terça-feira, 22 de julho de 2014

Heart Of Obsidian

ROMANCE SOBRENATURAL 
Série Psy Changeling







Um perigoso, volátil rebelde, com as mãos manchadas de sangue. 

Uma mulher, cuja existência foi apagada. 
Uma história de amor tão sombria que pode destruir o mundo. 
Um preço mortal deve ser pago. 
O dia do acerto de contas chegou.

Capítulo Um

Kaleb Krychek, telecinético cardeal e um homem que ninguém queria encontrar sozinho numa noite escura, esteve procurando por sua vítima por sete anos, três semanas e dois dias. Mesmo enquanto ele dormia, sua mente continuava a caçar através da rede psíquica que era a vida e a jaula da raça Psy. 

Nem sequer por um dia, ou por um segundo, ele se esqueceu de sua busca, esqueceu-se do que eles tiraram dele.
Todos os envolvidos pagariam. Ele se asseguraria disso.
Nesse momento, porém, ele tinha prioridades diferentes, sua busca completa, seu alvo encolhido num canto de um quarto pequeno e sem janelas em sua casa isolada nas margens de Moscou. Se agachando em frente a ela, ele ofereceu um copo de água. 

— Beba.
A resposta dela foi se apertar impossivelmente mais perto da parede e apertar seus braços em torno dos joelhos encolhidos contra seu peito. 

Ela passou toda a hora desde que ele a resgatou de sua prisão se balançando pra frente e pra trás em silêncio. Seu cabelo era uma bagunça emaranhada, como um ninho de rato, em volta de seu rosto, seus braços exibindo tanto arranhões recentes quanto marcas de feridas mais antigas.
Ela ainda tinha 1,57 de altura... ou assim ele julgava. Ela esteve nessa posição encolhida antes que ele a teleportasse, e somente se encolheu ainda mais nos últimos sessenta minutos. 

Seus olhos — um azul tão profundo quanto à meia noite — se recusavam a encontrar os dele, desviando quando ele entrava em seu campo de visão.
Agora ela virou a cabeça, as mechas emaranhadas até a cintura que deveriam ser um rico preto entrelaçado, com inesperadas mechas de vermelho dourado, oleosas e apagadas em torno de seu rosto abaixado. Aquele rosto era somente ossos sob uma pele do marrom mais claro, as unhas em suas mãos roídas até a carne e com sangue seco, dizia que ela usava os tocos para arranhar viciosamente ou sua pele ou a pele de outra pessoa, talvez os dois.
Finalmente, ele entendeu por que a NetMind e a DarkMind, as entidades gêmeas que conheciam todos os lugares da vasta rede que conectava todos os Psy do planeta, menos os renegados, foram incapazes de encontrá-la — independente de quantas vezes ele tenha feito o pedido ou quanta informação ele deu a elas em um esforço de refinar o escopo da busca. 

Kaleb esteve dentro da mente dela durante o resgate, precisou estar para completar a teleportação, e mesmo assim, ele não teria sabido o que era ela se não tivesse evidencias irrefutáveis para provar. A pessoa que ela foi havia morrido.
Se o que permaneceu era algo mais que uma concha quebrada, ainda era uma pergunta sem resposta.
— Beba ou eu a deixarei chafurdar em sua sujeira.
Ele usou palavras que uma vez a fariam reagir, mas ele não sabia se aquela parte dela ainda existia. 

O arquivo que ele juntou tão meticulosamente através dos anos, o arquivo que estudou até que pudesse recitar o conteúdo em seu sono, seria inútil. 
Ela não era mais aquela garota com o cabelo penteado, liso e brilhante, e olhos de meia noite que pareciam ver muito além da pele.

Sério

ROMANCE  CONTEMPORÂNEO
Série Regras do Amor




Duas pessoas. Uma relação falsa. O que poderia dar errado?

Quando a virgem Shannon Travers se cansa de seus amigos, exigindo que ela encontre um namorado, ela pede a ajuda do tatuado estudante de design gráfico - moicano Jett.  Ele está mais do que feliz em tocar junto com seu Relacionamento Falso, incluindo quando a anormal Shannon surge com as Dez Regras do Namoro Falso. 
Mesmo que ele goste de violá-las. Repetidamente.  Mas o que acontece quando o Falso Namoro começa a sentir ... que não é falso mais? S
erá que Shannon estará disposta a deixar acontecer e abraçar a primeira coisa em sua vida que nunca foi tão REAL?

Capítulo Um

- Sinto muito incomodá-la, mas você pode dar uma “olhada” no meu computador?
- O quê? - Puxo meus fones de ouvido e olho pra cima e me deparo com um par de olhos espantosamente castanho-dourados, em um rosto esculpido sob uma cabeça com cabelos pretos, raspado curto nas laterais, com uma crista em cima moldada com gel de lado, como uma onda. 

