na noite em que Darkhaven foi arrasado até o chão em um hediondo ataque, sem motivo, provocado por um louco chamado Dragos.
Lazaro exalou profundamente, não mais sentindo a dor crua do pesar que ele sempre sentia sobre sua família morta. A angústia entorpeceu com o passar do tempo, ainda sim, sua culpa estava sempre com ele, marcada como uma ferida física. Uma odiosa e permanente lembrança de sua perda.
Do maior fracasso de sua vida.
Se sua existência tinha qualquer significado agora, pertencia ao seu trabalho com Lucan Thorne e seus amigos guerreiros da Raça da Ordem. Como chefe da operação da Ordem em Roma nestas últimas duas décadas, Lazaro teve pouco tempo para piedade ou indulgências pessoais. Ele teve até menos oportunidades para prazer, raro ou não.
Que era o modo que ele preferia isto.
Ele lidava com a justiça agora.
Às vezes, ele lidava com a morte.
Hoje à noite, ele estava representando a Ordem em um ambiente menos oficial, na esperança de que poderia facilitar um encontro secreto entre dois de seus confiáveis amigos. Um deles era da Raça, um membro de alta posição no Conselho das Nações Globais. 
O outro, era o dono do mega iate, humano, um influente homem de negócios italiano que ocorreu ser também o irmão do presidente recentemente eleito no país, um político que ganhou seu escritório com conversa dura contra a Raça. Se a reunião com Paolo Turati decorresse como planejado hoje à noite e for um sucesso, seria o primeiro passo em direção à forjar uma aliança com um dos maiores críticos da nação vampírica.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Mundo de Um Homem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 







Rafaele Falcone comanda seu luxuoso império
automobilístico e sua vida pessoal com a mesma frieza implacável. 


Suas decisões são totalmente racionais, e ele sempre exige o melhor.
Por isso não hesita em convidar a brilhante engenheira Samantha Rourke a fazer parte de sua empresa, mesmo depois de tê-la abandonado anos atrás.
O sexy sotaque italiano ainda a deixa arrepiada, mas Sam sabe que sentir o toque dele em seu corpo novamente é impossível. 
Porque Falcone está prestes a descobrir seu grande segredo… e o mundo dele virará de cabeça para baixo!

Capítulo Um


Três meses depois...
— Sam, desculpe incomodar você, mas há uma ligação na linha um... alguém com uma voz rouca e um atraente sotaque estrangeiro. Sam ficou muito rígida. Voz profunda... Atraente... Sotaque estrangeiro. As palavras lhe deram arrepios, com um repentino pressentimento percorrendo sua espinha e um estremecimento sensual em outra região de seu corpo. 
Ela disse a si mesma que estava sendo ridícula e afastou os olhos dos resultados que conferia antes de ir se encontrar com o secretário de pesquisa do departamento na Universidade de Londres. Olhos amáveis brilharam maliciosamente em um rosto matronal. 
— Você fez alguma coisa especial no fim de semana? Ou devo dizer, viu alguém? Outro arrepio percorreu a espinha de Sam, mas ela apenas sorriu para Gertie. 
— Olha, uma mudança seria uma boa coisa. Passei todo o fim de semana trabalhando com Milo no projeto de meio ambiente do jardim de infância dele. A secretária sorriu e disse de forma complacente: — Você sabe que vivo com esperança, Sam. Você e Milo precisam que um homem deslumbrante apareça e tome conta de vocês. Sam rangeu os dentes e continuou sorrindo, para não dar uma resposta bruta. 
— Você disse linha um? Gertie deu uma piscadela e desapareceu, e Sam respirou fundo antes de pegar o telefone e apertar o botão iluminado. 
— Dra. Samantha Rourke, pois não. Houve um silêncio por alguns segundos, e então veio aquela voz. Grave, profunda, atraente... E infinitamente memorável. 
— Ciao, Samantha. Aqui quem fala é Rafaele... A pontada de mau agouro virou um tapa no rosto. Todo o sangue do seu corpo parecia se esvair. Raiva, culpa, dor emocional, luxúria e uma horrível e traiçoeira ternura a inundaram em meio a um turbilhão. Sam só percebeu que ainda não havia respondido quando a voz veio e a alcançou, mais fria. 
— Rafaele Falcone... talvez você não se lembre... Como se isso fosse humanamente possível! 
— Não... quer dizer, sim eu lembro. Sam queria rir histericamente. Como ela podia esquecer o homem quando olhava para uma réplica em miniatura de seu rosto e olhos verdes todos os dias? 
— Bene. — Veio a suave resposta. — Como você está, Sam? Agora é uma doutora?

Atrás dos Portões dos Castelos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Cesario Piras, o inquietante dono do Castello del Falco, 

não estava preparado para a visita que apareceu em seu lar durante um temporal, nem para o pequeno pacote com o nome dos Piras que ela carregava. 
Sua razão insistia para que ele a ignorasse, mas ele foi traído pelo coração. Beth Granger sabia que não haveria volta depois que batesse à porta do castelo. 
Ela tinha uma missão a cumprir. Mas, assim que Cesario olhou fundo em seus olhos suplicantes, o plano infalível de Beth foi por água abaixo.


