segunda-feira, 25 de julho de 2016

Entre o Dever e o Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Rumos Imprevistos


Ele tem o que deseja!

O bilionário Leandro Perez fica furioso quando Emily Edison, sua indispensável assistente pessoal, pede demissão, deixando bem claro o que realmente pensa sobre ele. Leandro não permitirá que ela se livre tão facilmente. Se Emily quiser ir embora, terá de pagar o preço: duas semanas no paraíso, cumprindo todas as suas ordens. Encurralada, o frágil plano de se casar com um amigo para garantir a segurança da família fica ameaçado. 

E a atração entre os dois se transforma em um desejo impossível de ser ignorado. E logo Emily terá de escolher entre o dever e a paixão.

Capítulo Um

Emily Edison olhou resolutamente à frente enquanto o elevador subia para o vigésimo andar, deixando empregados ao longo do caminho. Era a hora matinal do rush em Piccadilly Circus, no coração de Londres. Ela raramente via isso, porque raramente chegava ao trabalho além de 8h da manhã, mas hoje...
Dedos delgados apertaram a bolsa de couro ao seu lado. Dentro da bolsa, sua carta de demissão parecia um dispositivo incendiário esperando para explodir no minuto que fosse liberada de seu recipiente frágil. Quando tentava imaginar qual seria a reação do seu chefe diante de tal carta, sentia-se mal.
Leandro Perez não ia ficar feliz. Quando Emily começara a trabalhar para ele, mais de um ano e meio atrás, ele já passara por inúmeras secretárias, a mais bem-sucedida delas durou duas semanas.
— Elas dão uma olhada para ele — a assistente pessoal relativamente idosa dele lhe dissera, dois dias depois da chegada de Emily na empresa — e alguma coisa desafortunada acontece nos cérebros delas. Mas você, graças a Deus, parece ser feita de material mais forte. Quando eu disse a Leandro que ficaria até encontrar uma substituta bem-sucedida, não tinha ideia de que ainda estaria aqui depois de seis meses e meio...
Emily logo aprendera a fazer o trabalho. Teoricamente, aos 27 anos, ainda era jovem o bastante para ser abalada por um homem que podia virar cabeças de mulheres a diversas quadras de distância, mas ele não fez nada com ela. A beleza incrível de Leandro deixava-a fria. A voz rica e profunda, com aquele leve sotaque argentino, não lhe tirava o equilíbrio. Quando ele rodeava sua mesa para olhar alguma coisa no computador dela, o sistema nervoso de Emily permanecia perfeitamente estável e funcionando. Ela era, como previra a ex-secretária dele, feita de material mais forte.
Todavia, no momento, subindo sozinha no elevador, porque as outras pessoas já tinham descido em andares mais baixos, ela se sentia uma pilha de nervos, embora se perguntasse... o que ele poderia fazer? Condená-la a algum exílio imediato em algum lugar do outro lado do mundo? Ameaçar trancá-la e jogar a chave fora?
Não. O máximo que ele poderia fazer era ficar muito, muito irritado... e, sem dúvida, ficaria... especialmente considerando que, apenas 15 dias atrás, Leandro lhe fizera um elogio generoso e lhe dera um aumento também generoso, pelo qual ela ficara imensamente grata.
Emily respirou fundo quando as portas do elevador se abriram e ela saiu no andar opulento da diretoria da companhia de eletrônicos que seu chefe possuía e dirigia com incrível eficiência.
Esta era apenas uma das empresas bem-sucedidas dele. Elas variavam de publicações a telecomunicações, e ele começara, recentemente, um programa de investimento em hotéis, já possuindo três deles. A riqueza de Leandro era incalculável.
Ela sentiria falta daquilo tudo, pensou, olhando em volta do departamento movimentado. Plantas e repartições de vidro escuro garantiam certa privacidade para as secretárias que ajudavam a manter a maquinaria funcionando. Diversas delas lhe acenaram.
Ela sentiria falta do almoço ocasional com as outras mulheres na cantina no escritório. Das redondezas espetaculares de um prédio, o qual era uma atração turística em si. Do ritmo carregado de adrenalina de seu trabalho, da diversidade das tarefas e de todas suas responsabilidades... as quais haviam aumentado muito desde que ela começara.
E sentiria falta de Leandro?

Série Rumos Imprevistos
2- Entre o Dever e o Desejo
Série Concluída

Desacordo Mútuo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Rumos Imprevistos





Mudanças de planos...

Sophie Gruebella está feliz com sua vida de solteira... até ouvir uma amiga fazendo comentários maldosos sobre o assunto. Será que este foi o motivo de ela ter ido para a cama com um homem que é o seu oposto? Cooper Smith é tão centrado quanto lindo! Ele tem a vida toda planejada. A noite com Sophie foi incrível, mas ambos concordaram que não iria se repetir. 

Três meses depois, o teste de gravidez dá positivo. E Cooper acaba de pedi-la em casamento!

Capítulo Um

— As moças solteiras podem, por favor, ir para o centro do salão? A noiva jogará o buquê!
Sophie Gruebella, que distraidamente circulava a borda da taça com o dedo, olhou então para o DJ e para as mulheres se posicionando na pista de dança do salão de bailes de Sydney. Seus olhos cor de esmeralda piscavam, enquanto ela permanecia sentada, com as mãos no colo.
De jeito nenhum. Ela estava feliz que sua amiga havia encontrado o homem certo. Wendy e Noah pareciam perfeitos juntos, particularmente agora, enquanto ele roçava um beijo nos lábios da esposa, e Wendy preparava-se para jogar as rosas na direção do grupo de mulheres agitadas. Mas, infelizmente, no que dizia respeito a Sophie, ter comparecido ao casamento hoje já tinha sido esforço suficiente.
Quase todos ali sabiam que ela havia sido dispensada, sem cerimônia, três meses antes. Sua automedicação consistia de uma overdose noturna de qualquer coisa que lembrasse chocolate e DVDs de comédias românticas, cujos finais felizes deixavam-na ainda mais irritada. Sophie ganhara cinco quilos... e isso apenas sob seus olhos.
A humilhação de ser dispensada por causa de uma mulher mais jovem, mais magra e mais atraente, aos poucos, estava diminuindo. Ela não estava mais apaixonada por Ted, graças a Deus. Todavia, sendo de postura modesta, em vez de assertiva, o golpe em sua autoestima machucara. A ideia de algum dia apaixonar-se novamente, quanto mais literalmente perseguir um buquê de noiva, lhe causava náuseas.
— Última chance, senhoritas — a voz do DJ ressonou em volta do salão. — Quem vai pegar o buquê? Quem será a próxima a se casar?
Sophie suspirou. Algum dia experimentaria a felicidade que Wendy e Noah estavam compartilhando hoje? Embora fosse difícil admitir, quanto mais o tempo passava, menos ela acreditava nisso. E Deus sabia que uma cerimônia extravagante e um papel assinado não eram garantias de felicidade eterna.
Enquanto Sophie ponderava, um homem de aparência magnífica atravessou seu caminho. Seu coração disparou e, por um momento, a sensação de náusea desapareceu. Possuindo uma beleza perigosa, do tipo 007, ele parou um pouco à frente e a sua direita. O paletó do smoking, que enfatizava a largura de seus ombros, moveu-se quando ele tirou um celular do bolso. Com o perfil sério, pernas longas separadas, ele consultou o relógio no pulso, e após algumas palavras indecifráveis ao telefone, terminou a conversa.
Um telefonema de negócios? Estranho para um sábado à noite. Sophie estudou as redondezas. A namorada dele devia estar entre a multidão. Porque homens sexies e autoconfiantes como aquele sempre tinham namoradas... e não do tipo gordinhas e deprimidas como Sophie.
Sophie pôs sua taça de lado.
Na verdade, era hora de partir.
Quando ela colocou o último chocolate em formato de coração na bolsa, um grito coletivo cortou o ar, e alguma coisa brilhante e fragrante caiu no seu colo. Sophie olhou para baixo e arfou.
Como o buquê de Wendy tinha voado toda aquela distância e parado ali? Mais importante, onde ela poderia se esconder?

Série Rumos Imprevistos
1- Desacordo Mútuo

Votos de Desejo

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Casamentos da Sociedade





O sheik sedutor: Casado pelo dever.

O recém-coroado sheik Zayed Al Afzal precisa ganhar apoio do povo. E isso significa algo que esse playboy convicto sempre evitou - casamento! Seus conselheiros podem ter apresentado pretendentes belíssimas, mas quando Zayed pôs os olhos na estonteante Nadia Amani, soube que havia encontrado a mulher perfeita. 

E só depois da cerimônia, ele descobre o segredo de Nadia: ela é filha de seu inimigo! Porém, nas estreladas noites do deserto, o ódio se transforma em um desejo que precisa ser saciado.