Da gola de sua camiseta aparecem várias tatuagens e seus braços são cobertos delas, porém não tenho a chance de ver o que são, pois meus olhos são atraídos novamente para aqueles olhos e momentaneamente eu fico sem palavras.
Eu procuro algo pra dizer, mas só consigo chegar a duas palavras.
- Sim, certamente. - Brilhante.
Ele me dá um sorriso rápido enquanto puxa seu celular, que toca estridentemente de seu bolso largo e sai apressadamente do café. Eu estive tão imersa trabalhando em meu artigo que não o tinha visto entrar, mesmo estando em uma mesa atrás de mim.
Lá fora ele está andando de um lado para o outro da calçada, em frente ao café, falando em seu celular com um sorriso no rosto. Viro-me em minha cadeira e dou uma espiada em seu laptop, que está aberto no Facebook. Estou distante para ver alguma coisa, mas eu conheço muito bem o layout da página. 
Ele também tem uma pilha de livros e um caderno aberto com alguns rabiscos. Uma xícara de café preto fumegante ao lado do computador.
Retorno ao meu lugar antes que ele volte e me pegue sendo uma completa bisbilhoteira. Além disso, eu preciso voltar ao trabalho. Não posso me distrair agora.
Estou começando o segundo semestre de meu primeiro ano e quase posso provar a minha licenciatura. Tem gosto de vitória e papel grosso. 
Em menos de dois anos, eu terei um bacharelado de Ciências em Negócios e estarei preparada para um MBA(Mestrado em Administração de Empresas). Tenho tremores só de imaginar que terei meu próprio escritório no topo de um arranha-céu brilhante e sentarei em minha mesa de mogno, cruzando as pernas cobertas de nylon, enquanto assino uma fusão corporativa com uma caneta, que provavelmente custa mais do que o carro que dirijo atualmente. 
Felicidade absoluta. Sim, eu quero ter dinheiro quando for mais velha. Eu vivi 21 anos sem ele. Eu sei que não pode comprar a felicidade, mas minha família foi muito miserável sem ele.


Série Regras do Amor
1- Serio (For Real)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Processo de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Sempre leia as letras miúdas! 

O magnata Vincenzo Tomasi precisa de uma babá para seus sobrinhos até o Natal. A proposta de 1 milhão de dólares de salário é o presente que todos pedem a Papai Noel! 
Audrey Miller já trabalha para Enzu e adora crianças. Fazer parte dos Tomasi ajudará muito a família dela. 
O que Audrey não sabe é que Enzu pretende se casar com a candidata aprovada… E o primeiro item da lista de exigências dele é compatibilidade sexual. 
Apesar de apaixonada por seu enigmático chefe há anos, Audrey arriscará sua inocência durante a entrevista de emprego mais inusitada de todos os tempos? 


Capítulo Um

— Quer que eu arranje uma esposa para você? Deve estar brincando! 
Vincenzo Angilu Tomasi esperou que sua assistente pessoal administrativa calasse a boca e parasse de emitir sons como um peixe fora d’água. Nunca a ouvira falar de maneira exclamativa e nem sequer sabia que ela era sequer capaz de elevar a voz. 
Quinze anos mais velha do que ele, e geralmente dona de uma confiança inabalável, Gloria trabalhava para Vincezo desde que assumira a sede do Banco Comercial Tomasi em Nova York, mais de uma década atrás. Enzu nunca vira esse lado dela. Não sabia que existia e ficaria contente em deixá-lo para trás dali em diante. Quando pareceu que ela não se sentia inclinada a acrescentar mais nada à sua resposta chocada, ele corrigiu: 
— Eu darei uma mamma àquelas crianças. 
Embora ele pertencesse a uma terceira geração de sicilianos nos Estados Unidos, ainda dizia aquela palavra com o sotaque carregado do Velho Mundo. Sua sobrinha, Franca, tinha apenas 4 anos e o sobrinho, Angilu, meros 8 meses. Precisavam de pais, não de cuidadores desinteressados. Precisavam de uma mãe. Uma mãe que os criasse num ambiente estável, algo que ele mesmo não tivera quando criança, nem tivera condições de oferecer ao seu irmão mais novo. O que, sim, significaria que a mulher teria de se tornar sua esposa também, mas isso era de menor importância. 
— Você não pode esperar que eu encontre uma mãe para elas. É impossível. — O ultraje dominava uma Gloria que se mostrava plácida em quase quaisquer circunstâncias. 
— Sei que meu emprego abrange incumbências mais flexíveis do que a maioria, mas isto está além até das minhas qualificações. 
— Eu asseguro que nunca falei tão sério e me recuso a acreditar que alguma coisa esteja além da sua capacidade. 
— Que tal uma babá? — indagou Gloria, não se deixando impressionar com o elogio. 
— Não seria uma solução melhor para esta triste situação? 
— Não considero ter a custódia da minha sobrinha e do meu sobrinho uma triste situação — declarou Enzu com frieza. 
— Não. Não. É claro que não. Peço desculpas pela escolha das palavras. 
— Mas Gloria, ainda chocada, não parecia ter uma descrição alternativa para dar. 
— Demiti quatro babás desde que assumi a custódia de Franca e Angilu, seis meses atrás. 
— E a atual babá dava sinais de que não duraria muito no emprego. 
— Eles precisam de uma mamma. Alguém que coloque o bem-estar deles acima de qualquer coisa. Alguém que os ame. 
Ele não tinha nenhuma experiência pessoal sobre como ser um pai de verdade, mas passara tempo o bastante na Sicília com sua família. Sabia como as coisas deveriam ser. 
— Não se pode comprar o amor! Não mesmo. 
— Acho que vai descobrir, Gloria, que, na verdade, eu posso. — Presidente do banco, ele foi a força propulsora por trás de sua expansão, fazendo-o passar de uma instituição financeira regional para uma rede internacional. Também fundador de suas próprias Empresas Tomasi, Enzu era um dos homens mais ricos do mundo. 
— Sr. Tomasi... 
— Ela terá de ser instruída — declarou Enzu, interrompendo a assistente. 
— Deverá ter um diploma de faculdade, pelo menos, mas não um doutorado. 