Capítulo Um

A estrada galgava a montanha como uma serpente negra. A chuva parecia aumentar à medida que subiam. Haviam deixado Oliena havia quinze minutos e Beth observou as luzes da cidade desaparecendo aos poucos. Perguntou ao motorista do táxi: 
— Quanto falta para chegarmos? — Descobrira que ele falava um pouco de inglês e de fato o homem respondeu:
— Logo verá o Castello del Falco... Castelo do Falcão. Acho que é assim na sua língua — explicou com seu sotaque carregado. Beth franziu a testa. 
— Quer dizer que o sr. Piras vive em um castelo de verdade? — Presumira que a residência particular do proprietário do Banco Piras-Cossu na Sardenha fosse uma villa luxuosa e que “castelo” não passasse de força de expressão. Dessa vez o motorista não respondeu, porém enquanto o táxi avançava nas Montanhas Gennargentu Beth prendeu a respiração diante da visão de uma enorme fortaleza cinzenta que surgia na escuridão. Estreitou os olhos para ver além da chuva e vislumbrou os portões. 
Os muros externos do castelo estavam iluminados por lampiões que revelavam o tamanho gigantesco da propriedade. Céus! Beth tratou de controlar sua fértil imaginação, porém, à medida que o táxi avançava, não conseguiu afastar uma inexplicável sensação de ansiedade e sentiu-se tentada a pedir que o motorista voltasse para a cidade. Talvez fosse seu excesso de imaginação, mas sentia que sua vida mudaria para sempre se cruzasse a soleira do Castello del Falco. Viera à Sardenha por causa de Sophie, pensou fitando a cadeirinha presa ao seu lado. Não podia recuar agora. 
Mesmo assim seu coração bateu mais forte quando o carro passou pelos portões e lançou um olhar para trás como se tivesse passado do mundo conhecido para outro misterioso. A festa estava no auge. Do ponto estratégico em que se encontrava e que dominava o salão de baile, Cesario Piras observou os casais dançando e bebendo champanhe. Pela porta que conduzia ao salão de banquete via as pessoas se reunirem em torno das mesas abarrotadas de iguarias. 
Estava contente por constatar que se divertiam. Sua equipe trabalhava muito e merecia ser agraciada com essa maravilhosa recepção em reconhecimento aos serviços prestado para o Banco Piras-Cossu. E os convidados não deveriam tomar conhecimento que seu anfitrião contava os minutos para se ver sozinho de novo. Lamentava não ter pedido a sua assistente de Relações Públicas que mudasse a data escolhida para a festa. Donata trabalhava para ele havia apenas alguns meses e ignorava que o dia 3 de março estava para sempre gravado na alma de Cesario. De modo automático ele deslizou um dedo pela cicatriz profunda que começava no canto do olho esquerdo e descia para a face, terminando na boca. Hoje era o quarto aniversário da morte de seu filho.

O Amor de Um Homem

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
O aviso para apertar os cintos ainda nem se apagara 

e a química entre o magnata da aviação Alexio Christakos e Sidonie Fitzgerald já estava nas alturas! Acostumado a breves casos com socialites indiferentes, a inocência dela o deixa ávido por uma noite de prazer em seus braços. 
Sidonie deveria dar um jeito em sua vida, não começar um romance com um empresário grego! Mas Alexio é uma distração impossível de resistir… Até que ele descobre sobre suas dificuldades financeiras e, para o horror de Sidonie, acusa-a de estar interessada em mais do que o corpo dele! 
No entanto, a inocência dela esconde uma força de aço que não deixará a ofensa passar em branco…


Capítulo Um

— Cara... Você precisa mesmo ir embora tão cedo? A voz exalava sex appeal. Alexio parou por um instante quando abotoava a camisa, não porque estava tentado a ficar, mas justamente porque sentia uma vontade maior ainda de sair dali. Com uma expressão neutra no rosto, voltou-se para a mulher na cama. Sua pose era da mais pura sedução, os cabelos castanhos jogados habilmente para o lado. 
Um par de olhos negros imensos, um beicinho e a ausência de um lençol pouco ajudavam Alexio a esquecer do por que a trouxera para sua suíte em Milão após a recepção do casamento do irmão Rafaele, na noite anterior. Ela era impressionante. Perfeita. Mesmo assim, ele não sentia o desejo de ficar. E Alexio não gostava de estar ciente de que o sexo fora abaixo do esperado. À primeira vista fora tudo bem; mas, em um nível mais profundo, ele ficara com um frio na alma. Então resolveu recorrer ao charme pelo qual era tão conhecido e sorriu.
— Desculpe belíssima, preciso viajar para Paris hoje de manhã a trabalho. A mulher, cujo nome ele de súbito não tinha totalmente certeza... Carmela? Ela Recostou-se e se espreguiçou lânguida, exibindo os seios cirurgicamente aperfeiçoados e fazendo ainda mais beicinho. 
— Você precisa ir agora? Alexio manteve o sorriso no rosto ao terminar de vestir-se e abaixou-se para dar um beijo breve naquela boca, escapando antes que ela pudesse envolver os braços ao redor do pescoço dele. Ele começava a sentir-se claustrofóbico. 
— Nós nos divertimos cara... Eu ligo para você. Agora os lábios açucarados se foram e a mulher mostrava sua verdadeira natureza no olhar perigoso. Ela sabia quando estava sendo descartada e claramente não gostava nada da situação, principalmente quando o homem em questão era o tão requisitado Alexio Christakos. 
Ela levantou-se da cama e desfilou nua até o banheiro, deixando um rastro de petulância italiana pelo caminho. Alexio fez uma careta, mas suspirou aliviado quando ela bateu a porta. Ele balançou a cabeça ao deixar a suíte e descer para o lobby do luxuoso hotel no elevador reservado aos hóspedes VIP. Mulheres. Ele as amava, mas as amava a distância. Em sua cama, quando lhe convinha, e longe dela por quanto tempo ele conseguisse o que geralmente não era muito. Depois de anos observando o comportamento frio da mãe com o pai, que permanecera escravo da beleza e do eterno jeito escorregadio dela, Alexio desenvolvera um senso de autoproteção muito aguçado em relação ao sexo oposto. 
Ele podia lidar com a frieza e o distanciamento porque estava acostumado e preferia as coisas dessa forma. Seu pai, frustrado com a esposa emocionalmente ausente, voltara-se para seu filho, tornando-o o centro de sua vida. E isso fora demais. Desde muito cedo Alexio irritara-se, sentindo-se claustrofóbico por conta da atenção demasiada de seu pai. 
E, agora, quando qualquer pessoa, especialmente uma mulher tornava-se remotamente emocional ou começava a esperar algo dele, Alexio fechava-se por dentro.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A Vingança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
"Queira ou não, senhorita Darcy, você vai se casar com Ramon. 