Capítulo Um

Nadia esperava não ter chegado tarde demais. Enquanto se aproximava dos portões do palácio, pôde ver grupos de mulheres jovens que já estavam saindo. Seus trajes diáfanos flutuavam enquanto elas seguiam rapidamente como borboletas coloridas.
Dentro da entrada abobadada do palácio, ela quase colidiu com o grupo do harém que saía, pois era do que se tratava. Eram as mulheres mais bonitas do reino a serem apresentadas ao recém-coroado sheik Zayed Al Afzal para sua diversão e prazer. Exceto que nenhuma delas fora considerada adequada. O sheik dispensara todas, não achando nenhuma delas boa o bastante para seus elevados padrões? Sem dúvida, pela expressão grave no rosto dos guardas, pela maneira como se certificavam de que as mulheres se retirassem, parecia que algo dera muito errado.
Bem, ela teria de se empenhar mais. Agachando-se, Nadia segurou um trecho de sua saia esvoaçante e, tornando-se o menor possível em estatura, começou a abrir caminho por entre as pernas das convidadas que saíam. Conseguiu chegar até a porta, e a sorte estava do seu lado, pois os olhos do guarda alto foram momentaneamente atraídos pelas curvas generosas de uma mulher que saía.
Aquela era sua chance. Começou a correr velozmente pelo largo vestíbulo, com as sandálias chiando no piso de mármore e os braceletes nos pulsos e nos tornozelos e o cinto de pedrarias formando uma cacofonia que poderia denunciá-la.
Havia uma porta aberta à sua frente e correu às cegas até ela, determinada a não deixar que nada a detivesse. Tinha de ver o sheik Zayed Al Afzal.
Parando, viu-se no meio de uma imensa sala luxuosa de ar formal. E ali, sentado num trono dourado numa plataforma ao fundo da sala, estava o sheik Zayed.
Ambos se entreolharam. Ofegando, Nadia sentiu o detestável bustiê apertando-a e acentuando a curva de seus seios. Os músculos de seu ventre se contraíram enquanto ponderava que a exposição do corpo daquela maneira ia contra tudo que acreditava.
E certamente atraía a atenção dele. Pôde sentir os olhos do sheik percorrendo-lhe o corpo seminu, e sua pele se arrepiou. Foi tomada por uma onda de constrangimento.
Sabia que aquele era seu momento, sua única chance, e tinha de fazer as coisas acontecerem. Mas ainda hesitou. Pois o sheik Zayed não era como imaginava. Ele era alto e extremamente bonito, com as pernas compridas esticadas à sua frente, cruzadas na altura dos tornozelos. Usava um terno escuro ocidental com elegância e, quando ergueu os olhos, Nadia notou-lhe o peito largo, a camisa branca e a gravata afastada para o lado. Percebeu que ele segurava com força a cabeça de cada leão nos braços do trono, o que contrastava com sua postura relaxada.
Olhá-lo nos olhos era o que tinha a fazer agora. Respirando fundo corajosamente, pendeu a cabeça e preparou-se para olhá-lo em cheio. Podia fazer aquilo. Mas o que viu foi bem pior do que achara. Pois o que a fez ficar com a respiração em suspenso e abalou sua determinação não foi o olhar cruel do assassino impiedoso que estivera esperando, mas algo bem mais perigoso. Os olhos dele eram bonitos, de um castanho-escuro, intenso, e pareciam seguros e experientes. Eram do tipo capaz de derreter uma pessoa.
De repente, Nadia notou a respiração ofegante de um guarda-costas atrás dela, mas era tarde demais. Ele já lhe segurava o antebraço com força.
— Perdão, Majestade, esta passou por nós.
“Esta”? Como o homem ousava falar dela daquele jeito? Tentando libertar furiosamente o braço, Nadia só sentiu a pressão aumentando.
— Eu lhe agradeço se tirar suas mãos brutas de cima de mim!

Série Casamentos da Sociedade
4- Votos de Desejo
Série Concluída

Marca de Sedução

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Casamentos da Sociedade






O siciliano implacável: Casado por vingança.

Stefan Bianco tem apenas uma coisa em mente: vingança! E a última pessoa que esperava ver nos braços de seu inimigo era a estonteante Clio Norwood — a única mulher que resistiu a sua sedução. A vida de Clio tornara-se uma sombra do que fora no passado. 

Porém, o olhar ardente de Stefan traz de volta todos os sentimentos adormecidos. Clio tem os meios para seu plano de vingança, e Stefan a chave que abre as portas para a liberdade dela... mas só se Clio aceitar sua proposta inesperada.

Capítulo Um

Ela sentia-se como vidro, tão tensa que um tapinha gentil poderia destruí-la para sempre.
Apertando seu xale nos dedos, Clio Norwood olhou ao redor, procurando seu noivo, Jackson.
Ashley, a secretária dele, que tinha chegado para interromper a reunião deles com uma cliente importante, não estava em parte alguma também. Alguma coisa desagradável pairava na mente de Clio, como se esperando para atacar.
Com a pequena festa dos ultrarricos no auge, acontecendo no topo de Empire State Building, Manhattan brilhava em volta deles.
Geralmente, a atmosfera vibrante da cidade que se tornara lar para Clio durante a última década a preenchia com muita energia. Tal atmosfera a motivara mesmo quando ela estivera em dificuldades, depois da formatura em Columbia University. E a ajudara a engolir seus fracassos e suas expectativas ingênuas de vencer sozinha na cidade que nunca dormia.
Mas esta noite, nem mesmo Nova York conseguia destruir o medo que começara a penetrá-la ultimamente.
Jackson havia voltado na noite anterior, depois de uma viagem de três semanas no exterior, e estivera num péssimo humor, porque perdera alguma negociação imobiliária.
Eles mal tinham se falado durante o dia, uma vez que Clio estivera no trabalho. Quando ela voltara ao apartamento luxuoso, onde eles estavam morando pelo último ano, ele comandara que ela se aprontasse para a festa desta noite.
Comandara, e não pedira. Um padrão que estava se tornando cada vez mais óbvio para Clio. Entretanto, ela conhecia o estresse do trabalho de Jackson, e entendia a necessidade de deixar uma marca no mundo, portanto cedera.
Apesar de ainda estar exausta pela gripe que tivera, uma semana atrás.
Esta noite, Jackson precisava dela para convencer a sra. Alcott, uma velha amiga dos pais de Clio, a contratá-lo como seu investidor pessoal. Com as propriedades que possuía na Inglaterra e os negócios substanciais da família, Jane Alcott seria uma grande vitória para a carreira já bem-sucedida de Jackson.
Mas ele nem tinha cumprimentado Jane propriamente, antes que Ashley abordara Jackson com um brilho desesperado no olhar.
Não querendo criar uma cena, Clio cerrara os dentes e sorrira serenamente, mesmo enquanto via os olhares curiosos entre as esposas e namoradas dos clientes de Jackson. Até a pergunta de Jane sobre se estava tudo bem entre Jackson e ela tinha sido insuportável.
O que estava acontecendo com ele? O que estava acontecendo entre eles?
Porque Clio sabia, com uma clareza nauseante, que Ashley tinha a ver com o que estava acontecendo entre ela e Jackson.
Subitamente, pareceu absurdo que Ashley o tivesse arrastado dali, como se ele fosse uma propriedade sua.
Endireitando os ombros, Clio começou a andar. Detestava criar uma cena, detestava os olhares especulativos e de piedade que lhe eram dirigidos frequentemente nos últimos meses, mas suportara tudo silenciosamente.
Por esta noite, bastava. Ela parou ao reconhecer uma figura alta e dominadora, os olhos verdes e a boca generosa causando-lhe um impacto instantâneo.
Stefan Bianco.

Série Casamentos da Sociedade
3- Marca de Sedução

Meu Sonho é Você!

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Trigêmeas ABC






Eu rezei para que você viesse!

A partir do instante em que o garotinho da casa vizinha sussurrou estas palavras no ouvido de Corine, ela soube que estava fisgada. Fora para Miracle Harbor a fim de tomar posse de um rancho que havia herdado, um lar que seria seu se ela se casasse... Era uma pena que o charmoso caubói que criava o sobrinho quisesse apenas as terras, e não Corine. 

O olhar de Matt Donahue, entretanto, dizia outra coisa... Parecia revelar que ele ansiava por um grande amor tanto quanto ela... e prometer que o sonho de Corine poderia se tornar realidade. Mas será que ela não estava vendo coisas?