Tensão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 
Série Flor da Pele 


A grande reunião da família de Annie Davis se aproxima, 

e ela precisa aparecer acompanhada ou nunca mais terá sossego. Qualquer homem bonito e honesto serve. 
Mas onde encontrar alguém que se encaixe no perfil? Resposta: no leilão beneficente de solteiros. 
Com uma bela aparência e referências que o tornam uma pessoa trabalhadora e digna, Sean Murphy parece ser a solução perfeita. 
Mas na verdade, ele é um sofisticado empreendedor europeu que transformou em arte a atividade de dar prazer às mulheres. E agora tem um novo projeto em fase de desenvolvimento: dar prazer apenas para Annie!
Entretanto, Sean sabe que se ela descobrir seu segredo nunca mais confiará nele. 
Ainda bem que ele conhece muitos truques que desviarão a atenção de Annie por muito tempo… 



Capítulo Um 

Annie Davis não iria à festa de 35 anos de seus pais sem um acompanhante. De jeito nenhum. Seria preferível perder um dente da frente em vez disso. Decisão tomada, restava-lhe verificar seu talão de cheques, para avaliar até onde poderia ir, o quanto teria condições de gastar, para garantir evitar um destino pior do que acabar tendo de fazer um implante dentário. 
– Dois mil e quinhentos dólares. Isso é tudo o que posso gastar – murmurou para a amiga Tara, sentada ao seu lado a uma mesa livre nos fundos do salão do hotel. Dois mil e quinhentos eram o máximo a que poderia chegar, e ainda conseguir pagar as contas e comer no mês seguinte.
Tara, que vez ou outra a ajudava na Baby Daze, a creche bem sucedida de Annie, só compareceu àquele leilão de caridade de solteiros para oferecer apoio moral. Seu saldo bancário de aspirante a atriz não poderia arcar com o preço de um glamouroso hotel em Chicago. 
Annie, por seu lado, vinha usando suas economias estritamente para emergências. Assim, o que a levara até ali naquela noite fora o puro desespero, causado pela ideia de um fim de semana em família, desacompanhada, sendo alvo de piedade e de risadinhas de todas as mulheres, suportando a provocação dos homens – principalmente seus irmãos –, e vendo todos em sua pequena cidade natal tentando lhe arranjar encontros.
Isso sem mencionar ter de responder às inevitáveis perguntas sobre os motivos de estar só quando todos os familiares sabiam que ela vinha namorando um rapaz gentil e bonito nas últimas semanas. 
Olhar para seus pais e ter de admitir que aquele moço gentil e bonito com quem estava era um idiota casado? Nem sob tortura! Limpar sua conta bancária parecia um preço baixo a pagar para evitar a agonia. Talvez até suas economias também. Não. Sem chance. 
Não, a menos que Johnny Depp e Josh Duhamel aparecessem naquele palco, oferecendo um fim de semana de pura exploração carnal a um lance elevado. 
– Ninguém foi arrematado por menos de 3 mil pratas até agora, Annie – lembrou Tara. 
A morena baixinha, sempre esfuziante e atrevida, soava atipicamente pessimista. 
– Nem mesmo o loiro fracote fingindo realizar um striptease. 
Annie se encolheu ao recordar o homem de 20 e poucos anos realizando uma dancinha desajeitada que fez as mulheres da fileira da frente fingirem desmaiar. Céus… 
– Talvez eu devesse verificar os bancos do parque. Com certeza há um monte de caras que fariam isso por muito menos de 2.500 dólares. 
– Você está desesperada, Annie, mas não é suicida. 
– E isso por acaso é mais arriscado do que o que estou fazendo agora? Esses homens aí também são todos desconhecidos. 

Mudança de Planos

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


O perfume do sucesso Certa vez, 

Holly Craig cedeu ingenuamente ao charme de playboy de Drago Di Navarra… 
Mas agora vai mostrar que pode enfrentá-lo de igual para igual! Drago jamais havia esquecido a garota que o traiu. 
Mas ao descobrir o segredo que ela escondia, a história toma um rumo inesperado! 




Capítulo Um 

 — Você, levante-se. 
Holly Craig olhou para o homem alto e imponente a sua frente. Seu coração saltou diante da beleza masculina. Tinha cabelo escuro, olhos acinzentados e penetrantes, e o maxilar parecia talhado em mármore Carrara. O nariz era elegante, afilado, e os ossos molares eram tão belos que os grandes modelos deviam morrer de inveja. 
— Vamos lá, garota, não tenho o dia todo — disse ele. 
O tom era sofisticado e harmônico. Italiano, percebeu-a. Tinha sotaque, mas não acentuado. Era refinado e suave, como um vinho fino. Ou um perfume caro. Holly segurou firme a pasta de segunda mão contra o peito e foi para o sofá. 
— Eu, eu não acho que tenha o direito... Ele estalou os dedos. 
— Está aqui para me ver, certo? Holly engoliu em seco. 
— Você é o Sr. Di Navarra? Olhou-a irritado. 
— Sem dúvida. 
Holly ficou em pé, o coração batendo descompassado. Um rubor de constrangimento surgiu em sua pele.
Deveria saber que esse homem era o poderoso presidente da Navarra Cosmetics. Era como se nunca tivesse visto uma foto daquele que poderia estar com seu futuro nas mãos. Todos sabiam quem era Drago di Navarra. Essa reunião era muito importante, mas começara com o pé esquerdo. “Acalme-se, ma belle”, teria dito sua avó. “Você consegue.” Holly estendeu a mão. 
— Sr. Di Navarra, sou Holly... Ele sacudiu a mão, sem deixá-la terminar. 
— Quem você é não importa. O olhar dele se estreitou, percorrendo-a. Vestia seu melhor terninho, mas estava fora de moda. Era preto e dava para o gasto. Era o que tinha. Ergueu o queixo, confusa com o rumo da reunião, mas sem querer arruiná-la com a grosseria dele. — Vire-se — ordenou Drago. 
Seu rosto pegou fogo. Mas virou-se lentamente até encará-lo de novo. 
— Sim — disse ele para uma assistente que estava por ali.
—Acho que essa vai dar. Diga que estamos a caminho. 
— Sim, senhor — concordou a mulher, fria e eficiente, enquanto virava-se e caminhava para o escritório de onde saíram. 
— Vamos — ordenou Drago. Holly só conseguiu levantar e observá-lo se afastar, cada vez mais confusa. Percebendo que ela não acompanhava, ele parou e virou-se. Olhou-a com impaciência em vez de raiva, embora suspeitasse que a raiva estivesse na pauta. 
— Você vem? 