E saiba, desde já, que depois daquele maldito acidente, do qual você é a culpada, Ramon é um homem vivo só da cintura para cima." 
Na expressão dura de Júlio Valdez, Darcy via sua vida amorosa arruinada. Amor completo... entrega apaixonada de corpo e alma... nada disso ela teria. Que loucura! Ela nunca deveria ter ido à Espanha. para se deixar apanhar naquela armadilha de vingança. 
Sentia agora, na carne, que envolver-se com um homem fascinante e cruel como Júlio Valdez significava perigo. Mas ela tinha ido. E agora era tarde... tarde demais!


Capítulo Um

Darcy esperou, na quietude morna da tarde que fazia até as cigarras se calarem. Apesar do dia estar terminando, o calor sufocante ainda permanecia no ar. A pequena estação estava deserta e silenciosa e não havia ninguém ali esperando por ela. Como tinha que aguardar que viessem buscá-la, Darcy foi abrigar-se à sombra de uma palmeira, com a sensação de que tudo aquilo era irreal. Apertou a alça da bolsa onde estava guardada a carta, cujas palavras eram bem reais: Meu irmão Ramón deseja muito vê-la, por isso você tem que vir a San Solito imediatamente. 
Eu, Júlio Valdez, acho que você lhe deve alguma obrigação pelo que lhe causou e não vou aceitar recusa de sua parte... Darcy deu um leve suspiro. Desde o momento que abriu o envelope e viu a assinatura no fim da página, sentiu uma espécie de condenação. O tom da carta era tão autoritário que ela sabia que, se não aceitasse as ordens de Júlio Valdez, com certeza ele iria à Inglaterra para arrastá-la até a Espanha. 
Ela e Ramón tinham se conhecido quando eram estudantes na escola superior de música, onde ficaram amigos. Mas quando o espanhol confessou estar loucamente apaixonado por ela, Darcy sorriu e procurou evitar se envolver emocionalmente com ele. Eles tinham saído a passear no pequeno carro dela e, como Darcy ficou o tempo todo ocupada em afastar a mão que ele insistia em colocar nos seus joelhos, não conseguiu evitar a colisão com um carro que lhe cortou a frente. 
Ramón ficou gravemente ferido e, tão logo foi possível, sua família o levou de volta para a Espanha. Esperavam que lá ele se recuperasse. Mas, na carta, Júlio informava que Ramón estava preso a uma cadeira de rodas, com pouca esperança de andar novamente A notícia era chocante. Ramón estava correndo o risco de se tornar um inválido! Darcy passou nervosamente a mão pelos cabelos que caíam numa onda suave sobre a testa. Os olhos cor de mel, sombreados por cílios castanhos, contrastavam com o tom escuro dos cabelos. 
O nariz era fino e um pouco arrebitado. Sem ser exatamente uma beldade, era bastante atraente. E a decisão de vir a San Solito bem demonstrava sua força de caráter e bondade. Respondeu à carta de Júlio Valdez dizendo que iria o mais breve possível ver Ramón. Mas não disse que o que sentia por ele era somente piedade e que não tinha sido inteiramente culpa dela que ele tivesse ficado paralítico. Esbelta, usando um vestido de linho e uma echarpe em volta do pescoço, Darcy se mostrava calma e serena. Por dentro, no entanto, era um feixe de nervos. Pensava na distância que a separava da Inglaterra e nos poucos amigos que sabiam que ela tinha vindo à Espanha para uma visita. Sua mãe, a quem ela gostaria de contar seus receios, estava morando agora na África do Sul com o segundo marido. O que havia naquela carta que a fazia sentir-se tão nervosa? 
Era somente imaginação sua o que parecia uma ameaça, uma insinuação e vingança? Venganza, ela pensou, nervosa. A vingança de um latino, que dizem ser impiedosa. O céu avermelhado anunciava o crepúsculo. Escurecia aos poucos quando ela ouviu o som de pneus no calçamento de pedras. 
Olhando para o lado da estação, viu um carro entrar rápido no pátio.

Charada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
A viagem ao Havaí seria um sonho para Wilma, 

se Richard não a assustasse tanto, falando de sua família. Como aquela gente aristocrata reagiria, quando chegasse com uma noiva pobre? Temia principalmente a avó dele. 
Quanto ao irmão, Adam, devia ser um sujeito de meia-idade e ranzinza. No entanto, nada aconteceu como imaginava. Adam era o homem mais perturbador que já tinha visto e a Sra. Lê Brun logo se encantou por ela. Então, por que Richard de repente não queria mais ouvir falar de casamento? 
O pior é que Wilma sentia que precisavam casar o mais depressa possível... Antes que se deixasse arrastar para os braços do irmão dele!