Capítulo Um

Prólogo
Com uma sensação de pânico, Corine Parsons percebeu que estava prestes a chorar. Olhando para as duas mulheres que ela nunca havia visto antes, embora seus rostos fossem idênticos ao que via todos os dias ao se olhar no espelho, ela lutou com as emoções que ameaçavam destruir seu controle.
Trigêmeas. Ela era uma das trigêmeas. Não conseguia identificar sua emoção. Era alegria ou tristeza? Choque ou medo? Qualquer que fosse a emoção, Corine sabia a primeira regra que a vida lhe ensinara. Sabia de cor. A regra era nunca chorar. Nunca.
Aprendera isso quando tinha seis anos de idade e fora para seu primeiro lar adotivo porque sua tia Ella adoecera. Aterrorizada e sozinha, ficara feliz quando encontrara um cachorrinho. Ela o escondera secretamente embaixo da varanda, roubando sobras do lixo para alimentá-lo. Cuidara dele com amor, mas fora descoberta. As regras da casa tinham que ser obedecidas: nada de animais de estimação. De nada adiantara chorar e implorar.
As lágrimas fluíram livremente quando ela tentara fazer seus pais adotivos entenderem como o cachorrinho era importante para ela. Mas ninguém se importara. Quando a verdadeira filha de sua mãe adotiva usara a jaqueta vermelha de Corine sem pedir, e aquela jaqueta era a única coisa boa que ela possuía, ela ouvira:
— Você deveria estar agradecida por poder deixá-la usar a jaqueta depois de tudo o que temos feito por você.
Dos seis aos dezessete anos, Corine trocara de lar adotivo muitas vezes. Os sete lares onde vivera haviam reprimido suas lágrimas, transformando-a em uma pedra de gelo. E ela via essa expressão gelada toda vez que se olhava no espelho, mesmo dez anos depois de ter deixado o último lar adotivo para trás.
Agora, sentada em uma poltrona de um escritório de advocacia ricamente mobiliado, com espessos tapetes e cercada por estranhos, sentia que talvez não conseguisse se controlar durante muito tempo. No passado, quando era uma criança sozinha com suas poucas roupas dentro de um saco plástico, aos pés de mais uma cama estranha, ela sonhara com essas coisas. Ficava deitada e desperta na escuridão tentando expulsar seus medos com sonhos.
Haviam sido sonhos detalhados de uma família imaginária. Uma árvore de Natal com presentes. Presentes com seu nome. Uma cama sem plástico protegendo o colchão. Um pai bonito e forte que inclinava a cabeça, pegava sua filhinha e a jogava para o ar. Irmãs que partilhavam bonecas, laços de fita e segredos.
Sonhava com alguém que a amasse. Corine, ela disse para si mesma, contendo as lágrimas, essas duas mulheres são suas irmãs. Mas elas a amarão e se importarão com você, como se o simples laço de sangue pudesse automaticamente garantir esse a feto?
Quando ousou olhar para as irmãs, Abby e Brittany, notou alguma coisa em seus olhos. Os olhares delas eram ternos e acolhedores. Corine queria muito acreditar nisso, mas ao mesmo tempo tinha medo. Seu jeans desbotado tinha um furo no joelho e ela mexia nos fiapos do furo com os dedos, tentando desesperadamente manter o controle.
A distância, podia ouvir a voz do advogado falando sem parar sobre um estranho que lhes fizera doações. Doações-generosas: Abby ganhara uma casa, Brittany um comércio. Outro homem entrou e saiu, mas ela mal percebeu. Ouviu seu próprio nome. E a sua doação. Cinco acres de terra e uma pequena casa. Suas irmãs pareciam ingenuamente felizes, mas ela esperava por alguma observação desagradável. Sempre havia uma. E logo soube o que era. Havia condições concernentes às doações. Para receberem as doações elas teriam de ficar ali, naquela pequena cidade litorânea que nunca viram antes, durante um ano. E o pior: ao longo desse ano ela teria que se casar.
Casar! Ela, que congelava um homem no lugar com a frieza do seu olhar! Mas, se fosse morar ali, mesmo que por um ano, poderia estar com elas, com suas irmãs. E se reorganizasse toda a sua vida e as irmãs não gostassem dela? O medo foi tão intenso que Corine teve a sensação de estar caindo em um precipício.
De repente, a sensação desapareceu. Sua irmã Abby estendera a mão através do pequeno espaço entre as cadeiras e pegara nos seus dedos. Era como se ela conhecesse o terror que Corine estava sentindo e soubesse também como fazê-lo desaparecer.
A mão de Abby era macia, forte e quente. Ela apertou a mão de Corine, que olhou para ela. E o que viu nos olhos da irmã a fez perceber que mudaria para aquela cidade independentemente de como estava assustada. Não imediatamente, é claro. Tinha obrigações que deveriam ser resolvidas. Mas voltaria assim que fosse possível.
Assustada e excitada ao mesmo tempo, Corine admitiu que não conseguiria recusar esses presentes que lhe haviam sido oferecidos: a esperança e a ternura que via brilhar nos olhos de suas irmãs.

Série Trigêmeas ABC
3- Meu Sonho é Você!
Série Concluída

Uma Nova Vida, Um Casamento

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Trigêmeas ABC






Só faltava um detalhe para enfim pisarem no altar: convencer o noivo!

Brittany Patterson chegou a Porto Milagre ansiosa por receber sua herança e começar vida nova! Ela estava disposta a tudo para se tornar proprietária da empresa que herdaria. Qual o problema se tinha de se casar para garantir a herança? Brittany não se importava... 

Ela estava determinada a conseguir!
A começar pelo advogado zangado, porém irresistível que acabara de conhecer...
No instante em que viu a bela Brit Patterson, Mitch decidiu que ela era a única mulher com quem se casaria! Era espontânea demais, encantadora demais!
Mas Mitch, ao contrário de Brit, zelava por um casamento sincero e verdadeiro...

Capítulo Um

Prólogo
15 de fevereiro
Brittany Patterson, que se considerava incapaz de se chocar, estava chocada.
Era o que podia fazer para manter as mãos calmamente juntas no colo, em vez de se abraçar, com força e demoradamente. Era o que podia fazer para não verter as lágrimas quentes que lhe incomodavam os olhos.
Irmãs.
Ela, que sempre fora sozinha, não estava mais só.
Brittany queria desdenhar do próprio sentimento. Não fora sozinha, precisamente. Tivera pais adotivos. Amigos.
Não obstante, ao fitar os rostos das irmãs, tão estranhamente iguais ao seu, era como se tivesse passado a vida toda sozinha, o coração esperando por algo de que sabia.
Não apenas irmãs. Mas trigêmeas. Brittany Patterson acabara de descobrir que era uma das trigêmeas. Queria olhar para elas, sorver suas feições, encantar-se com a curva da boca de Abby, o jeito com que Corine jogava os cabelos, maneirismos que ela mesma possuía.
Em vez disso, forçou-se a ouvir o grisalho Jordan Hamilton, desejando que o advogado desvendasse o mistério de não terem permanecido juntas.
Em vez disso, o mistério aumentou.
Ele não sabia por que haviam crescido separadas, cada uma alheia à existência das outras. Sabia apenas que foram reunidas ali, em seu escritório, por uma pessoa que permaneceria incógnita. Essa mesma pessoa concedera um presente a cada uma.
Brittany vagamente registrou que a irmã, Abby, recebera uma casa. Vagamente registrou as condições. Então, seu próprio nome invadiu as brumas de seus pensamentos, e ouviu, com sua parte alerta, enquanto a outra continuava atônita com a descoberta. Irmãs.
— ...a padaria Rua Principal, localizada na rua principal, 207, Porto Milagre, Oregon, sob a condição de que a srta. Patterson resida em Porto Milagre pelo período de um ano e que se case nesse mesmo período.
Brittany prendeu a respiração, aterrissando solidamente no planeta Terra, e fitou o distinto advogado grisalho, esperando que ele risse.
Mas ele não riu.
— Sr. Hamilton, meus pais estão por trás disso, não estão? — Brittany supunha que estavam arrependidos por terem sido tão inflexíveis após o acidente de carro. Provavelmente, descobriram, de algum modo, que ela vendera o bracelete magnífico na semana anterior. De certa forma, a armação deles era brilhante.
— Seus pais? — indagou Jordan Hamilton, genuinamente atônito.
— Sabe... Comprar uma carreira para mim e me casar num único golpe — esclareceu Brittany, descontraída, como se pouco lhe importasse que os pais a considerassem incapaz de cuidar de si mesma. Não que tal avaliação fosse completamente injusta.
Série Trigêmeas ABC
2- Uma Nova Vida, Um Casamento

Marido por Herança

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Trigêmeas ABC




O que mais uma mulher poderia desejar?

Uma misteriosa doação deixou Abby Blakely com a casa de seus sonhos. Só que fazia parte do pacote um ex-policial mal-humorado que sua filha pequena decidira que seria o pai perfeito!
Charmoso e atraente, Shane McCall seria também um marido perfeito se a palavra "casamento" não lhe causasse um gosto amargo na boca. 

As lembranças de uma vida com a qual ele sonhara mas que fora destroçada haviam deixado uma cicatriz onde antes existira um coração. Agora o celibatário convicto estava às voltas com Abby e sua adorável filhinha, lutando contra sentimentos há muito enterrados. Sentimentos cada vez mais difíceis de negar...