Sabor do Proibido

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Durante toda sua vida, a Grace Blake jogou conforme as regras.

No entanto, com apenas um dia de trabalho para César Navarro, seu enigmático patrão argentino, ela manda às favas as boas maneiras, e também o bom senso!
Uma vez dentro da cobertura de César,Grace está sob o controle dele… 
César sabe que não deveria estimular um caso amoroso com a mulher contratada para cuidar de seu cardápio. 
Mas o jeito desafiador e sexy de Grace despertaram o desejo dele. 
Agora César tem vontade de apreciar algo diferente… De preferência, com gosto do proibido! 



Capítulo Um 

— Tem certeza de que estará bem se ficar sozinha aqui?
— Grace, pare de se preocupar e entre no carro! — Beth, sua irmã, disparou um olhar carinhoso, mas impaciente.
— Tenho 23 anos, não 3, e sou perfeitamente capaz de morar sozinha. Além disso, precisamos do dinheiro...
Sim, elas precisavam, Grace ponderou, ciente até demais. As contas vinham se acumulando nos últimos seis meses, desde que a mãe deles adoecera, obrigando Grace a abandonar seu emprego como chef de doces e folhados em um dos principais hotéis de Londres para cuidar da mãe em tempo integral enquanto Beth terminava o mestrado na Universidade de Oxford. 
Por mais que Beth tivesse voltado a morar na casa da família e que agora trabalhasse em uma respeitável editora em Londres, seu salário estava longe de ser suficiente para bancar as duas e quitar as dívidas. 
Era por isso que Grace estava de partida para o interior de Hampshire, onde passaria um mês de experiência com a intenção de tornar-se a chef e governanta da casa de campo de um empresário argentino podre de rico. 
Como ia morar em Hampshire, Grace presumiu que César Navarro contratava chefs e governantas permanentes para todas as propriedades que possuía em muitas partes do mundo — embora só Deus soubesse o que os empregados ficavam fazendo na ausência dele! 
— Imagino como seja César Navarro em pessoa — especulou Beth ecoando os pensamentos de Grace. Grace parou de verificar o interior cavernoso de sua bolsa e levantou o olhar com um resfôlego. 
— Duvido muito que terei a chance de conhecer o homem em pessoa! A irmã mais nova franziu o cenho. 
— Como assim? Qualquer pessoa que observasse as duas mulheres — Beth, alta, loira e de olhos verde-escuros, e Grace, com um pouco mais de 1,52m, longo cabelo preto e olhos azul-esverdeados — provavelmente não teria problemas em perceber que as duas não eram irmãs biológicas. 
Grace foi adotada quando tinha 6 semanas e permaneceu filha única até os 8 anos, quando seus pais adotivos trouxeram Beth, então com 5 anos, e apresentaram-na como sua nova irmã. Foi amor à primeira vista entre as garotinhas, afeto esse que lhes deu força quando o pai adotivo morreu em um acidente de carro há quatro anos, o mesmo que deixara a mãe delas paralisada em uma cadeira de rodas para o resto da vida. 
Foram as complicações dessa imobilidade na região torácica que a mataram, dois anos atrás. Grace sorriu amargamente. 
— De acordo com o assistente dele de Londres, que como você já sabe foi quem me entrevistou, depois de eu ter passado por uma rigorosa inspeção de segurança, é de minha responsabilidade que o café da manhã esteja pronto para que Raphael, o funcionário dele, o leve para a sala de jantar às 7h, todos os dias. 



domingo, 20 de julho de 2014

Depois do Casamento

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 



Mal-Me-Quer... Bem-Me-Quer...

O dia do casamento de Jen é o mais feliz de sua vida. Seu noivo, Tom Brookhaven, é o homem mais charmoso e atraente do mundo, e os pequenos contratempos que ocorrem antes da cerimônia são insignificantes em comparação com a grandiosidade da cerimônia e do que aquele momento representa para Jen.
Uma pequena confusão, porém, começa quando em plena festa de casamento, Jen tem uma surpresa inesperada...
Embora o casal de pombinhos consiga relevar os acontecimentos por tempo suficiente para viver uma ardente noite de núpcias, Jen sabe que terá de tomar a decisão mais importante de sua vida.
A paixão irresistível que ela sente por Tom vencerá a falta de confiança que de repente tomou conta dela? 
Ou Jen será a primeira noiva do mundo a pedir divórcio na lua-de-mel?