Capítulo Um

Wilma Grahame estava decidida a não deixar que o homem a seu lado percebesse seu nervosismo. Nem que desconfiasse que tivesse se arrependido muitas vezes de fazer aquela viagem, desde que haviam embarcado no aeroporto de Londres. Era muito tarde para isso agora, claro. Mas Wilma nunca tinha se sentido tão apreensiva com a ideia de conhecer alguém como naquele momento em que voava ao encontro da família Lê Brun. O fato de ele lhe jurar que seria muito bem recebida não fazia a menor diferença. 
A família de Richard, isto é, o meio-irmão e uma avó velhinha certamente a trataria com a mesma polidez com que tratava qualquer outro hóspede, mas Wilma estaria mais confiante se ele não tivesse lhe contado tantas histórias sobre os dois. A avó, apesar de ter deixado a França ainda menina e viver a quase oitenta anos no Havaí, ainda se considerava uma francesa e uma aristocrata. 
Adam Lê Brun, o meio-irmão mais velho, tinha, segundo Richard, herdado toda a arrogância da família. Plebeia de pai e mãe, Wilma achava a perspectiva de conhecer os aristocráticos Lê Brun mais assustadora à medida que o momento se aproximava. O que tinha a oferecer para gente assim, além de uma bela aparência? Nunca frequentou os mesmos círculos que os ricos e seu encontro com Richard foi mero acaso. Ele a viu pela primeira vez na livraria onde Wilma trabalhava. Depois disso, tornou-se freguês assíduo e acabou convidando-a para sair. O rapaz tinha um charme incrível, que a conquistou imediatamente. E conquistou a família de Wilma também, a ponto de concordarem que a levasse naquela viagem ao Havaí. 
Foi o irmão mais velho de Wilma quem insistiu para que ficassem noivos antes. Pelos pais, ela teria ido sem nenhum compromisso. Nem lembrava direito como as coisas tinham acontecido. Só sabia que, de repente, estava dentro do avião e Richard a olhava, os profundos olhos azuis sorrindo, encorajadores. 
— Nem acredito que está aqui, querida. Ele era encantador, impossível negar. Uma mistura exótica de muitas raças. O pai, francês, descendia de portugueses. A mãe tinha sangue irlandês, italiano e inglês. Richard, no entanto, gostava de se considerar um autêntico americano e ridicularizava o orgulho da família por suas origens nobres. Os pais tinham morrido num acidente de carro, sete anos antes, quando era um rapazola de dezesseis, deixando-o sob a tutela da avó e do meio-irmão. Wilma tinha quase certeza de que os dois não a aprovariam. Meio tonta e muito amedrontada, desembarcou no aeroporto do Havaí e entrou com Richard no carro que os esperava. Depois de viajarem algum tempo por uma larga autoestrada, ele perguntou: 
— Não está nervosa, está? Wilma não conseguiu esconder mais a preocupação. 
— Estou um pouco amedrontada. O que esperava Richard, depois de me fazer atravessar metade do mundo para conhecer. . . 
— Minha digna família, ele cortou com um sorriso. E gostaria que me chamasse de Rick. Richard soa como se eu fosse um pequeno príncipe. Ela sacudiu a cabeça. 
— Prefiro Richard. E você mesmo disse que sua família não gosta de apelidos. Vou começar com o pé esquerdo, sem chegar lá o chamando de Rick. 
— Ora, minha querida, ninguém vai engolir você! Vovó é aristocrata demais para isso. E Adam. . . Bem, ele aprecia uma bela garota. Não se preocupe com eles. Podem latir, mas não mordem. 

Fantasia Perigosa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
A caminho do altar da capela medieval, 

no castelo italiano onde estavam filmando um clássico romance de século XIII, a atriz Ava Kendall sente-se desfalecer quando seu pai a deixa nas mãos do produtor e futuro marido. 
“Faça de conta que é uma cena do filme", ele lhe murmura ao ouvido, com um sorriso sinistro. Ava é dominada por um tremor incontrolável. 
Devia estar louca quando concordara com aquela farsa, um homem como Kirk Falconer não descansará até o momento de possuí-la de corpo e alma.


Capítulo Um

Ava Kendall foi tomada pela sensação de que estava entrando em um mundo de fantasia. O castelo de Gradara, uma autêntica edificação do século XIII, parecia-lhe tão irreal quanto a imagem de um conto de fadas. E mais fantástico ainda, era o fato de que estava prestes a se casar naquele castelo, com um homem que era quase um estranho. 
As sólidas paredes da imensa construção pareciam fantasmagoricamente brancas à luz da lua. Com seus mirantes, as muralhas medievais que o circundavam lembravam uma gigantesca coroa. Ao fundo via-se o contorno das montanhas. A limusine seguia suavemente colina acima, enquanto ouvia-se, ao longe, o murmúrio das ondas do mar Adriático. 
— Não, categoricamente, não! A voz de Kirk tirou-a de seus devaneios. Aquela não era apenas a entonação de voz de um ator, mas também a de alguém acostumado a dar ordens e consciente de que seriam cumpridas à risca. — Não quero fotógrafos — vociferava ele pelo telefone do carro. 
— Apenas o pessoal da imprensa que foi oficialmente convidado poderá comparecer. 
A equipe toda já está a postos? Enquanto Kirk certificava-se de que tudo estava sob controle, como se estivesse verificando todos os pormenores de mais um filme produzido por ele, Ava analisava o futuro marido com sua perspicácia de atriz. 
Ela tentava manter a mesma postura profissional que ele demonstrava ter com relação àquela situação, ao mesmo tempo que procurava ignorar a ansiedade que lhe embrulhava o estômago e o suor frio que fazia com que o vestido de chiffon branco colasse em seu corpo frágil. Obrigava-se a vê-lo apenas como um ator, com o qual contracenaria numa cena romântica, enquanto pesquisava nele características que pudesse considerar atraentes. Kirk Falconer não era o que convencionalmente se poderia chamar de um homem circunspecto. 
Nada nele era convencional, mas exatamente o oposto: aquele tipo de homem que quebrava todas as regras. Não era uma pessoa muito segura de si, embora extremamente arrojado e cheio de energia. Mesmo sentado, parecia estar em movimento. Apesar de o interior da limusine ser amplo, mal podia conter aquele homenzarrão de mais de um metro e noventa de altura, do mesmo modo que o elegante e bem talhado terno formal que vestia não conseguia disfarçar a silhueta robusta. Havia algo de estranho nele: uma aura de perigo sob aquela imagem civilizada, que falava de um homem que percorrera a difícil trajetória de uma favela em Jersey City até o apogeu da glória, como produtor independente em Hollywood. 
Aos trinta e oito anos, seus cabelos lisos, não muito abundantes, estavam sedutoramente grisalhos. Traços marcantes desciam do canto daqueles profundos olhos castanhos e emolduravam a boca mais voluptuosa e sensual que ela jamais vira. Ela podia compreender porque as mulheres achavam-no atraente e por que seu nome, durante anos, estivera envolvido com as mais famosas e cobiçadas atrizes. Suas conquistas, em Hollywood, eram lendárias. 
Enquanto se acomodava melhor no assento aveludado da limusine, Ava pensava em como nunca o havia encarado como um homem; ele era como um mito do show business. Mesmo antes de sua primeira apresentação diante dele, um mês antes, já era sua admiradora. Quando assumira o papel principal naquele filme, sobre a trágica história de Paolo e Francesca, o contato entre ambos fora estritamente profissional.

Tesouro Moreno

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
"Assine aqui, Kate!" 

Indignada com a proposta de Rod Reynolds, Kate Andrews ergue o queixo até seus olhares se encontrarem. Ele então se explica num sussurro: "Você precisa de mim, querida!" 
Com um suspiro, Kate resigna-se a assinar o contrato absurdo. E a única forma de encontrar o tesouro do galeão espanhol naufragado no Caribe. Mesmo que precise se render ao homem que odeia. 
O homem que a abandonou no auge da paixão!