Capítulo Um

Prólogo
— Srta. Blakely, garanto-lhe que a reunião não vai demorar.
— Obrigada — Abby murmurou, pouco à vontade no escritório do advogado.
A decoração do recinto demonstrava bom gosto e valor elevado. A mesa de café escura era de nogueira. Os sofás macios eram em couro castanho-claro, os tapetes persas em tons de vinho e a luz difusa acalmava o nervosismo. Abby nunca fora a um escritório de advocacia e se não houvesse recebido o convite e uma passagem aérea, duvidava que ali estivesse naquele momento. Quem teria feito a doação?
A carta registrada não deixara dúvidas. Fora nomeada beneficiária de um legado substancial, mas o doador mantivera-se anónimo. O telefonema ao advogado nada esclarecera. Apenas recebera a informação para comparecer aos escritórios da Hamilton, Sweet e Hamilton, em Miracle Harbor, Oregon, naquele dia, 15 de fevereiro, às dez da manhã.
— Srta. Blakely, não quer mesmo um café?
A recepcionista sorria com bondade e Abby esforçava-se para esconder o constrangimento. Não estava acostumada a frequentar ambientes tão ricos. Seu guarda-roupa era simples e prático, para ser usado em casa ou no playground. Resistente à pequenas manchas de mão, grama e saliva. Viera com uma saia azul-marinho, túnica combinando e jaqueta. O conjunto custara menos de cinquenta dólares.
Abby arrumou os cabelos loiros e curtos, baseando-se na própria imagem refletida na superfície polida da mesa de café. Longe da filha de dois anos há menos de vinte e quatro horas, sentia um vazio no coração que se aprofundava a cada minuto. Já eram quase dez e trinta.
— Houve algum problema? — Abby perguntou, ansiosa.
Arrependia-se de ter vindo até ali, de haver aceitado a estranha convocação, imaginando que tudo iria mudar, no momento em que refletia como proporcionar uma existência pacífica e estável para a filha, Belle.
E fora exatamente por isso que viera. Embora cética tivera a intuição de que a doação lhe possibilitaria dar a Belle um belo padrão de vida. Uma pequena casa, em vez do apartamento. Uma vizinhança agradável perto de um parque. Uma máquina de costura nova que lhe permitiria aceitar mais trabalho. Sonhando acordada!, Abby repreendera-se.
Ainda incrédula, recebera uma passagem de avião no valor de várias centenas de dólares. Em Portland, uma limusine a esperava e a deixara no hotel mais luxuoso de Miracle Harbor. Trouxera na bolsa a carta com a garantia de que o legado era considerável.
A esperança a fizera cruzar o continente, de Illinois até aquela pequena cidade do Oregon. Miracle Harbor, construída em forma de meia-lua nas colinas que rodeavam uma baía, parecia um cartão postal. Fileiras de belas casas antigas com telhados de madeira atrás de cercas brancas e rododentros, o ar quente e o cheiro do mar.
— Houve algum problema? — ela insistiu.
— Não, claro que não! Estamos esperando a chegada dos outros convidados.
— Outros? — Abby surpreendeu-se.
Foi a vez da recepcionista ficar sem jeito, como quem deixava escapar um segredo profissional. A porta foi aberta e ambas ficaram aliviadas.
Uma mulher entrou na sala. Usava óculos escuros e um casaco curto de peles. A saia longa de seda verde serpenteava ao redor das pernas esbeltas, enquanto ela se movia com determinação. Os cabelos, cuidadosamente penteados, ondulavam de maneira atraente ao redor dos ombros.
Abby observou um quê de familiar na recém-chegada, que devia ter peso e altura semelhantes aos seus. Os cabelos também eram loiros.
— Olá. Sou Brittany Patterson. Sou...
A jovem mulher parou de falar, assim que viu Abby. Devagar, tirou os óculos e Abby pensou que iria desmaiar. O rosto da outra era o mesmo que a fitava diariamente através do espelho.

Série Trigêmeas ABC
1- Marido por Herança

A Noiva Fugiu!

ROMANCE CONTEMPORÂNEO









Pare o casamento!

Willow e Mike não sabem dizer quem está mais aliviado quando os dois deixam de comparecer à igreja! Recuando diante do casamento, decidiram realizar seus sonhos profissionais em vez de se unirem...
Mas, deparando acidentalmente com Willow algum tempo depois, Mike descobre que ainda se amam... e que deveriam enfrentar seus problemas em vez de fugir deles. De algum modo, ele precisa recapturar a noiva fujona, convencê-la de que devem ficar juntos e... dessa vez levá-la ao altar!
Quase no altar... será que esses quase-casados se tornarão recém-casados?

Capítulo Um

Prólogo
— Não vá... — Mike a abraçava com força, aconchegando. — Adoro acordar e ver você.
Willow também adorava despertar e sentir o rosto junto ao tórax viril, segura pelo braço forte, contemplar Mike com os cabelos loiros sobre a testa. Adorava-o. Era maravilhoso aninhar-se junto dele no escuro e se deixar beijar até esquecer tudo.
Sair daquela cama quentinha e voltar para casa tarde da noite em um domingo não era a melhor pedida, para nenhum dos dois. Por isso mesmo, era sempre ela quem ia à casa dele. Com seu carro estacionado em frente, não podia prolongar a visita além do planejado.
— Lamento, querido. — Willow desvencilhou-se, beijou Mike e deixou a cama. — Se ficar, terei de ir para casa de madrugada para poder trocar de roupa e ir trabalhar. Segunda-feira já é um dia estressante sem esse agravante.
— Devia trazer uma muda de roupa — resmungou Mike, inconformado. — Ou deixar algumas aqui. Assim, teríamos mais tempo juntos...
Não era a primeira vez que Mike dava aquela sugestão, mas Willow recusava-se. Já tinha estojo de viagem com escova dental dobrável, que carregava para todo lado com um par de chinelos e duas blusas de malha justas, sempre pronta para uma viagem inesperada, pois era jornalista, mas deixar roupas na casa do namorado era algo muito mais sério.
Os limites do relacionamento ficariam imprecisos. Ela se tornaria acessível demais. Antes que percebesse, estaria lá com mais frequência do que em sua própria casa, e ele acharia bom. Acabara assumindo todas as tarefas domésticas. Porque era mulher. Não seria a primeira vez.
— Não adiantaria. Tenho de dar comida a Rasputin e Fang. — Pegou emprestado o roupão dele e foi para o chuveiro. Os dois peixinhos dourados, que Mike ganhara em uma feira, consumiam seu peso em ração.
— Traga os peixes também — solucionou ele. — Posso construir um anexo para abrigar sua coleção de bichinhos de pelúcia, se quiser.
— Quando estou aqui, amor, você é meu bichinho de pelúcia. — No banheiro, ao abrir o registro do chuveiro, deu-se conta de que era impossível construir um anexo em um apartamento no segundo andar de um prédio.
Mike levantou-se e foi ao banheiro também. Entrou no boxe e testou a temperatura da água.
— A intenção é que vale.
— Ah, é?
— Deixo você trazer aqueles sinos de vento com tubos que parecem órgão de igreja também. Venha, ou já se esqueceu da campanha de uso racional da água que você mesma publica no jornal?
Willow acatou meio a contragosto, querendo evitar contato físico.
— O que mais posso dizer? — Mike despejou gel na mão e começou a esfregar as costas dela.
Muito mais, pensou ela. Mike a massageava, enfraquecendo sua determinação, ao ponto de reprimir um gemido de puro prazer.
— Traga tudo. Venha morar comigo.
Willow reteve o fôlego, aguardando o restante, mas, aparentemente, ele já terminara. Ficou de frente para ele.
— Por que eu faria isso?
O namorado riu.
— Porque sou irresistível? Porque você detesta dirigir até a sua casa no meio da noite, mas é gentil e carinhosa demais para me fazer sair da cama e levar você?

Aposta Arriscada

ROMANCE CONTEMPORÂNEO









Tudo que ele queria era ganhar uma aposta!