Capítulo Um

Jennifer Canby examinou o cardápio de sobremesas com um suspiro, depois olhou para Tom Brookhaven, que fazia dois anos era seu namorado. Então desviou o olhar para as próprias pernas, até se deter nos joelhos. 
"Oh, não!" Aquelas insidiosas bolsas de gordura que se formam na parte interior dos joelhos das mulheres... Tinham aparecido! Como ou quando, Jen não sabia ao certo, porque elas foram se formando aos poucos, sem que ela percebesse. 
— Vamos, amor — disse Tom, com seu sorriso fácil. O timbre de voz dele era como um bom cappuccino: forte, denso, quente e adocicado. 
— Eu sei que você quer ou a torta de limão ou o pavê de chocolate. A boca de Jen se encheu de água, mas ela fechou o cardápio e balançou a cabeça com um sorriso. 
— Você é a sobremesa da minha vida. E você não se metaboliza diretamente em gordura no meu organismo.
— Não, tem razão — concordou Tom, sério. — Acho que você devia pedir o pavê. — Ele fez um sinal para chamar o garçom. 
Aquele era Tom: confiante, seguro de si, decidido. O único problema era que o recheio de chocolate do pavê iria diretamente para seus joelhos, tornando as bolsas de gordura ainda mais acentuadas. 
— Obrigada, mas não quero sobremesa — disse Jen, quando o garçom se aproximou. Ele e Tom trocaram um olhar insondável. 
— Tem certeza? — insistiu Tom. — Hum... Aquela massa fofa de chocolate, quente, úmida... Com recheio de puro chocolate derretido... Cobertura de chantili e filetes de xarope de framboesa desenhados no prato, entremeados com lasquinhas de chocolate ralado... 
"Filho da mãe", pensou Jen, mas falou simplesmente, com firmeza: 
— Não, obrigada. 
Uma ruga de contrariedade franziu as sobrancelhas de Tom. Ele olhou novamente para o garçom, que mordiscou o lábio. "O que está acontecendo aqui?", Jen quase perguntou. 
— Champanhe — pediu Tom, o semblante se desanuviando. Epa... Ela nunca recusava champanhe, com exceção de noites como aquela, quando já havia tomado um Martini no bar, com três azeitonas, e uma taça de vinho tinto junto com a refeição. 
— Moet, Veuve Clicquot ou Taitinger, senhor? — perguntou o garçom. 
— Veuve Clicquot — respondeu Tom, ao mesmo tempo em que Jen protestou: 
— Eu não posso. Senão não vou conseguir levantar da cama amanhã. 
— Só um pouquinho — encorajou o garçom. 
— Eu insisto — acrescentou Tom. 
Jen suspirou audivelmente. Sentia-se contrafeita, mas não queria ser indelicada. 
— Está bem. 
— Ótimo! — Tom pôs-se de pé de um salto. 
— Vou dar um pulo no... Banheiro. 
"Claro, aonde mais?", pensou Jen, meneando a cabeça e cruzando e descruzando as pernas, beliscando distraidamente a bolsa de gordura no joelho, exposto pela saia curta durante o processo. Quantas calorias conteria uma taça de champanhe? Umas cento e cinqüenta? Tudo bem que era melhor do que as seiscentas e cinqüenta do pavê de chocolate, mas por outro lado, o pavê não lhe daria ressaca. 
Era tentador fazer a troca... 



Eu Te Amo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Precisamos de você. Volte para casa... 

Quando Joely Doyle alcançou idade suficiente para sair de casa, ela fez as malas e foi atrás de liberdade e de uma vida própria, longe das fotografias esmaecidas de um pai que nunca conhecera e dos sonhos de sua mãe, que nunca perdera a esperança de que um dia o marido voltasse. 
Anos mais tarde, um telefonema aflito da irmã mais velha leva Joely de volta ao lar para visitar a mãe, internada em um hospital. Para a Joely adulta, e tão apaixonada por um homem como sua mãe fora pelo pai, a volta ao lar significa problemas a resolver, dívidas a pagar e, principalmente, segredos de família finalmente a serem desvendados. 
Mas quanto mais Joely descobre sobre a vida da irmã, os segredos do pai e os sacrifícios da mãe, mais ela compreende as voltas do destino que construiu seu passado... E as escolhas que deve fazer para definir o futuro! 



Capítulo Um 

Loch Craig Joely Doyle acordou um pouco antes das cinco horas da manhã. 
Os raios do sol penetravam no quarto através das leves cortinas e a passarinhada cantava lá fora. Era o sexto verão que ela passava na Escócia. A cada um deles, sentia-se nostálgica dos nublados verões de sua infância no Maine, quando ela e sua irmã Catherine se deitavam na praia perto do farol e dormiam sob a luz fraca das estrelas. 
Suas mais antigas lembranças giravam sempre em torno da irmã. Recordava da mãe como presença nebulosa, com Mimi sempre entretida em ouvir velhos discos e ficar olhando pela janela à espera do marido que não vinha. Mimi sabia que a filha mais velha faria o seu papel de mãe e cuidaria da caçula da família. Joely não se deixava envolver muito pela nostalgia. 
Para ela, pensar no passado era como perder tempo e energia, mas naquela manhã em particular, acordara no meio de um sonho e nele haviam aparecido lugares e pessoas de sua infância. Joely raramente se lembrava dos sonhos, mas este tinha sido bem diferente, tão rico em imagens e detalhes que por um segundo ela chegara a pensar que estava de volta a Idle Point, procurando uma forma de escapar dali. 
Sentiu um alívio enorme em compreender que havia sido apenas um sonho. Espreguiçou-se e deu com um pequeno corpo deitado próximo ao dela, Annabelle estava adormecida. 
A menina andava ultimamente se levantando no meio da noite, deixando o seu quarto para deitar-se ao lado de Joely e William. Naquele minuto, Annabelle estava profundamente adormecida apesar dos raios de sol a lhe aquecerem a pele e do alegre canto dos pássaros lá fora. Chupava um dos dedos em atitude bem infantil.
Annabelle estava com sete anos agora. Tinha olhos da cor das amêndoas e cabelos castanhos. Acreditava em fadas e estava conven¬cida de que uma delas habitava o armário atrás de sua cama. Via fadas dançando quando Joely não via nada, a não ser a neblina que cobria as colinas que rodeavam a casa. 
Nos últimos meses Annabelle tinha se tornado muito curiosa. Queria saber por que Joely ainda mantinha um apartamento vazio em Glasgow ou por que não tinha um gato ou um cachorro ou um irmãozinho. Queria saber a razão de não poder chamar Joely de mãe. Joely e William procuravam tratar essas perguntas com respeito, e então tentavam responder com honestidade. Mas havia limites. Ninguém pode dizer a uma garotinha de sete anos que nada era permanente. Uma criança não acredita que as coisas possam mudar, especialmente uma que acreditava em fadas. 
Nas últimas semanas, Annabelle vinha se interessando por histórias sobre os antigos festivais do solsticio, não sabendo separar o que era fato do que era folclore. Por isso, William e Joely lhe haviam prometido um piquenique que seria realizado no fim do dia mais longo do ano. Um dia mágico! No momento, William estava no Japão a negócios. Sua viagem já durava duas semanas, mas era esperado para aquela mesma noite. E se William prometera voltar aquela noite, ele voltaria. Não era de quebrar promessas. 
Joely ainda não tinha contado a William que sua antiga equipe de trabalho em Glasgow estava sendo reformulada. O escritório onde trabalhara por bastante tempo ficava a pouco mais de trinta quilômetros de Loch Craig, mas agora seria instalado em Surrey, na Inglaterra. Seus ex-chefes haviam se surpreendido quando ela expressara interesse em voltar a trabalhar com eles. 
Por que ela escolheria trabalhar em um lugar tão distante de sua casa?