Capítulo Um

Kate Andrews olhava com tristeza para os estragos no Estrela Brilhante, seu barco pesqueiro. As peças metálicas estavam enferrujadas, a pintura, descascando e as redes, rasgadas. Acordara tensa e exausta, pois dormira apenas uma hora na cabine, após passar a noite toda pescando camarões. Além disso, estava sem dinheiro para fazer uma reforma ou uma nova expedição de resgate no oceano. 
Com a vista perdida no horizonte, lembrou-se do grande sonho do pai, que passara a ser o dela também: ele morrera tentando encontrar o navio espanhol Marta Isabella, mais conhecido como o "Galeão Dourado", que desaparecera três séculos atrás com um tesouro a bordo, numa terrível tempestade no mar do Caribe. 
Por mais de dez anos, Kate e seu pai vasculharam todos os arquivos da época, de Londres a Madri, à procura de pistas. Por fim, descobriram uma carta de um capitão espanhol, escrita alguns anos após o naufrágio, que indicava um certo recife como o local provável do desastre. 
Quando navegavam pelo estreito da Flórida, próximo ao recife Púrpura, avistaram alguns destroços no fundo do mar, que poderiam ser do Marta Isabella. As características do local coincidiam com a descrição do antigo navegador. Nos anos seguintes, Jake Andrews e a filha singraram várias vezes o estreito da Flórida, nas proximidades do tal recife, até confirmarem a presença dos destroços. 
Navegavam durante dias seguidos, tomando cuidado com os bancos de coral que quase não se viam à superfície, pois um pequeno deslize poderia deixar o barco avariado. Quando finalmente prepararam-se para a expedição de resgate, nem desconfiavam que aquela seria a última viagem de Jake a bordo do Estrela Brilhante. Mergulharam num local próximo à face sul do recife e acharam algumas moedas de ouro, mas não localizaram qualquer vestígio de canhões ou da âncora, que seriam provas irrefutáveis da presença do galeão. 
Embora Jake soubesse, com certeza, que os restos do naufrágio estavam lá, não tivera tempo suficiente para provar sua teoria: as emoções e as tensões da busca foram demais para ele. Acabou sofrendo um ataque cardíaco a bordo e, mesmo voltando imediatamente para Key West, era tarde demais para ele. Kate deu um longo suspiro, tentando afastar aquelas tristes lembranças, e deixou que os sons da nova manhã a envolvessem. Espreguiçou o corpo esbelto e sinuoso, cujas curvas eram generosamente insinuadas por uma calça jeans bem desbotada e justa, e uma velha camiseta sem mangas.
Podia ouvir os gritos estridentes das gaivotas voando no céu, o espoucar distante do motor de um barco sendo ligado e o borbulhar de alguns peixes que pulavam na água ali por perto. Amanhecia um belo dia. O céu estava azul, límpido, e o sol, de um vermelho intenso, banhava de dourado o oceano, desde o horizonte. 
A superfície da água estava tão calma e brilhante que parecia um espelho. "Hoje o dia vai ser tão quente quanto ontem", pensou, desanimada, enquanto preenchia de gelo picado a caixa de isopor onde depositava os camarões que ela e seus ajudantes haviam pescado na noite anterior. Sentiu o músculo do ombro doer, ao repousar o saco de gelo no chão. Naquele instante, a voz grave de Don Taylor, que saía com o barco dele, interrompeu-a. 
— Bom dia, Kate! 

Tinha Que Ser Assim

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
As fotos coloridas, mostrando praias lindas, pareciam chamar por Paula. 

Parou, fascinada. Tasmânia... Que exótico. Mas ficava do outro lado do mundo! E não era isso mesmo que queria? Colocar a maior distância possível entre ela e Bob, aquele traidor? 
Num impulso, tomou a decisão mais importante de sua vida. Quando percebeu, já tinha assinado os papéis, candidatando-se a uma vaga como enfermeira na ilha. 
O que lhe estaria reservado lá? Novos amores, talvez? Isso não! Uma decepção era mais do que suficiente. Fez as malas, confiante. 
Nem sonhava que aquela ilha era o último lugar do mundo para uma mulher que não queria mais saber de homens.


Capítulo Um

Rosalind Lane sentou na beira da cama para ler a carta. Estava tão absorta que nem levantou os olhos quando a porta se abriu. Só podia ser Paula. 
— Carta de mamãe. Está pedindo para irmos para casa neste fim de semana. Estão contentíssimos com as notícias e papai quer dar uma festa, sábado à noite, para comemorarmos. Como não ouviu resposta, espantou-se com o silêncio. Virou-se para a amiga. 
— Paula! O que aconteceu? Está passando mal? Paula Bruce estava pálida. Olhou para Rosalind de um jeito estranho, deu-lhe as costas e disse, num soluço: 
— É Bob... Como não continuasse, Rosalind perguntou, nervosa: 
— O que aconteceu com ele? A amiga engoliu em seco; depois, num tom abafado, explicou: 
— Ele casou. — E começou a rir, um riso agudo e histérico que, de repente, se transformou em soluço. Rosalind levantou num pulo e abraçou Paula. 
— Pare com isso! Pare de chorar, Paula, antes que alguém escute. — E sacudiu a moça violentamente. Paula não conseguia parar. Depois de um tempo, pareceu se sentir envergonhada, fez um esforço e parou, mas seus lábios continuavam a tremer. 
— Tudo bem, Rosa, pode parar de me sacudir, já estou melhor. 
— Vamos sentar — Rosalind disse suavemente, conduzindo-a para a cama. 
— Agora, conte o que aconteceu. Paula jogou-se sobre os lençóis, procurando se controlar, e olhou para Rosalind, com um ar muito infeliz. 
— Desculpe. É que... eu também recebi uma carta. — Ficou em silêncio, e Rosalind olhou-a, impaciente, fazendo um gesto para que continuasse. — E... ele... conheceu uma outra moça. — Baixou os olhos e cruzou as mãos. — Não vai mais voltar para a Inglaterra... Está tudo acabado. Tinha-se a impressão de que suas últimas palavras ficaram vibrando no ar indefinidamente. 
— Oh, Paula! A outra levantou e caminhou depressa para a janela. — Não quero mais falar sobre isso... pelo menos, por enquanto — disse, num tom baixo e ríspido. Rosalind não insistiu. Percebeu que Paula estava lutando desesperadamente para controlar as emoções e que, no momento, preferia ficar sozinha. 
— Sinto muito, querida. Acho que é só isso que posso falar, não? Mesmo assim, queria lhe dizer outra coisa. Não leve essa notícia muito a sério nem deixa que ela arrase você.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Inocência Cativa

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Dueto Inocência e Ilusão 








Lições de paixão... 