Sean Monahan adorava desafios, por isso aceitou apostar que namoraria a linda Alicia Pulaski, a nova garota da cidade. Se conseguisse sair com ela por mais de um mês teria sua fama de conquistador fortalecida e finalmente ganharia uma aposta. Mas envolver-se com aquela mulher significava perigo…
Alicia já sofrera duas decepções amorosas e não pretendia arriscar o coração mais uma vez. No entanto, depois de sair com Sean durante quase um mês, ela começou a mudar de ideia…

Capítulo Um

Não havia nada que Sean Monahan gostasse mais do que um jogo de pôquer com seus irmãos. Sean era um jogador por natureza, e um vencedor desde o nascimento. Quando se arriscava, sempre acabava ganhando. E não havia nada que o agradava mais do que desafiar sua própria família.
Esse era exatamente o tipo de sujeito que ele era.
Ele, dois irmãos e dois amigos haviam jogado pôquer por mais de uma hora, e Sean já ganhara um bocado. Melhor ainda, ganhara quase tudo do irmão mais velho, Finn. Se continuasse assim, logo teria o dinheiro para pagar a entrada daquele novo roadster, o automóvel que namorava havia meses.
Sentado na cozinha do elegante e enorme apartamento de Finn, Sean olhou para Cullen, um dos três irmãos mais novos, tentando adivinhar as cartas que teria, observando a expressão do rosto. Ao fazê-lo, deu uma baforada no charuto que fumava, aspirou o aroma picante do chili que Finn preparava, e ponderou se deveria, ou não, pegar mais uma cerveja gelada. Ou se deveria esperar que alguém se levantasse, provavelmente Finn, e lhe trouxesse uma.
A vida não poderia ser melhor.
— Onde está Will? — perguntou, estranhando a ausência do melhor amigo de Finn, desde criança, e membro constante do grupo que jogava pôquer duas vezes por mês, acompanhado de chili e cerveja.
O irmão mais velho riu e respondeu:
— Will tinha alguns assuntos para resolver — disse misterioso. — Ele está com muitas ideias na cabeça.
Charlie Hofsetter, outro membro do grupo de cinco amigos, ergueu o olhar.
— É por isso que andou tão estranho a semana passada? Nunca tinha visto Will assim.
Finn riu de maneira maliciosa, deu uma baforada no charuto e passou a mão pelos cabelos escuros.
— Como disse, tem assuntos para resolver.
— E o que isso significa? — insistiu Sean, também passando a mão por entre os cabelos, e pensando que tanto ele, quanto Finn, precisavam cortá-los.
— Logo saberão — disse Finn, sem mais explicações.
Sean resmungou impaciente.
— Sempre acha que sabe tudo, Finn.
— É porque sei mesmo — confirmou o irmão.
Sean queria muito protestar, mas não o fez. De certo modo, ele concordava que Finn tinha sempre razão. E esse era um traço muito incômodo em um irmão mais velho.
— Gordon também não veio. O que houve? — perguntou Sean, imaginando porque nenhum dos outros havia falado nisso.
Cullen suspirou dramático.
— Gordon está com o coração partido — disse em um tom de voz choroso, tirando uma baforada do charuto.
Sean riu sem acreditar.
— Isso é novidade. Eu nem sabia que Gordon tinha coração. Quem é a garota?
Cullen mudou o charuto de posição, levando-o para o outro canto da boca, e resmungou.
— Alicia Pulaski.
— Alicia Pulaski? — repetiu Ted Embry incrédulo. — Por que ele saiu com ela? Todos sabem que Alicia nunca namora ninguém mais de um mês.
— Um mês lunar, para ser exato — corrigiu Charlie.
— Ela é estranha — comentou Ted.
— Liberada — corrigiu Finn. — Acho que a palavra certa para uma mulher como ela é liberada.
— Uma batata quente parece mais adequado — acrescentou Cullen.
Nenhum dos homens discordou, incluindo Sean. Na verdade, todos pararam de falar por um momento, como se pensassem no assunto. Por fim, Ted disse:
— Acho que entendo por que Gordon saiu com ela. Mas ele sabia que não devia ter colocado o coração nesse caso. Aliás, não devia ter colocado nenhuma parte do corpo além do…

Vibrante Como o Amor

ROMANCE CONTEMPORÂNEO








Para ter Alyce, Greg precisaria enfrentar mais do que um conflito de gerações.

Greg Holmes tinha boas e más recordações dos anos sessenta. Ele usara os cabelos longos, vestira túnicas indianas e participara de inúmeros happenings, onde arte e ativismo político mesclavam-se ao som de rock e cores psicodélicas.

Agora os tempos eram outros, mas Alyce McKenzie, de guitarra em punho e movida pelos antigos ideais da geração hippie, parecia não entender isso. Greg, um homem realista e um tanto cético, sabia que teria muito trabalho para arrancá-la dos sonhos do passado e com ela viver um grande amor.

Capítulo Um

Era uma tarde de domingo num grande parque público da cidade de Minneapolis. No interior de um velho carro vermelho, Greg Holmes observava, com ar desalentado, a multidão que se comprimia ao redor do lago. O local estava apinhado de adolescentes. Assim, prevendo que se sentiria como um peixe fora d’água e não se achando disposto a ouvir rock, ele se voltou para o filho, que estava ao volante, e disse:
— À medida que se vai envelhecendo, Chris, os interesses mudam. Pode crer em mim. — E acrescentou: — Além disso, vai chover. Olhe só aquelas nuvens se formando.
— Não vai chover, não, papai. Você é que está tentando encontrar uma desculpa para não ficar. — Bateu de leve na perna do pai, encorajando-o: — Vá em frente, solte-se! Procure se divertir um pouco. Nós passamos a semana toda arrastando móveis de um lugar para outro, agora é hora de relaxar, está bem?
— Conheço um jeito melhor para relaxar: uma boa soneca.
— Ora, papai. Você adora ouvir esse tipo de música. O repertório desse concerto ao ar livre é a música dos anos sessenta, lembra-se? Prometi a Diane que passaria na casa dela antes do show, mas, se você insiste, eu o levarei de volta ao apartamento de Brian.
Percebendo que a batalha já estava perdida, Greg aquiesceu:
— Oh, filho, você venceu. Vá conversar com sua namorada, mas procure por mim, assim que voltar. Estarei próximo ao palco, certo?
Chris sorriu satisfeito, e a expressão quase infantil de alegria estampada em seu rosto fez com que aparentasse bem menos do que os dezenove anos que realmente tinha.
— Vamos nos divertir muito juntos, pai. Eu prometo — asseverou ele, radiante, e acrescentou: — Não se preocupe, estarei de volta dentro de meia hora.
Greg mal teve tempo de saltar, e Chris já batia a porta do carro e pisava fundo no acelerador, desaparecendo rua abaixo, numa fração de segundo.
Greg meneou a cabeça em sinal de reprovação, dando graças pelo fato de Chris não estar dirigindo o Chevrolet do ano que ele acabara de comprar.
De repente, voltara a sentir uma fisgada no ombro no qual dera mau jeito, pela manhã. Sentindo, de novo, o corpo todo dolorido e ainda bastante zangado com a imobiliária que lhe vendera aquela casa cheia de goteiras por todos os cantos, Greg caminhou pelas alamedas floridas do parque, rumo ao local do concerto. A dor muscular, o cansaço e o aborrecimento faziam com que se sentisse, naquele momento, um homem velho, embora estivesse com quarenta e dois anos.
Constatou, então, contrariado, que, apesar do que Chris lhe dissera, em breve iria chover outra vez, o que significava que aquela umidade do ar provavelmente terminaria por lhe destruir o tapete da sala já bastante danificado pelas goteiras.
Após comprar o ingresso e receber o folheto com o programa do show, Greg abriu caminho por entre a multidão, postando-se na primeira fila, em frente ao palco erguido especialmente para o evento e, acima do qual, fora colocada uma enorme faixa branca com os dizeres: “Show Beneficente — Apresentação: Sunshine Band — Promoção: Sociedade Beneficente Sunshine”. 

Uma Grande Paixão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO


Afinal, qual era a sua função?

Tess Lonigan não aguentava mais os planos que suas amigas, Emma e Raine, armavam para fazê-la casar-se novamente. Com uma carreira de sucesso e muita responsabilidade, Tess decidiu contratar um novo assistente para ajudá-la no trabalho e também para fingir ser seu noivo... tudo para fazer as amigas desistirem de seus planos. 

Com o passar dos dias, porém, percebeu que algo em seu plano começava a dar errado, pois se deu conta de que o "novo assistente" estava controlando e ocupando todos os seus passos e pensamentos! E que a farsa estava se transformando em uma grande paixão!