Cinderela Por Uma Noite

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Quando ocorreu um blackout em Grand Springs, Colorado, 

o alto executivo Jonathan Steele vivia uma noite movimentada. 
Primeiro, seu meio-irmão chantagista e sua cunhada são assassinados. 
Depois, Cynthia Morgan – aliás, “Cinderella” – ingere o veneno destinado a ele. 
Em 36 horas a vida de Jonathan muda para sempre, e ele se torna o responsável por seu sobrinho recém-nascido. 
Agradecida por ter sido salva, Cynthia se oferece para cuidar do bebê como babá temporária. Agora, Jonathan tem um novo desafio pela frente: resistir ao desejo de não ser mais um homem solteiro…



Capítulo Um 

— Você parece a Cinderela — murmurou Jenny Morgan, de 13 anos, ao ver o reflexo da sua irmã mais velha no espelho. 
— É verdade — comentou Cynthia Morgan, deixando escapar um sorriso. 
— Mas cadê os meus ratinhos? — perguntou girando a saia do vestido de baile que alugara e movendo-se para frente e para trás. 
— Aliás, acho que também preciso de um lindo príncipe, certo? 
— Você o encontrará — disse Jenny, confiante. — Ele cairá de amores por você à primeira vista. — A esperança é a última que morre. 
Mas Cynthia não tinha grandes esperanças de encontrar lindos príncipes no Baile de Máscaras de Caridade de Grand Springs. Primeiro porque Grand Springs, no Colorado, não era um local de reunião de lindos príncipes. Por outro lado, ela também não era nenhuma princesa. 
Naquela noite, com o vestido alugado, o cabelo penteado e usando mais maquiagem que o normal, as suas feições agradáveis, ainda que não espetaculares, ficaram mais realçadas. Cynthia estava muito bonita. 
Mas o evento de caridade atraía a Grand Springs a elite da sociedade, e “muito bonita” não chamaria a atenção de ninguém especial, muito menos de Jonathan Steele, um verdadeiro príncipe encantado. 
— Deixa eu dar uma olhada. 
Cynthia girou o corpo ao ouvir a voz da mãe e sorriu, pois o rosto de Betsy Morgan estampava uma expressão de puro orgulho maternal. 
— Você parece uma miragem — disse Betsy. 
— Eu já disse que ela parece a Cinderela. 
— Sabe de uma coisa? — perguntou Cynthia curvando o corpo para a frente e dando um beijo na bochecha da mãe. 
— Eu sou a pessoa mais sortuda do mundo, pois tenho uma família maravilhosa, sempre disposta a me apoiar, e porque vou a um baile no Grand Springs Empress Hotel. Prometo registrar todos os detalhes para contar a vocês duas amanhã de manhã. 
Betsy trocou um olhar conspirador com Jenny. 
— Calma — disse ela desaparecendo no corredor, mas voltando logo depois com uma caixa de sapatos. 
— Temos uma surpresa para você. Cynthia ficou olhando para a caixa, depois ergueu os olhos, encarando a mãe e a irmã.
 — Não... Jenny fez que sim com a cabeça. 
— Sim. Nós juramos que faríamos isso. Brad e Brett também concordaram. Eles têm a cor perfeita, e você ficará linda dançando com eles. — Ela cruzou os braços sobre o peito, envolvendo o corpo com força. 
— Quando eu crescer, quero ser igualzinha a você, Cynthia. Quero ir ao baile de Halloween e quero estar linda. Cynthia olhou para a mãe. 
— Tem certeza? Será apenas uma noite. Betty deu de ombros. 



O Pecado de Amar

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Dez anos depois de ter fugido da cidade de Hayden, Brooke estava de volta. 

Agora era uma artista plástica conhecida e esperava ser respeitada por seu trabalho, já que na adolescência um escândalo arruinara-lhe a reputação. 
Fora acusada de ser amante de Nick, seu professor, e os comentários maldosos transformaram num inferno a sua vida e a de sua família. 
Ao retornar, Brooke tinha um único propósito: resgatar o respeito para o nome de sua família. Porém, ao descobrir que teria de trabalhar com Nick na restauração do museu de Hayden, sentiu-se fraquejar. 
Ela ainda o amava e não sabia se poderia resistir a seu charme sedutor. 