Falta muito pouco para Anna conseguir o emprego de seus sonhos como professora e ter a garantia de uma vida tranqüila. Mas tudo vai por água abaixo.
E existe apenas um culpado: o ex-piloto de corrida Cesare Urquart. Ele acredita que ela é responsável pelo fim do casamento de seu melhor amigo.
Assim que Anna chega a sua propriedade na Escócia, o sangue dele esquenta como não acontecia havia muitos anos. Pois sob o jeito alegre dela existe uma inocência tentadora para Cesare...

Capítulo Um


Se, como diz o ditado, a prática leva à perfeição, então o sorriso de Anna apresentava a combinação perfeita de deferência e confiança fria, elegante. Por baixo de seu casaco de tweed rosa minuciosamente abotoado, entretanto, seu coração batia com tamanha força que Anna o imaginou arrebentando seu peito, enquanto ela tagarelava sobre as recentes alterações na grade da escola primária.
Ignorou-o, porém, e, falando com o nível apropriado de confiança, Anna manteve a atenção do público — ou será que por trás dos olhares atentos todos estavam, na verdade, pensando no que iam jantar? Anna empinou o queixo e afastou a insegurança. Disse a si mesma que relaxasse. E se fizesse algo errado? Bem, aquele era apenas um emprego. Apenas um emprego? Quem ela queria enganar? 
Aquela atitude filosófica poderia enganar o resto do mundo, mas aquele não era um mero trabalho para Anna, fato de que se dera conta quando as datas de suas duas entrevistas coincidiram. A escolha parecia simples. A primeira vaga era na escola local altamente recomendada a poucos metros de seu flat; e ali ficara implícito que ela era uma forte candidata. 
Para o outro cargo, em uma instituição remota na costa noroeste da Escócia, Anna jamais teria se candidatado se não tivesse visto o artigo na sala de espera de um dentista. Uma decisão claramente óbvia. Ainda assim, fazia muito tempo que Anna não desejava alguma coisa como desejava aquele emprego. 
— Claro, queremos que nossos jovens se tornem indivíduos conscientes, mas a disciplina é importante, não acha Srta. Henderson? Anna inclinou a cabeça e concordou com seriedade. 
— Claro. — Ela olhou para a mulher esguia no final da fileira, que havia feito a pergunta. 
— Mas acredito que em um ambiente onde a criança se sente valorizada e encorajada a expandir seu potencial, a disciplina raramente é um problema. Essa é a minha experiência em sala de aula, pelo menos. O homem calvo sentado ao lado direito dela olhou para o papel diante de si. 
— E essa experiência é quase exclusivamente em escolas da cidade? — Ele trocou um olhar significativo e um sorriso discreto com os membros da banca examinadora.
— Você não está acostumada com uma comunidade rural como esta, não é? 
Anna, que já esperava por aquela pergunta, relaxou e balançou a cabeça. Seus amigos e sua família já haviam dito a mesma coisa, só que não de uma forma tão diplomática, insinuando que ela perderia a vontade de viver depois de um mês naquele deserto cultural. Por ironia, as únicas pessoas que não deram uma opinião negativa foram aquelas que provavelmente mais odiavam a ideia. 
Teria sido compreensível se tia Jane e tio George, cuja filha se mudara para o Canadá, tivessem jogado as mãos para o céu em horror diante da possibilidade de perder a sobrinha que sempre trataram como uma segunda filha. Mas não: o casal reagiu bem, apoiando-a com serenidade.
— É verdade, mas... 

Dueto Inocência e Ilusões
1- Inocência Cativa
2- Paraíso das Ilusões  

sábado, 24 de janeiro de 2015

Herdeiro das Sombras

ROMANCE SOBRENATURAL
Série Cisne Negro


Lá fora a escuridão tinha caído, e apenas com tochas estrategicamente colocadas é que tinhamos alguma luz.

O grito terrível soou novamente, ecoado por outros menores, gritos cheios de terror dos moradores de Palm conforme eles corriam para o abrigo. 
Um lampejo vermelho chamou minha atenção, e eu agarrei o braço de Rhona enquanto ela passava. 
— O que está acontecendo? — Eu exigi. Mesmo na luz tremeluzente, eu podia ver que ela estava pálida como a neve em torno de nós. 
— A tempestade, — gritou ela. — A tempestade está vindo. — Ela se puxou desesperadamente de meu aperto e eu a liberei, mais confusa do que nunca. 
— O que está acontecendo? — disse Rurik, chegando ao meu lado. 
— Estamos sendo invadidos? 