Capítulo Um


Prólogo
Tess Lonigan dirigiu-se ao único feixe de luz que quebrava o escuro da sala.
— É aqui o Comité Matrimonial?
Após a pergunta, ouviu barulho de folhas de papéis sendo remexidas e alguns comentários sussurrados. Por fim, uma voz conhecida se pronunciou: — É, sim. Em que podemos ajudá-la?
Tess esforçou-se para conter o riso. Seu irmão tentava disfarçar a entonação com um sotaque sulista, que não estava funcionando. O máximo que conseguiu foi fazê-la achar graça.
— Tenho duas amigas para as quais gostaria que arrumassem o marido perfeito. A primeira é Emma Palmer, de San Francisco, e a outra, Raine Featherstone, do Texas.
— Mas elas querem que esse arranjo matrimonial?
— Na verdade, não. Mas eu tenho sua permissão.
— Tudo bem, aceitamos o desafio. — Até que enfim Seth parou de falar daquele jeito ridículo. — Mas como pode ter a anuência se suas amigas não estão interessadas?
— Quando éramos adolescentes, fizemos um pacto"; se qualquer uma de nós chegasse aos trinta anos sem encontrar sua alma gémea, as outras ficariam encarregadas de resolver a questão.
Mais papéis remexidos e mais sussurros. Tess queria poder ver quem eram os membros daquele comité. Mas a iluminação fora arrumada de tal maneira que aquilo seria impossível. Ótimo. Estava entrando num filme noir, sendo interrogada sob uma luzinha fraca por um comité secreto como se fosse uma donzela aflita.
Ela forçou um sorriso. Tudo bem, talvez não fosse exatamente uma donzela aflita, mas, no momento, lhe pareceu conveniente. Agora, tudo de que precisava era um protagonista valentão, e tudo estaria completo.
Mal concluíra seu pensamento quando outra pessoa se fez ouvir:
— Seu argumento é intrigante. Como pode ter certeza de que tudo não passou de uma brincadeira de adolescente?
Tess não reconheceu quem falava, mas suas palavras soaram graves e mais ríspidas que as de seu irmão.
— Talvez tenha sido. — Tess deu de ombros.
— Então, por que motivo iríamos virar o jogo contra as moças?
— Contra? — Tess cruzando os braços sobre o peito. — E essa a opinião de vocês sobre casamento? Um jogo entre dois adversários? Como pode? E eu que pensei que eram uma espécie de cupidos modernos...
— Só promovemos arranjos matrimoniais para aqueles que estão prontos para assumir um compromisso sério.
— Nesse caso, minhas amigas são escolhas perfeitas! Além de estarem prontas para se casar, uma delas já tem um pretendente na porta ao lado.
— Sendo assim, para que precisa de nós?
— Porque a tolinha ainda não percebeu o quão incrível aquele homem é. Para ser honesta, aquelas duas estão precisando de um empurrãozinho. Isso será fácil para vocês. Tudo o que têm a fazer é enviar o Instigador. Estou certa que ele levará pouco tempo para concluir o trabalho.
Seth gemeu.
— Como sabe sobre o Instigador? — questionou o estranho.
Tess assumiu sua expressão mais inocente. É claro que, depois de completar trinta anos, ser capaz de fingir inocência não era mais uma tarefa tão simples.
— Ah! Era segredo?
— Mas que droga, Tess! Lógico que era.
Ela sorriu, muito doce.
— Eu pensava que irmãos mais velhos não tinham conversas secretas onde as irmãzinhas pudessem ouvir...

Delirante Sequestro

ROMANCE CONTEMPORÂNEO






Jared não consegue resistir ao fascínio de Stephanie.

Os raios da tempestade riscam os céus e iluminam o casal dentro do chalé: Jared Baker e Stephanie Carnsbrough. Incapaz de conter as próprias reações, ela lhe retribui as carícias cada vez mais ousadas e pede:
"Não pare, por favor..."
"Tem certeza, Stephanie?"
De repente, livres das barreiras que os separam, seguem os instintos mais primitivos. Ali, no aconchego daquela sala, apenas dois corpos que se querem. O mundo lá fora não existe...

Capítulo Um

A primeira coisa que Jared notou ao entrar no escri­tório foram as rugas que começavam a marcar o rosto do senador J. Taylor Carnsbrough.
— Senador, há quanto tempo não nos vemos — dis­se, sorrindo de satisfação.
Ao ouvi-lo, Taylor desviou os olhos do relatório que tinha nas mãos e levantou-se para recebê-lo.
— Baker, você me assustou. Nancy mi... minha secretária não anunciou sua entrada. — E, num gesto amistoso, estendeu-lhe a mão. — Faz mesmo muito tempo que não nos vemos, não? — comentou, recordando a ocasião. — Já não sou o mesmo de então.
— Ora, não seja pessimista, senador.
Sem esperar pelo convite, Jared Baker sentou-se con­fortavelmente numa das poltronas próximas à mesa de Taylor.
— Sou apenas realista — constatou, sentando-se na cadeira giratória. Havia algo em Baker que o deixava pouco à vontade, ainda que em seu próprio escritório. — Tenho ouvido falar muito bem a seu respeito, Ba­ker. Durante estes anos, você se tornou um detetive de renome.
Jared era um homem de poucas palavras. Com um ligeiro inclinar de cabeça agradeceu a gentileza do elogio e foi direto ao assunto.
— Foi por isso que me chamou?
Taylor recostou-se na poltrona e riu descontraida-mente.
— Mas, pelo visto, continua o mesmo. Não gosta de perder tempo.
Jared observou o riso despretensioso e precaveu-se. Como a maioria dos políticos, J. Taylor Carnsbrough se mostrava um homem de mil facetas e, embora tives­sem tido um relacionamento amigável no passado, nun­ca era demais se prevenir.
— Não tenho muito tempo a perder — respondeu num tom decidido. — Afinal, por que me fez vir de Miami até aqui? O que quer de mim?
O senador esticou o braço e, distraidamente, come­çou a rolar uma caneta sobre o bloco de anotações. Então, num gesto repentino, deixou-a de lado e expli­cou:
— Quero que me faça um favor, Baker.
— Era o que eu suspeitava, senador. Prossiga.
O comentário seco o surpreendeu e Taylor enca­rou-o.
— Suspeitava?
— A vida me ensinou que ninguém se esquece de um favor prestado. Mais cedo ou mais tarde, vem a cobrança. Principalmente em se tratando de alguém como o senhor, concedendo um favor a alguém como eu.
— Alguém como...
Taylor ia comentar algo mas deteve-se. O bom sen­so o aconselhava a não trazer o assunto à tona.
— Você não me deve nada, rapaz. O que vou lhe pedir não tem nada a ver com o... incidente tão desa­gradável de dez anos atrás. Sua inocência ficou com­provada. Como seu advogado, meu papel era livrá-lo da acusação.
— Na época ninguém mais quis se encarregar da minha defesa — afirmou, olhando-o de maneira firme.
— Os outros simplesmente não podiam correr o risco.
— Mas você só me cobrou um terço dos seus hono­rários.
Surpreso, Taylor ergueu uma sobrancelha e Jared sorriu, confiante.
— Pensou que eu jamais descobriria, senador? Taylor tornou-se pensativo e franziu a testa.
— Como policial, você não ganhava o suficiente pa­ra pagar meus honorários normais.
— Portanto, devo-lhe um favor.
Mais uma vez, Taylor reprimiu uma resposta. Que diferença faria se Baker insistia em afirmar que lhe de­via um favor? Nenhuma. Na verdade, tanto melhor pois a obrigação moral de retribuir-lhe o obséquio tal­vez o tornasse mais propenso a aceitar a oferta que lhe faria.
— Pois bem, Baker. Agora sou eu quem precisa de um favor. Tenho enfrentado um problema bastante sé­rio e gostaria de confiá-lo aos seus cuidados. Ouvi di­zer que o consideram o melhor detetive de toda a Fló­rida. — Enquanto falava, reconheceu nos olhos de Baker o brilho característico da ambição. Seria mais fácil convencê-lo do que imaginara. "Ele não mudou nem um pouco... Ótimo."


Sabor Proibido

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Pronto, Jenny tinha conseguido! 


Depois de insistir durante anos com o pai, um homem poderoso e autoritário, havia obtido permissão para morar com uma outra família, no coração do deserto da Califórnia. Aquele era o lugar ideal para desenvolver seu talento como artesã e produzir os objetos de prata que um dia fizeram a glória de seus antepassados indígenas. 
Foi, e a primeira coisa que lhe aconteceu é que caiu de amores por Nick Butler, viúvo, pai da garotinha de quem ela devia cuidar. E quando ele a beijou, às escondidas, Jenny soube que nunca mais viveria em paz longe dos braços de Nick, dos seus lábios ardentes. Mas era uma sorte cruel, porque Nick, desencantado com o primeiro casamento, não levava mais as mulheres a sério...

Capítulo Um

— Esses motoristas de caminhão pensam que são os donos da estrada! — resmungou Jennifer Ross, recompondo-se e dando uma olhada nos veículos que corriam junto com ela pela estrada de quatro pistas. Um gigantesco caminhão carregado tinha acabado de ultrapassá-la pela esquerda, e o motorista só lhe deu sossego quando o deixou entrar. A buzina altíssima quase a fez sair pelo acostamento, de tão assustada. É verdade que ela ia um pouco além da velocidade permitida, mas o caminhão ia muito mais depressa.
Jennifer reagia sempre mal quando alguém tentava dominá-la, isso mexia com os seus nervos. Seu primeiro impulso foi fazer um gesto feio para o motorista, mas desistiu. Motoristas de caminhão não são flores que se cheirem, e não queria se meter em encrencas.
Fazia três horas que tinha saído de Davis, rumo ao sul, onde morava. Já tinha passado por Sacramento, Stockton, Modesto, Mercedes e mais uma porção de pequenas cidades no fértil vale de São Joaquim, na Califórnia. A paisagem não era nada repousante, com a estrada toda margeada por construções e casas comerciais. As áreas próximas às cidades eram uma massa cinzenta de velhas fábricas e parques industriais. Os raros pomares e pequenas propriedades rurais não conseguiam atrair a atenção de Jenny. Somente os distantes contornos azulados das montanhas Sierra Nevada é que lhe davam um pouco de tranqüilidade.
O desagradável incidente com o motorista de caminhão era apenas um dos muitos que ela tinha enfrentado. Os motoristas pareciam estar malucos; não eram cuidadosos nem corteses. Por isso ficou aliviada quando viu as letras brancas indicando a saída para Fresno. Ali estava a oportunidade de uma parada para almoço.
Jenny levantou os óculos escuros sobre os cabelos negros e presos para trás. Depois, esfregou os olhos com as mãos para espantar o cansaço. A temperatura naquele dia não estava das piores, e ela não tinha planejado parar para comer. Mas sabia que, dali para a frente, o calor escaldante transformaria o carro num verdadeiro forno, e teria muita sede.
Não via a hora de chegar ao motel em Bakersfield.
Depois de quase dois meses de discussão com o pai, decidida como estava a sair da escola, Jenny mal podia acreditar que estava indo para Scottsdale, no Arizona. Já fazia uns três anos que vinha planejando aquele vôo para a liberdade, e só de pensar nisso um largo sorriso iluminou seu rosto jovem.

domingo, 24 de julho de 2016

Um Gosto de Pecado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Série Os Setes Pecados Sensuais






Faminto pelo proibido!