Capítulo Um 

As janelas do Museu Hayden estavam cobertas de pó e, do lado de fora, Brooke Martin percebia as vidraças trincadas, exatamente da forma como se lembrava delas quando as vira pela última vez, dez anos antes. 
Ficara surpresa ao saber que a prefeitura de Hayden, na Flórida, decidira destinar fundos para trabalhos de restauração. E surpreendera-se ainda mais com o fato de ter sido contratada para projetar as vidraças pintadas que substituiriam as antigas. Houvera um tempo em que a cidade de Hayden não a teria contratado sequer para lavar o chão. Mas era de se supor que as coisas haviam mudado. E já não era sem tempo. 
Ela circundou o prédio até o pequeno estacionamento para funcionários, nos fundos, sombreado pelas palmeiras e pelo grande carvalho que protegiam o pátio do sol de início de primavera. Havia apenas mais um carro estacionado, e o coração de Brooke deu um salto ao vê-lo. 
Por um breve instante, pensou em manobrar seu automóvel e fugir da cidade. Não poderia acontecer outra vez... Era um cupê Duesenberg 1931, modelo J... E ela sabia, sem a menor sombra de dúvida, que não podia haver dois daqueles na pequena Hayden. Sabia também que o dono do automóvel de luxo continuava sendo o mesmo. Nenhuma quantia de dinheiro, nenhum argumento o convenceria a separar-se do carro. Isso significava que ele estava ali, dentro do museu, esperando-a... Com o coração aos pulos, Brooke sentiu o rosto ficar tão vermelho quanto à blusa solta que usava. Suas mãos tremeram, e ela baixou a pasta que trazia consigo, fazendo com que as cinco pulseiras douradas tilintassem em torno de seu pulso. Respirou fundo, saiu do carro, endireitou o corpo e deu um passo à frente. 
Então ele estava lá dentro... E daí? Muita coisa havia acontecido desde aquela noite... Desde aquele beijo... A brisa soprava sobre os longos cabelos loiros de Brooke e balançava os grandes brincos de argola. Ela tirou os óculos de sol e os guardou na bolsa, dizendo a si mesma que não era o fato de enfrentá-lo agora que a incomodava. O problema era não tê-lo enfrentado antes. Brooke simplesmente fugira, mas o que mais poderia ter feito? A cidade tinha em seu poder a maior fofoca de todos os tempos: o professor de artes do colégio, Nick Marcello, andava dormindo com uma das alunas. Não importava quanto daquilo era ou não verdade. Brooke não vira outra saída a não ser deixar depressa a cidade e poupar sua família de mais vergonha. Mas, agora, Brooke fizera um pacto consigo mesma. Jurara voltar à cidade de cabeça erguida, e talvez, criando uma obra de arte que maravilhasse a todos, conseguisse redimir-se. Tornar a encarar Nick era parte do processo, e ela sabia disso. Apenas não imaginara que isso fosse acontecer tão cedo.
Abriu a porta e entrou no velho prédio. A madeira rangeu à sua passagem, com um ruído que ecoou no aposento. 
— Estava esperando você. — A voz dele veio de dentro do salão mal iluminado e atraiu o olhar de Brooke, que o avistou recostado à parede, vestindo um jeans justo e desbotado, uma camisa de flanela com as mangas arregaçadas até os cotovelos e calçando um par de tênis.
Nick aproximou-se com um sorriso hesitante nos lábios cheios, com os quais ela tanto sonhara durante as aulas. 



Surpresas do Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO 


Homem rondando a casa...

Adrienne Rhodes sabia que não devia se encantar com Cutter Matchett. Seu porte atlético, sua beleza viril e carisma eram de fato impressionantes. 
Mas o que realmente cativou Adrienne foi a luminosidade dos olhos negros. 
Cutter Matchett fora contratado para um trabalho de marcenaria... não para fazer amizade com Adrienne... e muito menos para cativar o coração daquela mulher, que, desde o primeiro momento, o atraíra profundamente. 