Capítulo Um 

Tenho certeza que Ohio é um lugar perfeitamente legal, uma vez que você comece a conhecê-lo. Mas para mim, agora, era semelhante a um dos círculos do Inferno. 
— Como, — perguntei, — o ar pode ter esse tanto de umidade? É como estar nadando. Minha irmã, andando ao meu lado no sol de fim de tarde, sorriu. 
— Use a sua magia para empurrá-la para longe de você. — Muito trabalho. Ele simplesmente continua voltando, — eu resmunguei. Jasmine, como eu, tinha sido criada no calor seco do Arizona, então eu não conseguia entender por que ela não sentia a mesma repulsa que eu para as condições climáticas do alto verão no Centro-Oeste. Nós duas tínhamos como habilidade a magia do tempo, mas a dela se concentrava principalmente sobre a água, talvez isso explicasse sua atitude indiferente. 
Talvez fosse apenas a resistência dos jovens, já que ela era cerca de dez anos mais jovem que eu. Ou talvez, apenas talvez, fosse porque ela não estava com quase cinco meses de gravidez e transportando cerca de seis quilos extra de sua prole que pareciam tentar me causar um superaquecimento, sugando meus recursos, e praticamente me redimindo de cada coisa ruim que eu já tenha feito. Também havia a possibilidade dos meus hormônios estarem me deixando um pouco irritada. 
— Estamos quase lá, — disse uma voz educada do meu outro lado. Pagiel. Ele era filho de Ysabel, uma das mulheres gentry mais vadia que eu conhecia — e ela nem sequer tem excesso de hormônios como desculpa. 
Pagiel não tinha herdado a personalidade de sua mãe, felizmente, e possuía um talento especial para cruzar entre o Outro-Mundo e o mundo humano que rivalizava com o meu e o de Jasmine. Ele tinha mais ou menos a mesma idade que ela, e o fato de que eu tinha que ter acompanhantes adolescentes para me levar até minha consulta médica só acrescentava mais um insulto aos muitos insultos que eu vinha sofrendo nos últimos meses. 
Um bloco a frente, a Clínica Hudson de Saúde da Mulher ficava entre cuidadosamente pereiras podadas e puras linhas de gerânios. A clínica se localizava bem na divisa entre a zona comercial e residencial da cidade e tentava dar a impressão de que fazia parte da última. Mas não era o bonito paisagismo que me fazia voltar a esta sauna, e a caminhar quase um quilômetro todas as vezes entre o portão do Outro-Mundo e a clínica. 
Não era nem mesmo os cuidados médicos, que eram alias, bons, pelo menos até onde eu poderia dizer. Realmente, o que me fazia vir aqui, a melhor coisa deste lugar era que, até agora, ninguém tinha tentado me matar aqui. 
Aquele maldito calor úmido tinha me deixado pingando de suor até o momento que chegamos no edifício. 
Eu estava acostumada a suar no deserto, mas havia algo nesse clima que me fazia sentir pegajosa e grosseira. Felizmente, uma onda de ar condicionado nos atingiu assim que andamos através da porta. 
Por mais gloriosa que fosse para mim, para Pagiel era como um milagre. Eu sempre gostava de ver seu rosto quando ele sentia aquela primeira explosão de ar frio.



Série Cisne Negro
1- Storm Born
2- Thorn Queen
3- Iron Crowned
4- Shadow Heir - Herdeiro das Sombras
Série Concluída
Comunidade Tradução

Paraíso das Ilusões

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Dueto Inocência e Ilusão 

Sol, mar e uma bagagem de decepções... 

Abandonada pelo namorado enganador e com a autoestima despedaçada, Kayla Young foge para uma ilha grega isolada.
Perseguido pela imprensa e por caçadoras de fortuna, Leonidas Vassalio não consegue acreditar que há uma estranha em seu santuário com quem é obrigado a conviver.
Kayla sequer desconfia da verdadeira identidade de Leo. E ele vai aproveitar a situação a seu favor...

Capítulo Um


— E ISSO mesmo! É essa imagem que quero. Pare de perder tempo, seu idiota, e voe logo! — A câmera disparou um segundo antes de o pássaro alçar vôo da rocha e pairar acima da água cristalina. — Não achou que eu fosse deixar você escapar, achou? 
De seu ponto privilegiado, numa encosta rochosa que dava para a praia recoberta de cascalho, Kayla Young virou-se abruptamente para trás, envergonhada, ocorrendo-lhe que alguém podia tê-la ouvido. Aliviada, viu que não havia ninguém por perto, que se encontrava a sós sob a brisa morna e o sol forte que brilhava num céu de azul intenso. Não tinha certeza de quando havia começado a falar sozinha. 
Talvez o fato de ter ido sozinha para aquela ilha esplêndida não estivesse fazendo bem para a sua sanidade, pensou com uma careta. Ou talvez fosse um mecanismo de defesa porque sabia que, naquele dia, na distante Inglaterra, o homem com quem achara que passaria o resto da vida estava prestes a se casar com outra mulher. Precisamente dali à uma hora. 
A dor da traição não era mais tão profunda, mas as cicatrizes permaneciam Desafiando-as, porém, jogou o cabelo loiro para trás e tornou a olhar pelo visor da câmera. Apenas os lábios apertados evidenciaram sua tensão enquanto observou silenciosamente a beleza ao redor. Montanhas azuladas. Água translúcida. Um grego extremamente sexy... 
Ela estivera seguindo uma linha pela extensão da paisagem até a praia deserta, mas recuou rapidamente com o visor. Baixando a máquina fotográfica, descobriu que podia vê-lo claramente sem a ajuda das lentes de zoom Deteve-se para observá-lo por um longo momento. Ele era bronzeado e tinha cabelo ondulado e preto, um tanto mais comprido que o habitual, caindo junto ao pescoço. 
Usando camiseta preta e jeans claro, retirava equipamento de pesca do barco de madeira que havia acabado de arrastar até a praia. Considerando os contornos dos músculos de seus braços e a maneira como a camiseta lhe moldava o peito forte e largo, ela logo presumiu que fosse um homem que trabalhava com as mãos. 
Uma velha caminhonete estava estacionada perto da rocha onde ela se encontrava, na estrada logo acima da praia. Quando o homem começou a andar na direção do veículo, na direção dela, Kayla não conseguiu parar de observá-lo. Por alguma razão inexplicável, tornou a olhá-lo através do zoom da câmera. 
A inspeção secreta encheu-a de um entusiasmo absurdo e descuidado. O homem tinha a barba por fazer, o que dava ao seu maxilar forte e às feições marcantes um ar ainda mais másculo. Eram as feições de um homem experiente que não devia ter mais de 30 anos, um homem que provavelmente exigiria as coisas à sua maneira e as teria.
Com um peculiar arrepio na espinha, Kayla notou logo o ar determinado na expressão dele, a arrogância e o orgulho em seu andar, na postura. 