Rose Heathcote conhece bem a reputação do bilionário Gene Bonnaire e está determinada a nunca mais ceder a um homem como ele. O carismático Gene sempre consegue o que deseja, e, no momento, o que ele mais quer é comprar o antiquário de Rose, transformá-lo em um restaurante... 

E levar a antiga dona para a cama! Conseguir a loja seria fácil, Rose não pode negar os benefícios da oferta. Contudo, seduzir essa mulher audaciosa seria um verdadeiro desafio. E logo Rose se transformaria na maior aquisição de Gene!

Capítulo Um

Rose estava de pé, ao lado da janela, hipnotizada pela chuva que não parara de cair durante toda a manhã, quando um Mercedes preto brilhante estacionou na porta da loja de antiguidades.
Aquilo parecia uma cena de filme, e ela se sentiu imediatamente revitalizada. Seu coração batia forte no fundo do peito, pois sabia que se tratava do visitante que esperava nervosamente... Eugene Bonnaire.
Só de pensar no seu nome ficava trêmula. Ele era um dos donos de restaurante mais rico do país, um homem com uma reputação de sempre conseguir o que queria. E quando o chefe de Rose, Philip, colocou a loja de antiguidades à venda, Eugene, sendo um perfeito homem de negócios, não demorou em deixar claro o seu interesse no imóvel.
Não era a primeira vez, naquela mesma manhã, que ela sentia vontade de ter Philip ao seu lado, mas a saúde cada vez mais deteriorada do chefe não ajudava, e ele estava no hospital. Na sua falta, pedira à Rose que cuidasse da venda do imóvel.
E essa era uma enorme e dura responsabilidade para ela. Não simplesmente por ele estar doente, e ela temia que Philip nunca se recuperasse, mas porque, no fundo, Rose sempre imaginou que um dia poderia ser dona daquele comércio. Passara dez ótimos anos trabalhando para Philip, que a treinara como compradora e vendedora, e a verdade é que adorava aquele lugar. Consequentemente, não se sentia predisposta a entregá-lo nas mãos do primeiro comprador que aparecesse à sua porta.
Ao dar uma primeira olhada em direção ao homem, após seu motorista ter aberto a porta do carro, deixando que Eugene saísse em meio à chuva que caía, tudo o que Rose viu foi uma calça com corte italiano perfeito, além de um terno de veludo não menos impressionante. Ela ficou sem fôlego. Assim que viu as feições incríveis do homem, seu queixo bem-talhado e seus olhos azuis cristalinos, várias vezes descritos pela imprensa como “invariavelmente perturbadores”, sentiu que ficaria cara a cara com seus maiores medos, mas também com seus maiores (e mais inexplicáveis) desejos...
Ficou com raiva de si mesma por ter pensado nisso. Querendo se livrar do quase transe ao vê-lo, passou as mãos em seu vestido azul-marinho, e, mais calma, seguiu em direção à porta. E só então percebeu que o visitante era muito mais alto que ela.
Erguendo o rosto para encará-lo, ela disse:
— Eugene Bonnaire? Por favor, entre. Eu sou a assistente do Sr. Houghton, Rose Heathcote, e fui designada para conduzir essa reunião em nome do meu chefe.
O lindo francês entrou na loja. Charmosamente educado, apertou uma das mãos de Rose e curvou ligeiramente a cabeça. No mesmo momento, ela percebeu a força enorme que ele exalava.
— É um prazer conhecê-la, Srta. Heathcote, mas eu devo confessar que fiquei abalado ao saber que seu chefe está doente. Eu poderia saber como ele está?
Antes de responder, Rose fechou a porta e ajustou o cartaz nela dependurado, que passou a indicar “fechado”. Ela agradeceu aquela chance de se recompor antes de voltar a olhar para o homem. O seu aperto de mãos não apenas deixara claro que ele era um homem, mas o tom profundo de sua voz, com um grave tão atraente, a fez sentir como se uma lixa tivesse sido esfregada sobre a sua pele. Tudo o que ela pedia era que o sangue concentrado em sua cabeça não fosse tão óbvio para ele.
— Eu adoraria poder dizer que ele está um pouco melhor, mas os médicos já me avisaram que a sua recuperação vai demorar bastante.
C’est la vie. São coisas da vida... No entanto, saiba que eu desejo o melhor para ele.
— Obrigada. Eu transmitirei o seu recado quando o visitar. O senhor gostaria de me acompanhar ao escritório, Sr. Bonnaire? Acho que já poderíamos dar início à nossa reunião.
— Antes de conversarmos sobre qualquer coisa, eu agradeceria se você pudesse me mostrar este espaço, Srta. Heathcote. Afinal de contas, eu estou aqui para isso.
Embora um sorriso charmoso tenha se formado em seu rosto, acompanhando sua fala, Rose percebeu que aquele homem não seria ludibriado com conversinhas, ainda que estas fossem educadas e bem-planejadas. Nada evitaria que ele seguisse em direção ao seu objetivo, e naquele dia o seu objetivo era decidir se compraria ou não aquela loja de antiguidades.
— Claro — respondeu ela. — Será um prazer.

Série Os Setes Pecados Sensuais
PRIMERA TEMPORADA
Série Concluída

SEGUNDA TEMPORADA
4- Um Gosto de Pecado
5- Redenção do Pecado - Em Revisão
6- Bodas de Pecador - Idem
7- Inocente Pecadora - Idem

Laços do Passado

ROMANCE CONTEMPORÂNEO







Uma intriga... Um segredo...

Garrett Blackhawk esperava que seu romance com Mary Jane um dia acabasse em casamento. Mas teve de se ausentar temporariamente da cidade, e mal virou as costas ela se casou com outro! Agora, Mary Jane está viúva, tem três filhas e... Garrett está de volta... querendo explicações!
Mary Jane Kelleher ficou surpresa quando Garrett a acusou de ser responsável pelo fim do relacionamento. Afinal, não fora ele quem escrevera uma carta terminando tudo? Mas sua grande surpresa foi saber que Garrett ainda pretendia se casar com ela!