Capítulo Um 


Cutter Matchett deteve o movimento da lixa e assoprou a fina camada de pó de madeira que havia se acumulado sobre a prancha de carvalho. 
Correu a mão pela superfície lisa, sentindo ainda a pequena imperfeição que tentava corrigir, e desejou que Jonathon Round saísse de onde estava, deixando assim de obstruir a luz que entrava pela janela. 
— Então... — dizia Jonathon — uma hora depois de embolsar os vinte e cinco mil dólares, o tal contador, que se chamava Harvey Rhodes, meteu o carro à toda velocidade numa via expressa, costurando o trânsito como um louco. 
Sem levantar a cabeça, com os olhos ainda fixos na madeira, Cutter empurrou levemente o visitante para a esquerda. Agora sim, podia ver o ponto áspero a ser trabalhado. 
— Cutter... Você está me ouvindo? — o homem insistiu.
Examinando a lixa gasta com desgosto, Cutter atirou-a na lixeira, enquanto respondia: 
— Estou. Vá em frente. 
— Bem, como eu dizia, Harvey Rhodes ia com tamanha pressa que acabou batendo de frente num pontilhão. — Jonathon fez o gesto de juntar as palmas das mãos num ruído seco.
— Resultado: morte instantânea com fraturas de crânio e outras, generalizadas. Mas a história não termina aí. 
— É claro que não — Cutter resmungou, irônico. 
— A polícia chegou em poucos minutos, mas o dinheiro já não estava lá. — Jonathon fez uma pausa dramática, antes de prosseguir. 
— O contador, Harvey Rhodes, saiu do escritório levando o dinheiro. Não parou em nenhum lugar e os vinte e cinco mil dólares desapareceram no ar. Ninguém sabe, ninguém viu... Erguendo o rosto, Cutter fitou-o por alguns instantes, como se fosse dizer algo. Mas logo voltou a concentrar-se no trabalho. — Isso aconteceu duas semanas antes que o nosso cliente descobrisse que o contador, morto no acidente, o havia roubado em vinte e cinco mil dólares. Nesse meio-tempo, a viúva já havia mandado cremar o corpo e vendido o carro a um ferro-velho. E o prejuízo caiu em nossas costas. 
Impassível, Cutter continuava a lixar a prancha de carvalho, com redobrada concentração. Jonathon continuou: 
— A polícia iniciou as investigações, mas não encontrou pista alguma. Conseguiu a quebra do sigilo bancário de Harvey Rhodes, mas não descobriu nada... 
— Então, o mais provável é que os guardas que acorreram ao local do acidente tenham se apossado do dinheiro — Cutter concluiu, com um suspiro. 
— Não seria a primeira vez que isto acontece. 
— Negativo. O primeiro policial a chegar à cena do acidente é o exemplo de honestidade da corporação. Mesmo assim, ele foi investigado minuciosamente. 
— E então...? — Cutter fitou Jonathon, sem nenhuma simpatia. 
— Então, estamos diante de um verdadeiro mistério. A única ponte a nos ligar ao caso é a viúva de Harvey Rhodes. E é aí que você entra — Jonathon afirmou, com um esgar que vagamente lembrava um sorriso. Olhando para Jonathon, Cutter lembrou-se de um tenente que exibia aquela mesma expressão ao mandar os recrutas, com equipamento de campanha, correr pelo deserto sob o sol do meio-dia. Definitivamente, não gostava daquele sujeito. 
Jonathon representava a First Fidelity Insurance, uma grande companhia de seguros de abrangência nacional, que volta e meia recorria aos seus serviços de detetive.



Caubói Apaixonado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Uma canção de amor Mercy 

não esperava perder o controle logo após sua chegada ao México, especialmente numa missão beneficente. 
Mas sua irritação com o incessante ruído que perturba as apresentações do coral não é nada em comparação ao confronto com o arrogante... e incrivelmente charmoso... gerente da cantina! 
Hunter Wilson é um homem que sabe o que quer, e que sempre consegue o que deseja! Até defrontar-se com a petulante e encantadora... 
Mercy Spencer, que irrompe cantina adentro, reclamando do barulho... Como desarmar uma mulher tão determinada, que o encara com olhos mais azuis que um céu de primavera? 
Não será fácil, mas Hunter não é homem de fugir de desafios... e se tudo der certo, aquela adorável jovem de voz melodiosa entoará apaixonadas canções de amor... antes do próximo confronto! 



Capítulo Um 

Pequenas gotas de suor escorriam por entre os seios de Mercy, e a alça de elástico do sutiã aderia à pele, deixando-a desconfortável. Ela removeu um lenço de papel do bolso do jeans e enxugou as poucas gotas de suor que porejavam sob o lábio superior. 
O que a teria persuadido a ir para aquele lugar desolado, mesmo que por apenas uma semana? Ah, sim fora culpa do dr. Nelson, sua consciência a lembrou. Bem, no próximo ano, o dr. Nelson poderia implorar até que seus pequenos olhos saltassem da órbita e o bigode grisalho subisse pelo rosto e tentasse cobrir-lhe a cabeça calva.
Ela jamais desperdiçaria uma semana de suas férias naquele lugar novamente. Se não tivesse um coração tão mole, não estaria ali, para início de conversa. Estaria em algum lugar agradável, num bom hotel com ar-condicionado, lendo um livro bem grosso e pensando no filé grande e suculento que iria saborear na hora do jantar. Porém, em seu íntimo sabia que as coisas nunca aconteciam bem assim. 
Afinal, tudo que o dr. Nelson tivera de fazer para convencê-la a tomar parte naquela aventura fora lhe contar sobre pobres criancinhas com problemas dentários, e lá estava ela, no meio do fim do mundo, numa cidadezinha rural mexicana, cujo nome não sabia sequer pronunciar. 
Jenny, a amiga que dividia a casa com ela, achava que eram férias fenomenais. Este era o terceiro ano que ela e o namorado, Kyle, passavam naquele lugar inóspito. E tinha sido Jenny quem encorajara o dr. Nelson quando ele insistira em levar Mercy consigo para fazer o que fazia durante o ano inteiro, ou seja, trabalhar como sua assistente. 
E claro, Kyle estava matriculado num seminário e pretendia ser missionário, então ele e Jenny seriam os salvadores do mundo. Bem, eles poderiam salvar o mundo se quisessem, mas bem que poderiam tirar seu nome do alto da lista daqueles dispostos a segui-los. Porque, depois do terceiro dia ajudando a obturar dentes que tinham buracos grandes o suficiente para guardar um tanque do exército, ela estava pronta para voltar à sua casa. 
E, naquela noite específica, Mercy deveria conduzir o coral da igreja, e se sentia extremamente esgotada. Tudo o que queria era tirar toda a roupa, deitar-se na cama e rezar para que uma brisa, por mais leve que fosse, entrasse pela janela do quarto. A última coisa que desejava era reger um coral de garotos cantando hinos religiosos. 
— Por que está tão aborrecida? — perguntou Jenny, olhando para a amiga que era muito mais alta do que ela.
— Estou com calor. Aliás, minha pele está pegajosa de tanto calor. Estou suando e não gosto de suar. Neste momento, não quero cantar. Apenas quero sentir frio e não quero cheirar a poeira. Gostaria de afundar numa banheira de espumas e beber tanta água gelada que não me importaria de ficar doente — declarou Mercy.