Dueto Inocência e Ilusões
1- Inocência Cativa
2- Paraíso das Ilusões  

Verdade

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Consequência



Claire sobreviveu às consequências.

Através da força e compartimentalização, Claire Nichols cativou seu captor.
Embora Anthony Rawlings pensasse que ele ensinou Claire a se comportar, a sua dominação se tornou um desejo e sua obsessão se transformou em amor. Ou já era?
Quando as escolhas dela empurraram a vingança implacável de Anthony para longe, Claire mal sobreviveu às consequências. Descubra a verdade.
Agora, armada com novas informações e mais perguntas do que respostas, Claire trabalha para descobrir a verdade por trás do jogo perigoso. 

Quando ela começa de novo, ela deve decidir em quem pode realmente confiar, especialmente com um novo conjunto de jogadores em movimento.

Capítulo Um

Olhando ao redor de seu escritório, Richard Bosley I contemplou seu lugar na história. O escritório imponente cheirava a prestígio. Estantes impressionantes cobriam as paredes, e sua mesa de mogno criava uma plataforma da realeza. 
As bandeiras dos Estados Unidos e Iowa penduradas visivelmente atrás de sua cadeira de couro. Apenas quinze meses em seu segundo mandato como governador, ele tinha tantas metas a cumprir. 
Os eleitores se reuniram em torno dele após a trágica morte de seu único filho e sua família. Eles colocaram a sua confiança nele, nas suas ideias, e em seus valores. 
Olhando fixamente para a foto da família dele com o filho, a cunhada, e seu neto, ele questionou seus próprios valores.Talvez tivesse sido muito elevado. Talvez se ele tivesse ficado fora do cargo público... as coisas teriam sido diferentes.
O frio vento de Março de Iowa explodiu fora da janela e criou um uivo baixo através das placas de isolamento. Vendo seu reflexo contra o céu negro da noite, Richard Bosley I sabia a verdade: ‘talvezes’ não significavam nada! 
Sua família tinha ido embora e sua terceira rodada de quimioterapia começaria amanhã. A segunda rodada tirou seus cabelos e energia. A terceira pode muito bem tirar sua vida. Se isso não acontecer, o câncer certamente o faria. Vendo sua magra reflexão e exibição de suas mãos, ele viu a palidez cinzenta. Sua pele era apenas um invólucro de grandes dimensões, vagamente pairando sobre seus ossos. Ela lembrou-lhe que a vida não era justa. Ele orou que a morte fosse.
Richard Bosley I renunciaria oficialmente como governador de Iowa na conferência de imprensa agendada para amanhã ao meio-dia. 
O vice-governador, Sheldon Preston, seria imediatamente empossado no cargo pelo prazo remanescente. Hoje à noite, sozinho no escritório executivo, o governador Bosley escolheu tomar decisões. 
Ele não tinha nada a perder. Para o inferno com o conselho executivo; hoje a única opinião que importava era a sua.

Série Consequência
1- Consequência
2- Truth - (Verdade)

Compromisso Casual

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Dueto Corações Roubados




O que não deveria passar de uma noite de paixão se tornou algo muito maior para o empresário texano Matthew Wheeler. 

Havia alguma coisa em Evangeline, a mulher misteriosa que ele conhecera em um baile de máscaras, que o impelia para fora de seu autoexílio. 
Matthew finalmente se sentia pronto para esquecer o passado trágico e se deixar levar pelo amor


Capítulo Um

Matthew Wheeler entrou na festa de Carnaval, não para comer, beber ou ser feliz, mas para se tornar outra pessoa. Veneza atraía gente do mundo inteiro, por sua beleza, história ou diversas outras razões, mas ele duvidava que qualquer dos festejadores aglomerados na Praça de São Marcos tinha ido lá pela mesma razão que ele. Matthew ajustou a máscara cobrindo a parte superior de seu rosto. 
Todos usavam fantasias, alguns estavam de terno e máscara simples, como Matthew, e muitos em trajes elaborados... mulheres com vestidos estilo Maria Antonieta e chapéus de pena. Todos também usavam sorrisos, mas isso era uma coisa que ele não podia produzir. 
— Venha, meu amigo. — Vincenzo Mantovani, seu vizinho, bateu no ombro de Matthew. — Iremos à festa no Caffe Florian. 
— Va bene — replicou Matthew, ganhando um sorriso do italiano que designara a si mesmo como guia carnavalesco de Matthew, esta noite. Vincenzo designava-se como muitas coisas, contanto que elas fossem divertidas e imprudentes, o que fazia dele a companhia apropriada para um homem que queria encontrar tais coisas, mas não tinha ideia de como. 
Na verdade, Matthew ficaria feliz se apenas pudesse esquecer Amber por algumas horas, mas o fantasma de sua esposa o seguia para todo lugar, até mesmo para a Itália, a milhares de quilômetros do túmulo dela. Vincenzo e Matthew atravessavam a Praça de São Marcos e entravam no Caffe Florian, onde estava muito barulhento para conversa. 
O que Matthew achou bom. Ele tinha a companhia certa, mas talvez Vincenzo não tivesse. Matthew era o americano que morava sozinho no grande, porém solitário, palácio. Era a descrição de Vincenzo, não de Matthew, embora aquilo fosse um pouco verdade. Ele fizera uma oferta maior que a de um príncipe árabe para comprar o palácio com vista para o Grand Canal, como presente de casamento para Amber, mas eles nunca haviam ido para a Itália nos 11 meses após o casamento. 
Ele estivera muito ocupado, trabalhando. Então, era tarde demais. Matthew deu um gole do cappuccino que seu novo amigo produzira, e tentou se sentir alegre. Se ele planejava esquecer Amber, pensar nela não ia funcionar. Ela detestaria vê-lo assim; ia querer que ele seguisse em frente, e Matthew estava tentando. 
Seu único objetivo esta noite era ser alguém que não estava sofrendo, alguém que não tinha o peso da responsabilidade e as expectativas da família em seus ombros. Alguém que se encaixasse nessa atmosfera hedonista do carnaval.

Dueto Corações Roubados
1- Além do Esperado
2- Compromisso Casual