Capítulo Um

De pé junto ao telefone na cozinha, Mary Jane Kelleher apertava com tanta força o aparelho na mão que apresentava os dedos brancos. Gostaria de não ter de dar aquele telefonema. Na verdade, abriria mão de metade da fazenda para evitar o suplício. As filhas Becca, Shannon e Brittnie a encorajavam a telefonar, até porque não apreciariam o depauperamento da herança.
Apesar do medo e do nó na garganta, não tinha escolha. Alguém precisava telefonar e, por processo de eliminação... sem mencionar covardia por parte dos vizinhos... fora eleita. Pela décima vez, leu o número escrito no papel amassado, embora já o soubesse de cor. Respirando fundo, posicionou o fone ao ouvido e teclou os números. Atenderam no segundo toque. Com o coração disparado, sentou-se na banqueta alta para não desabar.
— Bom dia. Obrigada por ligar para o Grupo Blackhawk — atendeu uma voz jovem e nítida. — Meu nome é Kay. Em que posso ajudar?
A eficiência da moça forçou Mary Jane a parar de tremer e justificar a chamada.
— Eu gostaria de falar com o sr. Garrett Blackhawk — sussurrou. Conseguiria, convenceu-se. Conseguiria, se permanecesse calma e focada.
— Lamento, o sr. Blackhawk está em uma reunião. Quer deixar recado?
Mary Jane resistiu à vontade de resolver a questão de forma fácil. Deixaria um recado com as informações necessárias. Garrett não teria de dar retorno. Não seria necessário falar com ele... para felicidade de uma covarde.
— É realmente muito importante — declarou Mary Jane. Quantos dos funcionários de Garrett saberiam de sua situação familiar?, imaginou. — É... pessoal e confidencial — esclareceu, franzindo o cenho à frase banal. Informou seu nome e telefone e pediu: — Por favor, peça que ele me ligue o mais rápido possível e...
— Oh, espere um segundo, senhora — interrompeu a moça. — A reunião acabou. Vou ver se o sr. Blackhawk pode atendê-la agora. Por favor, aguarde na linha.
A atendente colocou-a na espera e Mary Jane passou a ouvir música de uma rádio de Albuquerque, onde Garrett morava. Dono de uma fazenda enorme e de outros negócios na maior cidade do Novo México, Garrett era um homem bem-sucedido, o orgulho de sua cidade natal, Tarrant, no Estado vizinho do Colorado, embora a visitasse poucas vezes naqueles vinte e oito anos desde a formatura no ensino médio. Ele se alistara no Exército e lutara no Vietnã. Na volta, cursara a faculdade e finalmente abrira seu próprio negócio.
Ela estava feliz por Garrett, contente por ele ter conseguido aquilo em que o pai dele nunca acreditara: que alcançaria o sucesso sem sua ajuda, influência ou dinheiro. Mary Jane estivera em Albuquerque várias vezes ao longo dos anos, mas nunca se encontrara com Garrett. Mesmo agora, não queria. Na verdade, provavelmente não teria de vê-lo. Bastava dar o recado e seria o fim de...
— Mary Jane? — clamou uma voz grave através da linha telefônica. Houve pausa, e o homem repetiu, num tom permeado de incredulidade. — Mary Jane Sills?
Mary Jane sobressaltou-se, quase deixando cair o telefone.
— É... é Kelleher agora, Garrett.
— Sim — apressou-se ele. — Claro, eu sabia. É que estou surpreso com o telefonema...
— Eu sei, Garrett, e lamento ter assustado você. — Como se procurasse segurança, uma âncora familiar, ela olhou ao redor da cozinha. Garret. Garrett Blackhawk, após tantos anos!
Tinha os pensamentos mais dispersos do que as bolas de gude que seu neto Jimmy largara no chão da cozinha.
— Não me assustou. É só... que estou surpreso. — Ele riu, desdenhoso de si mesmo. — Já disse isso, não?

Verão Implacável

ROMANCE CONTEMPORÂNEO




O calor está muito intenso. 


Vicky se despe e mergulha nas águas refrescantes do rio. Instantes depois, mãos fortes a seguram. Race Bennett a puxa para si e a beija com volúpia, os corpos nus se resvalando numa súplica muda. Vicky não resiste; não quer resistir ao apelo do desejo. E os dois se amam com sofreguidão, seus gemidos se misturando ao murmurar das águas do rio. 
Nesse momento, ela não quer pensar em nada. Nesse momento Race deixa de ser seu inimigo para tornar-se apenas seu amante!

Capítulo Um

— Quem é Race Bennett? — Victoria Wood perguntou a John Smith, franzindo as sobrancelhas numa profunda ruga de curiosidade.
O advogado deu um meio sorriso e respondeu:
— É o filho natural de Henry Race.
— Filho natural?
— É. Ilegítimo.
Vicky entreabriu os lábios e arregalou os olhos.
— Quer dizer que...
O homem consentiu com um gesto de cabeça.
— Então Henry tinha um bastardo... Quem diria! — ela concluiu pensativa. — Ele nunca me disse!
O advogado lançou-lhe um olhar de censura e afirmou:
— O termo “bastardo”, embora tecnicamente correto, parece-me um tanto pesado. Não acha, Srta. Wood?
— Oh! Claro!... Desculpe-me. É que estou muito preocupada com o que irá acontecer.
John Smith reclinou-se na poltrona de executivo que ocupava e declarou com um suspiro:
— Vai depender da senhorita e do Sr. Bennett, uma vez que o testamento de Henry Race os deixou juntos como herdeiros da propriedade. Se um dos dois quiser vender a metade a que tem direito ao outro, poderá ser arranjado. Quanto ao capital, vocês podem dividir no ato.
— Que capital?
— Henry destinou uma quantia em dinheiro que servirá para ajudá-la na administração dos negócios.
— Não diga! — ela exclamou com um grito de júbilo. — E o que a família dele achou disso tudo?
John Smith ficou sisudo diante daquela explosão de alegria. E Vicky, meio sem graça, resolveu calar-se.
O advogado passou a discursar com a voz monótona os termos legais e as figuras jurídicas, explicando as responsabilidades que ela deveria assumir. Vicky forçava-se a concentrar-se no assunto, ao mesmo tempo que analisava o homem: ele era baixo e magro, vestia-se com sobriedade e falava pausadamente. “Acho que ele é formal até para dormir”, pensou.
— ...e é claro que nada disso é definitivo até que eu saiba das intenções da senhorita e do Sr. Bennett — John Smith finalizou levantando as sobrancelhas.
Vicky remexeu-se na cadeira e, depois de um instante, esclareceu:
— Bem, quanto a mim estou resolvida a continuar em Oak Hill e levar adiante o canil. Exatamente da forma como Henry e eu planejamos antes de ele morrer.
— Nesse caso, vamos aguardar para ver quais serão os planos do Sr. Bennett.
— O senhor conseguiu falar com ele?
— Sim. Por telefone, alguns dias atrás e o coloquei a par da herança e das condições. Provavelmente ele já deve estar vindo para Washington e logo nós três poderemos nos reunir.

Rapsódia de Verão

ROMANCE CONTEMPORÂNEO





Ofegante, Maggie encarou Steve. 


Estavam sozinhos sob o luar, embriagados pelo perfume dos jasmins e pela paixão que não podiam mais controlar. Ele a puxou de encontro ao corpo, beijando-a com sofreguidão, despindo-a com gestos trêmulos. Ela sabia que no dia seguinte estariam arrependidos de ter quebrado o pacto de jamais se envolverem. Sabia que teriam de se separar e abandonar aquela ilha paradisíaca. 
Mas como não se render ao que era mais forte do que a razão? Como dizer não a esse homem que a enlouquecia de desejo?

Capítulo Um

Maggie Sanderson continuava andando, sem ligar ao cansaço, sem prestar atenção às pessoas, percorrendo quilômetros e quilômetros por ruas desconhecidas de Londres, entrando e saindo de lojas sem nada ver, atravessando parques, onde canteiros e mais canteiros de narcisos e tulipas agitavam-se suavemente com a brisa de abril. Ainda pensava em David, ainda se lembrava com detalhes da cena de despedida, daquele momento cruciante em que ele lhe dissera adeus, exatamente há cinco semanas, três dias e quatro horas...
— Bom, então até logo, Maggie. Obrigado por tudo. A gente se vê por aí...
Seria assim que terminavam os casos de amor, mesmo depois de seis anos? pensara ela naquele instante, amargurada. De modo tão civilizado! Bem, era verdade que David sempre fora muito civilizado e bem educado. Nada de brigas, discussões, sentimentos exaltados, violentos. Nada de grandes danos. Porém, quando se tratava de assuntos do coração, a questão era bem diferente...
Vira-o esgueirar-se entre o cavalete e a parede, com todo cuidado para não esbarrar no quadro que ela havia acabado de pintar e ainda estava com a tinta molhada, parar na porta e virar-se. Por um breve e esperançoso instante pensara que ele fosse voltar atrás e abrir-lhe os braços. Depois, com um nó na garganta achara que ele ia estender a mão para apertar a sua em despedida. Isso realmente seria demais; ela não iria suportar! Porém, ele tornara a dar-lhe as costas e seguira em frente.
Ela permanecera imóvel, como que petrificada, escutando os passos dele na escada, de início lentos e depois mais apressados, degraus abaixo, até que por fim ouvira o clique da porta da frente ao se abrir e em seguida se fechar novamente...
Como se enxergasse o mundo através de uma névoa, ela foi aos poucos percebendo onde se encontrava. Ali era a rua do mercado, centenas de pessoas agitavam-se a sua volta, vendedores de várias nacionalidades apregoando suas mercadorias; gente passando apressada de um lado para outro, empurrando-a como um boneco sem vontade até que ela se viu diante de uma barraca de frutas.
— Quer levar alguma coisa, moça?
A voz, aquele sotaque morno e reconfortante, como uma xícara de chocolate quente... De algum lugar em sua mente lembranças distantes se agitaram.
— O quê? — perguntou, fitando com olhar vazio a vendedora corpulenta e de pele bem morena que usava um casaco apertado e um chapéu com flores.
— Mangas de Bombaim, moça... madurinhas, boas para comer.
Obedientemente Maggie pegou a fruta avermelhada que a mulher lhe estendia e, ao segurá-la em suas mãos frias, o aroma adocicado invadiu-lhe as narinas.
Moon Creek... A fachada branca da velha casa refletindo o sol da tarde, o calor gostoso... As mangueiras antigas e copadas no quintal cheias de frutas maduras... Por um mágico instante a rua escura do mercado de Londres e a tarde cinzenta de abril desapareceram e ela se viu de volta à deliciosa casa de sua avó na pequena ilha de St. Hilaire, no Caribe.
De repente, como num estalo, compreendeu o que deveria fazer. Como não pensara nisso antes? Por que demorara tanto para entender?